
Normalmente não comento neste blog sobre os livros que leio, porém, alguns me fazem abrir excessão. Acho que que todos percebem que sou bastante crítica, não sei se uma boa crítica, mas sei que procuro analisar todos os lados de qualquer questão. Não obstante, procuro ver também os objetivos do que analiso, pois dependendo da intenção (se esta for clara) do autor da ação/obra minha opinião pode se tornar flexível.
Esta semana tive o imenso prazer de fazer a leitura de A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Esta foi minha primeira leitura do autor e tive uma primeira experiência maravilhosa.
Vou confessar algo a vocês. Eu gosto de pessoas que sabem o que querem. Que sabem expressar o que querem. Talvez por consequência disso, gosto que o objetivo da obra de arte que analiso seja bem claro e direto. Desgosto quando autores ou cineastas falam, falam e não dizem nada. Por outro lado, uns não dizem nada (ou seja, não usam diálogos ou não enchem linguiça enganando o público com escritas intelectualmente perversas, tentando parecer difícil) e acabam expressando uma verdadeira mensagem. Assim foi meu contato com o livro de Orwell. Logo nas primeiras páginas eu percebi um senso crítico aguçadíssimo, uma linguagem clara e simples, sem enrolações, sem enfeites extras desnecessários. Ele não tenta parecer um escritor de vasto vocabulário (apesar de que eu não duvido de seus conhecimentos gramaticais, pois o autor estudou em escolas bastante valorizadas e soa como um verdadeiro pensante). Isso já contou pontos positivos para a minha visão sobre o livro, já que o principal objetivo da literatura é comunicar e para isso é necessária a clareza.
Aos poucos, talvez antes da metade do livro, você acaba tendo idéia do foco da crítica. Mas isso não torna o livro previsível, já que a delícia da prosa de George Orwell está em cada linha, independentemente do conjunto. Apesar de que em alguns momentos você possa imaginar mais ou menos o que possa acontecer, sempre há algo de incrível, de sujo (no comportamento dos personagens) , de novo, criativamente falando. Achei o livro bastante criativo. Personagens que poderiam ser humanos na figura de animais. Retratos de uma sociedade corrupta e rotulada. Muitos personagens representam rótulos, mas se você for pela linha da sutileza de Orwell, perceberá que os rótulos são os próprios indivíduos que criam. Hierarquizações baseadas no egocentrismo, na perca da noção de valores.
A Revolução dos Bichos é esplêndido. Uma mostra demasiadamente convincente dos caminhos que levam os homens à corrupção, e daí a outras desgraças piores ainda.
Sim, é uma obra esquerdista, mas que com delicadeza e humanidade (sem radicalismos)
consegue mostrar a realidade crua, pondo em vista o lado perigoso de vários sistemas políticos e de vários comportamentos tão usuais dentro de nosso cotidiano.
Nota: O livro é bem pequeno. Indico para quem não gosta de livros grandes. Fiz a leitura em três dias, mas poderia ler muito mais rápido, já que a história prende demais. Porém, com o início das aulas de Fisioterapia esta abreviação não foi possível. Espero que alguém se interesse, pois gostaria muito de conversar com alguém sobre este livro.
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