De repente, fiquei fraca novamente. Pensei ser forte, e talvez eu seja. Talvez, e com isso nada pretendo, seja eu a pessoa mais forte que conheço. Já passei por situações emocionais tão frustrantes que vocês nem imaginam. Isso em romances e em amizades também. Sobrevivi.
Não sei se é porque nunca fico só na superfície. Odeio relacionamentos superficiais. Sempre me exponho demais e dou detalhes da minha vida para quem quer entrar na mesma, pois para mim isso é indispensável. Gostar das pessoas no começo é tão fácil. Gostar conhecendo só a face primária é tão, mas tão fácil, que chega a ser banal. Por isso só considero alguém um amigo quando já me conhece o bastante, quando já sabe de meus pontos fracos e fortes.
Talvez eu idealize o mundo. E eu que pensei que não idealizasse mais nada ou ninguém. Eu não deveria...
Pelo menos no universo não existem só seres "humanos". Existem flores... E existem algumas coisas que as pessoas criam em momentos particulares, quase divinos. Momentos em que elas não são sequer elas mesmas. São belas e sinceras uma vez na vida. Daí surgem as artes, quem sabe. Surge a música. Surge um ato solidário, não sei. As coisas que eu considero boas surgem daí.
Já estou me sentindo melhor só pelo fato de estar aqui, escrevendo. Ainda bem que estou me conhecendo melhor. Ficar sozinha me fez bem. Como minha professora de filosofia falou (quantas vezes já citei ela por aqui?) quando começamos a nos conhecer queremos ficar cada vez mais sozinhos com nós mesmos. Adoro estar com outras pessoas. Mas pessoas que valham a pena... É tão cansativo estar com qualquer pessoa (no sentido de afinidade).
Bom, conheço pessoas maravilhosas. E elas nem sabe disso. Pessoas tão incríveis que chego a agradecer por tê-las conhecido ou ter algum laço com tais. Não sei porque estou falando tanto de pessoas neste post. Talvez porque elas sejam mesmo uma parte importante do todo e às vezes sinto falta de muitas delas. Da presença delas. Hoje senti muito a falta de uma amiga, a Ju. Ela mora no Rio de Janeiro e perdemos o contato... Não sei como achá-la! Um absurdo, uma das melhores amigas que já tive... É de chorar até. Mas vou achá-la.
Estou num momento de conhecimento interno, como tenho dito freqüentemente por aqui, e nessa trajetória, como também já comentei, me descobri uma pessoa forte e com uma visão realmente positiva. Descartei coisas que não quero para mim e estou tentando definir, cada vez com mais precisão, o que realmente quero, o que realmente importa. Quero fazer isso desde cedo, não quero esperar envelhecer para fazer perceber algo importante assim. Não quero caos, disso tenho certeza.
Mudando de assunto, tenho novidades. Resolvi fazer fisioterapia. Desisti do jornalismo. Eu sei que mudei da água para o vinho, mas às vezes é preciso radicalizar. Posso escrever por fora, e a área de saúde é muito bonita e me parece muito mais útil ajudar pessoas assim, diretamente, com contato físico e humano. Continuarei escrevendo meus contos, meu romance, enfim. Tentarei publicá-los, etc. E claro, continuarei cursando Música em primeiro lugar.
Estou triste mas isso vai passar rapidinho, tenho certeza. Para quem gosta de mim, fique sabendo que eu gosto de você triplicadamente. Mesmo que eu cale e nunca expresse isso, nunca fale... realmente amo meus amigos. Até porque são escolhidos a dedo.
Agora fiquem com uma das letras mais inteligentes já escritas por um brasileiro. O gênio (e eu não vejo genialidade em intelectualidade e sim em ESPIRITUALIDADE, HUMANITARISMO), Renato Russo.
Há Tempos
Composição: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
A glória da virtude que perdemos.
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro
Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso.
Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito.
Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira.
E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção.
Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem-
Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa.
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