Vivemos na era do exibicionismo virtual. Hoje discutíamos na faculdade o fato de estarmos sempre atuando, representando algum papel. Diferentemente do ponto de vista do professor, penso que podemos ser nós mesmos quando estamos no trabalho, conversando com alguém, etc. Nosso "eu" não é limitado, é vasto. Não estamos necessariamente representando o tempo inteiro. Mas em vários momentos, sim. No virtual (no sentido de Pierre Lévy) que é a internet, esse representar torna-se agudo. O exibicionismo é intenso.
Para os tímidos, a internet é apenas um meio em que é mais fácil se expressar. Para outros, mostrar seus ganhos e seus méritos, sua quantidade de "amigos" virtuais, suas baladas e vida agitada é a função da internet: as redes virtuais são apenas questão de "status".
Alguns criticam a banalização da internet exclamando: "Maldita inclusão digital!". Acho de um elitismo ignorante, nojento. A internet é uma das poucas coisas que podemos realmente chamar de um bem "público". Na Constituição Federal diz-se que todo brasileiro tem direito à moradia, por exemplo. Não se tem. Mas em algumas cidades já há postos públicos para o uso da internet. Parece-me um bem melhor distribuído e em que todos podem ter voz. Mas liberdade de expressão não alimenta ninguém. "Freedom of speech won't feed my children(*)". Eu defendo completamente essa liberdade. No entanto e infelizmente, o bom senso não está incluído no pacote.
Ultimamente o que tem me chamado atenção é a onda de pseudo-comediantes, aqueles de humor negro ou "policamente incorreto" ou de críticos-de-tudo que tem aparecido constantemente na internet. Há coisa mais pretensiosa do que fazer um video de si mesmo comentando sobre qualquer assunto e postar na rede, no YouTube? O que faz de sua opinião tão importante, sobre fatos muitas vezes irrelevantes, a ponto de precisar ser filmada? Claro que há um negócio por trás disso, quanto mais vezes o video é assistido, mais dinheiro o dono dele ganha. Mas imagine se todo mundo resolver se filmar para dar opiniões muitas vezes sem embasamento, no puro achismo? Todo mundo quer seus dez minutos, inúteis, de fama.
O tal do Rafinha Bastos é um dos mais pretensiosos. Surgiu na TV mas "bomba" também na web. Foi eleito o homem mais influente do mundo no Twitter. Qual a relevância disso? Para ele, toda. Em recente entrevista à Rolling Stone Brasil, Rafinha admite sua arrogância e fala o tempo todo como se fosse um gênio que foi descoberto tardiamente. Considera-se, aparentemente, o cúmulo do subversismo, fazendo piadas sobre estupros, pedofilia, etc. Imagino se um filho dele fosse vítima de pedofilia, que piada faria o Bastos?
Certas coisas simplesmente não tem graça, ou tem graça somente quando inseridas em um contexto muito bem tateado. Tato falta em Rafinha Bastos, que por se achar subversivo ao extremo, acaba por tocar em feridas de quem já foi ferido por tais situações. Nem tudo que é tabu é questão de hipocrisia. Aliás, nada mais é tabu, tudo hoje é falado e discutido. Fazer piada com essas coisas nem sempre leva à discussões que trarão mudanças; na verdade, quase nunca. O brasileiro parece se divertir com a corrupção dos políticos, com a "negrada" favelada e "farofeira". E nisso enriquecemos comediantes que tiram sarro da nossa cara, o que nem sempre é necessário ou coerente. Tudo é motivo para rir e só. Anestesia e ópio eternos.
Para os tímidos, a internet é apenas um meio em que é mais fácil se expressar. Para outros, mostrar seus ganhos e seus méritos, sua quantidade de "amigos" virtuais, suas baladas e vida agitada é a função da internet: as redes virtuais são apenas questão de "status".
Alguns criticam a banalização da internet exclamando: "Maldita inclusão digital!". Acho de um elitismo ignorante, nojento. A internet é uma das poucas coisas que podemos realmente chamar de um bem "público". Na Constituição Federal diz-se que todo brasileiro tem direito à moradia, por exemplo. Não se tem. Mas em algumas cidades já há postos públicos para o uso da internet. Parece-me um bem melhor distribuído e em que todos podem ter voz. Mas liberdade de expressão não alimenta ninguém. "Freedom of speech won't feed my children(*)". Eu defendo completamente essa liberdade. No entanto e infelizmente, o bom senso não está incluído no pacote.
Ultimamente o que tem me chamado atenção é a onda de pseudo-comediantes, aqueles de humor negro ou "policamente incorreto" ou de críticos-de-tudo que tem aparecido constantemente na internet. Há coisa mais pretensiosa do que fazer um video de si mesmo comentando sobre qualquer assunto e postar na rede, no YouTube? O que faz de sua opinião tão importante, sobre fatos muitas vezes irrelevantes, a ponto de precisar ser filmada? Claro que há um negócio por trás disso, quanto mais vezes o video é assistido, mais dinheiro o dono dele ganha. Mas imagine se todo mundo resolver se filmar para dar opiniões muitas vezes sem embasamento, no puro achismo? Todo mundo quer seus dez minutos, inúteis, de fama.
O tal do Rafinha Bastos é um dos mais pretensiosos. Surgiu na TV mas "bomba" também na web. Foi eleito o homem mais influente do mundo no Twitter. Qual a relevância disso? Para ele, toda. Em recente entrevista à Rolling Stone Brasil, Rafinha admite sua arrogância e fala o tempo todo como se fosse um gênio que foi descoberto tardiamente. Considera-se, aparentemente, o cúmulo do subversismo, fazendo piadas sobre estupros, pedofilia, etc. Imagino se um filho dele fosse vítima de pedofilia, que piada faria o Bastos?
Certas coisas simplesmente não tem graça, ou tem graça somente quando inseridas em um contexto muito bem tateado. Tato falta em Rafinha Bastos, que por se achar subversivo ao extremo, acaba por tocar em feridas de quem já foi ferido por tais situações. Nem tudo que é tabu é questão de hipocrisia. Aliás, nada mais é tabu, tudo hoje é falado e discutido. Fazer piada com essas coisas nem sempre leva à discussões que trarão mudanças; na verdade, quase nunca. O brasileiro parece se divertir com a corrupção dos políticos, com a "negrada" favelada e "farofeira". E nisso enriquecemos comediantes que tiram sarro da nossa cara, o que nem sempre é necessário ou coerente. Tudo é motivo para rir e só. Anestesia e ópio eternos.
*Título de música da banda Manic Street Preachers
Texto originalmente publicado em www.outroladodanoticia.net por Valéria Sotão