terça-feira, abril 20, 2010

Umas notícias e um poema

Tenho tanta coisa a dizer. Estou bem, feliz. Comigo mesma eu estou sempre bem. Porque estou sempre tentando acertar, sempre dando o melhor de mim. Consciência limpa! Às vezes sinto falta de uma pessoa em especial, às vezes queria voar (literalmente!), entrar no mundo de Nárnia. Mas consigo lidar com o mundo real. Estou trabalhando e estou muito, muito feliz com esse estágio. Tem uma utilidade pública incrivel, e isso me faz trabalhar com mais vontade, acordar cedinho sem reclamar. Porque pra mim, trabalhar apenas por dinheiro nunca foi suficiente. Preciso sempre enxergar algo social naquilo, uma ajuda, uma utilidade pública. E trabalhar com assessoria muitas vezes é trabalhar com denúncias vindas da população. E isso é o máximo! Eu informo aos órgãos as denúncias e reclamações, em forma de resenha. E também o contrário. Informo à população as notícias dos órgãos. Na Assessoria de Comunicação que trabalho os clientes vão desde órgãos políticos a empresas privadas de utilidade pública e social. Por isso, além da vantagem curricular e da remuneração (mesmo que pouca, por ser estágio), fico satisfeita porque estou fazendo algo que sempre quis: escrever para ajudar.



Mais de mim: o livro de contos, para o qual um conto meu foi selecionado através de concurso, será lançado em Setembro, em Porto Seguro-BA. Talvez eu vá no lançamento. Isso é muito empolgante! Muito mesmo. E gratificante. O livro será de contos curtos e quando escrevi aquele conto de apenas uma lauda nunca imaginei que alguém iria reconhecer "algo a mais" em tão poucas palavras. Foram 100 contos selecionados entre mais de 3 mil inscritos. (Ver capa e projeto aqui http://www.vialiteraria.com/inicial.php?area=curtos2009). Para quem escreve desde os 12 anos de idade, isso é muito bom. Lembro da época do site Templo XV, no qual vários poemas meus foram premiados com selo. Eu era muito nova, uns 17 anos de idade, e ver tantas pessoas bem mais velhas me "premiando" pelo que eu escrevia era emocionante, uma vez eu até chorei (risos). No fundo todo artista quer reconhecimento... Eu nunca fiz arte pensando em dinheiro, mas sempre quis compartilhar, fico muito feliz quando minha arte toca o coração das pessoas.

Mudando de assunto...

Bom, estou muito satisfeita com minhas amizades, acho que mais do que nunca. Tive tantas provas de amizade e lealdade ultimamente, de amor sincero, preocupação genuína. Tantas pessoas me ajudaram, até financeiramente. Agradeço aos céus por conhecer pessoas tão maravilhosas. A maioria das pessoas conhece tanta gente, tem tantos conhecidos mas apenas um amigo... e muitas vezes, nenhum. Não se iludam com colegas de trabalho, colegas de faculdade. As pessoas são, por natureza, interesseiras. E em ambientes de trabalho há muita competição e falsidade. As pessoas são obrigadas a serem simpáticas no começo, até se integrarem a algum grupo. Ninguém pode ficar sozinho numa sala de aula, por exemplo. Existem os trabalhos em grupo. Entendam que não estou dizendo que não pode nascer uma verdadeira amizade nesses ambientes. Até pode. Mas só podemos ter certeza depois de muito tempo. Anos, talvez. As pessoas se aproximam nesses locais por pura questão de instinto de sobrevivência. Só no convívio diário, depois de meses ou anos, nas horas de conflito e estresse, é que se verá a verdadeira face de certas pessoas.  E eu tenho meus colegas de trabalho/faculdade mas sei que são somente colegas. Porém, sou abençoada com amigos verdadeiros que sabem absolutamente tudo da minha vida e eu das deles, nos ajudamos mutuamente. Sabem dos meus segredos mais secretos e me amam mesmo assim.

Quero enfatizar o apoio e amizade constantes do Lucas, da Vanessa Lobo, do Fabio, meu amigo mestre em filosofia e do meu querido Rômulo. Vocês me dão um apoio inacreditável. Há anos. Minha irmã também. Tenho outros amigos verdadeiros (é, sou abençoada! pensando que a maioria mal tem um amigo...e acham que tem vários só porque conhecem muita gente! Tsc.), mas esses, em especial, preciso agradecer por estarem sempre presentes, seja por telefone seja pessoalmente. Eu amo vocês incondicionalmente!


Em breve virei falando das minhas indignações políticas e sociais (como sempre! é cada coisa, viu?).

Era isso. Um flash de notícias sobre minha vida atual. Uns agradecimentos. Umas dicas. E um poema que acabei de escrever.


Nesse dia chuvoso
Amanheci já sem lençóis
Minha agonia na cama
Você entre girassóis

Esse foi meu sonho
Esse é meu sonho
Tão constantemente sonho
Com você a velar meu sono


A gente voando em borboletas
Brincando de descobrir lugares
Os lugares mais profundos
Nos nossos corpos e nos mares


Acordar te protegendo
E com teu peito com calor a fornecer
Não há lugar mais aquecido
Não há ângulo melhor para te ver


Ao teu lado é onde mais queria estar
Vendo o sol entrar em nosso lar
Ouvir tuas piadas e manhas
Teu sorriso bobo... que saudade tamanha!

(Valéria Sotão)

quinta-feira, abril 08, 2010

Crítica à Objetividade (Quando Exagerada)

Quem não lê poesia perde metade dos sentimentos do mundo. (Valéria Sotão)


Andei sendo criticada por "prolixidade". O ser prolixo não chega à lugar algum. Eu posso ser detalhista, extremamente filosófica e por isso posso parecer redundante. Mas quando falamos de sentimentos e de pensamentos nossos sobre comportamentos complexos, temos como ser objetivos? Isso não seria reduzir a complexidade de uma personalidade ou de um sentimento? Sim, seria. Eu sou detalhista, mas não redundante. Aliás, a mesma pessoa que me acusa de ser prolixa se disse repetitiva outro dia. Todos repetimos discursos. Por exemplo, todos dizem para alguém, frequentemente: "Você é muito, muito importante para mim". Ou ainda "Eu te amo". Ou ainda "Eu sou objetiva com as coisas." E no dia seguinte diz "Como as pessoas são hipócritas". Nesse sentido, todos somos redudantes. Dizemos as mesmas coisas todos os dias. O que muda, às vezes, é a forma. Então é hipocrisia criticar os outros por redundância, já que todos fazem de vez em quando.

Sobre a falta de objetividade, sim, não sou objetiva. Não no cotidiano. Quando preciso sintetizar palavras num texto jornalístico, por exemplo, consigo fazer, sem muita dificuldade. Mas minha essência é prosa. Não poesia. Mas consigo escrever poemas quando quero. Minha essência é o amor e não a paixão. Mas consigo me apaixonar. Minha essência é detalhista, observadora, coisa de escritora que reflete sobre tudo e sofre de tanto pensar. Eu penso demais. Mas isso é bom, acaba rendendo bons resultados, às vezes. Toda a minha obra artística, que é longa, é fruto disso. Tenho um romance (prosa/livro extenso) de mais de 150 páginas, que escrevi aos 18 anos, à mão. Tenho vários contos e de poemas eu já perdi a conta. Tenho mais de 50 músicas compostas por mim. Tenho roteiros para filmes. Ideias para teatro. Etc, etc.

O mundo hoje anda muito tecnicista. As escolas priorizam o estudo técnico. E as matérias técnicas, como matemática, física e química. Ninguém ensina na escola a respeitar, a conviver, a amar, a observar, a detalhar, a enxergar. O outro e a si mesmo. As pessoas hoje em dia preferem filmes com efeitos especiais a filmes que contem algo de forma mais profunda. Porque todos tem preguiça de pensar, refletir, sentir. Medo também. E o mundo anda tão robótico e calculista que é compreensível que numa sala de cinema, por exemplo, as pessoas continuem nesse ritmo, nesse ritmo frenético e "prático". Como se tudo devesse algo ao prático, ao objetivo. Existe um culto à rapidez, ao mecânico. As pessoas querem engolir as coisas da forma mais objetiva possível, e esse objetivo não é só não sentir mas às vezes também é não pensar. Parecem uns robozinhos que só engolem tudo sem filtro. É sobre isso que discorre o excelente documentário Koyaanisqatsi, que fala sobre a atual mecanização dos seres humanos (veja o trailer abaixo).
 


Se ser detalhista fosse um problema, se ser "prolixo" no sentido de dizer a mesma coisa de várias formas diferentes, fosse realmente um problema, o que seria de pessoas como Woody Allen, que fala do mesmo assunto na maioria de seus filmes, porém de formas diferentes? Pessoas como Clarice Lispector, que enrola, enrola e é super respeitada e, convenhamos, tudo que ela diz é respeitável e nos faz refletir?! Pessoas como José Saramago, que escreveu um romance chamado "Ensaio sobre a Cegueira", para falar algo que poderia ser dito em dez páginas?! Saramago poderia resumir aquele livro em "A fome, o desespero pela sobrevivência e o ambiente no qual o ser humano está inserido justifica o Naturalismo, acende os instintos mais selvagens e transforma o homem num animal egoísta e mais hipócrita que de costume. O olhar é essencial e está além dos olhos". Eu, Valéria, resumiria aquele livro imenso assim. Mas não, ele preferiu contar uma história. Ele preferiu ser prolixo, complexo, denso, detalhista. Coisa de escritor. Coisa de observador. Coisa de gente que vê pêlo em ovo, alguns diriam. Mas eu diria: gente que vê que um ovo tem várias camadas. Tudo tem camadas e camadas e cada uma delas pode ser explorada por uma ideia diferente. Por um ângulo diferente. Entendam que não ignoro a importância da objetividade. Desde que essa não exclua o ser interior de cada um, a nossa alma, a nossa subjetividade. E se é coisa de gente louca viver usando citações culturais, eu sou muito louca. É natural em mim. Ainda bem.

terça-feira, abril 06, 2010

"O Poder da Validação"

Li este texto (O Poder da Validação) e percebo o quanto é comum ver pessoas que realmente deixam o orgulho falar mais alto. Não admitem que gostam, que precisam dos outros. Ou admitem que sentem nossa falta e no dia seguinte negam...Admitem que sentiram algo um dia, uma sensação, um sentimento... e no outro fingem que aquilo não foi nada. Que foi coisa da nossa cabeça. Que interpretamos como quisemos, sendo que algumas palavras e frases não dão margem para interpretações duplas.
Às vezes as pessoas só valorizam quando perdem... e o pior é quando não há sequer humildade para admitir isso. Para admitir a falta. Para admitir que ninguém é autosuficiente.

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

Pessoas, mudem. Tentem melhorar. Não baitam no peito dizendo "sou assim e não vou mudar, quem quiser que goste de mim assim". Que arrogância é essa? Devemos sempre buscar aperfeiçoamentos. Vivemos em sociedade e devemos sempre tentar nosso melhor para nós mesmos e para os outros.

Eu sempre tento o meu melhor. Eu dou o meu melhor. Em tudo e para todos. Até quando erro é tentando acertar...


O texto, FANTÁSTICO:

Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super-confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho.

Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça que já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator se relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam.

Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança?

Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.

Segurança depende de um processo que chamo de "validação", embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.

Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição.

Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: "Você tem significado para mim". Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: "Gosto de você pelo que você é". Quem cunhou a frase "Por trás de um grande homem existe uma grande mulher" (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar.

Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a nossa própria insegurança, que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o "máximo", que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o "máximo" são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos.

Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se, ou dominar os outros em busca de poder.

Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos.

Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um "valeu, cara, valeu".

Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja.

Stephen Kanitz