À noite faz barulho e eu não gosto. Os carros parecem mais apressados, e mais desastrados. Não gosto da confusão. O engarrafamento querendo o jantar, buzinas rompendo as conversas.
À noite faz barulho e eu não gosto. Durante ela, prefiro o silêncio. Todos gostam de dormir com música, eu não. Senão, a noite vira o dia. E eu prefiro este, na verdade. Sou diurna. Existem pessoas do dia e pessoas da noite. Em todos os sentidos.
À noite tenho os piores pensamentos. É um convite para o fim de tudo. E nenhum fim me agrada. Eu odeio pessoas sensíveis demais, conseqüentemente, deveria me odiar. Mas não, eu me amo; mas odeio este fato. É amor demais. E, para mim, amor e ódio não são faces da mesma moeda. Isso é mais uma invenção dos homens e eu não me encaixo nela.
Eu não virei gelo. Virei rocha. E pedra não derrete. Sinto-me bem nessa condição. Muito segura. Muito segura.
quinta-feira, março 23, 2006
Mais sobre minha idéia

Não importa quão longe você chegue. Sua última opção será usufruir, contemplar. Se não faz isso com o que está ao seu redor, com as coisas que parecem ser velhas, com os detalhes e com a beleza que está por toda a parte, não saberá fazer quando o grande vier. Se vier.
Admirar a novidade é muito fácil (é natural). O difícil é o contrário.
segunda-feira, março 20, 2006
Lá ou Aqui?
Tom Jobim disse algo mais ou menos assim uma vez, sobre os Estados Unidos da América:
"Lá é bom, mas é uma merda. Aqui é uma merda, mas é bom."
"Lá é bom, mas é uma merda. Aqui é uma merda, mas é bom."
Cecília Meireles de novo
Para completar meu pensamento do post anterior, aqui está mais um poema de Cecília. É difícil eu achar alguém com quem concorde tanto. Acho que aprendi a olhar.
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crinças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas,
como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crinças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas,
como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.
sábado, março 18, 2006
Um tico de literatura

Madrugada no campo
Com que doçura esta brisa penteia
A verde seda fina do arrozal -
Nem cílios, nem pluma, nem lume de lânguida
Lua, nem o suspiro de cristal.
Com que doçura a transparente aurora
Tece na fina seda do arrozal
Aéreos desenhos de orvalho! Nem lágrima,
Nem pérola, nem íris de cristal!...
Com que doçura as borboletas brancas
Prendem os fios verdes do arrozal!
Com seus leves laços! Nem dedos, nem pétalas,
Nem frio aroma de anis em cristal.
Com que doçura o pássaro imprevisto
De longe tomba no verde do arrozal!
- Caído do céu, flor azul, estrela última:
Súbito sussurro e eco de cristal.
Cecília Meireles
(Cecília é maravilhosa, sempre. Vejam a musicalidade e a delicadeza. A sensibilidade...a capacidade de achar a beleza em coisas tão simples e daí, transformar tudo em poesia)

Nordeste
"Ser tão sem
Sem ser tão
Tão sem ser"
Félix de Athayde
(Fantástico...ele faz uma brincadeira séria com a palavra ''sertão''. Como diz a famosa frase de Euclides da Cunha: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte")
quinta-feira, março 16, 2006
A Arte do Real
Estou um pouco farta da ficção cinematográfica, de suas manias e imposições ultra-pessoais sobre visão de mundo. Quando um filme como o da minha querida Amélie Poulain vai acontecer de novo? Um filme com uma mensagem positiva? "O triste é mais bonito, blá blá". A tristeza realmente proporciona incríveis momentos em alguns filmes, mas em outros acaba sendo algo cansativo. Pior que eu não tenho saída. Praticamente só gosto de filmes de drama. Mas daqueles que não são tristes apenas por serem, ou polêmicos sem razão alguma. Se me fizerem refletir sobre algo útil, ótimo. Mas isso vem acontecendo com pouca frequência.
Em contrapartida, sempre gostei de documentários e hoje eu lembrei de um muito bom, meu preferido. "A Normal Life" é maravilhoso, muito inspirador.
Um grupo de amigos que cresceram vendo a guerra frente a frente resolve documentar o que está acontecendo em 1999, quando o conflito parece finalmente ter um fim. E agora? Quais as suas expectativas? E da sociedade em geral? O grupo não só mostra os acontecimentos, como participa ativamente de ações sócio-políticas que venham a fazer alguma diferença naquela sociedade morta e sem voz.
Todos os jovens do grupo contam algumas histórias pessoais que tenham alguma relação com a guerra em si. Na verdade, a vida deles é toda entrelaçada por essa falta de perspectiva, desde suas infâncias. Eles também se preocuparam em mostrar o impacto de tanto sangue sobre uma geração. Muitos perderam amigos (em homicídios ou suicídios), os jovens se drogam na rua, crianças de oito anos fumam na esquina.A trilha sonora é bem interessante, mostrando de fato o que se ouve e que música se faz em Kosovo.
"A Normal Life" também é uma boa pedida para quem não tem muito conhecimento sobre Kosovo (assim como eu não tinha até assisti-lo), que há séculos não sabe o que é paz. Há todo um histórico de conflitos entre os povos residentes no território, que sempre pertenceu à Sérvia, mas a população era em sua esmagadora maioria composta por albaneses (90%). Apenas o resto minoritário é de origem sérvia. Em 1989, com a queda da Iugoslávia comunista (a exemplo da ex-URSS) os albaneses de Kosovo resolveram proclamar independência do território em relação à Sérvia, sem sucesso. Desde então Kosovo entrou em uma intensa guerra civil, e é o aparente "fim" de tal conflito (a independência) que é brilhantemente retratado em "A Normal Life" pelos sete jovens, também personagens principais do documentário. Muito simpáticos e inteligentes por sinal.
A parte mais emocionante, e talvez a única feliz de todo o filme é a desejada e enfim realizada eleição presidencial. A jornalista Garentina, minha "personagem" favorita, chora ao votar.
Indico o site oficial de "A Normal Life". Já no começo vocês irão simpatizar com a atmosfera de gente que tenta fazer a diferença social. É possível fazer download das músicas. Uma mistura de rock (parecido com new metal e Rage Against the Machine) com vocais que lembram aqueles típicos do Oriente Médio. Uma mais lenta também, muito bonita.http://www.anormallife.com/
Com tanto drama na vida real...
Em contrapartida, sempre gostei de documentários e hoje eu lembrei de um muito bom, meu preferido. "A Normal Life" é maravilhoso, muito inspirador.Um grupo de amigos que cresceram vendo a guerra frente a frente resolve documentar o que está acontecendo em 1999, quando o conflito parece finalmente ter um fim. E agora? Quais as suas expectativas? E da sociedade em geral? O grupo não só mostra os acontecimentos, como participa ativamente de ações sócio-políticas que venham a fazer alguma diferença naquela sociedade morta e sem voz.
Todos os jovens do grupo contam algumas histórias pessoais que tenham alguma relação com a guerra em si. Na verdade, a vida deles é toda entrelaçada por essa falta de perspectiva, desde suas infâncias. Eles também se preocuparam em mostrar o impacto de tanto sangue sobre uma geração. Muitos perderam amigos (em homicídios ou suicídios), os jovens se drogam na rua, crianças de oito anos fumam na esquina.A trilha sonora é bem interessante, mostrando de fato o que se ouve e que música se faz em Kosovo.
"A Normal Life" também é uma boa pedida para quem não tem muito conhecimento sobre Kosovo (assim como eu não tinha até assisti-lo), que há séculos não sabe o que é paz. Há todo um histórico de conflitos entre os povos residentes no território, que sempre pertenceu à Sérvia, mas a população era em sua esmagadora maioria composta por albaneses (90%). Apenas o resto minoritário é de origem sérvia. Em 1989, com a queda da Iugoslávia comunista (a exemplo da ex-URSS) os albaneses de Kosovo resolveram proclamar independência do território em relação à Sérvia, sem sucesso. Desde então Kosovo entrou em uma intensa guerra civil, e é o aparente "fim" de tal conflito (a independência) que é brilhantemente retratado em "A Normal Life" pelos sete jovens, também personagens principais do documentário. Muito simpáticos e inteligentes por sinal.
A parte mais emocionante, e talvez a única feliz de todo o filme é a desejada e enfim realizada eleição presidencial. A jornalista Garentina, minha "personagem" favorita, chora ao votar.
Indico o site oficial de "A Normal Life". Já no começo vocês irão simpatizar com a atmosfera de gente que tenta fazer a diferença social. É possível fazer download das músicas. Uma mistura de rock (parecido com new metal e Rage Against the Machine) com vocais que lembram aqueles típicos do Oriente Médio. Uma mais lenta também, muito bonita.http://www.anormallife.com/
Com tanto drama na vida real...
quarta-feira, março 15, 2006
Show de João Bosco

Segundo show do João Bosco ao qual eu assisto. Segunda vez que vou sozinha. Na primeira vez faltava um dia para eu completar 18 anos, e ontem eu tinha exatamente 19 anos, 3 meses e 10 dias de vida. Na primeira vez ele veio acompanhado de uma banda, e ontem ele estava apenas com seu violão e sua boina. Seu talento incomparável e todas as artimanhas que cria com sua voz. Palavras soam como grego, japonês, dialeto de umbanda ou sei lá o quê. Simplesmente cantarola ''palavras'' inventadas na hora, e o público parece entender tudo. Poesia sobre qualquer coisa.
Mano Borges, artista maranhense, abriu o show. O violonista que o acompanhava deveria ter uma apresentação solo, pois foi quem mais brilhou. Toca muito bem. Muito divertida a imitação de cuíca que ele (o acompanhante) fazia com o violão. Mas Mano Borges tem suas qualidades.
Eu não tinha jantado e mil coisas passavam pela minha cabeça de garota esfomeada, cuja última refeição havia sido um café com torradas às quatro da tarde.
Quase ninguém da minha idade por perto. É falta de educação ficar olhando para trás o tempo todo num teatro? Eu cheguei atrasada mas consegui sentar na terceira fila. Paguei mais caro que todo mundo, pois não havia mais ingressos e comprei de um cambista.
O Arthur Azevedo está como há anos atrás, antes de ficar parado e antes da reforma. Lindo. O primeiro de grande porte do Brasil. Não conseguia parar de olhar para trás por dois motivos: queria apreciar a arquitetura (que dizem que é Neoclássica mas também vejo muitas
características do Rococó) e detalhes decorativos do teatro(principalmente o lustre) e analisar as pessoas por ali. Realmente eu estava meio deslocada. Vi um garoto da minha turma de Música, menos mal. Alguém da minha idade.


Então João entra, simpático e tão ''brasileiro''...
Primeira música: O Mestre-sala dos mares. A única canção pela qual eu estava torcendo para ele tocar (pois faltou no primeiro show) foi logo a primeira! Fantástico. Parecia atender ao meu pedido. Adoro essa música pois ele fala da Revolta da Chibata, em especial sobre o João Cândido.
O show continuou em um ritmo muito agradável. A sexta música foi nada menos que ''Águas de Março''. Seis músicas adiante e ele toca ''Corsário'', para alegria dos meus ouvidos. Foi uma das mais pedidas pela platéia, que participou intensamente do repertório. Ainda os clássicos ''Papel Marchê'' e ''O Bêbado e a Equilibrista''. Nesta, João sempre faz a introdução com um trecho de ''Smile'' de Charles Chaplin.
Um dia eu toco como ele (a esperança nunca morre, como diz a música abaixo).
''O Bêbado e a Equilibrista''
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria um brilho de a...lu...guel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco
O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil
Prá noite do Bra...sil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete
Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
A espe...rança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se ma...chu...car
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar.
Agora só falta um show de CAETANO e outro de CHICO.
terça-feira, março 14, 2006
09/03
Esse foi o dia mais triste do ano. A continuação de uma noite que vai demorar para terminar.
Essa frustração não tem cura. Não foi causada por alguém, mas por todo o universo que me cerca.
A cidade, ironicamente, está mais bela do que nunca. Ao atravessar a ponte vi um lago de lágrimas. Minhas? Era um pedaço do mar, ou do rio que desemboca nele. Mas, para mim, era uma espécie de cumplicidade, testemunho.
A água brilhava azul cinzento. A noite chegava e eu procurava aproveitar aqueles poucos segundos sobre a ponte. Aquela imagem, igrejas ao fundo. Maré cheia. Aparição da lua.
Como tentei aproveitar...Algo bonito dentro de um contexto tão feio. Monstruoso.
Essa frustração não tem cura. Não foi causada por alguém, mas por todo o universo que me cerca.
A cidade, ironicamente, está mais bela do que nunca. Ao atravessar a ponte vi um lago de lágrimas. Minhas? Era um pedaço do mar, ou do rio que desemboca nele. Mas, para mim, era uma espécie de cumplicidade, testemunho.
A água brilhava azul cinzento. A noite chegava e eu procurava aproveitar aqueles poucos segundos sobre a ponte. Aquela imagem, igrejas ao fundo. Maré cheia. Aparição da lua.
Como tentei aproveitar...Algo bonito dentro de um contexto tão feio. Monstruoso.
segunda-feira, março 13, 2006
Filmes de Amor
Ontem eu estava vendo pela...provavelmente pela quarta vez, ''Diário de uma paixão (The Notebook)''. Das quatro vezes que vi o filme, devo ter chorado umas três.Tenho vontade de mandar para o inferno quem diz que o filme é pura "idealização", que é "impossível", etc, etc. Realmente, é difícil o amor acontecer. Isso eu não nego. Mas dizer que o que foi retratado no livro e no filme é impossível seria lamentável.
Eu não quero viver um amor daqueles. Acho lindo, muito lindo, mas não posso esperar nem ficar rezando para que algo aconteça comigo. Estava vendo as pessoas na comunidade do filme dizendo "Queria um amor daqueles". Comecei a rir. Reciprocidade não é algo forçado, muito menos o sentimento que você carrega dentro de si mesmo.O filme me emociona apenas por ser uma história bonita, assim como poderia ser de cunho sócio-político e me fazer chorar igualmente (lembrei-me agora que chorei muito lendo um capítulo do livro A Lista de Schindler, na qual os médicos poloneses se vêem sem saída e são obrigados a induzir a morte de todos os pacientes, para que os mesmos não morram de uma forma muito pior, cena muito dramática e que lamentavelmente aconteceu na vida real).
Como eu sempre digo, talvez com ironia: "Duas pessoas se amarem? Pode acontecer, a cada cinquenta ou cem anos..."
Então me veio a idéia desse post. Todos os meses vários filmes de romance são lançados. A maior parte é porcaria. Mas assim é o certo! Se a arte imita a vida, acho que a probabilidade está mais que correta. Entre cada cem filmes lançados, dois ou três retratam algo realmente forte. Raro assim como na vida real.
Escolhi algumas dessas raridades que mostram sinais de um verdadeiro amor, que venha das duas partes:
*Diário de uma paixão:
Simplesmente o melhor filme de amor. A história em si é muito clichê, mas todos os outros clichês não funcionaram comigo. Essa é mostrada de uma forma tão sutil, sensível, verdadeira. Nunca me parece algo forçado. Rachel McAdams está insubstituível e Ryan Gosling é sempre bom. Casal perfeito.

*O Segredo de Brokeback Mountain:
Se alguém ainda duvida que aquilo é amor, mate-se. Arriscaria dizer que é até espiritual.
*Contra a Parede: Bem forte, algumas vezes deprimente. Não diria que deixa sensações agradáveis. Mas é diferente de tudo que já vi, e existe amor ali, sem dúvidas.
*Passagem Azul : Poucas vezes vi abordagem tão delicada. Um dos meus filmes preferidos também.
*Simplesmente Amor: Nem todas as variadas histórias do filme falam de amor, algumas são só paixão ou só um"gostar" intenso, que não deixa de ser válido. O casal ''escritor e portuguesa'' é fantástico.
*Coisas Belas e Sujas: Amor não é o tema principal do filme, mas dentro de um contexto tão sujo e criminoso, o sentimento entre os protagonistas deixa tudo mais suave. Lindo.
*Tomates Verdes Fritos: Para mim, esse filme é uma obra-prima. Um clássico. Muito tocante. Com uma das melhores atrizes de todos os tempos, Mary-Louise Parker.
*Ghost: Clássico. É um filme brega, talvez. Muito engraçado também. Mas que é amor, é. E eu também chorei nesse filme quando tocou Barry White (HA-HA).
*Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças: Tenho o pôster no meu quarto. Nem destruindo seus neurônios você pode apagar a essência de um amor. Destaque para o cabelo multi-colorido de Kate Winslet (risos).
*Hotel Ruanda: Também não é o tema principal, mas o filme tem algumas cenas bem românticas e de companheirismo intenso que não deixam de chamar a atenção.
*Amor e Outras Catástrofes: Esse filme é a prova de que a criatividade é muito mais importante do que a verba. Mostra duas formas de amor, entre casais e entre amigos, de um jeito bastante puro. Admirável.
*American Splendor: Um casal de mal-humorados se completa e se entende. "Na minha situação, eu ficaria com qualquer mulher que me quisesse. Mas eu encontrei meu verdadeiro par".

*Kinsey: O filme mostra o trabalho de Kinsey, que de certa forma é uma liberação sexual, mas ao mesmo tempo, mostra à quem o coração dele pertence. Muito bom.
*Sideways: Em um coração tão grande como o de Miles, o amor, que em outras pessoas pode nunca acontecer, pode ser realidade até mais de uma vez.
*Walk the Line: Para quem achava que tudo não poderia passar da ficção, a vida amorosa do cantor Johnny Cash e sua esposa June são a prova de que o mundo não está perdido. Lindo, uma vida.

*Frida: Outro que não é pura ficção. Dois artistas plásticos, duas pessoas fortes, um grande amor.
*Plata Quemada: Não me importei tanto com o lado cruel dos personagens, sendo que os mesmos sabem amar de uma forma inesperada até para pessoas de "ficha limpa'', imagina para criminosos.

*Meu Primeiro Amor: O único filme de amor entre crianças no qual eu realmente acreditei. Adoro.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Filmes que todo mundo chama de filmes de amor ou romance, mas que aos meus olhos não passam de sexo, paixão ou medo da solidão (nada contra eles, só coloco em outras categorias):
-Titanic (Ai, se o navio não tivesse afundado...)
-Encontros e Desencontros
-Lolita (Já li o livro também, que é formidável, mas tudo não passa de uma grande obsessão)
-Closer
-Meninos Não Choram (Não dá para saber também o que o futuro aguardava, cruel)
-Antes do Amanhecer (pela mesma razão de Encontros e Desencontros)
E os outros 95% dos filmes que estão por aí...
OBS: É impossível fazer parágrafos corretamente nesse blog. A formatação é rebelde, desculpem-me.
Eu não quero viver um amor daqueles. Acho lindo, muito lindo, mas não posso esperar nem ficar rezando para que algo aconteça comigo. Estava vendo as pessoas na comunidade do filme dizendo "Queria um amor daqueles". Comecei a rir. Reciprocidade não é algo forçado, muito menos o sentimento que você carrega dentro de si mesmo.O filme me emociona apenas por ser uma história bonita, assim como poderia ser de cunho sócio-político e me fazer chorar igualmente (lembrei-me agora que chorei muito lendo um capítulo do livro A Lista de Schindler, na qual os médicos poloneses se vêem sem saída e são obrigados a induzir a morte de todos os pacientes, para que os mesmos não morram de uma forma muito pior, cena muito dramática e que lamentavelmente aconteceu na vida real).
Como eu sempre digo, talvez com ironia: "Duas pessoas se amarem? Pode acontecer, a cada cinquenta ou cem anos..."
Então me veio a idéia desse post. Todos os meses vários filmes de romance são lançados. A maior parte é porcaria. Mas assim é o certo! Se a arte imita a vida, acho que a probabilidade está mais que correta. Entre cada cem filmes lançados, dois ou três retratam algo realmente forte. Raro assim como na vida real.
Escolhi algumas dessas raridades que mostram sinais de um verdadeiro amor, que venha das duas partes:
*Diário de uma paixão:
Simplesmente o melhor filme de amor. A história em si é muito clichê, mas todos os outros clichês não funcionaram comigo. Essa é mostrada de uma forma tão sutil, sensível, verdadeira. Nunca me parece algo forçado. Rachel McAdams está insubstituível e Ryan Gosling é sempre bom. Casal perfeito.

*O Segredo de Brokeback Mountain:
Se alguém ainda duvida que aquilo é amor, mate-se. Arriscaria dizer que é até espiritual.
*Contra a Parede: Bem forte, algumas vezes deprimente. Não diria que deixa sensações agradáveis. Mas é diferente de tudo que já vi, e existe amor ali, sem dúvidas.
*Passagem Azul : Poucas vezes vi abordagem tão delicada. Um dos meus filmes preferidos também.
*Simplesmente Amor: Nem todas as variadas histórias do filme falam de amor, algumas são só paixão ou só um"gostar" intenso, que não deixa de ser válido. O casal ''escritor e portuguesa'' é fantástico.
*Coisas Belas e Sujas: Amor não é o tema principal do filme, mas dentro de um contexto tão sujo e criminoso, o sentimento entre os protagonistas deixa tudo mais suave. Lindo.
*Tomates Verdes Fritos: Para mim, esse filme é uma obra-prima. Um clássico. Muito tocante. Com uma das melhores atrizes de todos os tempos, Mary-Louise Parker.
*Ghost: Clássico. É um filme brega, talvez. Muito engraçado também. Mas que é amor, é. E eu também chorei nesse filme quando tocou Barry White (HA-HA).
*Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças: Tenho o pôster no meu quarto. Nem destruindo seus neurônios você pode apagar a essência de um amor. Destaque para o cabelo multi-colorido de Kate Winslet (risos).
*Hotel Ruanda: Também não é o tema principal, mas o filme tem algumas cenas bem românticas e de companheirismo intenso que não deixam de chamar a atenção.*Amor e Outras Catástrofes: Esse filme é a prova de que a criatividade é muito mais importante do que a verba. Mostra duas formas de amor, entre casais e entre amigos, de um jeito bastante puro. Admirável.
*American Splendor: Um casal de mal-humorados se completa e se entende. "Na minha situação, eu ficaria com qualquer mulher que me quisesse. Mas eu encontrei meu verdadeiro par".
*Kinsey: O filme mostra o trabalho de Kinsey, que de certa forma é uma liberação sexual, mas ao mesmo tempo, mostra à quem o coração dele pertence. Muito bom.
*Sideways: Em um coração tão grande como o de Miles, o amor, que em outras pessoas pode nunca acontecer, pode ser realidade até mais de uma vez.
*Walk the Line: Para quem achava que tudo não poderia passar da ficção, a vida amorosa do cantor Johnny Cash e sua esposa June são a prova de que o mundo não está perdido. Lindo, uma vida.

*Frida: Outro que não é pura ficção. Dois artistas plásticos, duas pessoas fortes, um grande amor.
*Plata Quemada: Não me importei tanto com o lado cruel dos personagens, sendo que os mesmos sabem amar de uma forma inesperada até para pessoas de "ficha limpa'', imagina para criminosos.

*Meu Primeiro Amor: O único filme de amor entre crianças no qual eu realmente acreditei. Adoro.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Filmes que todo mundo chama de filmes de amor ou romance, mas que aos meus olhos não passam de sexo, paixão ou medo da solidão (nada contra eles, só coloco em outras categorias):
-Titanic (Ai, se o navio não tivesse afundado...)
-Encontros e Desencontros
-Lolita (Já li o livro também, que é formidável, mas tudo não passa de uma grande obsessão)
-Closer
-Meninos Não Choram (Não dá para saber também o que o futuro aguardava, cruel)
-Antes do Amanhecer (pela mesma razão de Encontros e Desencontros)
E os outros 95% dos filmes que estão por aí...
OBS: É impossível fazer parágrafos corretamente nesse blog. A formatação é rebelde, desculpem-me.
sábado, março 11, 2006
Iron Jawed Angels

Nesta semana que está terminando foi comemorado o ''Dia da Mulher''. Como esqueci de fazer qualquer homenagem à nós, seres tão ambíguos e misteriosos, porém fortes; vou dar uma dica de filme para quem ainda duvida que merecemos (há muito tempo) o mesmo espaço dado aos homens em todas as áreas. É ridículo que em pleno ano de 2006 mulheres ainda tenham salários inferiores aos dos homens (prestando os mesmos serviços). É patético o machismo ainda presente em relação às mulheres no trânsito, na política, etc.

Iron Jawed Angels (Anjos Rebeldes) é um filme com um elenco excelente, que mostra a luta e o sofrimento pelos quais muitas mulheres tiveram que passar para que, no futuro, pudessem ter o direito de votar.
O foco está no esforço de mulheres norte-americanas aliadas à ''Associação Nacional das Mulheres Sufragistas''.
Algumas cenas são muito fortes, como as de tortura, e outras de admirável lealdade feminina.
Hilary Swank mostra toda sua força feminista e feminina (para apagar o mito de Meninos Não Choram) e Frances O'Connor está incrível (indico também um filme bem alternativo com ela, de produção muito baixa mas com um roteiro bem interessante, chamado ''Amor e Outras Catástrofes'', com Radha Mitchell também no elenco).
Assistam ao filme e aplaudam as mulheres.
sexta-feira, março 10, 2006
X
Eu gosto do Chico. Por quê?
Sim, o compositor é superestimado...mas, e daí? Ele merece. Conheço pessoas fanáticas pelo mesmo, eu não. Admiro apenas. Não conheço metade da vasta obra (um dia eu consigo).
A voz dele nem é boa. Transforma-se. Ele é daqueles que, em uma música, coloca no mínimo dez acordes, em média. Dos mais complicadinhos. Sobre as letras, comentários são dispensáveis. Sem falar que li um livro dele apenas. Preciso de todos, todos. É literatura de alto nível.
Uma coisa que acho de impacto esmagador na rica personalidade de Chico Buarque é o fato de que ele gosta de carnaval. E é intelectual. Não pseudo. Ele é muito inteligente. Informado e politizado. E tem um amor muito particular pelo carnaval brasileiro. Pela cultura brasileira em geral. Fala várias línguas, não nega curiosidade por outras nações. Mas não troca o Rio de Janeiro por nada (eu também não trocaria). Ótimo para calar a boca de muita gente que diz que só ''o povo ignorante'' gosta de carnaval.
Em análise: Cálice, De Francisco Buarque de Hollanda e Gilberto Gil (voz de Chico e Milton Nascimento)
(refrão)
"Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta
(refrão)
Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado Esse silêncio todo me atordoa Atordoado eu permaneço atento Na arquibancada pra a qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa
(refrão)
De muito gorda a porca já não anda De muito usada a faca já não corta Como é difícil, pai, abrir a porta Essa palavra presa na garganta Esse pileque homérico no mundo De que adianta ter boa vontade Mesmo calado o peito, resta a cuca Dos bêbados do centro da cidade
(refrão)
Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguem me esqueça."
Entrando no lado extremamente politizado de Chico, lembro aqui que ele foi censurado muitas vezes durante a Ditadura Militar(1964-1984), pois em suas letras fazia críticas em forma de mensagens subliminares ao regime. Participou ativamente da lutra contra a ditadura.
Uma curiosidade: " Em 1973, a música Cálice, feita em parceria com Gilberto Gil, é proibida pela própria Phonogram. Com medo de represálias, a gravadora desliga os microfones do palco e impede Chico e Gil até mesmo de tocarem a melodia da música." (http://www.paralerepensar.com.br/chicobuarque.htm)Em 1978 chegou a ser detido para prestar depoimento sobre sua participação na Passeata dos Cem Mil e sobre as cenas subversivas em ''Roda Viva''.
E ainda chamam Roberto Carlos de rei. Roberto e a Jovem Guarda tocavam músicas que eram pura cópia do rock inglês (em versões pioradas) e tinham letras alienadas e comportadas (politicamente falando). Enquanto isso Chico (Caetano & CIA) tentava, de alguma forma, abrir a cabeça do público. Questionar. Quem será o verdadeiro rei do Brasil?
Nota1: Para quem não percebeu, Cálice = Cale-se. E Chico é ateu, por isso, resta saber o que ele quis dizer com ''Pai''. Além da óbvia relação com a citação do Cálice Sagrado, da Bíblia.
Nota2: Eu não odeio o Roberto Carlos, é preciso respeitá-lo pela carreira que construiu, claro. Só acho que outra pessoa merecia a coroa.
quarta-feira, março 08, 2006
Sentidos: Visão
Frida Kahlo...

''Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de Almodóvar
cores de Frida Kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus''
(trecho de "Esquadros", Adriana Calcanhoto)
Eu pouco valorizo hoje minha arte inicial. Aquela que brotava da alma, que eu conseguia criar e apreciar sem o intermédio de outros. Minha arte de criança.
A arte plástica é a mais despretenciosa entre todas as artes. Eu acho isso e sempre irei achar. Nada como a obra original. Diferente do cinema, por exemplo. Diferente da música. Estas são feitas para multidões (cópias e cópias e cópias, e sempre a mesma coisa).
Pinturas e desenhos têm um ciclo de vida. Nascem, reproduzem cópias e morrem. Têm vida longa, mas morrem. Pelo esquecimento ou pela podridão do quadro. Quando são retocados e restaurados já não são mais originais. Não para mim.
Não só eu ando desvalorizando as artes plásticas. Que pintores, escultores, desenhistas e arquitetos contemporâneos conhecemos? Pouquíssimos. Vivemos do passado. Precisamos conhecer os talentos do nosso tempo. Compramos quadros? Não. São caros? Sim, mas o que não sai caro no final do ano para admiradores da arte e da cultura?
Cores e sons são sinônimos de prazer.
Alguns artistas que merecem ser lembrados:
Munch e seus gestos de desespero típicos. Expressionismo puro em ''Ashes''

Matisse, cores puras, sem misturas. Essa forte coloração tem semelhanças com a obra de Frida Kahlo. Suavizar para quê? Incrível característica do Fauvismo.


''Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de Almodóvar
cores de Frida Kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus''
(trecho de "Esquadros", Adriana Calcanhoto)
Eu pouco valorizo hoje minha arte inicial. Aquela que brotava da alma, que eu conseguia criar e apreciar sem o intermédio de outros. Minha arte de criança.
A arte plástica é a mais despretenciosa entre todas as artes. Eu acho isso e sempre irei achar. Nada como a obra original. Diferente do cinema, por exemplo. Diferente da música. Estas são feitas para multidões (cópias e cópias e cópias, e sempre a mesma coisa).
Pinturas e desenhos têm um ciclo de vida. Nascem, reproduzem cópias e morrem. Têm vida longa, mas morrem. Pelo esquecimento ou pela podridão do quadro. Quando são retocados e restaurados já não são mais originais. Não para mim.
Não só eu ando desvalorizando as artes plásticas. Que pintores, escultores, desenhistas e arquitetos contemporâneos conhecemos? Pouquíssimos. Vivemos do passado. Precisamos conhecer os talentos do nosso tempo. Compramos quadros? Não. São caros? Sim, mas o que não sai caro no final do ano para admiradores da arte e da cultura?
Cores e sons são sinônimos de prazer.
Alguns artistas que merecem ser lembrados:
Munch e seus gestos de desespero típicos. Expressionismo puro em ''Ashes''
Matisse, cores puras, sem misturas. Essa forte coloração tem semelhanças com a obra de Frida Kahlo. Suavizar para quê? Incrível característica do Fauvismo.
segunda-feira, março 06, 2006
Love Steals Us From Loneliness

"Idlewild" é uma banda de rock n'roll (simples e puro, como é o bom rock) que a crítica costuma elevar pelo instrumental cru e bem arranjado. Sobre as letras, ela costuma ficar em cima do muro, pois a maioria trata de temas que podem ser considerados ''adolescentes''. Sonhos, relacionamentos, angústias. Discordo dos críticos. A verdade é que eles fazem um bom trabalho de composição, pois falam das coisas que todos sempre sentimos usando palavras menos usuais. São criativos e às vezes chatos, pois em músicas como ''What am I going to do?'' são repetitivos propositalmente.
''Love Steals From Loneliness'' continua sendo minha favorita da banda, desde que comecei a escutar Idlewild. A música deve passar despercebida por muitos, porém fala de coisas tão íntimas e simples, e ela tocou num ponto que me pertuba.
Analisando: Love Steals Us From Loneliness
Every step takes a beat of your heart
Through a city that's falling apart
On a night that rises and clears
In a sky that's clouded by years
My anger is a form of madness
So I'd rather have hope than sadness
And you said something
You said something stupid like
Love steals us from loneliness
Happy birthday
Are you lonely yet?
I misplaced your face in the shape of a smile
On a night that could never surprise me
Don't tell me you're afraid of the past
It's only the future that didn't last
You're kidding yourself, kidding yourself
lfYou're going nowhere and you're going there fast
And you said something
You said something stupid like
Love steals us from loneliness
Happy birthday
Are you lonely yet?
You said something
You said something stupid like
Love won't shield us from loneliness
Happy birthday
You said something
You said something stupid like
Love steal us from loneliness
Happy birthday
Are you lonely yet?Are you lonely yet?Are you lonely yet?Are you lonely yet?
A solidão que sinto não é originada da falta de pessoas ao meu redor. Talvez o deslocamento que tantos sentem seja de espécie. O inanimado pode parecer tentador.
Pessoas, pessoas, pessoas. Se há no mundo mais ratos (no subterrâneo) do que pessoas (na superfície) eu não quero e nem posso imaginar quão solitários os ratos se sentem.
Pessoas são sempre iguais, para quê mais?
O tempo inteiro só vejo gente. Só aprecio gente. Só escuto a filosofia de gente. Não falo a língua de tantos outros...tantas possibilidades anuladas.
Comunicar-me com plantas ainda é aconchegante. Qualquer coisa inventada.
Existem as excessões, como sempre. Aquela pessoa que conheço há séculos não me permite a solidão. Minha mãe e aquele amigo também não. Assim por diante. Eu os amo.
O certo seria ''Love doesn't steal us from loneliness''. O contrário é realmente estúpido.
O que me falta não são pessoas. É algo que talvez nem exista ou que ainda está para ser inventado. O que me falta é a sensação de ser abelha, de ser capim pisado e comido. De ser um acorde sustenido, que se dissimula ao ar.
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