domingo, setembro 17, 2006
Eutanásia
Pesquisei e pude constatar que existem três tipos de eutanásia quanto ao consentimento do paciente:
-Eutanásia voluntária: quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente.
-Eutanásia involuntária: quando a morte é provocada contra a vontade do paciente.
-Eutanásia não voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em relação a ela.
Hoje vi uma reportagem no "Fantástico" sobre um assunto polêmico. Novas pesquisas científicas indicam que, possivelmente, pacientes considerados em estado vegetativo, coma e outros podem estar conscientes. Algo nunca antes considerado. O paciente recebe estímulos verbais do tipo "Imagine que está jogando tênis" e uma área do cérebro é ativada. "Imagine que está conversando com sua mãe" e outra área é ativada. Como se fosse uma resposta ao estímulo, bastante coerente por sinal. Os mesmos estímulos foram aplicados em pessoas com a saúde normal e os resultados foram exatamente os mesmos.
Alguns médicos ainda resistem a essas novas descobertas, mas os estudos são científicos e estão perto de uma reviravolta no mundo da medicina.
Sempre pensei dessa maneira (que alguém em estado "vegetativo tivesse sim, alguma vida). Por alguma razão, nunca achei que uma pessoa com o coração batendo e com oxigênio no cérebro pudesse estar praticamente morta. De jeito nenhum.
Mas, sobre uma pessoa em estado vegetativo, alguém poderia me perguntar: "Que tipo de vida é essa?". Na minha opinião, vida é algo subjetivo. Você já morreu para comparar a morte com qualquer tipo de vida? E o que é pior? Isso depende de cada um. Por isso sou a favor apenas da vontade do paciente. Se antes do ocorrido, tal vontade for deixada como documento legal.
Talvez ter o mínimo de consciência seja melhor do que nada. Talvez apenas respirar seja melhor que nada. Acho que muita gente pensa da seguinte maneira: "Imagina, todos com pena de mim... melhor morrer!". Por isso disse no início do post: questões como o orgulho pessoal estão envolvidas.
Não sei o que eu escolheria mas, definitivamente, não gostaria que me matassem sem o meu consentimento.
sexta-feira, setembro 15, 2006
Um poema
" Ser " - Carlos Drummond de Andrade
O filho que eu não fiz
hoje seria homem
Ele corre na brisa
sem carne sem nome.
Às vezes o encontro
num encontro de nuvem
Apóia em meu ombro
seu ombro nenhum.
Interrogo meu filho
objeto de ar:
em que gruta ou conchaquedas abstrato?
Lá onde eu jazia
responde-me o hálito:
não me percebeste
porém chamava-te
como ainda te chamo(além, além do amor)
onde nada, tudo aspira a criar-se.
o filho que eu não fiz
faz-se por si mesmo."
domingo, setembro 10, 2006
Sixpence None The Richer

Eu definiria a banda Sixpence None the Richer como o extremo contrário da dor. Apesar de a música ser geralmente melancólica, num ritmo lento, com arranjos que lembram a tristeza, é impossível sentir-se exatamente triste ao escutá-los. É contraditório, eu sei. Mas Sixpence marca. Marca de forma delicada, suave, porém penetra na sua alma bem fundo. É uma sensação, de prazer, inexplicável.
Vou tentar explicar melhor: talvez a música lembre dor e seja originada desta, mas de uma forma tão pura e sensível, sincera, que para as canções são transmitidas apenas coisas positivas, pacíficas.
A beleza dos sentimentos de Matt Scolum é indiscutível. Entendem? Assim sendo, mesmo com uma obra completamente cheia de lágrimas por parte do autor, Sixpence é sempre, sempre uma sensação agradável. Prazerosa. Poderosa. Faz quem ouve feliz. A voz de Leigh Nash acalma. Faz quem ouve feliz. A beleza da música em si, como um todo, compensa qualquer melancolia ali contida.
Para quem está sofrendo por amor, o negócio complica um pouco, porque aí então os sentimentos de Matt podem confundir-se com os do ouvinte. Não sei se indicaria para este caso, é subjetivo. Talvez escutar a banda traria uma sobrecarga muito forte, insuportável para quem já está de coração partido. Mas se você não deixar a música em si misturar-se com sua história pessoal, os None The Richer vão fazer você mergulhar num mar de emoções positivas. Pois, como eu disse, Sixpence não traz dor, apesar da melodia tristonha... traz conforto, uma emoção bastante bela, peculiar. Feliz. E ainda, é como uma expulsão de sentimentos ruins acumulados, é uma expressão através de outrem, é aquela poesia que fala por você e faz a saudade ou qualquer coisa insuportável pular pela garganta e ser substituída pela extrema excitação. Pois uma arte tão perfeita só pode me dar isso: alegria de viver.
Tension is a passing note - Sixpence None The Richer
Eu mato quando te esqueço à distância?
Bêbado demais no veneno das estradas sem fim
E as incontáveis barras fumegantes
Mas a tensão deve ser amada
Quando é como uma nota momentânea
Para uma linda, linda melodia
Eu nos mataria, obstruindo minhas veias?
Lançando dentro, uma heroína especial
Para a busca e deslocamento?
sábado, setembro 09, 2006
Cecília Meireles
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos, severos conosco,
pois o resto não nos pertence."
(Cecília Meireles)
Digam-me, não era Cecília um ser extremamente pensante e sensível? Uma filósofa incrível. Na minha opinião ela era tanto filósofa quanto poetisa.
Concordo plenamente quanto a idéia de recompensa e glória. Paremos de pensar em fazer coisas só para ver inflar o ego. Ou pensando no retorno. Sintam-se bem consigo mesmos e esqueçam essas falsas idéias de felicidade. Amemos (em todos os sentidos) quem realmente amamos, deixem-se desfolhar, como diria Cecília. A felicidade não está no retorno apenas, está principalmente em dar. Dar, doar, compartilhar. O retorno é ótimo, mas não devemos fazer as coisas apenas pensando nesse sentido.
"É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre"
Outra frase incrível. É preciso ter sensatez para amar o velho tanto quanto o novo, e não desvalorizar um em prol do outro.
E vejam como ela é crítica, dizendo que devemos esquecer um pouco o pulsar de nossas próprias veias. Esse poema tem uma conexão incrível como o meu texto, que postei dias trás, "Sobre o teu sentir". Quando eu digo: Sinta o pulsar da veia alheia e o sal da lágrima de José", quero dizer o mesmo que a Meireles quando ela diz: "O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. "
segunda-feira, setembro 04, 2006
Sobre o teu sentir

Para ti, calma é tédio. Para mim, ela é vida. Para ti, paixão e amor são o mesmo. Em mim, eles discernem por completo.
Tu entras em ti como alguém com fome de tudo, como se aí dentro vivessem todas as outras coisas e como se nada externo fosse realmente orgânico. Uma folha e nada são a mesma coisa. Não tens sensibilidade para perceber a vida da folha. Os ramos, quase sanguíneos... Ela respira por nós.
És tão capaz. Por que canalizas atenção para as coisas sem real importância? O externo é tão ilusório quanto tua própria carne. Concreto, então. Substancial. Necessitas tempo e reflexão. A vida não é notada quando passas por ela tão rápido. E de nada adianta tanta sensibilidade e amor guardados apenas para irem à tua própria direção.
Falo isso sem saber ao certo o por quê. Eu queria, talvez, que percebesses a intensidade de cada coisa viva. E até do inanimado. O mundo não poderia desperdiçar tais possibilidades. Não, não poderia ser tão robotizado e limitado.
Gosto de harmonia e de paz, percebes? Mas a primeira não implica algo simplório. Dentro de um universo existem muito mais elementos que em uma tabela periódica. Pois nesta estão só os ingredientes primários! Há toda a consequência. E existem as não-consequências, que vai lá saber se é coincidência ou acaso. Há o capuccino e há a jangada na orla baiana.
É tudo diferenciado, porém com enorme potencial harmônico. Tudo pode se encaixar perfeitamente e eu queria que tu te encaixasses nisso, nesse folhetim-celular chamado Humanidade & CIA ou Todas as Coisas Sensíveis ou ainda, Vida. Ajuda-me a montar esse quebra-cabeça. Olha para fora, sente o pulsar da veia alheia e o sal da lágrima de José.
Valéria.
sábado, setembro 02, 2006
Xô, Sarney!

Mais uma adepta.
Antes dessa polêmica de repercussão mundial, eu já estava tentando publicar um texto-alerta sobre Sarney & Cia no site Duplipensar, mas até agora não obtive resposta. Para a minha felicidade fiquei sabendo da história da jornalista do Amapá e de sua irmã, que botaram a boca no trombone! Senti-me menos solitária nesta indignação para com José e Roseana Sarney, dois populistas ditadores com cara de santinhos e caráter carente de óleo de peroba.
Para quem não ficou sabendo da história, aqui está um artigo sobre, que saiu há uns 3 dias atrás no Jornal Pequeno do MA.
http://www.jornalpequeno.com.br/2006/8/31/Pagina41300.htm
Blog da jornalista Alcinéa Cavalcante:
http://alcineacavalcante.blogspot.com/ (esse é o novo, pois o antigo foi denunciado pelo ditador! Hail, Hitler!!)
Um blog de transição:
http://alcinea.blig.ig.com.br/ (Nesse vocês podem entender melhor o que se passou).
O blog original e o blog da irmã de Alcinéa, Alcilene, foram retirados do ar por mando do bigodudo.
domingo, agosto 27, 2006
Sophie Scholl

A Sophie do filme, representada por Julia Jentsch.

Li críticas sobre o filme (Uma Mulher Contra Hitler - Sophie Scholl, 2005) um tanto pessoais, que me deixaram bastante irritada. As pessoas costumam generalizar ações tomando por exemplo elas mesmas e quando algo é diferente do usual, normalmente é tachado de mentira, algo falso, hipócrita. Li um comentário ridículo em um blog dizendo que os personagens fizeram aquilo por si mesmos. Perder a própria vida por si mesmo? Em troco de quê? Mal poderiam eles imaginar a repercussão de seus atos, que viria tanto tempo depois. Nunca, jamais, falem baseados apenas em si mesmos. Aliás, essa é uma das leis de qualquer filosofia. Uma lei básica.
A verdade é que a maioria das pessoas se trai o tempo inteiro, trai as próprias convicções por fraqueza, e quando alguém segue a linha contrária parece algo tão inacreditável que dizem "não, essa pessoa não é humana, onde estão suas fraquezas?", como se ser humano fosse ser necessariamente fraco, confuso ao extremo, como se não deixar-se corromper fosse algo impossível. É só querer. Mas, em grande parte, o comodismo acaba falando mais alto.
Claro que é um filme fictício. Claro que tem algo de subjetivo, da visão do roteirista e do diretor. Porém, eles contaram uma história baseada em relatos históricos. E eu simplesmente caí de amores, estou de queixo no chão, extasiada, apaixonada pelos irmãos Scholl. Eu queria dizer algo a eles, não sei exatamente o quê. Sempre quero dizer algo às pessoas, sempre quero agradecer àqueles que vão além do corpinho próprio. E eram tão poéticos!
Atuação incrível de Julia Jentsch, uma atriz que já havia me chamado atenção anteriormente em The Edukators.
O filme é maravilhoso, apesar de muitíssimo lento. Filme para quem se importa com qualquer coisa que não seja o próprio mundo particular.
quinta-feira, agosto 24, 2006
Maria de Verdade

De alguma forma relacionei o maravilhoso filme Abril Despedaçado, de Walter Salles, com a letra de Maria de Verdade, canção igualmente bela, interpretada por Marisa Monte.
Esta composição tem um lirismo ímpar, é pura poesia. Chega a perfumar o ar do ambiente.
Maria de Verdade
Composição: Carlinhos Brown
Pousa-se toda Maria
no varal das 22 fadas nuas lourinhas
Fostes besouro Maria
e a aba do Pierrot descosturou na bainha
Farinhar bem, derramar a canção
Revirar trens, louco mover paixão
Nas direções, programado e emoldurado
Esperarei romântico
Sou a pessoa Maria
Na água quente e boa gente tua Maria
Voa quem voa Maria
e a alma sempre boa sempre vou à Maria
Farinhar bem, derramar a canção
Revirar trens, louco mover paixão
Nas direções, programado e emoldurado
Esperarei romântico
Tou vitimado no profundo poço
na poça do mundo
do céu amor vai chover
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa, Maria
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa, Maria
Farinhar bem, derramar a canção
Revirar trens, louco mover paixão
Nas direções, programado e emoldurado
Esperarei romântico
Tou vitimado no profundo poço
na poça do mundodo céu amor vai chover
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa, Maria
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa, Maria
Maria, Maria, Maria...
domingo, agosto 20, 2006
Do you realize?

Nossa. Acho que encontrei a música da minha vida (ou uma das). Eu já a conhecia, mas nem dava bola para tal. Talvez não tivesse prestado atenção ou algo assim. Então um dia desses escutando a música no carro, parei para ouvir a letra direito. Porra (desculpem o palavrão)! Muito, muito boa. É da banda Flaming Lips, que tem uma obra bastante convincente, por sinal. Quero baixar mais coisas deles. Conheci a banda no começo do ano, quando a MTV transmitiu parte do show deles no Brasil.
Somente agora viciei em "Do you realize?" e também passei a valorizar mais a melodia. O "ah, ah, ah" do fundo toca lá no meu encéfalo. Ou será no meu ilíaco? Bom, no coração ela toca. Fundo.
"Você se dá conta de que tem o rosto mais bonito?
Você se dá conta de que estamos flutuando no espaço?
Você se dá conta de que a felicidade te faz chorar?
Você se dá conta de que todo mundo que você conhece morrerá um dia?
E ao invés de ficar dizendo adeus, deixe-os saberem
que você se dá conta de que a vida é curta
E que é difícil fazer as coisas boas durarem
você se dá conta de que o sol não se põe
É só uma ilusão causada pelas voltas do mundo
Você se dá conta
Você se dá conta de que todo o mundo que você conhece morrerá um dia?
E ao invés de ficar dizendo adeus, deixe-os saberem
que você se dá conta de que a vida é curta
E que é difícil fazer as coisas boas durarem
Você se dá conta de que o sol não se põe
É só uma ilusão causada pelas voltas do mundo
Você se dá conta de tem o rosto mais bonito?
Você se dá conta?"
quinta-feira, agosto 17, 2006
Que belo, belo dia!

Heloísa nas ruas de São Luís.
Eis que saio da aula de biofísica às 12:40 já com o pensamento empolgado e eufórico, na expectativa de ver pessoalmente uma mulher que admiro em demasia. Heloísa Helena em São Luís! Foi a oportunidade que eu esperava há um bom tempo. Queria dizer olhando nos olhos dessa guerreira o quanto eu acredito nela.
Não, não sou uma groupie idiota que sai atrás de alguém pela fama. Fui pelo caráter. Pelo futuro de um país. Pela minha esperança e pela esperança de todo um povo. Quem tem alguma sensibilidade sente na alma quando alguém fala com sinceridade. Eu sinto isso em Heloísa como talvez só tenha sentido com duas ou três pessoas além dela.
Às quatro vou para o centro e vejo ao longe bandeiras vermelhas e vozes gritando com fé, vindo na minha direção. Mais precisamente na Rua Grande. Pessoas simples na aparência mas que com certeza têm bastante inteligência para apreciar propostas tão radicais e humanitárias. Um número considerável de pessoas. A rua é comercial, então muitos curiosos se amontavam nas calçadas para ver aquele comício, que muito mais era um protesto do que um comício em si.
Então, depois das primeiras bandeiras, logo à frente da passeata, vejo caminhando naquela rua estreita e de pedras, aqueles cabelos amarrados, a blusa branca, os óculos, o sorriso. Heloísa!
Eu estava na calçada como os outros, para dar passagem ao pessoal do partido. Aceno para ela, que para a minha surpresa veio à minha direção, deu-me um abraço e escutou meus elogios e minha frase: Eu confio em você. "Obrigada, meu amor, muito obrigada".
Aaaaaaaaaaaahhhhhhhh! Muito bom poder ter um contato tão próximo com uma pessoa em que você deposita grande parte da sua fé. E eu realmente confio naquela mulher.
Logo após, arrumei uma bandeira do P-SOL e junto com militantes deste e do PSTU, segui na passeata, muito honrada por sinal. Gritávamos: Maranhão presente, Heloísa presidente!
Ela subiu no carro de som (um carro bem simples, por sinal) e esperou pacientemente todos os candidatos a deputados e outros cargos falarem, enquanto dava autógrafos e chupava uma laranja. Ela estava com a aparência meio cansada, mas não deixou de sorrir um minuto.
A expressão serena e simpática se transformou totalmente quando Heloísa começou seu discurso. Ela fala sério. Quase se esgoela. Perde o fôlego. Transborda emoção.
Foi muito, muito bom. Sem dúvidas, meu voto é para ela. Não pretendo aqui influenciar ninguém. Estou apenas expressando um direito. Só espero que as pessoas estudem os candidatos. E não só as propostas, mas a carreira política de cada um. A ficha é limpa? As palavras são coerentes com as ações? Isso é o que importa.
Frases inesquecíveis:
-"Eu sou socialista. O socialismo é o oposto do que temos atualmente, sua essência é tudo o que diz respeito à HUMANIDADE (eu falei esta palavra junto com ela, pois é mais pura verdade. Por que alguns devem ter mais que os outros? Isso é ridículo, é um crime contra a noção de humanidade). Mas não vou enganar ninguém dizendo que vou implantar um regime socialista no Brasil. Não! Não posso, até porque nenhum país do mundo tem atualmente o verdadeiro socialismo e isso teria que ser uma mudança aceita pela maioria."
-"Eu sou mulher de VERGONHA NA CARA E AMOR NO CORAÇÃO!"
-"Tem gente dizendo aí que só gente culta e com estudo votaria em Heloísa Helena. Isso é um grande preconceito. Vamos provar que o Nordeste pensa!"
-"Eu respeito e sei da importância de cada deputado, senador, parlamentar. Todos colaboram. Mas (ao contrário de Lula), se eu tiver a honra de chegar à presidência, durante o meu governo EU VOU GOVERNAR (batendo no peito)!"
Esta última frase me deu um alívio tão grande. É essa descentralização de governo que engana o povo (que mal sabem para que servem tantos cargos) e impede que vejam os verdadeiros culpados de mensalões, sanguessugas e outras ilegalidades tão conhecidas por nós. Precisamos de um líder mais convicto, menos inseguro, mais presente, com mais personalidade. Que saiba ouvir mas que tenha capacidade de pensar e de não se corromper, de não entrar no sistema de fraudes apenas para se manter no poder. Temos que pensar nisso. Lula é um covarde, talvez não um ladrão, mas um cúmplice. Um traidor de princípios.
terça-feira, agosto 15, 2006
The long and winding road

Adoro essa música. A letra é bonita, mas o que me emociona mesmo é a melodia, o arranjo perfeitamente elaborado, sublime. Minha alma se derrete ao ouvi-la. A voz do Paul encaixa perfeitamente, me dá calafrios, enfim...
The Beatles - The Long and Winding Road
Composição: Paul Mccartney e John Lennon
A longa e sinuosa estrada que conduz até sua porta,
Nunca desaparecerá.
Eu [já] vi aquela estrada antes,
Ela sempre me conduz até aqui, me conduz até sua porta.
A selvagem e tempestuosa noite que a chuva lavou,
Deixou uma poça de lágrimas chorando pelo dia.
Por quê me abandonar parado aqui?
Deixe-me conhecer o caminho.
Muitas vezes eu estive sozinho e muitas vezes eu chorei.
De qualquer modo, você nunca saberá
Os muitos caminhos que tentei.
Mas ainda eles me conduzem de volta
Para a longa estrada sinuosa.
Você me deixou parado aqui há um longo, longo tempo atrás.
Não me deixe esperando aqui, conduza-me até sua porta.
Mas ainda eles me conduzem de volta
Para a longa estrada sinuosa.
Você me deixou parado aqui há um longo, longo tempo atrás.
Não me deixe esperando aqui, conduza-me até sua porta.
Sim, sim, sim, sim...
domingo, agosto 13, 2006
Degradação
Há espaço para a tristeza
Pouco espaço para a esperança
Tempo encurtado para a infância
Temo ser inundada por esse nojo
Sinto repugnância por esse estorvo:
Tudo aquilo que pela mão do homem passa
Inegavel e tristemente, estraga
Também tenho medo das máscaras
Que confundem-se na transparência do meu ser
Meu olhar te dirá tudo o que queres
E tudo o que não queres saber
Por que o homem se auto-degrada?
Onde andará o respeito por si mesmo
E as virtudes outrora prometidas
Que como a verdade, andam oprimidas!?
Uma erupção de fúria me toma
Posso ser alegre, posso ser humana
Tenho instrumentos de expressão sem veneno
E ainda assim não posso salvar o caráter alheio.
sexta-feira, agosto 11, 2006
O Haiti é Aqui

HAITI
Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil
Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres, são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
sexta-feira, agosto 04, 2006
A revolução dos bichos

Normalmente não comento neste blog sobre os livros que leio, porém, alguns me fazem abrir excessão. Acho que que todos percebem que sou bastante crítica, não sei se uma boa crítica, mas sei que procuro analisar todos os lados de qualquer questão. Não obstante, procuro ver também os objetivos do que analiso, pois dependendo da intenção (se esta for clara) do autor da ação/obra minha opinião pode se tornar flexível.
Esta semana tive o imenso prazer de fazer a leitura de A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Esta foi minha primeira leitura do autor e tive uma primeira experiência maravilhosa.
Vou confessar algo a vocês. Eu gosto de pessoas que sabem o que querem. Que sabem expressar o que querem. Talvez por consequência disso, gosto que o objetivo da obra de arte que analiso seja bem claro e direto. Desgosto quando autores ou cineastas falam, falam e não dizem nada. Por outro lado, uns não dizem nada (ou seja, não usam diálogos ou não enchem linguiça enganando o público com escritas intelectualmente perversas, tentando parecer difícil) e acabam expressando uma verdadeira mensagem. Assim foi meu contato com o livro de Orwell. Logo nas primeiras páginas eu percebi um senso crítico aguçadíssimo, uma linguagem clara e simples, sem enrolações, sem enfeites extras desnecessários. Ele não tenta parecer um escritor de vasto vocabulário (apesar de que eu não duvido de seus conhecimentos gramaticais, pois o autor estudou em escolas bastante valorizadas e soa como um verdadeiro pensante). Isso já contou pontos positivos para a minha visão sobre o livro, já que o principal objetivo da literatura é comunicar e para isso é necessária a clareza.
Aos poucos, talvez antes da metade do livro, você acaba tendo idéia do foco da crítica. Mas isso não torna o livro previsível, já que a delícia da prosa de George Orwell está em cada linha, independentemente do conjunto. Apesar de que em alguns momentos você possa imaginar mais ou menos o que possa acontecer, sempre há algo de incrível, de sujo (no comportamento dos personagens) , de novo, criativamente falando. Achei o livro bastante criativo. Personagens que poderiam ser humanos na figura de animais. Retratos de uma sociedade corrupta e rotulada. Muitos personagens representam rótulos, mas se você for pela linha da sutileza de Orwell, perceberá que os rótulos são os próprios indivíduos que criam. Hierarquizações baseadas no egocentrismo, na perca da noção de valores.
A Revolução dos Bichos é esplêndido. Uma mostra demasiadamente convincente dos caminhos que levam os homens à corrupção, e daí a outras desgraças piores ainda.
Sim, é uma obra esquerdista, mas que com delicadeza e humanidade (sem radicalismos)
consegue mostrar a realidade crua, pondo em vista o lado perigoso de vários sistemas políticos e de vários comportamentos tão usuais dentro de nosso cotidiano.
Nota: O livro é bem pequeno. Indico para quem não gosta de livros grandes. Fiz a leitura em três dias, mas poderia ler muito mais rápido, já que a história prende demais. Porém, com o início das aulas de Fisioterapia esta abreviação não foi possível. Espero que alguém se interesse, pois gostaria muito de conversar com alguém sobre este livro.
domingo, julho 23, 2006
Qual a sua utilidade?
Em uma das minhas aulas de filosofia, sempre muito produtivas, a professora citou o caso de uma mulher que entrou em profunda depressão por causa de sua idade. Segundo a própria, ela não tinha mais "função" nenhuma neste mundo, seus filhos estavam educados e morando sozinhos, ela estava separada, tinha um emprego humilde e poucas atividades. Mas reflitamos: Como essa mulher se enxerga? A resposta é fácil... ela se enxerga como um objeto, algo que precisa ter uma utilidade "pública", caso contrário, é preferível a morte.
Não é necessário irmos muito longe. Nós costumamos nos ver dessa maneira muitas vezes. Costumamos nos sentir bem apenas quando outra pessoa dá o braço a torcer por algo que venha de dentro do nosso "eu". Porém, o "eu" é muito mais auto-sustentável do que parece. Não estou aqui pregando o individualismo, pelo contrário. Mas temos que gostar do lado humano da pessoa, sabendo separar sua "função" dentro de uma sociedade, a qual eu preferiria chamar de colaboração, da sua singularidade dentro do que podemos chamar de "raça humana". Odeio a frase "eu preciso de você". Está aí algo que nunca quero escutar de ninguém querido. Precisar não é gostar. Depender não é amor. Pensem sobre isso. Pior é que muita gente se sente o máximo quando escuta o suposto "elogio". Muitos se aproximam dos outros pela utilidade que a nova pessoa terá na sua vida. Não importa o quê, mas vários indivíduos se aproximam dos outros com segundas intenções. Pelo dinheiro, pelo corpo, pela beleza, pela necessidade (nem sempre real) de ter alguém perto (mesmo que não haja real afeição).

A maior prova disso é o tratamento que muitos de nós dá aos idosos. Jogamos tudo que consideramos velho no lixo. O velho namorado, a velha cidade, o velho disco, a velha doméstica. Como se o velho fosse necessariamente ruim. Ao contrário do que dizem por aí, as pessoas não tem medo de mudar. E nem devem. Mas o que não deve acontecer é a troca de valores constante, sem mais nem por quê. O ser "humano", hoje em dia, só vive da novidade. Não sabe valorizar o que está ao seu redor, dizem enjoar, cansar. A magia da vida está em ver tudo como se fosse a primeira vez. Mesmo sendo a milésima.
Cuidemos dos nossos vovôs e vovós com todo o amor e carinho. E tratemos bem qualquer pessoa de mais idade. Eles são muito mais experientes, acreditem, e merecem nosso respeito. Os idosos não são inválidos. Esse termo é ridículo e mostra como a humanidade está presa à idéia de emprego, de prestamento de serviço a um sistema corrupto e devastador. Ou estamos muito preso aos outros. E devemos nos gostar (quando possível) e nos respeitarmos mutuamente, mas sem dependência por utilidades oportunistas. Não importa o que você seja. Escritor, pedreiro, cineasta, dentista. Não importa. Não é sua profissão que vai validar você. É o seu "eu".
Descobri a frase da minha vida numa música da Parafusa: "Pode crer, meu amor, eu consigo achar graça no feijão e arroz". Tem tudo a ver com esse post. Sim... Eu consigo ver graça no velho feijão com arroz.
sábado, julho 22, 2006
Lar, doce lar

Essa é a vista da sacada do meu apartamento, tirada através do vidro da janela do meu quarto. Meu bairro fica meio longe do centro da cidade, é um bairro relativamente calmo e aconchegante. Vejo essa vista há muito tempo e nunca me canso. É simples, mas eu gosto. A mata antes era maior, já diminuiu bastante. Gosto do fim da tarde, quando o céu fica multi-color. Gosto de ver os pássaros voando e o movimento das nuvens, bem lento. Gosto de ver o vigia lá embaixo e as pessoas voltando do trabalho. De ver casinhas ao longe. E de me embalar na rede, na sacada.
quarta-feira, julho 19, 2006
Aberdeen
Espero que percebam a crítica inserida nele e que entendam meu alvo (apesar de isso ser só o começo)
"Ano 2025. Aberdeen checa a caixa de entrada. Não acredita. Checa novamente e expele lágrimas de ódio. Um semi-grito ecoa pela sala cheia de livros antigos e com cheiro de ar-condicionado. Aberdeen coleciona tanto os clássicos quanto os mais contemporâneos. Muitas livrarias e gráficas estavam fechando e ela aproveitava os últimos exemplares mundiais antes da extinção completa desses amontoados de coisas escritas sobre qualquer assunto, em ordem aleatória ou não, mas organizadas em páginas numeradas e coladas a uma capa dura que as juntavam, formando então... um livro.
Uma nova era cultural nascia, a era E. E-mail, E-books, E-kisses, E-food, E-etc. Os livros entravam em extinção não por causa da falta de papel e muito menos por motivos ecologicamente corretos. Sobreviviam ainda algumas matas e reservas onde faziam reflorestamento contínuo, visando o lucro constante através de folhas brancas. O motivo da lenta morte era mesmo a falta de leitores. O comodismo havia tomado completamente os chamados seres humanos, que preferiam ler ao computador; sem ter que estender os braços, sem ter o árduo trabalho de virar folhas, sem ter que ir até uma livraria e, principalmente,
sem ter que gastar dinheiro.
Aberdeen havia escrito um E-book bastante trabalhoso, com mais de 300 páginas de Microsoft Word e agora um E-charlatão qualquer estava assumindo suas palavras. Tão profundas. Tão pessoais. Como alguém poderia ter escrito isso além de mim? Como posso perder subitamente meus direitos autorais?
Um golpe. Provavelmente de um hacker. Sem mais nem menos os originais sumiram de seus arquivos e foram publicados muito antes do planejado. Para completar, com a assinatura de outra pessoa. Uma tal de Mashee Clubey.
Aberdeen manda um pedido virtual para o Mc'Donalds mais próximo e dentro de cinco minutos ela está robotica e compulsivamente pondo batatas fritas em sua boca, num acesso de desespero mortal. Lanche tamanho GG, coca-cola como um vício, mastigar para evitar violências
maiores. Mastigar com força e raiva. De repente, ela percebe sua insanidade e vê algo de poético em tudo isso. E ao ver poesia no caos ela pensa: "Estou na fronteira entre a lucidez e a loucura."
terça-feira, julho 18, 2006
Dona Neusa Sá

A morte não é feia. Nem bonita. É natural, apenas. E mesmo quando natural, triste. Triste para nós que pouco a entendemos.
Só quero registrar neste meu caderno virtual a passagem de uma pessoa muito querida para outro plano. Para um plano de paz, a devida paz merecida por alguém que ajudou tanto aos outros de coração. Minha querida bisavó, Neusa.
Já era anjo na terra. Agora só criou asas.
segunda-feira, julho 10, 2006
Sobre mim
Minha sinceridade incomoda, nunca consigo ficar calada quando acho algo injusto (obviamente, posso estar errada). Normalmente falo pouco pois sou introspectiva, perco-me em meus divertidos pensamentos. Pensar é demasiado necessário e muito mais coerente do que apenas sentir. Pensar NÃO enlouquece, como muitos dizem. Na verdade, pensar cura. Ter tempo ocioso é fundamental para tais reflexões. Assim você se acha, como eu tenho me achado. Quando você está bem consigo mesmo dificilmente se sente sozinho.
Sou uma metamorfose ambulante, porém um pouco diferente do Raul Seixas. Mudanças são naturais, nunca somos exatamente os mesmos, mas por outro lado, carregamos algumas coisas (positivas ou não) dentro de nós desde que nascemos até o momento da nossa morte. É o que se chama de essência. Eu sei, mais ou menos, qual é a minha. Digo isso porque já passei por diversas fases, interiores e exteriores. Minha infância foi feliz, brinquei até dizer chega. Brincava todos os dias. Via muitos desenhos animados e desde cedo gostava de ler. Também adorava desenhar. Depois fui patricinha, metaleira(pura influência), depressiva (hormônios), rebelde, romântica, punk... Rótulos típicos da adolescência. Mas tudo me deu um pouco de experiência. Não, não sou maria-vai-com-as-outras, mas eu queria me achar pelos olhos alheios, o que é muito errôneo. Hoje em dia escuto Bob Marley e escuto Beethoven. Escuto Placebo e Chico Buarque. Visto-me de qualquer jeito e sou feliz assim.
Adoro jornalismo, estar informada sobre tudo (desde artes até ciências), adoro ler. Até do pior livro posso extrair algo bom, mesmo que depois eu critique muito (costumo achar os gênios medíocres). Não tenho ídolos, ninguém é melhor que ninguém.
Adoro cinema mas tomo cuidado para que isso não se torne um vício, porque é uma das melhores invenções humanas, depois da música, é claro :) Música é minha maior paixão, artisticamente falando, fervorosa!
Amo minha família incondicionalmente. Tenho poucos amigos porque não posso dar devida atenção para todos igualmente e para mim relacionamentos precisam de atenção e companheirismo. Assim sendo prefiro ter poucos mas com qualidade.
Depois de uma espécie de namoro com o luxo e com grandes ambições (FRAQUEZA humana), tive a sorte de perceber as ilusões materiais e hoje em dia clamo por uma vida simples. A vida para mim está no presente e consiste em valorizar tudo de bom que nos é apresentado, conciliando tudo isso com responsabilidade.
O amor, para mim, só é verdadeiro quando altruísta e nada tem a ver com apego ou dependência.
Acho que deu para resumir um pouco do que sou.
sexta-feira, julho 07, 2006
Viva a Vida
Hoje é o aniversário da minha mãe. A pessoa que mais amo no mundo! 54 anos. Só queria deixar registrado o quanto esse mais um ano de vida é importante para mim, para ela, para o mundo, que fica mais lindo ainda com a presença de Regina Célia Sotão Ferreira.
Por outro lado, minha bisavó continua na UTI. Hoje eu fui visitá-la. Ela já não tava muito lúcida antes, agora muito menos. Mas obviamente, ela sente as coisas. Mexi no cabelo dela, falei um pouco... Troquei as meias. É uma situação muito chata, claro. Ela é uma pessoa incrível. Era toda cheia de vida. Tem 92 anos e já está internada há 2 semanas... Se fosse outra pessoa, já não teria resistido tanto tempo, ainda mais na UTI, e com essa idade.
Eu já havia a visitado, mas não ainda na UTI (quando a visitei, ela ainda estava no quarto). É uma experiência bem forte e claro, nada agradável. Não estou falando isso aqui para fazer drama. Doenças e morte fazem parte da vida, eu estou preparada para qualquer coisa, mas no fundo tenho muita esperança de que ela consiga sair dessa, pois é muito amada por todos nós. Pro meu pai então, é uma segunda (ou primeira) mãe.
Nessas horas tenho mais certeza ainda de que a vida vale a pena. Se não valesse, ninguém lutaria tanto por ela. Todos (ou quase todos) querem viver. Lutam por isso. A vida é boa e não, não duvido disso. Mas é vendo assim, a morte tão de perto, que valorizamos ainda mais o fato de estarmos vivos.
Vi muita coisa triste no hospital. Do lado da minha avó tinha uma menina de uns 13, 14 anos. Imagina, uma menina tão nova na UTI! Ela gritava de dor. Insuficiência renal, fiquei sabendo. A perna dela estava terrível. Fiquei com muita vontade de conversar com ela... Olhei nos olhos da garota, mas fui incapaz de trocar palavras, fiquei com medo de ela pensar que eu estava com pena dela, quando na verdade eu só queria mostrar alguma solidariedade. Alguns pacientes, infelizmente, ficam sentindo pena de si mesmos, e acham que todos sentem o mesmo por eles. Ou tornam-se rebeldes... É muito difícil. Mas da próxima vez tento puxar papo. Com certeza, se essa garota sobreviver (e creio que sim!) ela irá aproveitar cada minuto de sua vida.
Temos que agradecer (se não confiam em Deus, agradeçam ao acaso, à natureza, a qualquer coisa) por estarmos vivos. Não esperem estarem à beira da morte para valorizar a vida. Eu imploro isso a vocês.
segunda-feira, julho 03, 2006
Better, Beta, Bethânia

Todo mundo sabe que a Maria Bethânia é irmã do Caetano. Que dupla, hein? A mãe deles deve ser muito orgulhosa :)
Continuando o assunto Caetano Veloso, hoje escolhi postar outra letra da qual gosto bastante. O nome da música é Maria Bethânia e foi escrita na língua inglesa (como outras - poucas- de Caetano). Acredito que essa música tenha sido escrita durante a ditadura militar, quando Caetano foi exilado (que absurdo) pois contestava o sistema ditatorial em suas canções.
Reparem na criatividade com a qual ele joga as palavras, novamente. Esse cara é muito bom. E a melodia dispensa comentários.
Everybody knows that our cities were built to be destroyed
You get annoyed, you buy a flat, you hide behind the mat
But I know she was born to do everything wrong whith all of that
Maria Bethânia, please send me a letter
I wish to know things are getting better
Better, better, Beta, Beta, Bethânia
Please send me a letter
I wish to know things are getting better
She has given her soul to the devil but the devil gave his soul to God
Before the flood, after the blood, before you can see
She has given her soul to the devil and bought a flat by the sea
Maria Bethânia, please send me a letter
I wish to know things are getting better
Better, better, Beta, Beta, Bethânia
Please send me a letter I wish to know things are getting better
Everybody knows that it’s so hard to dig and get to the root
You eat the fruit, you go ahead, you wake up on your bed
But I love her face ‘cause it has nothing to do with all I said
quarta-feira, junho 28, 2006
Analisando Caetano Velas e Veludo

Poucos artistas me emocionam tanto quanto Caetano, com sua voz aveludada e suas letras aparentemente sem nexo algum, algumas que talvez nem ele mesmo entenda.
O que eu mais gosto em Caetano são as composições como um todo, o jeito que ele brinca com as palavras e rimas (rimas ricas) dentro de melodias bastante diferenciadas, de compassos complicados e ritmos únicos. A verdade é que ele tem um swing sofisticado, um jeito de fazer arranjos vocais totalmente original, assim como João Bosco.
Resumindo: a música de Caetano é totalmente polida, redonda. Nada fora do lugar, mesmo com toda a criatividade, originalidade e até mesmo complexidade de suas composições.
Chico Buarque tem letras maravilhosas, é um grande poeta, e não querendo comparar mas já comparando, ele perde feio (na minha humilde opinião) para Caetano em termo de melodias. Acho algumas canções de Chico muito quadradas, não sei se pelo jeito de cantar um tanto limitado, mas acho algumas bastante retangulares. Eu tenho uma teoria sobre essa limitação melódica de Chico. Ao contrário de Caetano, ele ficou muito tempo preso apenas à bossa nova e ao samba (e as melhores músicas de Chico são seus sambas). Já Caetano absorveu muitos outros ritmos, até porque é baiano, e participou do movimento Tropicalista. Também tem influências nítidas de música latina em geral, como o tango argentino. Até uma canção do grupo grunge norte-americano Nirvana já foi regravada por Caetano Veloso. Tem uma mente totalmente aberta para qualquer ritmo, mas obviamente ele sabe filtrar e diferenciar o bom do ruim.
Caetano é bom porque não finge ser legal, ele é legal quando quer. Caetano é bom porque ele pronuncia MTV em português (emitevê) porque "Estamos no Brasil e eu falo português".
E, só para registrar, o melhor de Veloso: a tremidinha na voz, que mexe na alma!
Vou postar apenas músicas de Caetano esses dias aqui no Sustenido. Uma espécie de Especial Caetano Veloso, já que ele é meu compositor brasileiro preferido. E irei analisar as letras quando necessário.
PODRES PODERES- Caetano Veloso
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes somos uns boçais
Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses mas tudo é muito mais
Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe , num êxtase
Ser indecente mas tudo é muito mau
Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades , caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo e mais fundo tins e bens e tais
Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?
Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo
Tins e bens e tais
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Em Podres Poderes, eu percebo mais do que nunca a versatilidade de Caetano, musicalmente falando. A música é bastante animada, até dançante. Aproxima-se do Samba-rock, mas não é exatamente isso. Ouço trompetes ao fundo da música, que também tem solos de guitarra.
Sobre a letra, acho interessantíssima. Claramente, ele fala sobre a situação social brasileira, que está estagnada desde sempre. Experimentamos tudo de ruim, a Ditadura Militar, o fascismo de Getúlio disfarçado de populismo, e agora o pior: a "democracia" capitalista. Nada deu certo neste país, porque estamos intrinsecamente subjulgados pelos "podres poderes" norte-americanos. Eu quero é mandar a Alca para o... como diz Hugo Chávez: Alca Alcarajo!
Uma das maiores causas disso tudo é o histórico corrupto dos políticos brasileiros, desde os portugueses aproveitadores que aqui chegaram em 1500 até os nossos contemporâneos, Roberto Jefferson, Sarney, e todos os nossos conhecidos. Não sei se vocês leram o texto que postei aqui há alguns dias "Por que somos corruptos?"... Ele talvez explique parte dessa problemática. As pessoas já têm uma ideologia plantada em suas mentes: político é necessariamente corrupto, política é profissão para ganhar (roubar) dinheiro fácil. É assim que as pessoas pensam, por isso nada muda. Essa mentalidade precisa ser modificada antes que seja tarde demais. Porque é ela que faz com que apenas homens corruptíveis queiram exercer a política, efetivamente falando.
HÁ GENTE PASSANDO FOME, HÁ GENTE MORRENDO SEM PODER PAGAR HOSPITAIS, E OS HOSPITAIS PÚBLICOS SÃO UMA MERDA!
HÁ GENTE MATANDO POR DEZ REAIS, HÁ GENTE VENDENDO DROGAS ILEGALMENTE PARA SE ALIMENTAR DO DESESPERO ALHEIO, HÁ GENTE QUE ABUSA DE CRIANÇAS E NÃO VÃO PARA A CADEIA, PORQUE A JUSTIÇA BRASILEIRA É PÉSSIMA!
HÁ INOCENTES NA CADEIA E POLÍTICOS E BANQUEIROS DESONESTOS LIVRES E SOLTOS.
AINDA EXISTE ESCRAVIDÃO NO NORTE DO PAÍS, HÁ GENTE QUE GANHA MENOS DE UM SALÁRIO MÍNIMO, HÁ GENTE COMENDO UMA CUIA DE FARINHA COM ÁGUA POR DIA!
VAMOS ACORDAR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pronto, disse. Obrigada, Caetano, por me proporcionar esse momento de desabafo.
Voltando à letra da música, outra coisa bastante criativa é o uso de termos como "tons", "bens", "hemertismos pascoais" fazendo referência a grandes músicos brasileiros (Tom Jobim, Jorge Benjor, Hermeto Pascoal), coisificando tais com respeito, apenas para exemplificar os poucos bons frutos dentro de um país tão mal-tratado, de um povo que é feliz de teimoso, que é lutador, mas que precisa deixar de ser manipulado por uma elite persistente e suja para que comecemos a pensar melhor, reclamemos direitos e para fazermos do país um lugar mais justo e com menos desigualdades.
O compositor também aplaude a diversidade: negros, brancos, índios, bichas, mulheres. Diz que o carnaval é bom, mas que não pode ser motivo de cegueira.
"Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais..."
Está aí uma ótima questão que Caetano coloca: Hoje em dia matar de fome, de raiva e de sede se tornou algo muito natural, retornamos ao estágio puramente animal por falta de humanidade, por falta de dignidade, por falta de respeito, e por causa de muita, muita ambição. Enquanto alguns quiserem ficar podres de ricos, nunca haverá igualdade.
Como minha professora de filosofia fala: Esses homens que aí estão no poder não tem poder verdadeiro. O poder só é verdadeiro quando alguém o tem por sinceros votos, por sincero querer dos que o concedem. Um ditador, por exemplo, não tem poder. Tem força apenas, se tivesse poder, não precisaria usar da violência para nada, porque ninguém estaria contra este.
E, por último, Caetano pergunta:
"Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?"
Será? Depende de nós.
sexta-feira, junho 23, 2006
Emoções banalizadas
O que me deixou besta foi ver gente bebendo cerveja olhando o desenrolar dos fatos, como se fosse aquilo, por si, um jogo de futebol, entretenimento.
Esse tipo de coisa acontece todos os dias. Em todo o mundo, mas em diferentes formas. Ligamos a TV e vemos uma guerrilha em plena São Paulo, puro terrorismo (como aconteceu há pouco tempo) e muita gente se diverte com o fato, porque é "emocionante".
As pessoas vão para as boates (não que essa ação seja necessariamente ruim em si mesma) para ficar com "quantos aparecerem" porque é "emocionante". É a busca desenfreada por sexo sem sentido, casual. Algumas pessoas me chamariam de careta novamente aqui. Sem problemas. Não vejo problema em alguém querer prazer ocasional, mas quando isso se torna um vício e uma atitude totalmente irracional, é desprezível, lamentável. A mente é tão brilhante para não ser usada...
Soldados americanos torturam reféns iraquianos porque é "engraçado"... para alguns deles, "emocionante".
Alguém é assassinado na esquina da sua casa e você esquece no dia seguinte, porque situações como essas são coisas do "cotidiano", são acontecimentos que fazem "sair do marasmo".
Sim, estou sendo irônica, todos esses pensamentos acima são tão infantis, mas acho que os adultos vivem disso. É triste.
Lembrei do filme "O Vento nos Levará", que critica tudo isso de forma sutil, mostrando que as verdadeiras emoções (sentimentos) são mais silenciosos, mais calmos. E não por isso menos intensos.
ENFIM, falei tudo isso porque:
Li um trecho do livro "Culto da emoção" do filósofo Michel Lacroix, e achei sensacional, genial, muito interessante. Leiam, por favor, o trecho abaixo. Não se arrependerão. Espero que se interessem. É bastante reflexivo.
"Dos esportes deslizantes às raves, dos videogames à encenação da atualidade, das novas terapias às técnicas de desenvolvimento pessoal, hoje em dia, tudo pretende nos fazer "vibrar". As aventuras radicais, a violência banalizada, os estados de transe e as imagens de tirar o fôlego são os ingredientes de nossa vida, que reclama doses crescentes de adrenalina. Assim, em busca de sensações fortes, o indivíduo moderno emociona-se muito. Mas, será que sabe sentir? Cada vez mais agitado e cada vez menos sensível, por que terá ele abandonado as emoções serenas? Eis o cúmulo do paradoxo: no momento em que triunfa e se torna objeto de um verdadeiro culto, será que a emoção tomou irremediavelmente o caminho do delírio?"
(O culto da emoção - Michel Lacroix)
Quero comprar esse livro assim que possível. Dica de site onde pode ser encontrado: http://www.siciliano.com.br/livro.asp?tema=2&tipo=2&clsprd=L&id=685040&orn=BMV
E nas melhores livrarias.
Palavras do meu amigo Fabio Oliveira, sobre este trecho do livro:
"É estranho tratarmos e explorarmos a emoção como forma de alcance de felicidade, ainda mais quando nos deparamos frente a tudo isso que é colocado como formas objetivas e bem definidas do que devemos ou não fazer.
Até que ponto estamos buscando uma emoção efetivamente confortante e particular?! Até quando estaremos submetidos e ajoelhados perante a manipulação de nossos desejos e anseios?!
Desejo que meu desejo seja inalterado, e que a emoção seja emocionante e eterna enquanto dure... que ela dure enquanto rasteja e dá seus últimos suspiros e agoniza diante de tanta futilidade."
quarta-feira, junho 21, 2006
Mestre Cartola disse...
Falou e disse. Pelo menos no meu caso serve...
terça-feira, junho 20, 2006
Tristeza
Esses dias têm sido muito estranhos. Meus amigos foram acometidos por coisas chatas, estão tristes... E entrando nessa atmosfera fico muito mais suscetível.
Mas decepções pesam. Pesam e doem. Já estou livre das decepções de um passado bem distante. Dessas já me livrei de forma segura e agora... indiferente. Felizmente não posso e nem deveria chorar pelos erros dos outros. Durante muito tempo eu senti saudades mas nesse momento e para sempre... Não sinto (nem sentirei) mais nada. Porque não foi um erro, foi uma bola de neve, foi uma hipocrisia gritante, sofrida: eu aposto. Não estou falando de mim. O peso na consciência de uma pessoa assim pode não existir? E se não existir, que tipo de pessoa é?
Eu amo as pessoas de verdade, dou tudo de mim... Inclusive, falo de amigos também. Tudo que recebo é uma indiferença extremamente suportável. Sim, eu suporto muito bem. Porque tenho vasta experiência com pessoas. Sinto-me com muito mais idade, como se eu já houvesse percorrido o mundo e conhecido todo o tipo de gente. E, se por um lado conheci a desgraça, por outro conheci a pura graça. Não espero pessoas perfeitas para mim ou para o mundo, nem procuro ver as coisas apenas pelo meu lado ou pela minha subjetividade. Se assim o fosse, eu odiaria todas as pessoas do mundo. Não posso ser idiota assim. Nada é tão padronizado.
Mas sei que existem pessoas maravilhosas e que primam pelo bem estar geral, não apenas indo pelo caminho fácil da comodidade de um ser egoísta. Tenho exemplos muito próximos de pessoas boas. E repito, uma pessoa boa não é necessariamente perfeita. Na verdade, não espero perfeição, só um pouco de amor, amizade, respeito, consideração, preocupação sincera. Isso existe. Não é tão comum, mas existe. Como eu estava dizendo, tenho exemplos nítidos, conheço pessoas incríveis. Não cheguei a essa conclusão porque tais me tratam bem ou não. Estou dando exemplo de gente com quem não tenho sequer intimidade. Tratam-me bem, mas se tratassem qualquer pessoa com hostilidade, desonestidade, violência ou máscaras, eu ficaria tão chateada quanto se fosse comigo. Não é justo ver as coisas só pelo meu lado.
O que quero dizer e o que confesso é: eu espero muito das pessoas porque sei que elas podem ser melhores. É tudo comodismo ou ilusão. Ou ainda e até principalmente, egoísmo demais. Essa é a causa primeira de todos os males da humanidade. E mais ainda: não espero que as pessoas sejam boas só comigo, mas com todos. Eu espero que o muçulmano trate bem o judeu e vice-versa. Não importa que seja do outro lado do mundo, eu não preciso saber, só queria que acontecesse naturalmente. Eu queria um mundo melhor na esfera humana (porque o resto da natureza é perfeita) não só enquanto eu vivo, não só por mim, mas por todos. Desde sempre, continuando depois que eu morrer, e se estendendo para o infinito.
Neste sentido, sou uma sonhadora. Mas não gosto deste termo, então prefiro dizer que sou uma agente da práxis (parto para a ação). Nem sempre fui assim, como já falei milhares de vezes por aqui. Já exaltei demais minha parte ruim em outras épocas. A maioria das pessoas tem o bem e o mal dentro de si (nem todas, pois algumas só tem OU um OU outro) e eu tinha um pouco dessas coisas ruins que agora estão na moda. Mas alguns indivíduos apareceram na minha vida e me fizeram mudar, para melhor. Tenho certeza de que para melhor. Continuo cheia de defeitos, mas muitos se evaporaram. Cheguei a um estágio de porquês imensurável. Não entendo tudo e muito menos tenho respostas para todos, mas questiono tudo e pergunto: por que? por que tal pessoa age assim? Pergunto isso a todo momento, e também me pergunto: Por que eu estou agindo assim?
Clarice Lispector tem uma passagem famosa em que diz que viver ultrapassa todo o pensar, que basta sentir, algo assim. Li esse fragmento da escritora em algum lugar. Eu discordo. Sentimentos enganam. São maliciosos. Entendam aqui sentimento como sensações próprias de um momento fugaz - e não sentimentos concretos e verdadeiros.
Às vezes a razão salva tudo. Hoje em dia eu dificilmente me impressiono com alguma coisa. Tudo para mim é explicável, e isso não faz da vida menos emocionante, pelo contrário.
Porém, hoje eu estou triste e chorei muito, muito. Desde ontem à noite sinto algo ruim, que não sentia há tempos. Claro que tem a ver com pessoas. Elas são o único mal. Quando poderiam ser o único bem.
Algo que me deixa triste é ver pessoas que eu acho que me conhecem falando coisas sobre mim sem o mínimo embasamento, falando por alto, ou julgando pelo momento. Por exemplo, estou de mau humor. Alguém chega e diz: A Valéria é uma pessoa tão mal-humorada...
Isso me irrita. Não é justo fazer essas noções sobre ninguém.
Pensei em dizer: saiam daqui, não falem comigo, estou em fase depressiva e não sei quando vai terminar. Não sei mesmo, mas algo me diz que nunca mais entrarei em depressão de novo, como há anos atrás aconteceu uma vez. Nem quero, por favor. Acho que é só aquela coisinha chata chamada tristeza.
segunda-feira, junho 19, 2006
São João!
Foto das barraquinhas que vendem artesanatos.Nesse clima de Copa do Mundo de Futebol (aliás, que jogo excitante ontem, hein?), outra festa, mais tradicional ainda, vem sendo ofuscada. Refiro-me ao festejo de São João e festas juninas em geral.
Aqui no Maranhão essa tradição é bastante forte. É minha festa folclórica preferida, e o leque de opções que existe na cidade de São Luís é empolgante. Bumba-meu-boi (o melhor para mim), Tambor de crioula, Cacuriá, Quadrilha, Dança do coco, etc.
Acho de extrema importância dar valor a essas culturais locais. São tão bonitas, antigas e ricas. É triste quando as pessoas só valorizam o que vêm de fora. Ontem fui pela primeira vez este ano a um arraial. Foi muito divertido, comi comida típica, dancei boi barrica (adoro! e eu danço direitinho, tá?) e ainda tirei fotos. Algumas aqui.
Tambor de Crioula. Muito massa as senhoras dançando e rodando feito loucas :)
Cacuriá
Vista do arraial (Arraial do Maranhão, São Luís shopping)
Caboclos (acho que é isso o nome) de um dos bois que esqueci o nome -_-
Outro boi
quarta-feira, junho 14, 2006
Excelente texto para reflexão
Agora leiam esse texto. É incrível. Obrigada Fabio, pelo texto.
Por que somos corruptos?
Por Marcia Tiburi
A máxima 'o poder corrompe' é a bandeira que cobre o caixão no qual velamos a política. Ela é primeiro desfraldada por aqueles que pretendem evitar a partilha do poder que constitui a democracia. Ela é aceita por todos aqueles que se deixam levar pela noção de que o poder não presta e, deste modo, doam o poder a outros como se dele não fizessem parte. Esquecem-se de que a falta de poder também corrompe, mas esquecem sobretudo de refletir sobre o que é poder, ou seja, ação conjunta.
Democracia é partilha do poder. É o campo da vida comum, a vida onde todos estamos juntos como numa mesma embarcação em mar aberto. Partilhamos o poder querendo ou não, mas podemos fazê-lo de modo submisso ou democrático, omisso ou presente. Estamos dentro da democracia e precisamos seguir suas conseqüências. Democracia é também responsabilização pelo contexto em que vivemos: pelo resultado das eleições, pela miséria, pelo cenário inteiro que produzimos por ação ou omissão. Mas não nos detivemos em escala social para entender o que a democracia é e, por isso, falta-nos a reflexão que é capaz de orientar o seu sentido, bem como o sentido do poder e da política.
Acreditamos que o poder é mau. Que a política é ação para espíritos corruptíveis. Construímos a noção de que política não combina com ética, com moral, com princípios. Quem acredita nisso já contribui para a manutenção do estado geral da política, pois afirmamos uma essência em lugar errado. Onde deveria estar a ação que constitui a política, está a crença que determina o preconceito e a inanição. Neste sentido, a compreensão disseminada no senso comum já é corrupta. Ela compactua com a corrupção ao reafirmá-la no discurso que sempre orienta a prática.
É nosso dever hoje reavaliar a experiência brasileira diante da política. A compreensão da política como campo da profissão, por definição corrupta, é ela mesma corrompida e corrupta. Ela destrói a política, cujo significado precisamos, hoje, refazer. Esta é a ação política mais urgente. Acostumamo-nos ao 'pré-conceito' de que política é apenas governabilidade e deixamos de lado a idéia fundamental de que a política é projeto de sociedade da qual participam todos os cidadãos. Reclusos em nossas casas, acreditamos que a esfera da vida privada está imune ao político. Esquecemos que o pessoal é também político, não como espetáculo, mas como lugar de relação e modelo da esfera macroscópica da sociedade. Políticos somos porque falamos e estamos uns com os outros. Política é relação 'entre-nós' produzida pela linguagem, pela nossa fala, por nossos discursos. O que dizemos é sempre político. Pois falar é o primeiro passo do fazer ou, mesmo, a primeira de nossas ações.
Política é a relação estabelecida no enlace inevitável entre indivíduos e sociedade. Na omissão praticamos a antipolítica. Toda antipolítica que seja omissão e não crítica é corrupção da política por ser corrupção da ação. A mais urgente das ações políticas na atualidade, além da punição dos que transformaram a nossa governabilidade em prostituição da ação, é refazermo-nos como políticos no verdadeiro sentido.
terça-feira, junho 13, 2006
Sensibilidade pura

Eu descobri que Cecília Meireles escrevia prosa também. Só conhecia seu lado poetisa. Estou LOUCA para comprar seus livros de prosa!
Alguém sensível e racional ao mesmo tempo, alguém totalmente diferente dos escritores chatíssimos que estou acostumada a ver.
Li História de uma letra e fiquei emocionadíssima. Chorei (eu choro fácil - ou não?).
Mas tentem entender de verdade. É pequeno, não se arrependerão:
http://www.releituras.com/cmeireles_letra.asp
Depois me digam o que acharam, ok?
segunda-feira, junho 12, 2006
Dia dos Namorados
Hoje meu pai deu um perfume muito bom pra mamãe, e um cartão... Ele não pratica muito a escrita, já que é médico, mas escolheu um com uma mensagem muito bonita:
"Contruir uma vida juntos é compartilhar alegrias e tristezas. É saber crescer respeitando nossas diferenças. É levar o outro no coração aonde quer que a gente vá. Amo você!"
De Dilson para Regina.
Bah, o amor não é lindo?
sábado, junho 10, 2006
O vento nos levará

Que filme incrível! De Abbas Kiarostami.
"Até mesmo um tambor parece melodioso a distância." Não paro de pensar nessa frase. Para quem não sabe, o tambor não possui melodia, apenas dita o ritmo. Pensem sobre essa frase, é fantástica. Fantástica.
Assistam. Só.
Lembrei agora que o documentário ABC África, do Kiarostami, foi o único filme aplaudido no festival de cinema de SL de alguns anos atrás... Eu tinha adorado ABC África, o cara é mesmo um humanista... Foi emocionante aquele momento de aplausos pelo bem. Porque outros filmes belíssimos estavam sendo exibidos e só este foi aclamado. Pela mensagem e nada mais. Nada mais.
Copa do Mundo

Olá!
Clima de Copa do Mundo... Adoro!
Acho muito chato que algumas pessoas só virem "brasileiros" nessa época. Todos fingem amar o Brasil durante a Copa, mas no restante do tempo reclamam o tempo inteiro do país e não fazem N-A-D-A para ajudar a melhorá-lo. Muito podre isso.
Porém, que é divertido não posso negar. Todo mundo se une torcendo para a mesma coisa: seleção brasileira. Todos na rua com camisas do Brasil, famílias e amigos reunidos para ver os jogos...
Eu me empolgo muito vendo as partidas, torço igual uma louca, pulo e grito muito quando o Brasil faz gol. Mas isso é só uma extensão do meu amor pelo meu país.
Não gosto muito de futebol, mas Copa do Mundo é muito legal :)
segunda-feira, junho 05, 2006
Paixão

-Ela era bonita.
Ácida e refrescante, novidade, esquisita
Mas era bonita, compreende?
Apesar de tão cítrica...
Enrolou-me como costumam fazer
"Subverteu o que era um sentimento"
Desgastou minha última folha para romance
Confirmando meu pressentimento!
Ah! Se tivesse que de ti depender
O resto serviria apenas de cenário?
Cenário são as pessoas!
Fingir sim, deveria ser pecado
O coração engana e faz de palhaço
Todo romântico inocente e ao acaso
Fantasiam a razão de moralista
Acham, assim, que estão a quebrar correntes (mas deixam pistas)
Porém, de nada serviu a beleza
Aquela pele reluzindo sedução
Sensualidade como se fosse pão
Notas, leitor, quão ridícula a situação?
O nome disso, é...
Quero dizer-lhe, é um nome feio
Que quando acaba (tão subitamente) deixa o queixo nos seios
Apresento-lhe, então, a paixão sem freios.
sexta-feira, junho 02, 2006
Carlos Paredes
quinta-feira, junho 01, 2006
Poesia
(Cora Coralina)Não tem jeito. Estou fascinada por poesia outra vez!
Passei um bom tempo ignorando a maioria dos poetas, mas agora leio poemas freqüentemente outra vez. Foi a primeira coisa que escrevi na vida... poesia (mas eu era muito ruim!) .
Estava dando uma lida nos poemas de Cora Coralina. Admiro muito essa mulher, desde que li uma biografia sobre ela numa revista velha que achei aqui por casa, há uns quatro anos atrás.
Ela nasceu na Cidade de Goiás-GO, numa casa que pertencia à sua família há mais de um século. Desde cedo fazia poesia. Quando casou, mudou-se para o interior de São Paulo, mas em 1956, após a morte do marido, ela voltou a morar em sua cidade natal, pois ela era sábia e escolheu a tranquilidade de uma cidade menor e mais humana para passar sua fase de terceira idade.
Só teve seu primeiro livro publicado aos 76 anos de idade. Mas conseguiu reconhecimento ainda em vida. Mas tenho certeza de que ela não morreria frustrada se isso não acontecesse. Depender da opinião dos outros para ser feliz é triste.
Coralina era doceira... o que me lembra a Suzana, personagem do meu conto, que mostrei a vocês recentemente. Sua poesia, ao meu ver, reflete toda a doçura do seu ser. Açúcar nas mãos e na alma.

(Doce em compotas)
Morreu aos noventa e seis anos de idade. Pois soube cuidar de si, dos outros e da vida com alegria e sabedoria.
Eu, Valéria, vejo muito isso de viver tanto tempo como a vontade da própria pessoa. Quando não acometidas por doenças trágicas ou acidentes inesperados, as pessoas podem alongar seu próprio tempo de vida. E isso não é só a minha visão, é fato. Até pessoas com sérias doenças conseguem converter o quadro às vezes, e sobreviver, apenas pelo fato da força de vontade. Isso é incrível. É o contrário da auto-destruição. E o que quero dizer com auto-destruição não é só fumar, usar drogas... É não gostar da vida, ser indiferente à passagem do tempo, ser vítima de frustrações criadas pela nossa própria mente. Acho burrice ou fraqueza, na verdade. Pena que todo mundo se destrói tanto hoje em dia em troca sei lá de quê. Bom... Eu só sei de mim e sei que quero viver muito. Pois estar viva é muito, muito bom.
Mal querer, Bem querer - Cora Coralina
E a garota, ia despetalando a rosa...
Uma a uma as pétalas iam caindo...
- "Mal querer, bem querer...",
Como se a vida fosse luta de opostos
Como se a guerra dos contrários animasse a festa da vida na terra...
A vida é união
É luta conjunta, de irmão com irmão
De mãos felizes a se abraçarem...
- A vida, ó garota sonhadora,
Não é simplesmente chorar pelos teus amores
Que são eles apenas pedaços de um caminho bem maior
Vem, respeita a flor...
Ao invés de destruí-la aprende a cultivá-la...
A vida feliz é resultado de esforços construtivos.
Assim compreenderás que o mal trabalha para que o bem surja em nós,
sob forma de amadurecimento e serenidade.
A chuva, coopera... O solo também...
E até o verme, no seio da terra,
quer ajudar também para que cresças e seja feliz.
terça-feira, maio 30, 2006
Cecília Meireles - mais uma
esta doçura, este dom de sofrer, este poder de amar,
a força de estar sempre – insegura – segura
como a flecha que segue a trajetória obscura,
fiel ao seu movimento, exata em seu lugar...?
AMO.
sexta-feira, maio 26, 2006
Chiquinha Gonzaga

Tenho tido a oportunidade de assistir a excelentes concertos musicais devido ao meu curso de Licenciatura em Música. Por exemplo, vi um tributo a Carlos Paredes, um compositor português que eu não conhecia, que tocava viola portuguesa como ninguém. Já baixei algumas músicas dele no pc, e o tal era bom mesmo. Sugiro que escutem, é divino.
Os professores normalmente liberam a gente quando está rolando algum evento musical nos teatros (sendo que todos os principais teatros da cidade estão relativamente perto de onde estudo).
Essa semana eu vi um concerto em homenagem aos 250 anos de Mozart. Pena que só vi o primeiro dia. Mas é isso, a gente acaba sabendo de eventos que normalmente não saberíamos, já que temos informantes direto da Escola de Música (Lilah Lisboa) que estão sempre por dentro do que acontece na cidade, musicalmente falando. Além de que muitos alunos da minha sala fazem parte de orquestras da Escola, então, mais uma vantagem.
Em um desses concertos tocaram algo da maravilhosa Chiquinha Gonzaga, e tive a oportunidade de "lembrar" que a música dela é boa, de alta qualidade.
Ela é um nome essencial para a história da música brasileira, já que a pianista praticamente abriu portas para que o grande público conhecesse o choro, por exemplo. Este um dos estilos musicais mais bonitos e complexos do Brasil.
Além de que, por ser mulher, eu a admiro em outro sentido também. Por ter nascido no século XIX em meio a todo aquele machismo e ter conseguido se destacar mesmo na "condição" de mulher.
O site de Chiquinha é muito legal. Sugiro que dêem uma olhada.
http://www.chiquinhagonzaga.com/
terça-feira, maio 16, 2006
Sejamos Verdadeiros
"Nada pode ser e não ser na mesma relação". Esse é um dos princípios da razão na filosofia. É lógico que a premissa está completamente certa. Mesmo em relações mais subjetivas... humanas.
Eu sei que já está até chata essa minha insistência em citar minhas aulas de filosofia aqui. Mas é que a nossa professora é uma pessoa hiper, mega, ultra admirável. A melhor professora de filosofia que já tive. Ela é ética, tem valores (e não valores que vem do exterior, valores existentes nela e outros advindos de reflexão), mesmo não ignorando NADA em volta, mas ela sabe a importância de certas coisas que pseudo-bostas-intelectuais esquecem. É extremamente humana, mas não no sentido falso do negócio. Por exemplo, ela é bem séria. Não fica sorrindo por educação ou para ganhar simpatia, porém isso não significa que ela seja uma pessoa ruim, pelo contrário. Muito, muito admirável!
Então, ela estava falando ontem sobre Verdade. Citou aquelas visões da Verdade: grega, latina e hebraica. Eu concordo com todas, todas são válidas. Mas a mais interessante para mim foi exatamente a mais frágil. A verdade que pode ser quebrada. A hebraica (Emunah). Tem a ver com credibilidade. Minha professora (prefiro não citar seu nome) citou o exemplo daquela frase que costumam dizer por aí. Alguém pergunta a outro: Você confia em fulano? Esse responde: "Confio desconfiando". Isso não existe. Ou você confia, ou não. No caso do "confio desconfiando" a pessoa certamente NÃO confia. Nada pode SER e NÃO SER na mesma relação, repito.
Uma vez que você dá total credibilidade para alguém, confia de olhos fechados (não por idealização, mas porque já convive com aquela pessoa e acha que já pode confiar, que a pessoa é honesta, ou tem palavra, algo assim. Acha que já conhece tal) e este descumpre o que prometeu, faz algo extremamente irresponsável ou lamentável que contradiz tudo o que a mesma pregava/dizia ser anteriormente... A relação se torna extremamente frágil, doentia. Simplesmente porque, mesmo que a segunda pessoa seja tolerante e perdoe coisas, sua concepção que parecia inabalável sobre a primeira se perde, talvez, para sempre. E, se não se perder para sempre, no mínimo será um trabalho árduo reconstruir a confiança. A confiança plena é algo bastante raro, e uma vez que acontece, é forte demais. Mas uma vez quebrada, é o oposto. Mesmo que alguém que teve a confiança traída tente esquecer do fato... No fundo, existe aquela fragilidade que antes inexistia.
Por isso, ao menos que você seja uma pessoa que não tem laço social algum e não se importe com relações verdadeiras, pense bem antes de dizer/fazer qualquer coisa. Sensatez.
segunda-feira, maio 15, 2006
Sonhos

Sonhos (Yume-1990), de Akira Kurosawa, é um filme raro no sentido de que consegue unir beleza e criticidade aguda (e explícita) em uma só obra. Beleza pura, do tipo que costuma dar um pouco mais de sentido à vida (claro que muito da bela fotografia tem a ver com o "saber contemplar" típico do povo japonês). Criticidade explícita porque não entra em joguinhos chatos do cinema "cult". A crítica é simplesmente jogada com palavras simples, muitas vezes saída da boca dos personagens (gente de carne e osso) em diálogos interessantíssimos. Nada de tentar parecer complexo ou cair em subliminarismos. "Estupidez humana" é uma expressão que se repete com sucesso e baseada em bons argumentos.
O filme é dividido em oito "sonhos", com mensagens de cunho universal. Basicamente, Kurosawa defende o lado que os homens costumam pisar, ignorar. Os sonhos envolvem a degradação do planeta, as guerras, o egoísmo, as ilusões materiais. Não, esses temas não são clichês neste filme. Gostei de todos os segmentos, mas destacaria alguns.
O primeiro, "A Raposa", é marcante e misterioso. Bastante teatral, dá ao espectador desde o começo a impressão de que o filme será memorável.
O segundo sonho é lindíssimo, chamado "O Jardim dos Pessegueiros" e impressionou-me de forma arrebatadora. Segue a linha do primeiro no que diz respeito à forma teatral de como tudo é encenado. Contém uma mensagem espetacular, mostrada de forma diferente, musical e com um figurino fantástico.
O sonho que envolve pinturas de Van Gogh é incrivelmente criativo, lembra cenas do filme Frida, no qual as pinturas se tornam reais, concretas. Encantador.
"O Demônio Chorão" é sensacional, um golpe na grande maioria das pessoas, que o tempo inteiro procuram algo que não existe e esquecem o que está ao seu redor. Este sonho mostra de forma "pesada" o que os homens estão plantando... E o que provavelmente colherão mais tarde. Um ogro que um dia foi humano se mostra arrependido, mas é tarde demais: a Terra está morrendo. A ganância cresce junto com os sonhos.
E o último, "Povoado dos Moinhos", muitíssimo sábio. Mas não basta ser inteligente para entender, é preciso bastante sensibilidade. Este é o meu preferido e me fez chorar. De felicidade. Mal acreditei quando vi. Não preciso mais pensar tanto em ser cineasta, pois Kurosawa passou de forma inacreditável a mensagem que sempre pensei em passar. Simples e direto.
"-As pessoas se acostumam com a conveniência. Acham a conveniência melhor. Jogam fora o que é realmente bom."
"-E a iluminação?
-Temos vela e óleo de linhaça.
-Mas a noite é tão escura!
-Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite."
"-Hoje em dia as pessoas esquecem que elas são só uma parte da natureza. Destróem a natureza, da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza.
Eles só criam coisas que acabam deixando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se de suas invenções. E o que é pior, a maioria das pessoas também. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas."
domingo, maio 14, 2006
Você pode ir na janela
GRAM
Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta
Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim
Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim
Mas se vai...
Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei
Vai sem duvidar
Mas se ainda faz sentindo, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo
Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar
Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei
Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim
quarta-feira, maio 10, 2006
Renato Russo & Eu
Não sei se é porque nunca fico só na superfície. Odeio relacionamentos superficiais. Sempre me exponho demais e dou detalhes da minha vida para quem quer entrar na mesma, pois para mim isso é indispensável. Gostar das pessoas no começo é tão fácil. Gostar conhecendo só a face primária é tão, mas tão fácil, que chega a ser banal. Por isso só considero alguém um amigo quando já me conhece o bastante, quando já sabe de meus pontos fracos e fortes.
Talvez eu idealize o mundo. E eu que pensei que não idealizasse mais nada ou ninguém. Eu não deveria...
Pelo menos no universo não existem só seres "humanos". Existem flores... E existem algumas coisas que as pessoas criam em momentos particulares, quase divinos. Momentos em que elas não são sequer elas mesmas. São belas e sinceras uma vez na vida. Daí surgem as artes, quem sabe. Surge a música. Surge um ato solidário, não sei. As coisas que eu considero boas surgem daí.
Já estou me sentindo melhor só pelo fato de estar aqui, escrevendo. Ainda bem que estou me conhecendo melhor. Ficar sozinha me fez bem. Como minha professora de filosofia falou (quantas vezes já citei ela por aqui?) quando começamos a nos conhecer queremos ficar cada vez mais sozinhos com nós mesmos. Adoro estar com outras pessoas. Mas pessoas que valham a pena... É tão cansativo estar com qualquer pessoa (no sentido de afinidade).
Bom, conheço pessoas maravilhosas. E elas nem sabe disso. Pessoas tão incríveis que chego a agradecer por tê-las conhecido ou ter algum laço com tais. Não sei porque estou falando tanto de pessoas neste post. Talvez porque elas sejam mesmo uma parte importante do todo e às vezes sinto falta de muitas delas. Da presença delas. Hoje senti muito a falta de uma amiga, a Ju. Ela mora no Rio de Janeiro e perdemos o contato... Não sei como achá-la! Um absurdo, uma das melhores amigas que já tive... É de chorar até. Mas vou achá-la.
Estou num momento de conhecimento interno, como tenho dito freqüentemente por aqui, e nessa trajetória, como também já comentei, me descobri uma pessoa forte e com uma visão realmente positiva. Descartei coisas que não quero para mim e estou tentando definir, cada vez com mais precisão, o que realmente quero, o que realmente importa. Quero fazer isso desde cedo, não quero esperar envelhecer para fazer perceber algo importante assim. Não quero caos, disso tenho certeza.
Mudando de assunto, tenho novidades. Resolvi fazer fisioterapia. Desisti do jornalismo. Eu sei que mudei da água para o vinho, mas às vezes é preciso radicalizar. Posso escrever por fora, e a área de saúde é muito bonita e me parece muito mais útil ajudar pessoas assim, diretamente, com contato físico e humano. Continuarei escrevendo meus contos, meu romance, enfim. Tentarei publicá-los, etc. E claro, continuarei cursando Música em primeiro lugar.
Estou triste mas isso vai passar rapidinho, tenho certeza. Para quem gosta de mim, fique sabendo que eu gosto de você triplicadamente. Mesmo que eu cale e nunca expresse isso, nunca fale... realmente amo meus amigos. Até porque são escolhidos a dedo.
Agora fiquem com uma das letras mais inteligentes já escritas por um brasileiro. O gênio (e eu não vejo genialidade em intelectualidade e sim em ESPIRITUALIDADE, HUMANITARISMO), Renato Russo.
Há Tempos
Composição: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
A glória da virtude que perdemos.
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro
Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso.
Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito.
Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira.
E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção.
Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem-
Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa.
terça-feira, maio 09, 2006
Boa Música
TristezaBanda norte-americana de música instrumental e eletrônica apenas, ou seja, sem vocais. Muito tocante, criativa e com boa dosagem de alegria X melancolia. Não vejo na banda grandes pretensões comerciais. Ao escutar Tristeza sinto que ali a música é a razão de ser. Há amor pela boa música por parte dos que harmonizam os sons da banda. Recomendo!
Frou FrouComo o nome da banda, as músicas do Frou Frou são bem "meigas", com letras boas e batidas interessantes. A voz de Imogen Heap é diferente de tudo, é sensual e faz das músicas POP algo agradável, diferente dos chicletes que costumam sair da indústria chamada de Pop Music.

Brazilian Girls
Isso sim é inovação. Não seria difícil algo diferente nascer de uma banda multinacional. A vocalista é uma italiana que cresceu na Alemanha, o baixista e o baterista são norte-americanos e o tecladista é argentino. Surge então uma mistura muito bem feita de jazz, samba, reggae, bossa e alguns elementos eletrônicos (que na verdade poderia chamar de um novo estilo, e nenhum desses), com letras cantadas em diversos idiomas. Um luxo.









