terça-feira, dezembro 15, 2009

Where have been, luv?

"Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou."
Pablo Neruda.

Saudade dói... O Travis diz em uma canção:

"And distance tells you that
distance must come between love
Where have you been, Luv?
When the mistake we made
Was in never having planned to fall in love, Luv"

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Empty Souls

Não sei porquê, mas esse som é perfeito para reflexões pré-Natal e fim de ano. Costumo colocar a letra de "What the world needs now is love" da Aimee Mann (bom, a versão que eu gosto é dela - e eu conheço essa música bem antes de ela entrar para a novela, okay?) no meu perfil do orkut e afins nessa época, porque acho a letra bastante representativa nesse sentido; mas considero que essa canção da minha banda preferida também remete ao que eu sempre peço aos céus no fim de ano: vamos nos amar, porra! Chega de desamor. Chega de solidão, de guerras. "Almas vazias". É isso.





Empty souls will leave their homes
To find a place where they're alone
Rattling memories and hollow bones
Leaves a taste so bitter and cold

For empty souls will stand alone
Shivering like black-eyed dogs
Waiting to be taken home
Where that is they only know

Exposed to a truth we don't know
Collapsing like the Twin Towers
Falling down like April showers
Colossal endless like a marathon
God knows what makes the comparison
God knows what makes the comparison

For the empty souls
For the empty souls

quinta-feira, novembro 26, 2009

Laços Frouxos e Falsos

"Mundo de laços frouxos e falsos
Que distâncias desamarram de vez
Disseram-me que o amor era forte
E o mesmo que disse, desfez

O mesmo que forçara as amarras
Que apagara toda a timidez
Disseram-me "eu sou diferente"
E o diferente em igual se fez

Não fumo, mal bebo
Não deixo meus amores de lado
O vício da alma, fácil e certeiro
É o amor, mesmo que limitado...

Oh, mundo de laços frouxos e falsos!
Por que nos colocamos como sacos plásticos...
Em ruas de abismos e bueiros
Ruas da vida e do alheio?" 

(Valéria Sotão)


Fiz esse poema nesse exato momento porque não entendo como o homem pode se colocar num posto de "ser humano" se é muito mais cruel, insensível e egoísta que outros animais. E ainda dizem que temos sentimentos. Sentimentos egoístas, você quer dizer, né?

As pessoas passam meses, anos com alguém e quando cansam simplesmente somem. É como dizer "não preciso mais de você". É. Tratam você como lixo, como algo descartável. Eu, graças à Deus, ainda tenho um resquício do que se pode chamar de humanidade, dignidade e gratidão. Dou valor a todos que merecem e não abandono ninguém mesmo nos momentos difíceis.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Filme para todos os Dezembros!



Desde 2004 vejo esse filme nos Dezembros ou vésperas. Às vezes pego na locadora, às vezes por coincidência passa na TV, como hoje.

O fato é que é um dos filmes mais fofos de todos os tempos, fala sobre o amor em época de Natal. Entenda então, você que nunca o viu, que o filme é sobre o amor e não sobre o natal. E fala do amor sob variados aspectos, porque várias histórias diferentes são mostradas no filme. As àsperas, as engraçadas e as românticas. Não é um filme água com açúcar, básico. É mais profundo, mostra a parte realista, mostra que nem todos os romances dão certo... mas por outro lado mostra toda a felicidade que o amor real pode trazer.

Lindo, lindo! Filmaço, para a vida toda! Daqueles que você não enjoa nunca.

Bat For Lashes. De novo.

Nossa, além da música, que é genial e mereceu até comentário recente neste blog; viciei nessa apresentação da banda Bat For Lashes. Como a Natasha é sexy!

Aumentem o volume, pois o do video é baixo:

http://www.youtube.com/watch?v=7p4Feue2yAg

domingo, novembro 08, 2009

Música que mais ouvi no segundo semestre de 2009

Definitivamente, sou apaixonada por essa música! É tão intensa. Na viagem de volta (Belém - São Luís), no início de Outubro, ouvi essa música o tempo todo. E naqueles dias começava a minha angústia, minha decepção com aquela pessoa... Enfim! Isso não tira a beleza da canção:

quarta-feira, outubro 07, 2009

Amor. Eu acho que sim.

Paixões passageiras nunca me trouxeram felicidade. Eu não quero conhecer pessoas e me apaixonar no primeiro dia. Não só porque estou amando, aquele amor gostoso e alegre, mas porque em dez anos vivi e passei por coisas pelas quais algumas pessoas só conseguem passar em vinte anos ou mais. Dos meus onze aos aos meus vinte e um anos de idade, apaixonei-me com certa frequência, muitas vezes por cascas e aparências e em troca ganhei... pouca coisa. Era uma felicidade efêmera, que nunca me satisfazia. Alguns momentos de esperança aqui, aquela coisa platônica, algumas semanas de empolgação ali, para depois tudo simplesmente evaporar. Discordo que essa euforia que depois te leva à depressão seja a graça da vida. Para mim funciona ao contrário. E nas poucas vezes que amei de verdade, fui desiludida por acontecimentos desonestos, como duplas traições. Por isso: quero algo fixo, duradouro, que me faça feliz.
E acho que posso ter isso agora. Eu acho que sim.


terça-feira, setembro 15, 2009

Mão Santa, ACM e Sarney




Estava aqui em casa, há poucos minutos, vendo pela TV Senado a Votação do PLC, que regula as eleições de 2010. A discussão estava interessante, até que o Senador Mão Santa, um dos senadores mais patéticos, burros (é um erro de português a cada 10 palavras ditas) e ao mesmo tempo esperto (para enganar o povo) começa um discurso e pede atenção do relator de forma um tanto "malandra". Esse jeito nada sério do Mão Santa me irrita. Ele brinca, fica com malandragem e com brincadeiras dignas de bêbados em roda de bar de dia de domingo, em pleno Senado Federal. O que esperamos de qualquer político, em seu ambiente de trabalho, é o mínimo de seriedade (obviamente uma seriedade também em termos de honestidade). Até aí nada de novidade.
Quando eu pensei que nada mais que viesse do Mão Santa me chocasse (negativamente ao extremo) ele diz, em seu discurso fora de hora, que o Antônio Carlos Magalhães foi o maior senador que já pisou no Senado Federal. Engraçado que, lembrei agora, há mais ou menos 1 mês atrás o mesmo Mão Santa tinha dito isso de outro Senador, não mais em atividade na Casa. Falsidade? Memória fraca? Não sei. Mas ok. O que me chocou foi o tal mencionado. O ACM. Puxa vida, Senador Mão Santa! Como podes defender um político que o Brasil inteiro sabe que foi um corrupto, que se considerava o dono da Bahia, como Sarney se considera o dono do Maranhão, que era dono da filiada da rede Globo (e sua família continua com o título) na Bahia assim como José Sarney é dono da Globo do Maranhão, a TV Mirante? Como pode, Senador?

Semelhanças entre o falecido ACM e o vivíssimo José Sarney não são meras coincidências. As famílias dos dois praticamente mandam em seus estados. As famílias de ambos são infiltrada na política, por motivos óbvios. Hoje em dia, em exemplos de maior grandiosidade, podemos citar a filha de Sarney, Roseana Sarney, que está governando o Maranhão pela terceira vez, desta vez no tapetão; e o neto do ACM, o ACM Neto, Deputado Federal pela Bahia.

Os dois foram Presidente do Senado três vezes. Sarney está em pleno mandato, apesar da crise no Senado iniciada em 2008 e estendida até o ano presente, com protestos "Fora Sarney" eclodindo por todo o país. Três vezes, caro leitor, três vezes!

Outra semelhança nada feliz é que ambos (ACM e Sarney) começaram suas carreiras em plena ditadura militar e depois da redemocratização do país se fingiam de democráticos (Sarney continua fingindo até hoje). Sarney nunca é oposição, sempre faz aliança com todos, isso sem contar a contínua troca de favores (que contamina toda a família de filhos, netos e assim por diante) com outros poderosos. Sarney infiltra seu poder no Judiciário, no Executivo, em todos as esferas, sempre num típico tráfico de influências.

Dedico minha total solidariedade ao povo da Bahia, que sofreu por tantas décadas o descaso político e social disfarçado de "progresso" e de "modernidade", cometido por ACM. Espero que sua família não seja ainda tão presente naquele estado como a família Sarney é aqui no Maranhão. Sentimo-nos em pleno Brasil das capitanias hereditárias, cada fatia destas terras vai para um parente desses poderosos. Triste!

E, para piorar este terrível quadro, as "coincidências" não terminam por aí. Todos sabem que tudo no Maranhão leva o nome "Sarney". Hospitais, ruas, pontes, prédios públicos. E isto é proibido, por lei. Obras públicas não podem levar nome de pessoas vivas. Isso acontece também na Bahia, desde quando ACM estava "muito vivo, obrigado".
Alguns exemplos (peguei trechos de um texto que encontrei na internet, se houver algum erro grave, lembre-se que não fui eu quem escreveu o que está entre aspas):

"Se estiver grávida e precisar de ajuda pode procurar a Maternidade José Maria de Magalhães Neto no bairro Pau Miudo.
Pode também ir ao Hospital Geral Luís Eduardo Magalhães, que fica na Av. Antônio Carlos Magalhães, s/nº. Município: Itamarajú - Ba. Cep: 45.836-000. Depois pegue a Av. Professor Magalhães Netto, fácil, fácil, basta passar pela Av. Tancredo Neves. MAs se em vez de virar à direita, virar à esquerda, vai sair na Av. Luís Eduardo Magalhães. Entendeu?


Mas a Av. Antonio Carlos Magalhães não existe apenas em Salvador, mas em Valença e em Santo Antonio de Jesus também.

Como terceira opção vá ao Hospital Municipal Dr. Antonio Carlos Magalhães.

Se não estiver satisfeita e quiser saber um pouco mais da família, dirija-se à Fundação Luís Eduardo Magalhães. Fica em Salvador mesmo. Não confunda com o Município...

É, também tem... Luís Eduardo Magalhães - município brasileiro do estado da Bahia.


Voltando para Salvador, se quiser ir a uma praia, pegue novamente a Avenida Antônio Carlos Magalhães. Antigamente se você tivesse pegado muito sol, podia procurar o Hospital Estadual Arlete Maron de Magalhães, mas ele foi desativado, talvez a população não fique mais doente...


Se estiver em Jequié e quiser fazer uma pesquisa ou ler um pouco, vá até a Biblioteca Municipal Arlete M. Magalhães, na Rua Leonel Brito s/n, Centro.


Se quiser assistir um futebol e estiver no município de Itapetinga pode ir ao Estádio Antônio Carlos Magalhães, que possui capacidade para 6.550 espectadores.

...


Para seus filhos estudarem, escolha entre o Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães. Tem em Salvador, na Av Gal San Martin, pertinho da Av. Luiz Eduardo Magalhães; na Rua 1, em Santo Antônio de Jesus; na Av. Comercial, em Camaçari; e na Rua Vasco Filho, em Feira de Santana. Se você morar em Santo Amarotem a Escola Municipal Luís Eduardo Magalhães, logo na entrada da cidade.

..." (continua, o texto é longo)



Agora vejam todo o acervo midiático daquela família (Fonte: Wikipédia):

"Empreendimentos da família

Seu filho, Antônio Carlos Magalhães Júnior, é presidente da Rede Bahia, que engloba diversas empresas do estado, principalmente de comunicação. São elas:

* 88.7 Bahia FM
* 102,1 FM Sul (Rádio FM em Itabuna)
* Correio da Bahia (Jornal)
* Globo FM (Rádio FM em Salvador)
* Gráfica Santa Helena
* iContent (Produtora)
* iBahia.com (Portal de Internet)
* Construtora Santa Helena
* TV Bahia (afiliada da Rede Globo em Salvador e região)
* TV São Francisco (afiliada da Rede Globo em Juazeiro e região)
* TV Oeste (afiliada da Rede Globo em Barreiras e região)
* TV Santa Cruz (afiliada da Rede Globo em Itabuna e região)
* TV Subaé (afiliada da Rede Globo em Feira de Santana e região)
* TV Sudoeste (afiliada da Rede Globo em Vitória da Conquista e região)
* TV Salvador (canal fechado, transmitido em UHF ou por assinatura)"


Pois é. Tudo isto me lembra muito o que acontece no meu estado, o Maranhão, e me deixa muito triste. Com tantos senadores que já passaram pelo Senado Federal, Mão Santa escolhe um dos piores para dar como exemplo de "melhor e maior".
Sarney é o último desta espécie (já que ACM faleceu há 2 anos)? Não se sabe. Mas digo o último dentre os de maior importância nacional (em termos de fama e influência), pois vê-se, sem dúvidas, que Mão Santa não deve ser apenas um defensor dos oligarcas corruptos. Ele defende a classe porque é um deles. É um deles.

Lamento!

segunda-feira, junho 22, 2009

"Onde estavas, lugar?"



Homenagem ao cara que me faz delirar musicalmente, ultimamente...
Tesouro brazuca!




"Onde estavas, lugar?"
Arnaldo Antunes - 2004

onde estavas, lugar?
em que chão, em que ar?
onde fostes depois de me abandonar?

onde estavas, manhã?
em que céu, em que mar?
onde fostes depois de me apaixonar?

por que veio se foi
para ir, por que foi
que você me deixou tão sozinho?

por que não demorou
mais um um pouco e deixou
que eu achasse de novo o caminho?

não devias partir
como podes partir?
por que não duraste a vida inteira?

se apenas em ti
alegria senti
ao mirar tua luz derradeira

quinta-feira, junho 11, 2009

Intercâmbio musical: Morris Albert, Caetano Veloso, Offspring...

Neste momento escuto uma das músicas mais sinceras já escritas na história. A melodia perfeita faz com que as letras extremamente sentimentais (não é à toa que o nome da música seja "Feelings) fiquem ainda mais transbordantes em emoção.

Versão de Caetano Veloso para a canção de Morris Albert.

Também adoro a versão, totalmente distorcida na letra, que o Offspring fez para a música. A banda punk mudou várias palavras, trocando "love" por "hate", por exemplo. Do excelente álbum "Americana" (1998).

Versão do Offspring


Versão FENOMENAL da Nina Simone, performance FANTÁSTICA, piano tocado de forma belíssima


Versão do Morris Albert (descobri que ele nasceu no Brasil, até)

quarta-feira, abril 29, 2009

Curso de Jornalismo

Pra quem não sabe, a dona deste blog trocou a faculdade de fisioterapia pela de jornalismo. Jornalismo, com letra maiúscula. Este sim é um curso que combina muito mais comigo. Primeiro período, ainda.

Já fiz resenhas antes, mas esta é a primeira que faço para a faculdade, mais especificamente para a máteria "Laboratório de Produção Textual".

NÃO COPIE, PLÁGIO É CRIME.

O Alienista
(Machado de Assis)
Resenhado por Valéria Sotão Ferreira

Cultuado como um dos maiores escritores da língua portuguesa e provavelmente o maior nome da literatura brasileira, Machado de Assis foi poeta, dramaturgo, romancista, teatrólogo, contista e jornalista nascido no Rio de Janeiro em meados do século IXX.
Seu estilo mais conhecido é a prosa, na qual começou como romântico e depois firmou-se como realista, sendo o primeiro escritor a lançar uma obra do estilo Realismo no Brasil.

Em "O Alienista" Machado usa do realismo irônico, típico em obras Machadianas, e este conto (que alguns autores consideram como uma Novela) é, por causa deste realismo cortante e direto, considerado a primeira obra do gênero Realista no Brasil. A linguagem ainda é inteligível, apesar da obra ter sido escrita em 1881: Machado sempre esteve "à frente de seu tempo".

É incrivelmente impressionante a tortura psicológica pela qual passam tanto os personagens da obra quanto os leitores desta. Cada trecho surpreende pela genialidade com que Machado rege sua "orquestra" maestral sobre a loucura: O Alienista é um médico dos mais respeitados da época no Brasil, e por ironia do destino - ou da ciência-, vira sua própria cobaia e a maior vítima de sua obsessão pela descoberta da cura da loucura, ou de uma teoria para esta. Também é visível na obra a crítica inteligente (e por vezes negativa) à mentalidade científica da época, visto que no século IXX predominava a corrente positivista - que colocava a ciência como conhecimento supremo e quase que infalível.

Simão Bacamarte, o médico alienista, vivia apenas para a ciência - até sua esposa foi eleita por aspectos anatômicos e fisiológicos, e não por beleza ou amor. Bacamarte estudou na Europa, e mesmo lá foi reconhecido como médico genial. Porém, ele retornou à Itaguaí, sua terra natal, onde casou com D. Evarista e iniciou suas pesquisas sobre a loucura e a saúde mental.
Usando do humor sarcástico, da indução à reflexão, Machado constrói uma maratona ditatorial na cidade de Itaguaí, iniciada por Simão, que dizia que o objetivo da ciência era o mais nobre dos objetivos e por isso ela estava acima até mesmo do bem-estar humano.
Durante uma viagem da esposa e outros próximos do alienista, este começou uma grande caça aos loucos da cidade, colocando todos para dentro do Casa Verde, abrigo que mais tarde viria a ser rotulado de cárcere privado. Passando dos limites do sensato, Simão não se contentou com os loucos e começou a levar até pessoas com as qualidades mentais em equílibrio (ao ver do resto da população) para a Casa Verde. O "abrigo" foi ficando cada vez mais lotado até que 4/5 da população de Itaguaí lá se encontrava.
O terror e o medo, além da indignação por causa de parentes e conhecidos que foram encarcerados, tomaram conta da população, que se organizou para manifestarem-se contra aquela situação - liderados pelo barbeiro Porfírio.
Porfírio tinha, na verdade, a intenção de tomar o poder da cidade, e acabou por consegui-lo. Quando empossado, não teve poder o suficiente, nem atitudes para acabar com a ditadura de Simão. Assim Porfírio foi substituído por outro barbeiro e a cidade tornou-se um caos. Tudo era justificado pela ciência, segundo Simão, que chegou ao cúmulo da frieza quando, depois de ter internado amigos próximos, internou a própria esposa na Casa verde.
Em dado momento da trama, Simão percebe que, estando 4/5 da população local internada na Casa Verde, provavelmente "os loucos" não eram loucos e sim os considerados normais, aqueles sem nenhuma falha moral ou mental. Soltou todos os que estavam internados e internou os aparentemente organizados mentalmente.
Ao final do estudo Simão chega à conclusão de que ninguém é saudável mentalmente, e provavelmente nem ele mesmo. Assim, Machado de Assis conclui de maneira admirável sua crítica à idéia de sanidade mental, quando seu personagem central, Simão Bacamarte, interna a si mesmo, virando seu próprio objeto de estudo e morrendo sem uma resposta final sobre a loucura.



ASSIS, Machado de. O Alienista. Francisco Achcar. Contos de Machado de Assis. 3.ª edição. São Paulo: Objetivo, 1995. pp. 33 - 88.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Alanis Morrissette em Teresina


Alguns artistas são iluminados e tem missões que abrangem e beneficiam muita gente. Quando temos oportunidade de contato com alguns destes seres, não devemos desperdiçá-la...
Não é que eu queira superestimar certas profissões, certas missões e por outro lado subestimar outras. Não. Acho que pessoas de todas as áreas profissionais, sociais e econômicas podem ser iluminadas: um médico que trata e "cura" com amor, um palhaço que faz muita gente rir, um advogado que defende a justiça com paixão. Além de tocar e modificar a vida de muitas pessoas, uma pessoa iluminada, ao meu ver, brilha por si e transborda virtudes como honestidade, justiça, amor, paixão, compaixão, inteligência, talento, entre outras mil que poderia aqui citar.
No caso de Alanis Morrissette, ela transborda não só essas virtudes como outras infinitas. A luz dela ofusca tudo ao redor... se existe mesmo alma, tenho certeza de que o espírito dela é dos mais elevados dentro deste plano. Não falo isso com pouco conhecimento de causa ou só porque ela é uma pop star famosa mundialmente. Não me deixo levar por poder, fama ou quaisquer desses títulos superficiais. Eu falo isso porque sempre analisei, desde quando comecei a gostar de Alanis, as letras complexas da artista. Estas são de uma qualidade poética, literária e filosófica raramente vista nos dias de hoje. E são também tão viscerais, como se rasgassem o peito e alma. Falam de tudo: amor, ódio, raiva, frustração, paixão, dor, problemas sociais, hipocrisia, sociedade, natureza, consciência ambiental e social, diferenças, buscas. Poderia ser mais filosófica?
Por isso digo que alguns artistas tem uma missão muito importante, que é confortar nas horas de dor, seja por um comediante ou por um pianista. Ou compartilhar sensações, sentimentos. Induzir a reflexão sobre temas variados. Para isso existe a arte: para nos fazer transcender e evoluir. Um dia, todos serão artistas. Acho que será o máximo da evolução. Enquanto não chegamos lá, precisamos observar e apreciar as artes existentes e os seres iluminados que tanto nos ensinam e nos fazem felizes.

Então quando soube do show da Alanis que aconteceria em Teresina, capital do Piauí, estado vizinho, não resisti: eu tinha que ir. Não apreciei tanto os últimos trabalhos da Alanis (musicalmente, as letras continuam geniais), mas por tudo que ela já fez, ela merece ser vista. Vale a pena pagar um ingresso e passagens de ônibus. Até hotel se necessário. E assim foi. Dei meu jeito e através de um contato na internet conheci um cara (muito generoso, por sinal) que aceitou comprar meu ingresso, já que estes não estavam à venda na internet ainda. Reservei um hotel em cima da hora. E, junto com uma amiga, a D., partimos para a aventura.
Teresina é uma cidade realmente quente. Um dos vários taxistas que nos conduziram pela cidade (todos muito falantes e receptivos!) me disse que, em períodos extremos, chega a fazer 48ºC na cidade.
Chegamos no dia do show mesmo, lá pela hora do almoço, tomamos um banho e fomos almoçar no Teresina Shopping. Eu tava passando mal, mas isso não vem ao caso. Até a hora do show eu já estaria recuperada. Pegamos outro táxi e fomos para o outro lado da cidade, buscar nossos ingressos. Quase não achamos a bendita casa, porém no final tudo deu certo.

20h. Lá estávamos nós na fila do show. Havia uma fila mediana, o show mesmo só começaria depois das 23h, todos sabiam. Então fomos umas das primeiras, e, por sorte, encontramos conhecidos que eram praticamente os primeiros da fila. Juntamo-nos a eles. Vi muita, muita gente de São Luís. Inacreditável ver tantos conhecidos assim em outra cidade. Fora os maranhenses que foram e eu não conhecia. Um amigo meu viu a Alanis bem de perto no hotel.

Às 21h10, mais ou menos, abriram os portões e saímos correndo. Era mais pela empolgação, já que o local ainda não estava lotado (só começou a lotar mesmo depois das 22h30). Havia uma área vip em frente ao palco, e eu não estaria nela. Sorte a minha que o palco era alto o suficiente para que todos, independente de estarem na área vip ou na pista comum, pudessem ver Miss Morissette perfeitamente. A tour dela não traz telões. Colei na grade e fiquei na primeira fila da pista. Não saí de lá para nada, não queria perder o lugar. D. foi para a área vip e fiquei com meus outros conhecidos.
Duas ou três bandas locais tocavam em outro palco. O calor era desagradável. Começou a chegar gente e mais gente. Logo a pista vip estava lotado. Entre esse intervalo, duas pessoas que estavam comigo avistaram os músicos da banda da Alanis e foram conversar com eles. Conseguiram. Eu nem vi eles saindo, para ser sincera. Eu mal me mexia, já que uns pirralhos estavam me esmagando, loucos para roubar meu lugar. Mas eu empurrava de volta.
A espera era ansiosa. Meus pés já estavam doendo, pois a viagem foi de quase 7 horas e eu mal dormira. Como havia estado doente durante três dias antes do dia do show, sentia-me fraca. Comi chocolate e bebi bastante água para não ter problemas depois.

23h30. A banda entra. A voz de Alanis ressoa. Ela entra, nem devagar, nem depressa. Sorridente. Muito sorridente. Parecia estar muito feliz por estar no Brasil, em especial em cidades menos conhecidas, longe dos pólos econômicos. Senti a luz: ela é mesmo iluminada.
Em alguns momentos, tive vontade de chorar. Era lindo ver todo mundo cantando coisas tão profundas, e tão íntimas para ela, junto com a mesma. Coloco-me no lugar dela e posso imaginar o quão especial deve ser essa sensação.
A energia de Alanis no palco é espetacular: ela dança, canta, toca guitarra, violão, bate o "cabeção", toca gaita, roda o cabelo, acho que fica tonta. Aí cai no chão. É fantástico. Eu acho que eu, que sou compositora e musicista também, teria mais ou menos a mesma energia no palco. Identifiquei-me ali.
Alanis cantou super bem. Acho que em algumas músicas ela usava uma voz (dela mesmo, gravada precocemente) de fundo, mas só em algumas mesmo. Na maioria deu para notar que era só ela e o microfone. O som estava impecável e a iluminação muito bonita. O cenário da sua tour é simples, mas de bom gosto. Ela, como pessoa, foi super educada, sorridente. Passou uma ótima vibração.

Alguns momentos para mim foram especiais:
-Not As We, pela performance emocionada.

-Head over feet, pois marcou a minha vida, emocionalmente falando. E foi tocando essa música no violão que recebi o primeiro elogio musical de um amigo. Cantei gritando, loucamente!

-Flich, eu não esperava essa música. Não estava no setlist de Manaus. Adoro a letra, ela fala de um sentimento de anos, que ficou reprimido. Alanis ama alguém há tanto tempo... (depois irei fazer um post somente sobre essa curiosidade). Também cantei do começo ao fim.

-You Oughta Know, pela energia do público cantando. Todo mundo adora.

-Tapes, pois é minha preferida do último álbum e eu acho a letra divina.
-So Unsexy: Ficou linda em versão acústica!

-You Learn, pois acho essa letra uma lição de vida, todos cantaram emocionados e a Alanis parecia mais feliz que nunca.
-Ironic, simplesmente por ser um clássico.

-Thank you. Ela saiu duas vezes no palco. O primeiro bis foi com You Learn e Ironic. Eu, que esperava por Thank You (uma das minhas preferidas musicalmente falando, acho aquele teclado lindo), achei que ela não voltaria e já estava ficando um pouco decepcionada... mas... lá vem Alanis de novo, "Thank You". E no final mandou beijinhos sinceros para a platéia.


Setlist:

Uninvited
Versions of Violence
All I Really Want
The Couch 2
Not The Doctor
Not As We
Head Over Feet
The Couch 3
Sympathetic Character
Flinch
Moratorium
You Oughta Know
Tapes

*Set acústico:
Hand in My Pocket
So Unsexy
So Pure

*BIS:
You learn
Ironic
Thank U

Nas últimas músicas, apesar de cansada fisicamente, eu torcia para o show não acabar. Foi muito, muito emocionante. Ver aquela pessoa com quem você se identifica cantando ao vivo para você,para pessoas perto de você. Ouvir ao vivo, ver ao vivo performances de músicas que marcaram a sua vida, com o artista original ali, pertinho. Foi bastante gratificante, valeu a pena. Meus amigos gostaram bastante, todos amaram o concerto.
Enfim, na volta para São Luís, logo no dia seguinte, tive a certeza de que nada foi em vão... e no peito aquela nostalgia imediata.