quinta-feira, janeiro 28, 2010

Sobre pranto, dor, alma, amor e felicidade

Eu aprendi a amar com Chaplin ou comigo mesma? Uma vez fiz um texto sobre isso num caderno da faculdade, eu sentava nos corredores do CEST, fugindo das aulas de filosofia (eu amo filosofia, mas meu professor era um psicótico) e começava a escrever compulsivamente nas folhas onde deveriam estar as aulas de fisioterapia. Eu sempre fui assim, desde o colégio, preferia ficar isolada num corredor com meus pensamentos e poemas a estar numa sala de aula ouvindo um professor falando uma bobagem qualquer. Porque convenhamos: aprendemos muito na escola, mas professores são frutos de um sistema que também faz "desaprender" - tudo que vai para os livros didáticos passa por uma peneira, pois nem tudo que deveria ser ensinado o é. Não se ensina sobre as (vastas e cortantes) decepções da vida, não se ensina a viver e muito menos a sofrer. Bom, o texto sobre interligações dos pensamentos de Chaplin com os meus eu nem sei se já postei por aqui, mas um dia acho esse caderno.

Amar eu não sei, mas sofrer eu aprendi comigo mesma. Não acho bonito, necessário ou sei lá o que dizem os masoquistas sobre isso. Li um texto do Pe. Antonio Vieira chamado "O Pranto e o Riso", que é de uma profundidade intelectual de assustar. Elaine Araújo, minha professora da faculdade, sempre pedia para fazermos curtas análises sobre os contos que ela sugeria. Esse foi um dos que mais gostei. Nele Antonio Vieira diz que quem chora com lágrimas não é tão triste assim, o mais triste é o que chora calado. Então eu seria um meio termo nesses níveis de alma, já que me considero uma pessoa quase feliz. E o "quase" não é um atraso, o "quase" é um "quase", só falta alguma coisa pequena, não sei exatamente o quê, não sei se é o amor a dois, não sei se é a plena paz de espírito. O importante é que é um "quase lá" e num dia, quem sabe próximo, eu seja "feliz". O fato é que não sou triste, tenho uma alegria, uma vontade, um tesão em viver que só eu sinto, logo não dá para explicar. Até nos momentos mais dramáticos da minha vida, quando pensava em morrer, logo me vinha um medo imensurável de não mais respirar, lamentar, pensar. Até a tristeza é divertida. Pensar (penso, logo existo) é uma honra, uma dádiva que não dispenso.

Assim, vivo para me jogar. Como Clarice Lispector, não tenho medo de penhascos, eu adoro voar. Adoro sensações, cheiros, filmes, sons, imagens, toques, veludo. Cada palavra não dita por mim, acredite, está sendo dita interiormente de forma tão mais profunda em meus pensamentos que seria desprezível dizê-la, colocá-la para fora de minha boca. Sentimentos e sensações são tão mais que isso. O silêncio pode ser tão prazeroso, mesmo a dois, mesmo a três, a vários. Não é à toa que a meditação nos leva a um estado elevado de alma. Tanta gente fala, fala e não diz nada. Comunicar-se é tão maior que apenas falar. Olhares, toques... tudo fala, tudo comunica. A lágrima comunica. O sorriso. Os filmes mudos de Chaplin. Os abraços. Mas para isso, leitor, é preciso ter muito mais que um ouvido e uma audição apurada... é preciso ter uma grande alma, uma profundidade de coração um pouco mais cavada que o normal e uma sensibilidade intensa. Por isso a maioria das pessoas só se comunica com palavras, quando não com violência.

Enfim... eu prefiro ser assim, intensa, destemida, mesmo que meu coração tenha que passar por provas de resistência; pois pelo menos quando eu ficar velha não me arrependerei por não ter tentado. E o amor? eu sei que ele existe porque EU o sinto. ;)



ANÁLISE DO TEXTO “O PRANTO E O RISO” DE PE. ANTÔNIO VIEIRA, POR VALÉRIA SOTÃO FERREIRA.

No texto “O Pranto e o Riso”, do Padre Antônio Vieira, é possível perceber um grande talento literário naquele homem religioso, assim como um forte poder de persuasão. Na sua argumentação, ele foi incumbido de defender o pranto como mais digno deste mundo do que o riso, para a rainha de Suécia Christina Alexandra, em Roma. Ele teria que defender o ponto de vista de Heráclito, que sempre chorava e mostrar porque ele era mais sincero que Demócrito, que ria sempre.
Nessa perspectiva, seu “sermão” faz uma análise dos motivos pelos quais a humanidade ri ou chora. E mostra que, na maioria das vezes, quem ri o tempo todo na verdade está em prantos por dentro e quem chora apenas expressa uma tristeza menos dolorosa. Ele dá argumentos, usando citações de outros autores, como Sêneca, de como o homem que chora é mais sincero e mais humano do que aquele que ri, dadas as condições “desumanas” da humanidade. E termina sua tese com maestria, convencendo os mais sensíveis do poder do pranto e da ambigüidade do riso.

domingo, janeiro 03, 2010

Nirvana de sóis

Eu queria simplesmente esquecer...tudo, todos. Entrar num estado lamentável de alma, irreversível. Chegar a um nirvana de sóis, de frio e de flores bastante perfumadas, sem gente por perto. Eu em espírito, conectada por fluidos aos astros. Estar. Pronto, ali estar e nada mais. Como uma árvore, sem precisar me comunicar nem pedir comida, a nutrição vem sozinha. Sem precisar implorar nem me enfeitar para que apreciem minha beleza. E todos saberiam que sou importante na mata, que sou um pedaço muito importante do todo. Ah, se sou! Mas isso é só uma ilusão, sempre matam partes necessárias à flora. Por que não me matariam? Eu sou a árvore mais comum e sem graça da mata, com galhos quebrados e folhas secas. Minha cor não é das melhores e eu não posso expressar que dentro de mim tenho algo a oferecer, afinal, eu sou uma árvore e quem acha que árvores sentem algo? Sou podre e minhas raízes nascem de lugar nenhum, há cupins por todo o meu caule, já tão remoído. Neste caso, é melhor cortar (com machado afiado e sem dó) para evitar que os bichos passem para o resto da floresta.


Valéria Sotão
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Esse texto é antigo, de 2005 ou 2006. Lendo-o agora parece influenciado por Kafka, mas não (lembram do inseto em A Metamorfose? então...). Acho que esses escritores como ele, todas essas pessoas boas que se sentiam árvores dispensáveis para a mata, sentiam-se como eu me sinto às vezes... Hoje estou bem melhor, mas mesmo assim posso afirmar que valorizamos muito pessoas que, como diz o Morrissey, não estão nem aí se estamos vivos ou mortos. É, nossa alma é grande, vamos nos orgulhar disso e deixar os secos acharem que estão por cima.

"In my life, why do I give valuable time to people who don't care If live or die?"


sexta-feira, janeiro 01, 2010

O melhor da música em 2009

Minha listinha, desculpem o atraso ^^

Melhores álbuns e em seguida melhores músicas de 2009, seguindo critérios super chatos que eu tenho comigo mesma: sensibilidade, técnica, criatividade na melodia e arranjos, emotividade contida, qualidade vocal e instrumental, boa produção do disco/música, nível das letras.

De "brinde" coloquei alguns links das respectivas músicas no youtube.

Melhores álbuns de 2009

1) Manic Street Preachers - Journal For Plague Lovers
2)Bruce Peninsula - A Mountain is a Mouth

3)Antony & The Johnsons - The Crying Light
4)Raveonettes- In and out of control
5)The Decemberists - The Hazards of Love
6)Morrissey - Years of Refusal


7)The XX- The XX
8)Grizzly Bear - Veckatimest
9)Beirut - March of the Zapotec/Realpeople Holland
10)Wild Beasts - Two Dancers


Menção honrosa: Placebo, Flaming Lips, Piano Magic, Doves e Yo La Tengo.



MELHORES MÚSICAS 2009

Arnaldo Antunes - Longe

Antony & the Johnsons - Her eyes are underneath the ground
Antony & the Johnsons - Epilepsy is dancing
Antony & the Johnsons - Kiss my name

Bat For Lashes - Daniel

Biffy Clyro - The Captain

Bruce Peninsula - Shanty Song

Cidadão Instigado - O Nada




Decemberists - Isn't it a lovely night

Doves - Birds Flew Backwards
Doves - Spellbound
Doves - House of mirrors

Editors - Papillon ACÚSTICA (a versão do álbum sucks)



Franz Ferdinand - Ulysses

Idlewild - Post Eletric

John Frusciante - Before the Beginning

Kings of Convenience - Boat Behind

Lady Gaga - Poker Face
Lady Gaga - Paparazzi
Lady Gaga - Bad Romance




Manic Street Preachers - Jackie Collins Existencial Question Time
Manic Street Preachers - This joke sport severed
Manic Street Preachers - Marlon JD

Maxïmo Park - Questing, not coasting

Morrissey - It's not your birthday anymore
Morrissey -When Last I Spoke to Carol

Noah and The Whale - I Have Nothing

Ola Podrida - This Old World

Patrick Wolf - Hard Times

PJ Harvey & John Parish - Black hearted love

Phoenix - Liztomania


Placebo - Ashtray Heart
Placebo - Speak in tongues

Piano Magic - The nightmare goes on
Piano Magic - March of the Atheists

Raveonettes - Bang!

Raveonettes - Last Dance
Raveonettes - Gone Forever
Raveonettes - Boys who rape

Regina Spektor - Laughing With

Silversun Pickups - Panic Switch

Quase Coadjuvante - Dê valor a alguma coisa

Wild Beasts - All the kings men
Wild Beasts - We Still Got the Taste Dancing On Our Tongues

Yo La Tengo - I"m on my way
Yo La Tengo - Nothing to hide
Yo La Tengo - Periodically Triple Or Double

The XX - Shelter
The XX - Basic Space

The XX - Crystalised
The XX - VCR


Não escutei alguns álbuns ainda, como o da Norah Jones, então com certeza muita coisa boa ficou de fora.



Decepções de 2009:
O álbum do Caetano Veloso, mestre e gênio, infelizmente não me agradou. Camera Obscura ficou uma coisa estranha, como disseram na RCD do orkut, sem sal nem açúcar. Arctic Monkeys todo mundo acha que evoluiu, eu acho que decaiu.