segunda-feira, dezembro 15, 2008

Melhores e Piores de 2008 (Música)

[edited in 14/03/09] ;)
Se você escuta Madonna, Wanessa Camargo e Forfun, por favor, não leve essas listas a sério.

Fiz uma lista dos melhores álbuns de 2008. Acho que nunca baixei tanta coisa nova quanto neste ano. Internet tem lá suas vantagens...

Os 20 primeiros estão mais ou menos na ordem... o resto é aleatório.
Para os meus 3 preferidos coloquei links de videoclipes no youtube.

Os melhores:
1)Beach House - Devotion (http://www.youtube.com/watch?v=8UqwNLdb45k)
2)Fleet Foxes - Fleet Foxes (http://www.youtube.com/watch?v=DrQRS40OKNE)
3)Albert Hammond, Jr - ?Cómo te llama? (http://www.youtube.com/watch?v=CMVUcrTj0ps&feature=related)
5)The Secret Society - I am becoming what I hate the most
6)Cold War Kids - Loyalty to Loyalty (que letras ótimas eles têm...)
7)Elbow- The Seldon Seen Kid
8)Eli "Paper Boy" Reed & The True Loves - Roll with you
9)
Bon Iver - For Emma, Forever Ago
10)Matt Costa - Unfamiliar faces
11)MGMT - Oracular Spectacular
12)Aaron Thomas - Follow the Elephants
13)Supergrass - Diamond Hoo Ha
14)Uh Huh Her - Commom Reaction
15)The Music - Strenght in numbers
16)Gnarls Barkley - The Odd Couple
17)The Last Shadow Puppets - The Age of the Understatement
18)Dido - Safe Trip Home
19)Erykah Badu - New Amerikah Part One
20)Our Broken Garden - When your blackening shows
21)Vampire Weekend - Vampire Weekend
22)Aimee Mann - Smilers
23) Britta Persson - Kill Hollywood Me
24)Jay-Jay Johanson - Self-Portrait
25)Paul Weller - 22 Dreams
26)James - Hey Ma
27)Adele - 19
28)The Verve - Forth
29)Tracy Chapman - Our Bright Future
30)Beck - Modern Guilt
31)Travis - Ode to J.Smith
32)The Dears - Missiles
33)Rachel Yamagata - Elephants
34)British Sea Power - Do you like rock music? (inferior aos outros, mas... bom!)



As decepções de 2008 (bandas que eu costumava gostar ou/e pelas quais eu tinha muita expectativa e no fim me frustraram):

-R.E.M
-Metallica
-Offspring (algumas muito boas, outras muito ruins!)
-Coldplay (salvo Viva la vida, mas depois que descobri que é plágio do Satriani... hahaha...)
-The Killers (não é tão ruim, mas eu ainda espero um álbum tão bom quanto o primeiro)



OS PIORES de 2008:

-Black Rebel Motorcycle Club (que coisa horrorosa! e eu até gosto das trabalhos anteriores)
-Marcelo Camelo
-Little Joy


BANDAS DAS QUAIS TODO MUNDO FALOU BEM E EU NÃO ACHEI NADA DEMAIS:

-Deerhunter
-No Age
-Mallu Magalhães

BANDAS BASTANTE ANTIGAS QUE SÓ PAREI PARA OUVIR EM 2008 (E AMEI):

-ROXY MUSIC
-TELEVISION






segunda-feira, outubro 20, 2008

Revolução: modifique o lugar onde você está.

GUEVARA E FIDEL ERAM REVOLUCIONÁRIOS




DORIVAL CAYMMI ERA REVOLUCIONÁRIO




OS ARTISTAS DA SEMANA DE ARTE DE 1922 FORAM REVOLUCIONÁRIOS




Ontem comecei a ler o novo livro que comprei, um livreto, chamado "Fidel - A estratégia política da vitória", fato que me fez retomar um pensamento induzido por aquela professora de filosofia, aquela de quem sempre falo: A melhor professora de filosofia que já conheci.

Quando tinha 13 anos de idade eu tinha o mesmo desejo absurdo de tantos jovens de sair do país, ter casas em várias nações da Europa e, para isso, ser rica. Chegava a enumerar e listar os nomes dos países de meu interesse. Queria morar em qualquer lugar, menos no Brasil. Com o tempo fui descobrindo as maravilhas do meu próprio país, da minha própria cidade - por conta própria. Começando pela vista da sacada do meu próprio prédio (meu antigo prédio), que por muito tempo eu não valorizei. Era tão linda e simples, e à medida que fui crescendo fui percebendo que ali eu tinha um tesouro e de que poderia ser feliz com coisas simples, sem o glamour *ilusório*de Londres ou Los Angeles.

O que a antes citada professora de filosofia dizia era: Todos saem para lugares que dizem mais "evoluídos". De "primeiro mundo". Porque lá tudo é melhor, são lugares bons de se viver. Mas em tais locais tudo já está pronto. Toda a evolução e grandiosidade, em todos os aspectos (culturais, educacionais, sociais, econômicos, políticos e artísticos), foram construídas pelos seus respectivos nativos. E a professora batia em outra tecla: muitos de nós nos sentimos inferiorizados perante as críticas dos nativos de tais países quando para lá nos mudamos. Mas o que eles criticam está certo: tantos brasileiros (no caso) mudam-se para lá, de mala e cuia, e esses em nada ajudaram na construção do país. Por que não ficam em seu próprio país e tentam mudar as coisas neste? A questão da imigração é bastante cômoda para quem recebe os "novos moradores". É sabido: a população local cresce, os problemas aparecem. E o pior: problemas trazidos por alheios.

Eu, até então, nunca havia parado para pensar nisto. Mas refleti bastante e, sendo impessoal, vi que é fato e não questão de opinião. É uma espécie de "egoísmo inconsciente". As pessoas querem fazer suas vidas, enraiza-las e ter seus filhos em lugares onde tudo já está maravilhoso, pois assim tudo é mais fácil. Vão embora e esquecem da miséria que presenciaram um dia em seu país, dando as costas e dizendo simplesmente "tchau, eu vou pr'uma melhor e vocês fiquem aí, nesse Brasil de merda".

Lutar em termos pessoais, dentro da nossa própria vida, já é difícil, imagina lutar em termos sociais. É verdade. Levamos muita coisa "com a barriga" e queremos o mais rápido e prático. Questão de sobrevivência do homem. Mas sendo menos animalescos e tentando ser mais humanos, por que não tentamos ser mais politizados ou mais ousados e questionadores, formadores de opiniões, influentes, de forma a tornar a práxis algo viável a favor da evolução de nosso próprio país e de nossa própria cidade? Por que fugir para onde tudo já está pronto? O que cada um de nós fazemos para melhorar nossa própria cidade (se é que fazemos algo)?






Lembro aqui que questões gerais estão envolvidas e não apenas a parte política (o que é diferente de politicagem barata). Questões que envolvem filosofia profunda e a práxis desta. Sociologia como instrumento de reforma, e por que não, uma pedagogia bem aplicada. A questão artística também é fundamental. O artista verdadeiramente revolucionário não sai de onde vive para buscar o padrão externo, revoluciona a partir do ponto onde se encontra. Esta é a verdadeira revolução. Se isto fosse aplicado à realidade, a arte não encontraria-se tão segmentada e concentrada em grandes metrópoles, e por consequência, cidades menores seriam mais auto-suficientes em sua arte e sua população valorizaria mais o que é de casa (por isso dizem: santo de casa não faz milagre - compramos muita arte externa e esquecemos o que é nosso).

O medo de ousar em cidades menores, no caso do Brasil, é generalizado, em todos os aspectos possíveis dentro de uma sociedade. Vê-se pela política, os bons e honestos raramente encaminham-se nesta carreira, porque já é implantada a mentalidade, no Brasil, de que "todo político é corrupto". E isso se aplica, em esferas diferentes, a todo tipo de trabalhador, artista ou cientista.

Nivandro Vale, cantor e compositor maranhense, enche os bons ludovicenses de orgulho ao dizer: "Vamos valorizar o que é nosso! Nós também sabemos fazer boa música". E considero o que Nivandro faz algo super inusitado, faz música alternativa no Maranhão, estado que já foi um dos grandes pólos da literatura nacional e que hoje em dia pouco lê os próprios escritores, que fizeram história. Isto é um exemplo literário, mas que pode-se aplicar à música ou à qualquer contexto. Há pouca valorização por parte do público ou população (e também do governo) e pouca audácia por parte dos artistas ou políticos ou cientistas, dependendo do aspecto analisado. Temos artistas muitíssimo completos, como João do Vale, mas que pouco são valorizados dentro de seu próprio estado. Artistas, políticos e cientistas em potencial temos o bastante, mas ousadia para fazer a arte e a ciência nascerem e brilharem neste chão... pouco há. A maioria precisa sair, ou sai por medo de arriscar aqui. O título de "pioneiro" ou de "talentoso" parece não competir com o medo de fracassar ou de sentir-se diferente do padrão.
Por tudo isso deve-se aplaudir atitudes como a de Nivandro Vale, que arriscou fazer sua arte aqui mesmo, e esta sim é a alma que espera-se de verdadeiros revolucionários. Porque fazer revolução onde tudo já encaminhado é muito fácil e muito vão.

A leitura de "Fidel - A estratégia política da vitória" fez-me pensar sobre o assunto pois muito admiro aquele bocado de cubanos, que nem pobres eram (no caso de Fidel Castro e Che Guevara) e tentarem implantar um sistema baseado no Marxismo e voltado para o nivelamento de classes. Tudo começou com o "Movimento 26 de Julho" e com cabeças pensantes e destemidas. Enfim, não buscaram a revolução fora, mas dentro de sua nação, buscaram revolucionar não só as próprias vidas (como tantos brasileiros fazem ao irem morar no exterior) mas revolucionar seu país e outras tantas vidas. Concordar ou não com o regime implatado por eles é outra coisa. Independentemente disso, é necessário admitir que houve total revolução. Na minha opinião, para melhor (com exceção de alguns aspectos).

Tom Jobim disse: "O Brasil não é para principiantes." Realmente, não é. Se você não tem ousadia vá embora, vá embora se não pode ajudar. Melhor do que ficar reclamando de pés para o alto, sem nada fazer para mudar o quadro do país.
Outra fase ótima de Antônio Carlos Brasileiro (ou seria de Vinicius de Moraes?) é a seguinte: "Lá é bom, mas é uma merda. Aqui é uma merda, mas é bom." Sobre os Estados Unidos da América.

A alma humana é terrivelmente insegura e medrosa. Não há espaço para rupturas bruscas, infelizmente. Então é mais fácil enveredar pelo caminho da covardia, como diria meu amigo e filósofo Fabio de Oliveira. O mais fácil é cortar laços, manter somente o essencial e imitar a ganância padronizada, a do querer sempre mais dinheiro. O mais fácil é tentar uma vida materialmente boa e ser objeto de manipulação para que os poucos realmente poderosos façam de você o que desejarem. O mais fácil é seguir a "receita de bolo". O que já está pronto. O mais fácil é usufruir. Vai-se para onde, então, possa-se usufruir do que foi erguido pelo suor de outros, pela ousadia de outros. Seja lá onde for.

Acredito que, na verdade, as pessoas, na falta de reflexão, no "egoísmo inconsciente", e principalmente em sua fraqueza e carência inata, buscam em novos lugares suprir o vazio da alma. Mais uma ilusão, das tantas.

"A grama do vizinho é sempre mais verde".


Para concluir, deixo aqui dois textos:
O primeiro é uma letra da banda brasileira Ludov, que fala do vazio da alma que tentamos suprir mudando de cidade, de país...
O segundo é de Cecília Meirelles, já postado anteriormente neste blog, que fala sobre valorizar o que temos e aprender a enxergar o belo que nos cerca e que muitas vezes a visão insensível e endurecida não nos permite ver.


Fugi desse País - Ludov

Se eu me perdi
Quando eu errei
Quando eu senti
Que quase estraguei
Toda a construção

Fugi desse país e fui buscar
Qualquer outro lugar
Pra tentar ser feliz
Deu vontade de voltar

Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Vou construir uma família como a gente quis
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade não conhecerá meu fim
O que procuro encontrarei dentro de mim

Se eu me enganei não foi por mal
Andei na contra-mão
Daquilo que previ
De tudo que é normal

Fugi desse país e fui buscar
Qualquer outro lugar
Pra tentar ser feliz
Senti vontade de voltar

Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Vou construir uma família como a gente quis
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade não conhecerá meu fim
O que procuro encontrarei dentro de mim

Vou construir uma família como a gente quis
Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade sempre foi nosso jardim
O que procuro já encontrei dentro de mim




A arte de ser feliz (Cecília Meirelles)

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crinças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Concordo com Rousseau

Como dizia Rousseau, o homem em seu estado natural é bom e se corrompe devido às influências da sociedade. Eu entendo que o que o filósofo quis dizer com isso foi que, obviamente o homem carrega dentro de si instintos bons e maus, mas a inteligência, quando adquirida, corrompe-o de tal forma que acaba por o deixando cego aos sentimentos.
Tantas pessoas insatisfeitas com suas ocupações, com seus salários, com seus empregos... Passamos em média 22 anos de nossas vidas estudando, 7 horas por dia, normalmente. Pela conta da Marília, isso deu 41426 horas perdidas de nossa vida. Obviamente aproveitamos daí algo. Umas 50 horas, 100, dependendo da pessoa. Para os mais desesperados digamos que consigam aproveitar 1.000 horas.
E assim temos que estar sempre correndo, presos no engarrafamento, esperando o ônibus que nunca vem, em filas intermináveis de banco, enfrentando burocracias medonhas, e aí vão mais umas 2 mil horas perdidas. Fora as horas do trabalho, que alguns chamam serviço, mas pensando bem... ninguém presta serviço para a sociedade, se assim fosse não cobrariam por isso. Querem é encher o bolso.
E assim vamos sendo engolidos, cada vez mais presos... e nossos filhos já nascem novos escravinhos do sistema, sem a mínima liberdade de escolha.
E quem enriquece? Os mais espertos, exatamente os que foram corrompidos pela inteligência. Os outros, grande maioria? Só trabalham e trabalham, sem nem se questionar o porquê. Esperam por um futuro no qual poderão usufruir de algum fruto do trabalho... em vão.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Meu violão & Eu




Hoje achei a minha primeira aula de violão, registrada num caderno. Foi teórica e prática ao mesmo tempo. Após a primeira aula já saí tocando uma música inteira. Era uma música fácil, mas eu tocava direitinho... para quem não sabia nenhum acorde até então, tava de bom tamanho. Minha professora, Cris, era o máximo.

A aula dizia assim:

Cifras -> Representação gráfica dos acordes. Elas são simbolizadas pelas primeiras letras do alfabeto e são conhecidas em todo o mundo ocidental.

Notas musicais Cifras
Dó -----------> C
Ré -----------> D
Mi -----------> E
Fá -----------> F
Sol -----------> G
Lá -----------> A
Si -----------> B

Os acordes podem ser:
-Maiores (M)
-Menores (m)
-Numerados (4,5,7...)
-Com sinais (+,-,º)


E assim por diante. Saudade daquele tempo.
Hoje em dia o violão e a música já estão tão incorporados na minha vida e no meu dia-a-dia que mal paro para pensar no quanto é surreal, nas minhas condições, na minha cidade, na minha idade, eu tocar violão assim, como se fosse a coisa mais normal do mundo uma menina fazer isso em 2002 em São Luís do Maranhão. Eu era (e ainda sou) uma das poucas.
O que seria de mim sem meu Dexter?

Centenas de Tipos

Esses dias ando pensativa demais. Isso me assusta, pois quando muito reflito não chego lá à tão boas conclusões sobre as coisas em geral. Sobre pessoas em especial.
O importante é... não existe só um tipo de pessoas. Não existem dois tipos de pessoa. Existem centenas de tipos. Essa é a salvação.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Talkin about a revolution

American Way Of Life


Por que todos tem que fazer faculdade? Casar? Usar jeans... vestir-se? Atentado ao pudor, diriam para a última questão. "Civilização!" Usar roupa num calor desses lá é civilizado? Mas claro, nós tínhamos que corresponder aos gostos dos nossos colonizadores portugueses, que viviam numa região de clima temperado, algumas vezes, frio. E nós aqui embaixo num calor de 35ºC temos que fazê-lo, usar muitas roupas, porque é o correto. Os índios são uns primatas, uns sem-vergonha que andam pelados, o Big Brother (vide 1984) diria. Mas Renato Russo diria o contrário:
"Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal"

"Tudo que é normal". Semana passada fui chamada de "louca" duas vezes na faculdade. Claro que foi num tom de brincadeira, mas sabe quando nota-se uma verdade por detrás? Só porque eu faço tudo ao contrário. Só porque contesto, discordo. Penso diferente, logo, sou louca.

Existe uma letra maravilhosa de Nara Leão para essas situações. Todo mundo faz as mesmas coisas, sempre. Nascemos, e então as meninas são colocadas em vestidos cor-de-rosa; os meninos em macacões azuis. Crescemos, as meninas brincam de boneca, os garotos de carrinho. Vamos para a escola com o intuito de passar de ano, raramente de aprender, sem saber exatamente porquê. Depois passamos madrugadas acordados, estudando para o vestibular, porque é uma obrigação fazer faculdade, ganhar dinheiro e pagar impostos. Depois, todos casam-se na Igreja e é aquela velha história. Mas Nara conseguiu sintetizar de forma fantástica:


"Uma caixa bem na praça, uma caixa bem quadradinha
Uma caixa, outra caixa, todas elas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e uma bem amarelinha
Todas elas feitas de tic tac, todas elas iguaizinhas

As pessoas dessas casas vão todas pra universidade
Onde entram em caixinhas quadradinhas iguaizinhas
Saem doutores, advogados, banqueiros de bons negócios
Todos eles feitos de tic tac, todos, todos iguaizinhos

Jogam golf, jogam pólo, bebendo um bom martini dry
Todos têm lindos filhinhos bonequinhos engomadinhos
As crianças vão pra escola, depois pra universidade
Onde entram em caixinhas e saem todas iguaizinhas

Os rapazes ficam ricos e formam uma família
Todos eles em caixinhas, em casinhas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e outra bem amarelinha
E são todas feitas de tic tac, todas, todas iguaizinhas"

Aí temos a clássica do Belchior. O cara diz tudo nesse trecho:

"Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais..."

Existe aquela do Biquini Cavadão também, ótima banda brasileira, pouco reconhecida. A letra fala por si mesma:

"Janaína acorda todo dia às quatro e meia
E já na hora de ir pra cama, Janaina pensa
Que o dia não passou
Que nada aconteceu..."

"...Janaína é só lembrança de amores guardados
Hoje é apenas mais uma pessoa
Que tem medo do futuro- que aconteceu ? -
Se alimenta do passado"


Não é só uma questão de imitar a cultura norte-americana, até porque isto tudo já estava enraizado na Europa antes de qualquer intervenção dos EUA no resto do mundo. É burrice genética mesmo, falta de reflexão.
Eu quero o meu Vilarejo de Marisa Monte, outros querem a poluição das metrópoles em troca de vida agitada e acabam empobrecendo e adoecendo enquanto comem bobagens e enriquecem os donos de Fast-food... Cada um quer uma coisa, mas todos seguem sempre o mesmo caminho e acabam fazendo as mesmas coisas. Porque na verdade, é tão difícil fazer o que realmente queremos, gastar o tempo da forma que queríamos. E continuamos, assim, sendo moldados por minorias manipuladoras.

Vamos revolucionar, pessoas! Não temos mais tempo.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Eles querem ser como nós


Richard Edwards, o anoréxico assexuado que se auto-mutilava, admirava garotas. Não é à toa que seu antigo companheiro de banda e possível amante no passado, Nicky Jones, veste-se de forma um tanto andrógina nos shows do Manic Street Preachers.

Nicky, o atual letrista da banda depois do desaparecimento de Richey, parece lamentar sua condição masculina. Em "The Girl who wanted to be God" ele incorpora o sexo feminino: "I am the girl who wanted to be god". Em "Born a girl" o mesmo diz: "And I wish I had been born a girl and not this mess of a man".

Homossexualidade? Não necessariamente. Nicky é casado com uma mulher e tem filhos. Mas acredito que artistas tão sensíveis como ele tenham o lado feminino bastante aflorado. Genética.

Antony Hegarty, da maravilhosa Antony and the Johnsons, é gay assumido e, também, possui um visual andrógino. Na linda canção "For today I am a boy" Antony canta: "One day I'll grow up, I'll be a beautiful woman. One day I'll grow up, I'll be a beautiful girl.But for today I am a child, for today I am a boy."

Eu poderia citar tantos outros, gays ou não, andróginos ou não. David Bowie, Mick Jagger, Brian Molko, Ney Matogrosso...É como se ser mulher fosse um status, como se a mulher estivesse em um nível de poder diferente. Talvez por isso muitos gays idolatrem mulheres, em especial divas extravagantes. Eles queriam ser como elas: Not a mess. Beautiful.

sábado, agosto 23, 2008

Sono

Sinto sono...
E meu cansaço é de pessoas
De suas mutações
retrógradas
De suas vidas regadas por coisas mortas

Estou embebedada em sensações
Medo do que já vivi
Impressões certas e errôneas
Estou impedida por montanhas...

... Montanhas estas impossíveis de serem escaladas.

V.S.F

quinta-feira, agosto 21, 2008

Suck me, dear

Estou confusa. Não sei o que fazer, nem sei como cheguei até aqui. Foi um erro ter escolhido o curso de Fisioterapia. Eu sou artista, isso é a única coisa que posso ser sem esforços, essa é a única coisa que sei fazer. Ser artista. Em mim isso é tão natural quanto respirar.
Desde criança eu gostava de letras, gostava de ler. Fui provavelmente a primeira aluna da turma a aprender a ler, minha mãe até tentou me adiantar para a Alfabetização, mas os diretores da escola disseram que era melhor manter-me com meus "coleguinhas", da minha idade. Enquanto todos ainda aprendiam as primeiras palavras eu já lia nomes de espécies estranhas de dinossauros, em revistas.
Minha primeira arte foi desenhar, eu desenhava muito bem, pena que com o tempo fui perdendo o hábito e não cultivei o dom. Mas ainda gosto de desenho... pena que nem sempre faço as coisas que gosto. E não tenho muitas idéias do que desenhar, isso é esquisito. Depois comecei a escrever poemas. Ensaiei algumas coisas de prosa.
Meu verdadeiro amor é cantar e tocar. Eu amo música. Até os 13 anos eu escutava de tudo, era meio que "eclética" demais. De repente, aos 14, comecei a ouvir metal. Foi uma mudança brusca. Mas eu ainda não tinha me encontrado. Eu já gostava de bandas que adoro até hoje, como Smashing Pumpkins e Oasis. Mas quando eu comecei a ouvir Coldplay finalmente vi o tipo de som que eu gostava.
Com 15 anos comecei aulas de violão e me senti viva. Muito viva. Componho e sinto minha verdadeira contribuição.
Faço faculdade para retribuir aos meus pais, de alguma forma. Mas eles só têm esse pensamento porque a sociedade exige, a educação que eles tiverem exige.
Socorro! Alguém me salve deste sistema que suga as minhas forças... E tira o meu tempo quando eu poderia estar fazendo arte. Arte...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Elimine o lixo de sua cabeça

Enquanto continuarem valorizando apenas o palpável, como o amor irá vencer?
Tudo bem. Existe o tato, existe o sexo. Mas o amor não é só isso, certo? O amor não é abstrato, nada é abstrato, pois até o invisível é concreto. Logo, se algo fosse abstrato, tudo o seria. Tudo vêm do plano energético.
O amor está no mente, na alma. O amor é sobre querer bem: fato. Se alguém ama, cuida. É lógico, não há como fugir disso. Logo, se alguém é egoísta e incapaz de olhar o outro, é também incapaz de amar.

Seguindo esse raciocínio, talvez ninguém nunca tenha me amado. No sentido "enamorados". Mas não ligo. O importante é que "eu" amei. "Eu" amo. "Eu" sinto, logo, vivo. Eu dei tudo de mim, posso dormir tranquila, com a consciência limpa. Estava sofrendo e dei um freio. Não faz sentido sofrer por amor. Nem preciso deixar de ter tais sentimentos, afinal, o amor é eterno, incondicional. Nunca deixei de amar ninguém. Todos quem amei, continuo amando. Se você deixa de gostar de alguém, é porque não o amava. Era paixão, e esta tem dias contados: isto está cientificamente comprovado.

Eu rio quando alguém diz que existe "um tipo" de amor que é incondicional. Não é um tipo. É o único. Imagine o quão patético e discutível seria um amor com condições impostas. "Eu te amo, mas com certas condições. E com prazo". Isso não existe. O que é existe é que você pode ter amado o que "pensou" que aquela pessoa fosse. Com o tempo, ela se mostra alguém totalmente diferente. Então você pensa: "O amor acabou". Não acabou.Você continua amando aquela pessoa que conheceu. O problema é que talvez ela nunca existira.

O ser humano costuma mostrar só a casca, inicialmente. Evita a profundidade. Aí surge o encantamento do outro, por algo imperceptivelmente superficial. Como sempre digo, as pessoas costumam amar a novidade. Valorizam tudo que é novo, e isso é uma teoria minha. Porque sempre dizem o contrário, dizem que odeiam o novo. Mentira. O novo parece brilhante e lindo, sempre. Mas as pessoas, que se dizem tão racionais, deveriam notar que aquilo é uma cápsula protetora. Conviva primeiro antes de dizer se está ou não realmente encantado. Aqui eu não falo de anos. Pode ser até dias, horas. Depende da intensidade da conversa, da integração. Uma hora a máscara cai. Quem já viu o maravilhoso filme "Antes do Amanhecer", sabe do que falo. No longa, os dois personagens passam horas juntos em um trem. Mas conversam coisas tão profundas, abrem-se tão sinceramente, que acaba nascendo um nível de cumplicidade e conhecimento mútuo realmente verdadeiro. Mas as pessoas normalmente nem se comunicam direito. Ficam numa conversinha superficial sobre a última fofoca do mês, sobre o Big Brother, sobre o namorado da Carla que a traiu com a Fernanda. Adoram falar da vida dos outros para evitar o vazio da sua própria vida. E preferem evitar tocar nas feridas por medo e assim continuam apenas na superfície da maré. Na superfície da vida. No final, não vivem. Passam a vida apenas observando os outros, que em sua maioria também não vivem.


**

Agora vem uma parte muito importante para que entendam tudo o que eu quero dizer.

Ontem eu vi um filme incrível, incrível. Ajudou-me bastante a tirar "o lixo da minha cabeça", como diz o genial Sócrates, de "Poder Além da Vida".

O filme conta uma história inspirada em fatos reais. A história de Dan Millman (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan_Millman), um jovem ginasta que sonhava com o ouro olímpico.
Dan realmente tinha o talento, mas um belo dia seu osso fêmur se partiu em 17 pedaços, em um acidente de moto. Porém, um pouco antes deste acontecimento, Millman havia conhecido alguém que mudaria seu modo de encarar a vida: Sócrates, um senhor extraordinariamente sábio. Fiquei boquiaberta com algumas coisas que Sócrates dizia.

Se dependesse do pessimismo do prognóstico médico, Dan não voltaria a treinar ginástica, a grande paixão da sua vida. Mas graças aos ensinamentos bastante profundos de Sócrates, ele conseguiu se recuperar em menos de 10 meses, devido ao poder da mente. Eliminar o lixo da cabeça foi o principal ensinamento: eliminar o medo do futuro, o medo dos outros, o medo de si mesmo, do próprio fracasso.

No meio do filme eu me toquei: preciso anotar as frases desse cara. Não, não pareceria uma idiota, idiota seria alguém que visse aquele filme e não extraísse nada do mesmo. Então peguei minha agenda e anotei as melhores frases.

O primeiro ensinamento que realmente me chamou a atenção, foi quando Dan chegou à oficina de Sócrates contando que um amigo da ginástica havia se machucado. Dan lamentava por ter pensado que aquilo seria bom para ele, afinal seria menos um concorrente. Então diz para Sócrates:

-Às vezes eu não gosto muito de mim mesmo. Meu primeiro pensamento foi que talvez a queda de Kyle fosse boa para mim.

Então Sócrates responde:
-As pessoas NÃO são o que pensam. Elas pensam que são e isso lhes traz todo o tipo de tristeza.
-Não sou o que penso?
-Claro que não. A mente é um órgão de reflexão. Reage a tudo. Enche sua cabeça com milhões de pensamentos aleatórios por dia. Nenhum desses pensamentos revela mais sobre você do que uma sarda na ponta no nariz. (OFF: achei essa parte fantástica!)

Certo dia Sócrates acha que Dan finalmente está preparado para ver algo especial. Dan fica extremamente excitado e feliz, achando que vai ver algo extraordinário. Sócrates o leva para o topo de uma montanha e quando chegam lá, Dan não consegue entender o que há de tão especial ali.

Sócrates mostra uma pedra, "perto do seu pé". Dan reclama, nervoso, diz que esperava ver algo fantástico e não uma pedra comum. Sócrates rebate: "você estava tão feliz e animado enquanto estávamos vindo. Sinto muito por não estar mais feliz." E sai caminhando, decepcionado. Então Dan reflete por alguns instantes, ali parado, enquanto Sócrates vai andando devagar. E diz:

-A jornada! A jornada é o que nos traz felicidade. Não o destino.

Achei essa passagem extremamente brilhante. Eu já havia pensado em escrever um conto para falar do mesmo assunto. As pessoas se preocupam demais com o futuro, mas ele é nada mais que um presente que ainda não chegou e irá passar num piscar de olhos. Devemos viver o momento e não esperar por esse "destino perfeito" que nunca irá chegar. A jornada é realmente tudo o que temos. Não somos um ponto final, somos o caminho inteiro. É como esperar apenas pelo fim de um livro... quando, na verdade, a delícia foi ler o livro inteiro, todos os seus capítulos, tudo que os personagens passaram, cada folha, cada página. O fim é só o fim. E na maioria das vezes, não tem nada de especial, é até decepcionante.

Outras frases muito boas que extraí do filme:

"Elimine todo o arrependimento e o medo. Todo o mais pertence ao passado e ao futuro."

"Retire o lixo, Dan. Seu lixo é aquilo que lhe afasta da única coisa que realmente importa... ESTE momento. Aqui. Agora."

"O guerreiro não exige perfeição. Ou vitória. Ou invulnerabilidade. Ele é a vulnerabilidade absoluta. Essa é a única coragem verdadeira."

"Você pode escolher ser vítima ou o que quiser."

"Um guerreiro age e um tolo reage."

"Quero que pare de reunir informações do seu exterior e comece a reunir informações do seu interior. Siga a sua intuição."

Frase do Dan:
"Sempre há algo acontecendo. Não há momentos comuns".

Sim, e eu estou feliz. Sou feliz, estou viva. Estou escutando uma música maravilhosa que descobri ontem. "Constant Craving", da K.D Lang. Melodia linda, voz perfeita. Estou em paz. Acabei de escrever este texto, do qual gostei bastante, estou curtindo o momento e acho isso muito bom. Acredito que esse texto irá ajudar meus amigos e qualquer pessoa que venha a ler a melhorar alguns pontos na sua vida, na sua cabeça. E isso me deixa bem.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Por Mim

Não é a amargura do meu passado que deve me fazer desistir. Nem todos os obstáculos encontrados por mim diariamente.Ainda há muito para lutar por. E meus suspiros de escravidão magnética um dia irão sumir. Irei voar como um passarinho em seu primeiro pulo ar adentro. Sem medo, sem olhos fechados. Numa inocência brilhante que um dia me roubaram.De tudo ao meu redor retiro aprendizado. E quando parece haver nada, cavo mais fundo, e sempre há no podre alguma coisa rica em significados.Deixarei meu coração falar um pouco e todo o pensamento negativo irá fluir para bem longe. Sou feliz. Consigo enxergar numa pétala todo o esplêndor da vida. Em cada passo um triunfo. Sei que muito me magoaram e me magoarão. Sei que dentre todos que amo pouco ganho de volta. Nada importa. O amor é por si só. Fecho-me em mim mesma e sinto uma luz que abrange toda a alma. Aquele sentimento de continuar. Acreditar. Nunca insistir no mesmo erro. Sempre dizer aos amados quão grande é o meu amor por eles. E seguir, pois o amor me sustenta. E o céu o faz. E as pétalas, os passarinhos voando. Enfim, sustentam-me as coisas das quais consigo extrair simplicidade, esta a virtude mais admirada pelo meu ser aspirante a sereno... e que para lá luta em caminhar. Sempre.