Eu quero alguém com quem possa ver a lua. Com quem eu queira ver a lua. Alguém que talvez seja eu mesma. Minha companhia nunca me bastou tanto. Sinto-me plena, feliz. Morangos na geladeira, um bom livro, notas musicais que soam como pássaros cantando de manhã, como orvalho em relva fresca. Tudo isso me completa e, ao mesmo tempo, faz-me querer sempre mais. O coração bate forte e sente saudade, contemplo o céu, estudo o que a rotina exige, vou em busca de meus objetivos e no fim da tarde a minha viola me faz sentir gratidão. Sinto que meu espírito é cheio de significados e ambições generosas, fazendo com que eu me sinta suficientemente importante. E surpreendentemente crescida. (Valéria Sotão)
domingo, outubro 10, 2010
sexta-feira, setembro 03, 2010
Um momento com o mar
Fecho os olhos e tento lembrar-me daquela manhã na praia. De como palavras poéticas vieram à minha mente quase que instantaneamente e junto com as sensações. Caminhei na vasta extensão da areia, nessas praias maranhenses que têm a maior variação de maré do país. Quando cheguei, o mar quase se encostava às mesas e cadeiras dos bares. Menos de duas horas depois, era necessário andar metros e metros para alcançá-lo. Mas esse é o charme das praias ludovicenses. Esse mistério de ir e vir do mar.
Assim que alcancei as águas, logo me lembrei da paz inevitável que um mergulho pode trazer. Engraçado que fui tomar banho só por tomar, só pela diversão que sempre é um banho de mar ou rio. Mas não posso mais esquecer da paz que esse líquido, salgado ou doce, traz ao meu espírito. Os pés são os primeiros a ter contato com a frieza da água, que logo se torna quente, ou vice-versa. As ondas batem devagarzinho em você. Nas pernas, nos joelhos. Até que seu corpo todo é tomado por esse fluido, na verdade, essa substância tão misteriosa que é a água. Intocável e ao mesmo tempo, capaz de te tocar. Você sente no tato, quase como um abraço. Até a água do chuveiro faz isso, faz cócegas. A água do mar te abraça de vez. Mergulhei. Senti agora minha cabeça explorando aquele universo desconhecido. Aquele contato com Deus, com a natureza. Um contato físico e espiritual. Cada molécula de água ali, envolvendo-me, e eu imersa nelas.O barulho do oceano, inigualável, deixa-me intrigada. Como ele transfere seu som de ondas para as conchas, nas quais crianças encostam seus ouvidos para ouvir o mar, mesmo quando levam as conchinhas para o concreto da cidade?
De repente, olho para o céu. E o azul definitivamente me faz perceber que o divino deve sim existir. Porque o azul é uma cor perfeita. Não é vazia como o branco, mas ao mesmo tempo consegue trazer paz. É um colorido que traz tranquilidade e enche os olhos de admiração. E dali o mar se misturou com o azul do céu. Águas cinza contrastando com azul.
Paz, amor, alegria de viver. Respiro fundo, sinto o momento. Olho para o sol, ele também está ali, por detrás das nuvens. Flutuo nas águas, que me carregam com gentileza. Choco-me contra as ondas, pulo entre elas, abraço-as. Mergulho outra vez, e outra, para sentir aquela energia que me renova a cada vez que tenho essa experiência. Rejuvenesce-me, revigora-me.
Depois de muito meditar e de ter um momento de quase “nirvana”, de ter palavras borbulhando na mente e de me sentir tão conectada à natureza, saio devagar. Sinto-me outra e os problemas parecem pequenos. Meus pés agora fazem o caminho contrário, já com saudades. As espumas das ondas parecem sorrir para mim, belíssimas.
Após isso, sento-me na beirada do mar, no raso, onde olho mais um pouco e medito um tico mais. Depois saio andando e recolho uma conchinha da areia. Eu não queria esquecer esse momento, mas sempre é um momento assim quando entro em águas, doces ou salgadas, repito. De certa forma, sou um peixe. Um peixe que não vai muito à praia, exatamente para não virar algo banal, para saber valorizar. Sinto-me abençoada e viva a cada experiência assim, de extremo contato com o que é vida, com o que é belo. Renasço.
(Texto de Valéria Sotão)
terça-feira, junho 22, 2010
Sobre beijos
Em beijo sem amor eu só gostava do abraço. Em beijo sem atração eu não gostava nem do beijo. Em beijo com amor eu perco meu chão.(Valéria Sotão)
quinta-feira, junho 10, 2010
Partir
Um poeminha meu:
Partir de ir embora
Partir de quebrar
Em duas partes
Em mil partes um coração.
Partir, verbo ambíguo
Mas que no fim sempre é objetivo
Pois quem parte
Sempre parte um coração.
(Valéria Sotão)
Partir de ir embora
Partir de quebrar
Em duas partes
Em mil partes um coração.
Partir, verbo ambíguo
Mas que no fim sempre é objetivo
Pois quem parte
Sempre parte um coração.
(Valéria Sotão)
sexta-feira, maio 14, 2010
De Fabio para Val
Ganhei esse poema do meu amigo Fabio Oliveira dia 10 de Maio, num dia muito triste, no qual recebi palavras pesadas de uma pessoa muito importante para mim. Num dia em que eu, sem dúvidas, me sentia invisível, pequena... E o Fabio teve a imensa generosidade e sensibilidade de me fazer esse poema no mesmo dia, me fazendo chorar de alegria. É muito bom ver que ainda existem pessoas que enxergam quem sempre esteve ali. Que conseguem te enxergar mesmo depois de anos... E confesso, não sou uma pessoa fácil de ser "lida", mas o Fabio sempre consegue me ler. E me perceber. Aí vai o poema (Favor não copiar para uso posterior):
Val,
Você é mais
É mais do que eu posso dizer que é
É certamente mais do que você pode perceber
É mais do que qualquer um saberia notar que és
É maior
Você é maior
Você é mais intensa do que essas palavras
Você é mais do que se pode extrair dos sentidos
Você é mais do que os sentidos poderiam captar
É ainda maior
Você é ainda maior
Maior do que qualquer tentativa de nomear
Maior do que tudo que se pode ser grande
Maior do que somos
Mas sempre menor do que certamente ainda será
Com carinho,
Fabio
segunda-feira, maio 03, 2010
Poesia do meu coração
Poema meu, baseado em “The Poetry Of My Heart”, de Billy Corgan (sim, além de compositor, vocalista e guitarrista do Smashing Pumpkins o cara faz poesia – e muito bem!). Abaixo do meu poema – que não é tradução e sim um poema novo, somente inspirado no de Corgan – está o poema de Billy.
Poesia do Meu Coração
Revelando agora a poesia do meu coração
Pense em vastos campos de Copos de Leite e chegará perto
Conhecerá a paz pela qual grita meu âmago
E verá os rostos monstruosos que me assustam
Rostos de pensamentos que não são meus
Como diria Morrissette em suas fitas velhas
Pensamentos nem sempre vêm de nossa alma
Vêm muitas vezes de demônios do dia a dia
De medos que crescem conosco
De espaços vazios da mente que brincam de nos perturbar
Mas voltemos para os campos de flores brancas
De um branco tão liso e límpido, por isso são minhas preferidas
Lembram realmente um copo de nata quente, a pureza do leite
Voemos por cima desses campos com o vento batendo no rosto
Para que cheguemos à esse ponto
Seria preciso voltar em alguns momentos
Eu tive essa felicidade branca e também colorida
E apesar de não tê-la agora, tenho alegria
Sagitário e Júpiter me regem positivamente
E me fazem ser tão impulsiva às vezes
De onde vem meu lado racional eu não sei
Mas ele existe e tocam as fitas de outrem
Meus livros e minhas flores
Meus discos e meus amores
Tudo isso me forma e por onde passaremos?
Passaremos pelas cachoeiras do mundo
Mergulhando em águas tão lindas!
Passaremos e debateremos nossos demônios
Nossos fantasmas, nossos receios
Vês como a lua nos ilumina?
Maníacos pregadores de rua nos fazem pensar
Noites distantes com muito brilho vem à minha memória
Clima tenso e adrenalina, concertos que extasiaram meu coração
Esses caminhos todos serão feitos por ti também, meu amor
Se precisa de mim como eu de você e queres conhecer tal fantasia
Aqui se revela a poesia de meu coração
Lugares quentes ou frios dependendo da ocasião
Mas que por paradisíacas ilhas passarão
Até chegar na gaiola com flores brancas, eu.
Valéria Sotão
*******************
The Poetry Of My Heart
Revealing now the poetry of my heart
Think birds in flight and you will start to come close
As faces come from the darkness familiar
To greet you hello again
They pluck those strings and sing those refrains I know so well, and
hold so close
Now follow these birds faithfully, keeping those faces in mind
Over rivers and dales and soft greens until we come to the edge of
the vast ocean
The biggest sea you may imagine and more
Lift your hand and let those birds soar with this sweet music
Fast we fly over these waters
Faster and faster until we blur, and our words blur, and memories
of lost things blur too
The sun catches you flying
Imagine this from the perspective of the sun
Those birds and you moving the speed of light over the blue
Well, if you were the sun, you'd laugh too!
Finally, after such a momentous journey
You slow upon a deserted island, lush with life
And on its barren shore you find a worn sea chest
Polished smooth by years of coarse handling
Open that chest and you would find inside
A single valentine and the poetry of my heart
Dragging that sea chest around the bend
Thru sand into a jungle dense with flower and shade
We take the forgotten trail up the hillside
Up towards the laughing sun
Catching its wisdom as it's given
Past the ghost whispers and relics of another past
Climbing to the very top
Because time will not stand still for us
But it will pretend every once in a while
And up here, forgotten, is just you, me
One sea chest holding a single valentine and the poetry of our
hearts
A single bulb lights this room
It's dark in here all the time
If the ceiling had only captured my dreams and nightmares alike,
What stories it could show
She is here, the one
The one I love, desire, devise, rescue, all to my heart's own sorrow
I'm lost in this room, but this is the place the valentines are written
The site of my greatest thought and saddest song
There are no birds here to take flight
No oceans to fly over, no islands to reach
No sun to catch me crying
This is the gift of oblivion and opaque dance
Revealing now the poetry my own heart
its sorrow and the nameless wish I called bliss once
Stripped of its title and junked for show
The bulbs swing, the kids sing
The rooster crows and I seek sleep
Somewhere past the scars and empty cars and endless bars filled
with reminders
I want to climb from this hole
And dash myself upon the rocks below
But still it requires your push
Because a push requires intent
And intent requires desire
And desire registers in this body as need
Do you need me?
So push me over, my sea chest and me
The birds will follow me down
Retrace the steps, up to the ceiling
Back thru the bulb, into the electric wires
And out of Manhattan
Coming out another side
To a kid, a dream
A scrawled valentine with an x and o if truth be told
Revealing now the poetry of my heart
Rage and the canopies it paints
And the drawings it frames
And its real cage, me
Copyright © 2004 Billy Corgan
Poesia do Meu Coração
Revelando agora a poesia do meu coração
Pense em vastos campos de Copos de Leite e chegará perto
Conhecerá a paz pela qual grita meu âmago
E verá os rostos monstruosos que me assustam
Rostos de pensamentos que não são meus
Como diria Morrissette em suas fitas velhas
Pensamentos nem sempre vêm de nossa alma
Vêm muitas vezes de demônios do dia a dia
De medos que crescem conosco
De espaços vazios da mente que brincam de nos perturbar
Mas voltemos para os campos de flores brancas
De um branco tão liso e límpido, por isso são minhas preferidas
Lembram realmente um copo de nata quente, a pureza do leite
Voemos por cima desses campos com o vento batendo no rosto
Para que cheguemos à esse ponto
Seria preciso voltar em alguns momentos
Eu tive essa felicidade branca e também colorida
E apesar de não tê-la agora, tenho alegria
Sagitário e Júpiter me regem positivamente
E me fazem ser tão impulsiva às vezes
De onde vem meu lado racional eu não sei
Mas ele existe e tocam as fitas de outrem
Meus livros e minhas flores
Meus discos e meus amores
Tudo isso me forma e por onde passaremos?
Passaremos pelas cachoeiras do mundo
Mergulhando em águas tão lindas!
Passaremos e debateremos nossos demônios
Nossos fantasmas, nossos receios
Vês como a lua nos ilumina?
Maníacos pregadores de rua nos fazem pensar
Noites distantes com muito brilho vem à minha memória
Clima tenso e adrenalina, concertos que extasiaram meu coração
Esses caminhos todos serão feitos por ti também, meu amor
Se precisa de mim como eu de você e queres conhecer tal fantasia
Aqui se revela a poesia de meu coração
Lugares quentes ou frios dependendo da ocasião
Mas que por paradisíacas ilhas passarão
Até chegar na gaiola com flores brancas, eu.
Valéria Sotão
*******************
The Poetry Of My Heart
Revealing now the poetry of my heart
Think birds in flight and you will start to come close
As faces come from the darkness familiar
To greet you hello again
They pluck those strings and sing those refrains I know so well, and
hold so close
Now follow these birds faithfully, keeping those faces in mind
Over rivers and dales and soft greens until we come to the edge of
the vast ocean
The biggest sea you may imagine and more
Lift your hand and let those birds soar with this sweet music
Fast we fly over these waters
Faster and faster until we blur, and our words blur, and memories
of lost things blur too
The sun catches you flying
Imagine this from the perspective of the sun
Those birds and you moving the speed of light over the blue
Well, if you were the sun, you'd laugh too!
Finally, after such a momentous journey
You slow upon a deserted island, lush with life
And on its barren shore you find a worn sea chest
Polished smooth by years of coarse handling
Open that chest and you would find inside
A single valentine and the poetry of my heart
Dragging that sea chest around the bend
Thru sand into a jungle dense with flower and shade
We take the forgotten trail up the hillside
Up towards the laughing sun
Catching its wisdom as it's given
Past the ghost whispers and relics of another past
Climbing to the very top
Because time will not stand still for us
But it will pretend every once in a while
And up here, forgotten, is just you, me
One sea chest holding a single valentine and the poetry of our
hearts
A single bulb lights this room
It's dark in here all the time
If the ceiling had only captured my dreams and nightmares alike,
What stories it could show
She is here, the one
The one I love, desire, devise, rescue, all to my heart's own sorrow
I'm lost in this room, but this is the place the valentines are written
The site of my greatest thought and saddest song
There are no birds here to take flight
No oceans to fly over, no islands to reach
No sun to catch me crying
This is the gift of oblivion and opaque dance
Revealing now the poetry my own heart
its sorrow and the nameless wish I called bliss once
Stripped of its title and junked for show
The bulbs swing, the kids sing
The rooster crows and I seek sleep
Somewhere past the scars and empty cars and endless bars filled
with reminders
I want to climb from this hole
And dash myself upon the rocks below
But still it requires your push
Because a push requires intent
And intent requires desire
And desire registers in this body as need
Do you need me?
So push me over, my sea chest and me
The birds will follow me down
Retrace the steps, up to the ceiling
Back thru the bulb, into the electric wires
And out of Manhattan
Coming out another side
To a kid, a dream
A scrawled valentine with an x and o if truth be told
Revealing now the poetry of my heart
Rage and the canopies it paints
And the drawings it frames
And its real cage, me
Copyright © 2004 Billy Corgan
terça-feira, abril 20, 2010
Umas notícias e um poema
Tenho tanta coisa a dizer. Estou bem, feliz. Comigo mesma eu estou sempre bem. Porque estou sempre tentando acertar, sempre dando o melhor de mim. Consciência limpa! Às vezes sinto falta de uma pessoa em especial, às vezes queria voar (literalmente!), entrar no mundo de Nárnia. Mas consigo lidar com o mundo real. Estou trabalhando e estou muito, muito feliz com esse estágio. Tem uma utilidade pública incrivel, e isso me faz trabalhar com mais vontade, acordar cedinho sem reclamar. Porque pra mim, trabalhar apenas por dinheiro nunca foi suficiente. Preciso sempre enxergar algo social naquilo, uma ajuda, uma utilidade pública. E trabalhar com assessoria muitas vezes é trabalhar com denúncias vindas da população. E isso é o máximo! Eu informo aos órgãos as denúncias e reclamações, em forma de resenha. E também o contrário. Informo à população as notícias dos órgãos. Na Assessoria de Comunicação que trabalho os clientes vão desde órgãos políticos a empresas privadas de utilidade pública e social. Por isso, além da vantagem curricular e da remuneração (mesmo que pouca, por ser estágio), fico satisfeita porque estou fazendo algo que sempre quis: escrever para ajudar.
Mais de mim: o livro de contos, para o qual um conto meu foi selecionado através de concurso, será lançado em Setembro, em Porto Seguro-BA. Talvez eu vá no lançamento. Isso é muito empolgante! Muito mesmo. E gratificante. O livro será de contos curtos e quando escrevi aquele conto de apenas uma lauda nunca imaginei que alguém iria reconhecer "algo a mais" em tão poucas palavras. Foram 100 contos selecionados entre mais de 3 mil inscritos. (Ver capa e projeto aqui http://www.vialiteraria.com/inicial.php?area=curtos2009). Para quem escreve desde os 12 anos de idade, isso é muito bom. Lembro da época do site Templo XV, no qual vários poemas meus foram premiados com selo. Eu era muito nova, uns 17 anos de idade, e ver tantas pessoas bem mais velhas me "premiando" pelo que eu escrevia era emocionante, uma vez eu até chorei (risos). No fundo todo artista quer reconhecimento... Eu nunca fiz arte pensando em dinheiro, mas sempre quis compartilhar, fico muito feliz quando minha arte toca o coração das pessoas.
Mudando de assunto...
Bom, estou muito satisfeita com minhas amizades, acho que mais do que nunca. Tive tantas provas de amizade e lealdade ultimamente, de amor sincero, preocupação genuína. Tantas pessoas me ajudaram, até financeiramente. Agradeço aos céus por conhecer pessoas tão maravilhosas. A maioria das pessoas conhece tanta gente, tem tantos conhecidos mas apenas um amigo... e muitas vezes, nenhum. Não se iludam com colegas de trabalho, colegas de faculdade. As pessoas são, por natureza, interesseiras. E em ambientes de trabalho há muita competição e falsidade. As pessoas são obrigadas a serem simpáticas no começo, até se integrarem a algum grupo. Ninguém pode ficar sozinho numa sala de aula, por exemplo. Existem os trabalhos em grupo. Entendam que não estou dizendo que não pode nascer uma verdadeira amizade nesses ambientes. Até pode. Mas só podemos ter certeza depois de muito tempo. Anos, talvez. As pessoas se aproximam nesses locais por pura questão de instinto de sobrevivência. Só no convívio diário, depois de meses ou anos, nas horas de conflito e estresse, é que se verá a verdadeira face de certas pessoas. E eu tenho meus colegas de trabalho/faculdade mas sei que são somente colegas. Porém, sou abençoada com amigos verdadeiros que sabem absolutamente tudo da minha vida e eu das deles, nos ajudamos mutuamente. Sabem dos meus segredos mais secretos e me amam mesmo assim.
Quero enfatizar o apoio e amizade constantes do Lucas, da Vanessa Lobo, do Fabio, meu amigo mestre em filosofia e do meu querido Rômulo. Vocês me dão um apoio inacreditável. Há anos. Minha irmã também. Tenho outros amigos verdadeiros (é, sou abençoada! pensando que a maioria mal tem um amigo...e acham que tem vários só porque conhecem muita gente! Tsc.), mas esses, em especial, preciso agradecer por estarem sempre presentes, seja por telefone seja pessoalmente. Eu amo vocês incondicionalmente!
Em breve virei falando das minhas indignações políticas e sociais (como sempre! é cada coisa, viu?).
Era isso. Um flash de notícias sobre minha vida atual. Uns agradecimentos. Umas dicas. E um poema que acabei de escrever.
Nesse dia chuvoso
Amanheci já sem lençóis
Minha agonia na cama
Você entre girassóis
Esse foi meu sonho
Esse é meu sonho
Tão constantemente sonho
Com você a velar meu sono
A gente voando em borboletas
Brincando de descobrir lugares
Os lugares mais profundos
Nos nossos corpos e nos mares
Acordar te protegendo
E com teu peito com calor a fornecer
Não há lugar mais aquecido
Não há ângulo melhor para te ver
Ao teu lado é onde mais queria estar
Vendo o sol entrar em nosso lar
Ouvir tuas piadas e manhas
Teu sorriso bobo... que saudade tamanha!
(Valéria Sotão)
quinta-feira, abril 08, 2010
Crítica à Objetividade (Quando Exagerada)
Quem não lê poesia perde metade dos sentimentos do mundo. (Valéria Sotão)
Se ser detalhista fosse um problema, se ser "prolixo" no sentido de dizer a mesma coisa de várias formas diferentes, fosse realmente um problema, o que seria de pessoas como Woody Allen, que fala do mesmo assunto na maioria de seus filmes, porém de formas diferentes? Pessoas como Clarice Lispector, que enrola, enrola e é super respeitada e, convenhamos, tudo que ela diz é respeitável e nos faz refletir?! Pessoas como José Saramago, que escreveu um romance chamado "Ensaio sobre a Cegueira", para falar algo que poderia ser dito em dez páginas?! Saramago poderia resumir aquele livro em "A fome, o desespero pela sobrevivência e o ambiente no qual o ser humano está inserido justifica o Naturalismo, acende os instintos mais selvagens e transforma o homem num animal egoísta e mais hipócrita que de costume. O olhar é essencial e está além dos olhos". Eu, Valéria, resumiria aquele livro imenso assim. Mas não, ele preferiu contar uma história. Ele preferiu ser prolixo, complexo, denso, detalhista. Coisa de escritor. Coisa de observador. Coisa de gente que vê pêlo em ovo, alguns diriam. Mas eu diria: gente que vê que um ovo tem várias camadas. Tudo tem camadas e camadas e cada uma delas pode ser explorada por uma ideia diferente. Por um ângulo diferente. Entendam que não ignoro a importância da objetividade. Desde que essa não exclua o ser interior de cada um, a nossa alma, a nossa subjetividade. E se é coisa de gente louca viver usando citações culturais, eu sou muito louca. É natural em mim. Ainda bem.
Andei sendo criticada por "prolixidade". O ser prolixo não chega à lugar algum. Eu posso ser detalhista, extremamente filosófica e por isso posso parecer redundante. Mas quando falamos de sentimentos e de pensamentos nossos sobre comportamentos complexos, temos como ser objetivos? Isso não seria reduzir a complexidade de uma personalidade ou de um sentimento? Sim, seria. Eu sou detalhista, mas não redundante. Aliás, a mesma pessoa que me acusa de ser prolixa se disse repetitiva outro dia. Todos repetimos discursos. Por exemplo, todos dizem para alguém, frequentemente: "Você é muito, muito importante para mim". Ou ainda "Eu te amo". Ou ainda "Eu sou objetiva com as coisas." E no dia seguinte diz "Como as pessoas são hipócritas". Nesse sentido, todos somos redudantes. Dizemos as mesmas coisas todos os dias. O que muda, às vezes, é a forma. Então é hipocrisia criticar os outros por redundância, já que todos fazem de vez em quando.
Sobre a falta de objetividade, sim, não sou objetiva. Não no cotidiano. Quando preciso sintetizar palavras num texto jornalístico, por exemplo, consigo fazer, sem muita dificuldade. Mas minha essência é prosa. Não poesia. Mas consigo escrever poemas quando quero. Minha essência é o amor e não a paixão. Mas consigo me apaixonar. Minha essência é detalhista, observadora, coisa de escritora que reflete sobre tudo e sofre de tanto pensar. Eu penso demais. Mas isso é bom, acaba rendendo bons resultados, às vezes. Toda a minha obra artística, que é longa, é fruto disso. Tenho um romance (prosa/livro extenso) de mais de 150 páginas, que escrevi aos 18 anos, à mão. Tenho vários contos e de poemas eu já perdi a conta. Tenho mais de 50 músicas compostas por mim. Tenho roteiros para filmes. Ideias para teatro. Etc, etc.
O mundo hoje anda muito tecnicista. As escolas priorizam o estudo técnico. E as matérias técnicas, como matemática, física e química. Ninguém ensina na escola a respeitar, a conviver, a amar, a observar, a detalhar, a enxergar. O outro e a si mesmo. As pessoas hoje em dia preferem filmes com efeitos especiais a filmes que contem algo de forma mais profunda. Porque todos tem preguiça de pensar, refletir, sentir. Medo também. E o mundo anda tão robótico e calculista que é compreensível que numa sala de cinema, por exemplo, as pessoas continuem nesse ritmo, nesse ritmo frenético e "prático". Como se tudo devesse algo ao prático, ao objetivo. Existe um culto à rapidez, ao mecânico. As pessoas querem engolir as coisas da forma mais objetiva possível, e esse objetivo não é só não sentir mas às vezes também é não pensar. Parecem uns robozinhos que só engolem tudo sem filtro. É sobre isso que discorre o excelente documentário Koyaanisqatsi, que fala sobre a atual mecanização dos seres humanos (veja o trailer abaixo).
Se ser detalhista fosse um problema, se ser "prolixo" no sentido de dizer a mesma coisa de várias formas diferentes, fosse realmente um problema, o que seria de pessoas como Woody Allen, que fala do mesmo assunto na maioria de seus filmes, porém de formas diferentes? Pessoas como Clarice Lispector, que enrola, enrola e é super respeitada e, convenhamos, tudo que ela diz é respeitável e nos faz refletir?! Pessoas como José Saramago, que escreveu um romance chamado "Ensaio sobre a Cegueira", para falar algo que poderia ser dito em dez páginas?! Saramago poderia resumir aquele livro em "A fome, o desespero pela sobrevivência e o ambiente no qual o ser humano está inserido justifica o Naturalismo, acende os instintos mais selvagens e transforma o homem num animal egoísta e mais hipócrita que de costume. O olhar é essencial e está além dos olhos". Eu, Valéria, resumiria aquele livro imenso assim. Mas não, ele preferiu contar uma história. Ele preferiu ser prolixo, complexo, denso, detalhista. Coisa de escritor. Coisa de observador. Coisa de gente que vê pêlo em ovo, alguns diriam. Mas eu diria: gente que vê que um ovo tem várias camadas. Tudo tem camadas e camadas e cada uma delas pode ser explorada por uma ideia diferente. Por um ângulo diferente. Entendam que não ignoro a importância da objetividade. Desde que essa não exclua o ser interior de cada um, a nossa alma, a nossa subjetividade. E se é coisa de gente louca viver usando citações culturais, eu sou muito louca. É natural em mim. Ainda bem.
terça-feira, abril 06, 2010
"O Poder da Validação"
Li este texto (O Poder da Validação) e percebo o quanto é comum ver pessoas que realmente deixam o orgulho falar mais alto. Não admitem que gostam, que precisam dos outros. Ou admitem que sentem nossa falta e no dia seguinte negam...Admitem que sentiram algo um dia, uma sensação, um sentimento... e no outro fingem que aquilo não foi nada. Que foi coisa da nossa cabeça. Que interpretamos como quisemos, sendo que algumas palavras e frases não dão margem para interpretações duplas.
Às vezes as pessoas só valorizam quando perdem... e o pior é quando não há sequer humildade para admitir isso. Para admitir a falta. Para admitir que ninguém é autosuficiente.
"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"
Pessoas, mudem. Tentem melhorar. Não baitam no peito dizendo "sou assim e não vou mudar, quem quiser que goste de mim assim". Que arrogância é essa? Devemos sempre buscar aperfeiçoamentos. Vivemos em sociedade e devemos sempre tentar nosso melhor para nós mesmos e para os outros.
Eu sempre tento o meu melhor. Eu dou o meu melhor. Em tudo e para todos. Até quando erro é tentando acertar...
O texto, FANTÁSTICO:
Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super-confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho.
Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça que já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator se relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam.
Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança?
Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.
Segurança depende de um processo que chamo de "validação", embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.
Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição.
Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: "Você tem significado para mim". Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: "Gosto de você pelo que você é". Quem cunhou a frase "Por trás de um grande homem existe uma grande mulher" (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar.
Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a nossa própria insegurança, que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o "máximo", que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o "máximo" são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos.
Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se, ou dominar os outros em busca de poder.
Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos.
Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um "valeu, cara, valeu".
Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja.
Stephen Kanitz
terça-feira, março 30, 2010
Manual Íntimo Para Te Esquecer
Vou ter que esquecer que você existe
Vou ter que esquecer que no mundo há você
E assim, tudo ficará mais triste
Com menos cor, com menos vida, com menos prazer
Terei que esquecer do teu perfume
E se alguém usá-lo perto de mim, fugirei
Não poderei ouvir o teu nome
Nem notícias da tua cidade saberei
Sim, para mim nem nasceste
Para mim tua imagem será embaçada
Não conseguirei lembrar do teu rosto
Tua lembrança será morta e passada
Pensa que faço por prazer?
Matar não é virtude do meu ser
Para mim é mais fácil esquecer meu nome
Do que não mais sentir o que sinto por você
Será doído e trabalhoso
Como achar agulha em palheiro
Como descosturar imensos tecidos
Desfiando... fio por fio
Ah, falta tua que abrange tudo
A falta do teu corpo no meu
Deixa um vazio absoluto
Mas se para ti nada sou...
(Muitos anos depois)
-Quem? Nunca ouvi falar...
Valéria Sotão
Vou ter que esquecer que no mundo há você
E assim, tudo ficará mais triste
Com menos cor, com menos vida, com menos prazer
Terei que esquecer do teu perfume
E se alguém usá-lo perto de mim, fugirei
Não poderei ouvir o teu nome
Nem notícias da tua cidade saberei
Sim, para mim nem nasceste
Para mim tua imagem será embaçada
Não conseguirei lembrar do teu rosto
Tua lembrança será morta e passada
Pensa que faço por prazer?
Matar não é virtude do meu ser
Para mim é mais fácil esquecer meu nome
Do que não mais sentir o que sinto por você
Será doído e trabalhoso
Como achar agulha em palheiro
Como descosturar imensos tecidos
Desfiando... fio por fio
Ah, falta tua que abrange tudo
A falta do teu corpo no meu
Deixa um vazio absoluto
Mas se para ti nada sou...
(Muitos anos depois)
-Quem? Nunca ouvi falar...
Valéria Sotão
terça-feira, março 23, 2010
Perfeição
Ah, hipocrisia! Não suporto esses pseudo-intelectuais egocêntricos, esquisitos e mentirosos. Os loucos até passam, mas esses de quem falo não são loucos, são conscientes.Leio cada bobagem na internet! Aí percebo quanta mediocridade em certas personalidades.
Hoje li por acaso um cara dizendo, e já tinha ouvido e visto muita gente falando essa bobagem, que a perfeição é um tédio. Para mim isso é apenas uma desculpa para não procurar melhorar.
Lembrei-me então de um texto bastante sincero e curto que escrevi há um tempo, depois de uma discussão sobre a perfeição em uma aula de filosofia:
O que há após a perfeição? Nada. E por isso a perfeição não deve ser alcançada? Não devemos procurar melhorar por medo de uma possível estagnação (no estado perfeito)?
Se algo é perfeito, não há estagnação no estar desse algo. Há um estado superior. Há estabilidade, mas num estado tão elevado, feliz, tão generoso, caridoso, inteligente e servil, que não há como virar tédio, virar rotina, algo ruim, medíocre. Seria contraditório à própria definição de perfeição. Se houver tédio, culpa, medo do "mesmo", logicamente esse algo já desceu novamente para a imperfeição.
sábado, março 20, 2010
A vida é excitante
"A vida é excitante, excetuando-se as decepções" - Valéria Sotão
Não acho tudo feliz nem tudo triste. E essa é a graça da vida. É o que dá profundidade às coisas. A incerteza sobre o futuro, em si, é triste e a certeza é sem graça. Então melhor ficarmos no meio termo.
Odeio meio-termos, mas em muitos casos eles são a melhor opção. Sem dizer que o equilíbrio é relaxante. Sempre queremos chegar lá. Harmonia, paz. Não confundir, por favor, com mediocridade e frieza. Não. Sou intensa até no meio-termo. Assim como somos na extremidades, e isso é tão banal. Difícil é sentir o prazer do equilíbrio. Poucos o conseguem.
Onde me encontro
Um poema meu.
Onde me encontro (Para M.)
O mundo todo anda perdido
Quase que implorando
Um grande e real sentido
Para tudo isto
Eu ando perdida
Mas sei como me encontrar
Encontro-me no teu corpo
Acho-me no teu lugar
Quando o cheiro teu
Fatal, penetra meus sentidos
Adentra minha alma
Aguça meus sentidos
Quero mostra-te esse grande sentido
Tão real que poderia ser eterno
Tão quente que a nós poderia aquecer
Profundamente...
Valéria Sotão.
Onde me encontro (Para M.)
O mundo todo anda perdido
Quase que implorando
Um grande e real sentido
Para tudo isto
Eu ando perdida
Mas sei como me encontrar
Encontro-me no teu corpo
Acho-me no teu lugar
Quando o cheiro teu
Fatal, penetra meus sentidos
Adentra minha alma
Aguça meus sentidos
Quero mostra-te esse grande sentido
Tão real que poderia ser eterno
Tão quente que a nós poderia aquecer
Profundamente...
Valéria Sotão.
sexta-feira, março 05, 2010
Carpinejar
Porque ele foi a melhor coisa que apareceu na Literatura Brasileira nos últimos tempos. Vou compartilhar com vocês:
As cartas de amor
deveriam ser fechadas
com a língua;
Beijadas antes de enviadas.
Sopradas. Respiradas.
O esforço do pulmão
capturado pelo envelope,
a letra tremendo
como uma pálpebra.
Não a cola isenta, neutra,
Mas a espuma, a gentileza,
a gripe, o contágio.
Porque a saliva
acalma um machucado.
As cartas de amor
deveriam ser abertas
com os dentes.
Fabricio Carpinejar
(Como no céu)
As cartas de amor
deveriam ser fechadas
com a língua;
Beijadas antes de enviadas.
Sopradas. Respiradas.
O esforço do pulmão
capturado pelo envelope,
a letra tremendo
como uma pálpebra.
Não a cola isenta, neutra,
Mas a espuma, a gentileza,
a gripe, o contágio.
Porque a saliva
acalma um machucado.
As cartas de amor
deveriam ser abertas
com os dentes.
Fabricio Carpinejar
(Como no céu)
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Sobre pranto, dor, alma, amor e felicidade
Eu aprendi a amar com Chaplin ou comigo mesma? Uma vez fiz um texto sobre isso num caderno da faculdade, eu sentava nos corredores do CEST, fugindo das aulas de filosofia (eu amo filosofia, mas meu professor era um psicótico) e começava a escrever compulsivamente nas folhas onde deveriam estar as aulas de fisioterapia. Eu sempre fui assim, desde o colégio, preferia ficar isolada num corredor com meus pensamentos e poemas a estar numa sala de aula ouvindo um professor falando uma bobagem qualquer. Porque convenhamos: aprendemos muito na escola, mas professores são frutos de um sistema que também faz "desaprender" - tudo que vai para os livros didáticos passa por uma peneira, pois nem tudo que deveria ser ensinado o é. Não se ensina sobre as (vastas e cortantes) decepções da vida, não se ensina a viver e muito menos a sofrer. Bom, o texto sobre interligações dos pensamentos de Chaplin com os meus eu nem sei se já postei por aqui, mas um dia acho esse caderno.
Amar eu não sei, mas sofrer eu aprendi comigo mesma. Não acho bonito, necessário ou sei lá o que dizem os masoquistas sobre isso. Li um texto do Pe. Antonio Vieira chamado "O Pranto e o Riso", que é de uma profundidade intelectual de assustar. Elaine Araújo, minha professora da faculdade, sempre pedia para fazermos curtas análises sobre os contos que ela sugeria. Esse foi um dos que mais gostei. Nele Antonio Vieira diz que quem chora com lágrimas não é tão triste assim, o mais triste é o que chora calado. Então eu seria um meio termo nesses níveis de alma, já que me considero uma pessoa quase feliz. E o "quase" não é um atraso, o "quase" é um "quase", só falta alguma coisa pequena, não sei exatamente o quê, não sei se é o amor a dois, não sei se é a plena paz de espírito. O importante é que é um "quase lá" e num dia, quem sabe próximo, eu seja "feliz". O fato é que não sou triste, tenho uma alegria, uma vontade, um tesão em viver que só eu sinto, logo não dá para explicar. Até nos momentos mais dramáticos da minha vida, quando pensava em morrer, logo me vinha um medo imensurável de não mais respirar, lamentar, pensar. Até a tristeza é divertida. Pensar (penso, logo existo) é uma honra, uma dádiva que não dispenso.
Assim, vivo para me jogar. Como Clarice Lispector, não tenho medo de penhascos, eu adoro voar. Adoro sensações, cheiros, filmes, sons, imagens, toques, veludo. Cada palavra não dita por mim, acredite, está sendo dita interiormente de forma tão mais profunda em meus pensamentos que seria desprezível dizê-la, colocá-la para fora de minha boca. Sentimentos e sensações são tão mais que isso. O silêncio pode ser tão prazeroso, mesmo a dois, mesmo a três, a vários. Não é à toa que a meditação nos leva a um estado elevado de alma. Tanta gente fala, fala e não diz nada. Comunicar-se é tão maior que apenas falar. Olhares, toques... tudo fala, tudo comunica. A lágrima comunica. O sorriso. Os filmes mudos de Chaplin. Os abraços. Mas para isso, leitor, é preciso ter muito mais que um ouvido e uma audição apurada... é preciso ter uma grande alma, uma profundidade de coração um pouco mais cavada que o normal e uma sensibilidade intensa. Por isso a maioria das pessoas só se comunica com palavras, quando não com violência.
Enfim... eu prefiro ser assim, intensa, destemida, mesmo que meu coração tenha que passar por provas de resistência; pois pelo menos quando eu ficar velha não me arrependerei por não ter tentado. E o amor? eu sei que ele existe porque EU o sinto. ;)
ANÁLISE DO TEXTO “O PRANTO E O RISO” DE PE. ANTÔNIO VIEIRA, POR VALÉRIA SOTÃO FERREIRA.
No texto “O Pranto e o Riso”, do Padre Antônio Vieira, é possível perceber um grande talento literário naquele homem religioso, assim como um forte poder de persuasão. Na sua argumentação, ele foi incumbido de defender o pranto como mais digno deste mundo do que o riso, para a rainha de Suécia Christina Alexandra, em Roma. Ele teria que defender o ponto de vista de Heráclito, que sempre chorava e mostrar porque ele era mais sincero que Demócrito, que ria sempre.
Nessa perspectiva, seu “sermão” faz uma análise dos motivos pelos quais a humanidade ri ou chora. E mostra que, na maioria das vezes, quem ri o tempo todo na verdade está em prantos por dentro e quem chora apenas expressa uma tristeza menos dolorosa. Ele dá argumentos, usando citações de outros autores, como Sêneca, de como o homem que chora é mais sincero e mais humano do que aquele que ri, dadas as condições “desumanas” da humanidade. E termina sua tese com maestria, convencendo os mais sensíveis do poder do pranto e da ambigüidade do riso.
Amar eu não sei, mas sofrer eu aprendi comigo mesma. Não acho bonito, necessário ou sei lá o que dizem os masoquistas sobre isso. Li um texto do Pe. Antonio Vieira chamado "O Pranto e o Riso", que é de uma profundidade intelectual de assustar. Elaine Araújo, minha professora da faculdade, sempre pedia para fazermos curtas análises sobre os contos que ela sugeria. Esse foi um dos que mais gostei. Nele Antonio Vieira diz que quem chora com lágrimas não é tão triste assim, o mais triste é o que chora calado. Então eu seria um meio termo nesses níveis de alma, já que me considero uma pessoa quase feliz. E o "quase" não é um atraso, o "quase" é um "quase", só falta alguma coisa pequena, não sei exatamente o quê, não sei se é o amor a dois, não sei se é a plena paz de espírito. O importante é que é um "quase lá" e num dia, quem sabe próximo, eu seja "feliz". O fato é que não sou triste, tenho uma alegria, uma vontade, um tesão em viver que só eu sinto, logo não dá para explicar. Até nos momentos mais dramáticos da minha vida, quando pensava em morrer, logo me vinha um medo imensurável de não mais respirar, lamentar, pensar. Até a tristeza é divertida. Pensar (penso, logo existo) é uma honra, uma dádiva que não dispenso.
Assim, vivo para me jogar. Como Clarice Lispector, não tenho medo de penhascos, eu adoro voar. Adoro sensações, cheiros, filmes, sons, imagens, toques, veludo. Cada palavra não dita por mim, acredite, está sendo dita interiormente de forma tão mais profunda em meus pensamentos que seria desprezível dizê-la, colocá-la para fora de minha boca. Sentimentos e sensações são tão mais que isso. O silêncio pode ser tão prazeroso, mesmo a dois, mesmo a três, a vários. Não é à toa que a meditação nos leva a um estado elevado de alma. Tanta gente fala, fala e não diz nada. Comunicar-se é tão maior que apenas falar. Olhares, toques... tudo fala, tudo comunica. A lágrima comunica. O sorriso. Os filmes mudos de Chaplin. Os abraços. Mas para isso, leitor, é preciso ter muito mais que um ouvido e uma audição apurada... é preciso ter uma grande alma, uma profundidade de coração um pouco mais cavada que o normal e uma sensibilidade intensa. Por isso a maioria das pessoas só se comunica com palavras, quando não com violência.
Enfim... eu prefiro ser assim, intensa, destemida, mesmo que meu coração tenha que passar por provas de resistência; pois pelo menos quando eu ficar velha não me arrependerei por não ter tentado. E o amor? eu sei que ele existe porque EU o sinto. ;)
ANÁLISE DO TEXTO “O PRANTO E O RISO” DE PE. ANTÔNIO VIEIRA, POR VALÉRIA SOTÃO FERREIRA.
No texto “O Pranto e o Riso”, do Padre Antônio Vieira, é possível perceber um grande talento literário naquele homem religioso, assim como um forte poder de persuasão. Na sua argumentação, ele foi incumbido de defender o pranto como mais digno deste mundo do que o riso, para a rainha de Suécia Christina Alexandra, em Roma. Ele teria que defender o ponto de vista de Heráclito, que sempre chorava e mostrar porque ele era mais sincero que Demócrito, que ria sempre.
Nessa perspectiva, seu “sermão” faz uma análise dos motivos pelos quais a humanidade ri ou chora. E mostra que, na maioria das vezes, quem ri o tempo todo na verdade está em prantos por dentro e quem chora apenas expressa uma tristeza menos dolorosa. Ele dá argumentos, usando citações de outros autores, como Sêneca, de como o homem que chora é mais sincero e mais humano do que aquele que ri, dadas as condições “desumanas” da humanidade. E termina sua tese com maestria, convencendo os mais sensíveis do poder do pranto e da ambigüidade do riso.
domingo, janeiro 03, 2010
Nirvana de sóis
Eu queria simplesmente esquecer...tudo, todos. Entrar num estado lamentável de alma, irreversível. Chegar a um nirvana de sóis, de frio e de flores bastante perfumadas, sem gente por perto. Eu em espírito, conectada por fluidos aos astros. Estar. Pronto, ali estar e nada mais. Como uma árvore, sem precisar me comunicar nem pedir comida, a nutrição vem sozinha. Sem precisar implorar nem me enfeitar para que apreciem minha beleza. E todos saberiam que sou importante na mata, que sou um pedaço muito importante do todo. Ah, se sou! Mas isso é só uma ilusão, sempre matam partes necessárias à flora. Por que não me matariam? Eu sou a árvore mais comum e sem graça da mata, com galhos quebrados e folhas secas. Minha cor não é das melhores e eu não posso expressar que dentro de mim tenho algo a oferecer, afinal, eu sou uma árvore e quem acha que árvores sentem algo? Sou podre e minhas raízes nascem de lugar nenhum, há cupins por todo o meu caule, já tão remoído. Neste caso, é melhor cortar (com machado afiado e sem dó) para evitar que os bichos passem para o resto da floresta.
Valéria Sotão
------------------
Esse texto é antigo, de 2005 ou 2006. Lendo-o agora parece influenciado por Kafka, mas não (lembram do inseto em A Metamorfose? então...). Acho que esses escritores como ele, todas essas pessoas boas que se sentiam árvores dispensáveis para a mata, sentiam-se como eu me sinto às vezes... Hoje estou bem melhor, mas mesmo assim posso afirmar que valorizamos muito pessoas que, como diz o Morrissey, não estão nem aí se estamos vivos ou mortos. É, nossa alma é grande, vamos nos orgulhar disso e deixar os secos acharem que estão por cima.
"In my life, why do I give valuable time to people who don't care If live or die?"
Valéria Sotão
------------------
Esse texto é antigo, de 2005 ou 2006. Lendo-o agora parece influenciado por Kafka, mas não (lembram do inseto em A Metamorfose? então...). Acho que esses escritores como ele, todas essas pessoas boas que se sentiam árvores dispensáveis para a mata, sentiam-se como eu me sinto às vezes... Hoje estou bem melhor, mas mesmo assim posso afirmar que valorizamos muito pessoas que, como diz o Morrissey, não estão nem aí se estamos vivos ou mortos. É, nossa alma é grande, vamos nos orgulhar disso e deixar os secos acharem que estão por cima.
"In my life, why do I give valuable time to people who don't care If live or die?"
sexta-feira, janeiro 01, 2010
O melhor da música em 2009
Minha listinha, desculpem o atraso ^^
Melhores álbuns e em seguida melhores músicas de 2009, seguindo critérios super chatos que eu tenho comigo mesma: sensibilidade, técnica, criatividade na melodia e arranjos, emotividade contida, qualidade vocal e instrumental, boa produção do disco/música, nível das letras.
De "brinde" coloquei alguns links das respectivas músicas no youtube.
Melhores álbuns de 2009
1) Manic Street Preachers - Journal For Plague Lovers
2)Bruce Peninsula - A Mountain is a Mouth

3)Antony & The Johnsons - The Crying Light
4)Raveonettes- In and out of control
5)The Decemberists - The Hazards of Love
6)Morrissey - Years of Refusal

7)The XX- The XX
8)Grizzly Bear - Veckatimest
9)Beirut - March of the Zapotec/Realpeople Holland
10)Wild Beasts - Two Dancers
Menção honrosa: Placebo, Flaming Lips, Piano Magic, Doves e Yo La Tengo.
MELHORES MÚSICAS 2009
Arnaldo Antunes - Longe
Antony & the Johnsons - Her eyes are underneath the ground
Antony & the Johnsons - Epilepsy is dancing
Antony & the Johnsons - Kiss my name
Bat For Lashes - Daniel
Biffy Clyro - The Captain
Bruce Peninsula - Shanty Song
Cidadão Instigado - O Nada
Decemberists - Isn't it a lovely night
Doves - Birds Flew Backwards
Doves - Spellbound
Doves - House of mirrors
Editors - Papillon ACÚSTICA (a versão do álbum sucks)
Franz Ferdinand - Ulysses
Idlewild - Post Eletric
John Frusciante - Before the Beginning
Kings of Convenience - Boat Behind
Lady Gaga - Poker Face
Lady Gaga - Paparazzi
Lady Gaga - Bad Romance

Manic Street Preachers - Jackie Collins Existencial Question Time
Manic Street Preachers - This joke sport severed
Manic Street Preachers - Marlon JD
Maxïmo Park - Questing, not coasting
Morrissey - It's not your birthday anymore
Morrissey -When Last I Spoke to Carol
Noah and The Whale - I Have Nothing
Ola Podrida - This Old World
Patrick Wolf - Hard Times
PJ Harvey & John Parish - Black hearted love
Phoenix - Liztomania
Placebo - Ashtray Heart
Placebo - Speak in tongues
Piano Magic - The nightmare goes on
Piano Magic - March of the Atheists
Raveonettes - Bang!
Raveonettes - Last Dance
Raveonettes - Gone Forever
Raveonettes - Boys who rape
Regina Spektor - Laughing With
Silversun Pickups - Panic Switch
Quase Coadjuvante - Dê valor a alguma coisa
Wild Beasts - All the kings men
Wild Beasts - We Still Got the Taste Dancing On Our Tongues
Yo La Tengo - I"m on my way
Yo La Tengo - Nothing to hide
Yo La Tengo - Periodically Triple Or Double
The XX - Shelter
The XX - Basic Space
The XX - Crystalised
The XX - VCR
Não escutei alguns álbuns ainda, como o da Norah Jones, então com certeza muita coisa boa ficou de fora.
Decepções de 2009:
Melhores álbuns e em seguida melhores músicas de 2009, seguindo critérios super chatos que eu tenho comigo mesma: sensibilidade, técnica, criatividade na melodia e arranjos, emotividade contida, qualidade vocal e instrumental, boa produção do disco/música, nível das letras.
De "brinde" coloquei alguns links das respectivas músicas no youtube.
Melhores álbuns de 2009
1) Manic Street Preachers - Journal For Plague Lovers
2)Bruce Peninsula - A Mountain is a Mouth

3)Antony & The Johnsons - The Crying Light
4)Raveonettes- In and out of control
5)The Decemberists - The Hazards of Love
6)Morrissey - Years of Refusal

7)The XX- The XX
8)Grizzly Bear - Veckatimest
9)Beirut - March of the Zapotec/Realpeople Holland
10)Wild Beasts - Two Dancers
Menção honrosa: Placebo, Flaming Lips, Piano Magic, Doves e Yo La Tengo.
MELHORES MÚSICAS 2009
Arnaldo Antunes - Longe
Antony & the Johnsons - Her eyes are underneath the ground
Antony & the Johnsons - Epilepsy is dancing
Antony & the Johnsons - Kiss my name
Bat For Lashes - Daniel
Biffy Clyro - The Captain
Bruce Peninsula - Shanty Song
Cidadão Instigado - O Nada
Decemberists - Isn't it a lovely night
Doves - Birds Flew Backwards
Doves - Spellbound
Doves - House of mirrors
Editors - Papillon ACÚSTICA (a versão do álbum sucks)
Franz Ferdinand - Ulysses
Idlewild - Post Eletric
John Frusciante - Before the Beginning
Kings of Convenience - Boat Behind
Lady Gaga - Poker Face
Lady Gaga - Paparazzi
Lady Gaga - Bad Romance

Manic Street Preachers - Jackie Collins Existencial Question Time
Manic Street Preachers - This joke sport severed
Manic Street Preachers - Marlon JD
Maxïmo Park - Questing, not coasting
Morrissey - It's not your birthday anymore
Morrissey -When Last I Spoke to Carol
Noah and The Whale - I Have Nothing
Ola Podrida - This Old World
Patrick Wolf - Hard Times
PJ Harvey & John Parish - Black hearted love
Phoenix - Liztomania
Placebo - Ashtray Heart
Placebo - Speak in tongues
Piano Magic - The nightmare goes on
Piano Magic - March of the Atheists
Raveonettes - Bang!
Raveonettes - Last Dance
Raveonettes - Gone Forever
Raveonettes - Boys who rape
Regina Spektor - Laughing With
Silversun Pickups - Panic Switch
Quase Coadjuvante - Dê valor a alguma coisa
Wild Beasts - All the kings men
Wild Beasts - We Still Got the Taste Dancing On Our Tongues
Yo La Tengo - I"m on my way
Yo La Tengo - Nothing to hide
Yo La Tengo - Periodically Triple Or Double
The XX - Shelter
The XX - Basic Space
The XX - Crystalised
The XX - VCR
Não escutei alguns álbuns ainda, como o da Norah Jones, então com certeza muita coisa boa ficou de fora.
Decepções de 2009:
O álbum do Caetano Veloso, mestre e gênio, infelizmente não me agradou. Camera Obscura ficou uma coisa estranha, como disseram na RCD do orkut, sem sal nem açúcar. Arctic Monkeys todo mundo acha que evoluiu, eu acho que decaiu.
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