terça-feira, maio 16, 2006

Sejamos Verdadeiros

ODEIO MÁSCARAS

"Nada pode ser e não ser na mesma relação". Esse é um dos princípios da razão na filosofia. É lógico que a premissa está completamente certa. Mesmo em relações mais subjetivas... humanas.
Eu sei que já está até chata essa minha insistência em citar minhas aulas de filosofia aqui. Mas é que a nossa professora é uma pessoa hiper, mega, ultra admirável. A melhor professora de filosofia que já tive. Ela é ética, tem valores (e não valores que vem do exterior, valores existentes nela e outros advindos de reflexão), mesmo não ignorando NADA em volta, mas ela sabe a importância de certas coisas que pseudo-bostas-intelectuais esquecem. É extremamente humana, mas não no sentido falso do negócio. Por exemplo, ela é bem séria. Não fica sorrindo por educação ou para ganhar simpatia, porém isso não significa que ela seja uma pessoa ruim, pelo contrário. Muito, muito admirável!
Então, ela estava falando ontem sobre Verdade. Citou aquelas visões da Verdade: grega, latina e hebraica. Eu concordo com todas, todas são válidas. Mas a mais interessante para mim foi exatamente a mais frágil. A verdade que pode ser quebrada. A hebraica (Emunah). Tem a ver com credibilidade. Minha professora (prefiro não citar seu nome) citou o exemplo daquela frase que costumam dizer por aí. Alguém pergunta a outro: Você confia em fulano? Esse responde: "Confio desconfiando". Isso não existe. Ou você confia, ou não. No caso do "confio desconfiando" a pessoa certamente NÃO confia. Nada pode SER e NÃO SER na mesma relação, repito.
Uma vez que você dá total credibilidade para alguém, confia de olhos fechados (não por idealização, mas porque já convive com aquela pessoa e acha que já pode confiar, que a pessoa é honesta, ou tem palavra, algo assim. Acha que já conhece tal) e este descumpre o que prometeu, faz algo extremamente irresponsável ou lamentável que contradiz tudo o que a mesma pregava/dizia ser anteriormente... A relação se torna extremamente frágil, doentia. Simplesmente porque, mesmo que a segunda pessoa seja tolerante e perdoe coisas, sua concepção que parecia inabalável sobre a primeira se perde, talvez, para sempre. E, se não se perder para sempre, no mínimo será um trabalho árduo reconstruir a confiança. A confiança plena é algo bastante raro, e uma vez que acontece, é forte demais. Mas uma vez quebrada, é o oposto. Mesmo que alguém que teve a confiança traída tente esquecer do fato... No fundo, existe aquela fragilidade que antes inexistia.
Por isso, ao menos que você seja uma pessoa que não tem laço social algum e não se importe com relações verdadeiras, pense bem antes de dizer/fazer qualquer coisa. Sensatez.

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