domingo, janeiro 28, 2007

Sobre o que realmente importa


O mundo está morrendo e, bem... ninguém pensa nisto, mas todos estarão em seu enterro.
Nas últimas semanas uma espécie de histeria coletiva vem tomando conta dos noticiários de todo o mundo, da população e... até de Bush! É incrível como algumas imagens e palavras podem mudar a mentalidade das pessoas, o medo toma conta, mas será o medo do fim do mundo ou o medo dos Democratas, no caso de W. Bush?
Neste sentido (o sentido "sabemos mas não agimos") somos todo de extrema direita.
Hoje senti vontade de chorar ao ver que os corais australianos estão perdendo as cores, estão esbranquiçando, graças à ação do homem, à acidez da água, nada natural.
Lembro-me que quando tinha 14 anos de idade li um artigo em um livro de Geografia que me fez ter consciência dos problemas ambientais desde cedo. Chega à um ponto que cansa. Cansa falar e não ter poder suficiente para dar um basta em certas coisas.
Hoje uma tia minha disse que isso tudo é "o preço do progresso". Perguntei-me a que progresso ela se referia. Computadores, robôs, bonecas que falam, celulares que filmam, iphones, aviões que voam feito foguetes, engarrafamentos, estresse, epidemia de depressão? É este o preço?

Quero muito entender este progresso. Na verdade, se isto é progresso eu prefiro ficar estagnada. Num lugar bem verde e cheio de passarinhos. E com outro tipo de evolução.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

...

Que somos senão acúmulos?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Invadindo o blog alheio


Confesso: blogueiros são chatos. Vai gostar de escrever assim lá na esquina! Ok, não me orgulho em ser um destes seres. Muita gente me mostra endereços de blogs, dizem pra eu visitar, frequentar... mas que nada! Eu mal visito o meu, imagina dos outros. Aliás, eu não faço propaganda do meu blog exatamente por isso. Não coloco o link no orkut e nem digo para os meus amigos que tenho uma página virtual (só para os mais chegados).

Porém nessas últimas semanas foi notícia em toda parte que a Leandra Leal, a atriz (aquela do filme "O Homem que Copiava"), tem um blog e que fala muita coisa "polêmica" por lá. Como acho a atriz excelente e o corte atual de cabelo dela é muito legal(!), procurei na web o seu blog e achei. Cheguei à conclusão de que Leandra Leal é uma pessoa legal (aparentemente)! E não só legal, como muito parecida comigo (mas juro que o legal não é porque parece comigo).

Pensamos parecido em muita coisa:
-Amamos a música de Caetano Veloso (ela é tão admiradora dele quanto eu!)

-Ela é louca pela Mangueira, esta a Escola de Samba do Rio de Janeiro pela qual eu torço desde criança, e adoro!

-Isso significa que ela gosta de carnaval. Eu amo carnaval! Prova de que pessoas interessantes podem gostar carnaval.

-Ela é politizada! Interessa-se por política, como todo ser humano DECENTE deveria fazer. Pois política mexe na vida de todo mundo, e quem não dá a mínima para ela é no mínimo egoísta ao extremo. Pra mim quem não é politizado é um cadáver social, um morto!

-Ela votou no Lula no segundo turno (acho que no primeiro também). Ele não era o melhor dos candidatos na minha opinião (inclusive acho que a Leal criticou o Psol, o meu partido), mas o importante é que ela criticou (com todo o respeito, meteu o pau) com muita indignação o governo do PSDB, falou mal do Alckmin e se mostrou muito interessada no lado social do país.


Só não gostei de uma coisa. Ela tem compulsão por livros (...)

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Fênix e Olga Benario


Atenção: só leia este post quem tem paciência para redundâncias. Pois o que aqui direi é apenas uma versão nova do que já aqui comentei.

Como posso lutar contra um mundo que, como questionou Olga Benario no filme de Jayme Monjardim, talvez não queira ser mudado?

"Será que o mundo quer ser mudado?"

Vendo o filme pela segunda vez (a primeira foi no cinema, e agora o tenho para sempre, pois comprei o dvd), comovi-me mais com os coadjuvantes judeus do que com a própria Olga. Olga teve reconhecimento. E os outros, pessoas sem nome, pessoas "sem valor", pessoas que não entraram para a História? Não que entrar para a História mude algo, de fato. Ilude-se quem assim pensa. Entrar para a história não deveria ser objetivo para ninguém, mas sim mudá-la. Não pelo próprio nome, mas por todos.
Vejo o mundo tão corrompido, tão embrutecido, desesperançoso. Por que, por que vocês aceitam isso? Gritem aos meus ouvidos, até que eu entenda! Digam-me o aquece seus corações nesse mundo tecnológico, onde a guerra esmaga o amor, onde a paz se fantasia de comodismo, onde a televisão empurra para vocês todas as inovações e modernices mascaradas de felicidade? E se não tiverem resposta, alimentem-se do dinheiro, bailem nos bancos monetários e comuniquem-se com os amigos através de uma tela gélida para o resto de suas vidas!

Sim, estou furiosa. O motivo não é pessoal (apesar de às vezes tornar-se), é uma questão de justiça, de humanidade. É isso o que falta, não percebem? Enquanto nos vermos apenas como objetos que satisfazem a necessidade um dos outros, ou como bobinhos que podem submeter-se à vontade de outros mais poderosos, o mundo vai continuar assim. Uma bola de injustiças. Uma bola que um dia foi azul e agora está acinzentando-se. Porque além de tudo, o homem acha que é dono de todo o resto da natureza. Alguns não entendem essa minha preocupação, inventariam mil razões "pessoais" por eu me importar com isso. Será que é tão impossível se importar com algo que não seja a própria testa? A opinião de um bruto que pense assim não vale um centavo para mim.

É muito o que eu tenho a dizer sobre assunto. Eu pratico a justiça todos os dias, sempre que posso. É natural em mim, apesar de poder parecer forçado. E quando alguma tentação me diz que devo fazer uma bobagem, esforço-me para ser justa ainda assim. É algo próprio em mim, acrescido com um certo esforço em algumas situações, o que não mata ninguém. Não, não me acho melhor que ninguém por isso. Na verdade, eu juro que preferia que todos fossem assim. É tudo falta de vontade, egoísmo. Porque para quem quer, nada é impossível.

Estudei uma vez em Português que quem escreve o faz por variados motivos. Um dos motivos é tentar conscientizar. Hoje em dia tento escrever principalmente com este objetivo sincero. Às vezes escrevo como desabafo, outras por puro prazer, ou ainda pensando em intercâmbio de idéias com pessoas que venham a ler. Mas conscientizar é o que mais tento fazer, sem querer receber nada em troca, quem receberia algo seriam as próprias pessoas, o mundo.

Esgotam-me, secam minha paciência escritores que não tem nada a acrescentar. E sinceramente, isso é o que mais tenho visto. Aliás, uma novidade, eu não quero mais ser escritora. Pelo menos não vou me matar para isso.

É incrível. Toda vez que chego ao fundo do poço (e acho que isso só aconteceu duas ou três vezes), eu ressurjo bem mais forte. Fortíssima. Ainda não estou recuperada, mas sinto que estou melhorando. E com idéias cada vez mais convictas, idéias para o bem, que não fariam mal a uma formiga. A melancolia (que aprendi há pouco tempo que não significa tristeza e sim deparar-se consigo mesmo e consequentemente, com a reflexão) me faz muito bem. Talvez eu saiba usá-la bem.

Eu sou a FÊNIX. Ressurjo de minhas próprias cinzas. Ressuscito.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Come-se para depois cuspir


Digamos que esta maçã seja um ser humano. Eu sempre a mastigo e não consigo engolir a casca. Isto é fato. Então esta maçã deu sequência a pensamentos, reflexões.
As pessoas em geral fariam o contrário. Mastigariam a casca, a superfície, a aparência, a carne, o desejo de algo mascarado e claro, inicial. Assim que terminassem de mastigar a casca, tão bonita e brilhante, tão educadamente falsa primeiramente, irão descobrir as vísceras reais da maçã. Iriam descobrir sua essência e que em seu centro existe algo intragável e também as sementes, carentes de serem semeadas.Então viriam a azia, o enjôo... e o cuspe.


PS: foto e texto originalmente feitos para o meu fotolog. www.flogao.com.br/angulosecreto

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Melhores Filmes e Livros 2006

Como prometido, e mesmo que ninguém quisesse eu gostaria de listar para mim mesma, aqui estão as listas dos melhores filmes que vi em 2006 e dos livros que li no mesmo ano. É importante lembrar que não são filmes e livros necessariamente lançados no ano passado, mas sim os que eu vi/li pela primeira vez durante tal período.

Primeiramente os filmes. É com muita satisfação que percebo quantos filmes bons e construtivos (outros totalmente destrutivos) eu vi neste ano que passou. Pude apreciar, contemplar, deleitar-me, refletir, criticar.
Descobri novos diretores e cineastas. Eu comecei a me interessar por filmes mais alternativos há pouco mais de três anos, e levando-se em conta que moro numa cidade que pouco valoriza a sétima arte, acho que consegui bastante coisa. Em 2006 nem o Festival de Cinema de São Luís aconteceu. Devido ao fechamento temporário do cinema em que o festival normalmente ocorre, não pude curtir a mostra em que eu já estava viciada. Mas tudo bem. Ainda existe a Backbeat (locadora muito boa) que nos dá um pouco do melhor do cinema de arte mundial.

Dos diretores que descobri (claro que já ouvira falar antes em alguns deles, mas quando digo que descobri refiro-me ao fato de me aprofundar na obra dos mesmos) os que mais gostei foram Charles Chaplin, Mike Leigh, Akira Kurosawa, Darren Aronofsky e Abbas Kiarostami. Eu simplesmente tenho que reverenciar estes grandes cineastas. Chaplin e Kurosawa principalmente, são geniais, em minha opinião.
Também vi filmes de outros diretores que não conhecia, como Bergman, mas preciso ver mais da obra deles para poder formar uma opinião sobre.
Descobri também que definitivamente não gosto do estilo de Almodóvodar, apesar de ter adorado "Volver". São filmes interessantes, mas que talvez por serem pessoais demais e com temas que muitas vezes não passam de fantasias e fetiches, não me agradam. Não estou dizendo que são todos ruins, mas em geral simplesmente não são do meu gosto.
Também não gosto muito de Woody Allen, mas ele é bom. Contraditório? Não sei. Digamos que não me identifico com seus filmes, mas preciso admitir que ele tem passagens muito boas e filmes excelentes como "Ponto Final" e "Rosa Púrpura do Cairo". Contudo, não o admiro.

Aqui está a lista dos que mais gostei, dentre os vistos no ano de 2006. Vi mais de 100 filmes e fiz um Top 30. Levo em conta a história, o roteiro, as atuações, a fotografia (um dos itens que mais observo) e a direção. Além de que sempre me questiono: Este filme foi produtivo, de alguma forma? Obviamente, quando um filme consegue unir o útil ao agradável, como entreter e induzir à reflexão, então isto é a perfeição. Para mim.

O Mundo de Leland
Respiro
Anti-Herói Americano
Gattaca
O Segredo de Brokeback mountain
Gritos e Sussurros
Ponto Final
Agora ou Nunca
Abril Despedaçado
A Grande Sedução
O Cachorro
Sonhos
O Vento nos Levará
O Solitário Jim
Tempos Modernos
Os Sem-Floresta
Gosto de Cereja
Segredos e Mentiras
Madadayo
Barry Lyndon
Koyaanisqatsi
Rapsódia em Agosto
O Grande Ditador
Luzes da Cidade
Manderlay
Camelos Também Choram
Sophie Scholl
Casamento ou Luxo
Pequena Miss Sunshine
Fonte da Vida





O Genial Chaplin em Luzes da Cidade:

Um filme muito original, Respiro:

Atuação impecável de Julia Jentsch em Sophie Scholl:


Um mundo em caos. Koyaanisqatsi:


Uma das fotografias mais bonitas que vi, Barry Lyndon do perfeccionista Kubrick:


Madadayo, do mestre Kurosawa:


Sobre os livros, não sei se lamento ou não a quantidade diminuta que li em 2006. Pois livros mexem demais com minha cabeça. Eu já não sou muito certa, sou? Não sei, queria ser. Escritores falam muitas bobagens às vezes e influenciam negativamente as pessoas. Isto é fato. Outros, positivamente. Fato. Mesmo que doa dizer isso, pois eu quero ser escritora, eles falam muita bobagem e isto é verdade, não posso fazer nada. Assim como estou falando bobagem aqui.

Abaixo não é uma lista dos melhores, mas sim de todos que li ano passado. Pouquíssimos. Em 2005 li bem mais. Mas a faculdade de fisioterapia muitas vezes me deixava fora de casa o dia inteiro, só ficava em casa para comer, tomar banho e dormir.

Destes poucos, os melhores foram Flush (pela diversão, pela leveza), Incidente em Antares (pela maravilhosa reflexão crítica a que induz) e A Revolução dos Bichos (um livro objetivo, sarcástico, de linguagem simples, porém prazeroso e inteligente. Diria que é perfeito).
Passeio ao Farol é uma obra-prima de Virginia. Impressiona-me como ela sabe usar as palavras e como ela é inteligente, como sabe ser criativa e única. Mas neste livro ela extrapola. É radical demais, exige um ritmo absurdo do leitor, é difícil, chato, complexo, paranóico. De paranóica já basta eu. Por isso eu não o incluo entre os melhores do ano.

Flush - Virginia Woolf
Incidente em Antares - Erico Veríssimo
Frei Luís de Sousa (teatro) - Almeida Garret
O Código Da Vinci -Dan Brown
A Revolução dos Bichos - George Orwell
A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Passeio ao Farol - Virginia Woolf

terça-feira, janeiro 02, 2007

Valéria, onde estás?

Eu era forte e feliz. Onde se perdeu a minha essência?
Para onde foi minha alma?

:(

Este ano precisa ser bom. Vai ser um recomeço. Mas eu ainda preciso juntar forças para poder recomeçar. Quando esta crise vai terminar? E quem liga?