domingo, agosto 12, 2007

Rita Lee, Manic Street Preachers e outros

Estou escutando Rita Lee neste exato momento, dia 5 de Julho de 2007, às 18:49, alguns minutos antes de ir-me arrumar para jogar tenis. "Caso Sério" é a música, ao vivo.
Andei pensando: eu não gosto de música brasileira em geral. Calma, eu disse em geral. Eu adoro essa música da Rita Lee. Eu adoro a maioria das coisas que a Rita fez, as melodias são incríveis e as letras são boas. Não sei qual o problema. Não sou dona da verdade nem a maior entendida de música do pedaço. É só que eu acho a MPB muito fraca, mas isso não significa nada, sério, é só uma opinião e pronto. E ao mesmo tempo, pra mim é a verdade, é o que eu acho e ninguém vai mudar isso. Hum, talvez eu mesma mude de opinião futuramente, não sei.

Desde que comecei a escutar rock inglês em 2002 eu não achei nada melhor. É verdade que de 2000 pra cá o rock inglês vem ganhando uma popularidade chata porque vem se tornando algo modelado e rotulado, a maioria das bandas com aquele sonzinho do tipo Franz Ferdinand ou The Strokes (apesar de esta ser americana). Essas duas bandas são ótimas, claro que com influências dos anos 80, porém são originais em alguns aspectos e iniciaram uma onda de outras bandas idênticas que as imitam. Um saco. Mas cada música, em si, acaba saindo diferente mesmo dentro dos plágios, principalmente hoje em dia com tantos efeitos de pedal, de teclado e outros. Com a própria globalização da música, o rock e tudo mais absorvem coisitas que fazem o diferencial de uma banda para outra, como por exemplo a "Elefant". Você escuta e pensa "mais uma igual, com a voz estoilo Ian Curtis", parece com Editors e parece com The Killers. Mas Elefant é bom pra caramba. Quando eu escutei o segundo álbum dos caras eu vi a maturidade e os milagres que fazem uma banda plágio se tornar original, o milagre que uma simples subida de voz pode fazer, ou um solo diferenciado. É incrível como o rock alternativo é alternativo exatamente por isso, nem as tendências fazem a banda se tornar totalmente medíocre, não é como o heavy metal no qual os integrantes tem que usar calça colada, cabelo comprido, cantar em tons agudos e competir para ver que banda tem o guitarrista com os dedos mais rápidos. O rock alternativo chama-se assim porque é uma alternativa. Você usa os instrumentos básicos de uma banda de rock e faz o que quiser ali. É tão bom exatamente por isso.(Nossa, o solo de guitarra de "Ovelha Negra" é um dos meus preferidos de todos os tempos).

No Brasil, como todos sabem, eu gosto muito do Caetano Veloso. É o meu preferido. Chico Buarque eu acho chato porque ele é metódico, meio matemático e blá blá blá. Eu escuto Caetano e vejo aquela naturalidade que me agrada. Ele faz o que der na cabeça; fez uma versão tropicália de "Stardust" do Frank Sinatra e ficou uma coisa linda, melhor que a original. Eu gosto de criatividade. Não gosto da falta de gingado de alguns artistas brasileiros: tem que ter batuque, tem que ter fervor, a música tem que ferver nas veias.

Eu gosto do Chico César. É muito criativo, é fora dos padrões, é swingado, é bom. Engraçado, mas eu acho o rock uma música cheia de alegria, de energia, talvez por isso eu goste da música nordestina, é energética também, viva, como o samba. Eu não gosto de bossa nova porque é uma coisa meio morta. Gosto de frevo, bumba-meu-boi, forró pé-de-serra. Artistas que sabem a hora de chorar e a hora de rir. Que fazem todo tipo de performance. A dança, o movimento, também é algo que me fascina.

Eu ando pensando em uma nova fórmula para compor, quero algo novo e depois que escutei Manic Street Preachers eu vi que eu sou péssima, eles são a melhor coisa que eu ouvi na vida, principalmente em termos de letras. Que letras! Gosto muito de algumas letras que fiz, e de algumas melodias, mas ainda acho muito pobre. Eu não deveria me comparar à essas bandas incríveis e ao Caetano por exemplo, porque eu talvez nunca chegue a ser tão boa como eles. Tenho uma música que até lembra Caetano, eu notei um dia desses, e compus antes mesmo de começar a escutá-lo. É isso, preciso de nova fórmula.

A Rita Lee é outra. Ela faz algo parecido com rock n'roll, mas não é rock, é algo bem brasileiro até, eu acho. Ela escreve tão bem e é difícil escrever em português, letras de músicas. Ela é filha da música experimental e chata dos Mutantes, da maravilha tropicalista e do melhor rock n'roll possível. Ela gosta de Ramones, cara. Já viu coisa mais simples? Por outro lado gosta dos Beatles. E quem não gosta? "Mas Beatles também é simples". Oh, escute o trabalho pós 65.Graças à Deus, eu já fui à um show da Rita, inesquecível, já fui ao do Caetano e também ao do João Bosco, duas vezes. Este é outro que eu adoro, é original até na boina, faz aqueles solfejos com a voz cantando "lalala's" que ninguém entende, mas que todo mundo adora.

O que eu acho é que rótulos são podres, são consequência da falta de criatividade de artistas que se vendem, e outra... os artistas brasileiros precisam sair dessa de barzinho, onde ninguém os escuta direito, e partir para algo maior e mais vivo. Vamos gritar, dançar; não precisa ser rock, pode ser um Jorge Ben da vida, pode ser Tim Maia com seu chocolate, pode ser Cazuza (que como eu amava música boa, independente de rótulos, samba, rock, não importa)...o importante é nos expressarmos com toda a força e beleza que há na música e sair desse troço boêmio-fumante-intelectual, experimentando outras maravilhas que a música tem para oferecer.