sexta-feira, abril 27, 2007

Caetano, CÊ


Não costumo cultivar heróis, ídolos. Existem aquelas pessoas que admiro, apenas. Caetano Veloso, como muitos já devem ter percebido, é uma delas. Não o coloco como deus, não vejo ele como homem da minha vida... nada disso. Eu primeiramente amei sua arte. Depois de alguns textos, entrevistas, frases e principalmente depois do show de ontem à noite, ao qual tive o imenso prazer de assistir, posso afirmar que agora eu o amo. Como ser humano, como artista.


O show foi dominado pelas canções do novo álbum, CÊ (o mesmo nome do show). Este foi um fator importante no andamento do espetáculo. Não sei se isso foi bom ou ruim. Visivelmente, poucas pessoas conheciam as músicas novas. Eu cantava igual uma louca, acho que até o Caetano percebeu.


O show começou com a primeira faixa do álbum. "Outro". O clima estava bom e as pessoas escutavam a música de Caetano com entusiasmo. As cadeiras estavam completamente lotadas, mas as arquibancadas não. Uma pena, mas talvez porque fosse uma quinta-feira. Mas sim, havia bastante gente ali. E eu estava na primeira fila das cadeiras (apesar de as fotos parecerem distantes)!


Todas as faixas, com excessão de "Um sonho" e "Porquê?" foram executadas. Perfeitamente executadas, por Caetano e uma banda de 3 caras super jovens (não passam de 30 anos), ideais para tocar a diversidade da música do baiano fantástico, desde frevo ao rock n"roll.


Outras músicas merecem destaque, como "London London" (essa foi a hora em que me levantei e junto com mais 3 ou 4 pessoas, encorajamos todo mundo a ficar de pé e sair daquele formato boêmio de assistir a um show sentadinho. Que coisa de velho! E boa parte do pessoal se levantou... logo quando ele começou a tocar "Rocks". Meu Deus, parecia show do Placebo. Todo mundo pulando, incluindo Caetano!).

"Sampa" provavelmente foi a música de mais sucesso do show. Caetano optou por músicas mais lado-B, um repertório menos conhecido. Mas foi maravilhoso. Ver o vigor juvenil, político e artístico de Caetano foi uma experiência inesquecível.
"Fora de Ordem" me surpreendeu, espantou-me, eu não esperava essa música de maneira alguma. Deu um teor engajado ao show, que junto com "O Herói" do novo álbum, mostrou um Caetano preocupado com causas sociais.


Os momentos "Ney Matogrosso" (Caetano solta-se completamente no palco!) foram incríveis. Caetano elogiou a cidade, disse que isso aqui é terra bonita... e eu concordo. Ele conversou com o público, deu atenção, foi simpático, humilde, engraçado, showman. Quem disse que Caetano é metido à estrela errou feio, ou mentiu feio. Ele é um grande ser humano, cuja boca se formou para cantar, a goela para arrasar, os pés para dançar, a mente para pensar, os dedos para tocar.


No final bis (mais um! mais um)... e lá vem Caetano de volta, com aquela camiseta hiper simples, tocou mais três músicas cheio de vontade, pulou, dançou e imitou asas de anjo. Porque as dele estão lá, mas são invisíveis.


terça-feira, abril 17, 2007

Seres Sensíveis

Engraçado como tenho momentos de incrível sensibilidade (instântaneos e espontâneos) para com os outros, e em outras vezes simplesmente matenho-me fria e indiferente, mas com certeza não por querer. Sinto-me péssima quando não consigo ser sensível a uma situação à mim apresentada.
Às vezes sinto muito por um problema de alguém que eu nem conheço e outras vezes não sinto nada. Mais importante que sentir é ter consciência, racionalidade. Como eu já disse aqui antes, ter consciência de que o outro existe, sente, pulsa, é o mais importante. Ter consciência de que aquele problema é enorme, mesmo que não seja diretamente seu. Sensibilizar e sensibilizar-se é preciso. Não por motivos religiosos, pessoais, ou para sentir-me uma pessoa melhor. É simplesmente um dever, algo que precisa ser resgatado, algo que sim, faz parte de nós, mas estamos horrivelmente embrutecidos pelo mundo em que estamos inseridos.

Quanto mais egocêntrica uma pessoa é, menos eu sinto por ela. É preciso haver uma rede mundial de sensibilidade, com todos sendo humanos e só assim haverá amor de verdade.
Quanto mais simples a pessoa, mais eu vejo sentimentos e sangue ali dentro, mais nítido fica para mim seu coração. Quanto mais robótica, cibernética, gananciosa e insensível é a pessoa, menos eu gosto e menos eu me importo com ela. É como se ela nem existisse para mim (não que minha visão seja o centro das coisas). Porque onde não há sensibilidade não há vida. E mesmo assim eu sempre faço um esforçozinho para sentir o outro, mesmo quando a tarefa não é espontânea, e sim pensada... no fundo sempre há um coração, mesmo que bem escondido. Sim, há.

domingo, abril 08, 2007

Coração de Aprendiz

Gente, eu não nasci pra estudar, não. Sou meio rebelde nos estudos, como dizem que Einsten era (não estou me comparando com ele, longe disso!).
Alguém, ao ver minhas comunidades do orkut, poderia até perguntar porquê estou em duas comunidades tão contraditórias:
1-Eu adoro aprender
2-Eu não mato a aula, ela é que me mata.

Eu amo aprender, minha cabeça é pensante por natureza, tenho curiosidade sobre muita coisa (nunca sobre tudo - tudo é demais, e tudo inclui lixo demasiado). Mas eu não gosto de estudar.
O problema é que eu discordo do sistema educacional brasileiro, radicalmente. Esse sistema baseado em decorar letras, depois decorar gramática e tabuada, assimilar teorias de todo tipo de gente como se fosse verdade absoluta e nem sequer discutir tais teorias, assim como assimilar a história do Brasil como uma história de heróis burgueses, quando os verdadeiros heróis ficam esquecidos... Esse sistema é ridículo.

Nas aulas deveríamos, desde pequenos, falar quando quiséssemos, respeitando o professor claro, mas interferir sempre que possível, com um feed back constante, um misto de opiniões, pois na verdade, caros amigos, até a ciência muitas vezes é baseada em opiniões e nada é muito certo no mundo. Odeio "aquela velha opinião formada sobre tudo", odeio verdades absolutas, odeio toda generalização! Essa incoerência com a verdade com a qual esbarramos frequentemente nos livros de todos os tipos e no discurso de tantos professores. E os estudantes deveriam abrir a boca só quando tivessem vontade também, nada de tremedeiras na frente da turma.

O ato de ler deveria ser muito mais incentivado, mas não com aquelas leituras obrigatórias de ensino fundamental e para o vestibular, e sim com liberdade total para que os jovens lessem o que quisessem e discutissem literatura com vontade. Literatura política deveria ser mais incentivada, Marx, Guevara... Idéias opostas ao capitalismo em que vivemos, não para formar revolucionários sem causa, mas para que essa idéia de que capitalismo é o fim de tudo cessasse e para que as pessoas pudessem ver de vários ângulos o que poderia ser a vida.
Xadrez, esportes em geral deveriam ser uma opção concreta para quem não quisesse aprender matemática ou geografia em sala de aula. A arte deveria estar em todo corredor das escolas, acordes deveriam ressoar pela praça de alimentação, jovens deveriam ficar na grama olhando para o céu e apreciando a natureza.

Enfim, liberdade plena. "This is my utopia", como diz Alanis Morissette.

Eu odiava ir para a escola, principalmente no Ensino Médio. Fui uma garota-problema, mas não me orgulho disso. Eu queria ter tido mais amigos, mais histórias para contar sobre a escola. Porém o reflexo óbvio da falta de sensibilidade (esta que a escola deveria cultivar no aluno) dos meus colegas de classe me deixavam excluída, porque eu era diferente e eles não toleram o diferente. Isso a escola deveria fazer: ensinar a tolerância e o amor ao próximo. Coisa que poucas instituições fazem.

O vestibular é um método eficaz, porém não estou certa sobre se ele é justo ou não. Estudamos como cavalos durante as madrugadas e perdemos parte da nossa juventude para decorar formas de física que daqui a um ano esqueceremos. É fato. Fazem de nós robôs ambulantes quando deveríamos estar na praia tomando água de coco. Não defendo a vagabundagem, não é isso. Mas a imposição, a pressão, é sempre algo injusto. Fora as gritantes diferenças sociais. Imagine um cara de dezoito anos, de intelectualidade média, que gosta de ler Machado de Assis mas odeia química e não tem grana nem para comprar "Memórias Póstumas de Brás Cubas", seu livro preferido (ele pegou da biblioteca). O dinheiro acumulado em meses vai servir para comprar um livro de química e não um livro do Machado. De qualquer forma, esse caso não é nada perto dos que morrem de vontade de fazer um cursinho pré-vestibular mas não tem dinheiro para isso, e apesar dos esforços, acabam não passando no vestibular pois não receberam as mesmas dicas dos que fizeram cursinho.

Quando entrei na faculdade de Licenciatura em Música pela Estadual eu me decepcionei muito com o sistema. Entrei na de Fisioterapia numa particular e a decepção foi pior ainda. É tudo tão chato, entediante. Tenho provas essa semana e não tive coragem de estudar nada ainda. Sim, é falta de disciplina, eu admiro muito meus colegas que estão se matando de estudar agora, mas será que isso vai mudar muita coisa no final? Essa absorção de conteúdos enormes em poucos dias é eficaz? O problema do ensino no Brasil é ficar na entediante teoria. É tudo muito teórico e perdemos muito tempo com papo furado. Um pouco de teoria é fundamental, porém muita coisa se aprende bem melhor vendo na prática, pegando na massa. Eu não sei nada de fisioterapia realmente, ainda.

Por que não podemos ser como os gregos, que faziam poesia em praça pública e discutiam política em fórum aberto a todos? Assim, com diálogo, a coisa fica muito melhor.

Eu gosto de aprender, sim. Adoro. Mas aprender com a vida, vendo como tal animal se comporta (sem precisar medir sua pressão osmótica), como cozinhar um peixe com batatas, como aprender a fazer pipa com meninos brincando na rua, conversando com uma senhora de 70 anos e perguntando como era a moda nos anos 50, conversando com todos os mais velhos, sentindo o cheiro da rosa e percebendo como a vida pode ser bonita. Esses sim, são aprendizados úteis e que mexem com a sensibilidade, coisa que a escola, extremamente técnica, não ensina a ninguém.

Marisa Monte disse:
"Por isso eu pergunto à você no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria.
O mundo é uma escola, a vida é um circo...
Amor: palavra que liberta. Já dizia o profeta"

Eu fico com a sabedoria.

domingo, abril 01, 2007

Cheeseburger Exótico



Esses dias tomei um iogurte de cupuaçu. É uma delícia, provavelmente o iogurte mais gostoso que já provei na vida. E na embalagem dizia-se: "Exotic".


EXÓTICO:
diz-se dos animais ou plantas que não são naturais dos climas para onde foram transportados;
que não é indígena;
estrangeiro;
extravagante, esquisito;
estranho;
singular;


Exótico em que sentido, então? Provavelmente um iogurte de CUPUAÇU deve (ou deveria) ser exportado para que os gringos provem as maravilhas feitas com as frutas tropicais. Mas, dentre as possíveis definições, eu diria no máximo que o cupuaçu é uma fruta "singular". Não é estranha, não é extravagante nem foi transportada para outro clima, sendo que a polpa usada no iogurte é do Brasil, de onde vem o fruto realmente. Então, que diabos seria exótico, neste contexto?


Eu sei que é ridículo encucar com um iogurte, mas eu me divirto encucando com coisas bobas e gosto de questionar simplesmente porque é preciso. Alguém tem que ocupar esta função.

Seria um cheeseburger exótico porque tem um gosto singular? Ou porque é um tanto extravangante, com suas quase 700 calorias? Eu adoro cheeseburger.