sábado, novembro 03, 2007
O Constante
Sinto-me tão só. Nunca deveria ser tão inocente em acreditar em tudo tão cegamente, em perdoar erros repetidos religiosamente... Vou morrer assim, tão boba?
domingo, outubro 07, 2007
Choro: Antítese
quinta-feira, setembro 27, 2007
Os capitalistas têm radar detector de socialistas

Quero contar pra todo mundo o que aconteceu. Eu estava dando tudo de mim, esforçando-me ao máximo nesse emprego, que eu já achava que era meu. Até porque era só uma semana de teste, e uma semana já havia se passado (sexta passada completou-se). Já estávamos na terça e uma funcionária de um cargo um pouco maior, mas que não é gerente me chama para dizer algo importante: Não vai dar para você ficar.
Eu, que já era anti-capitalismo, agora senti na pele e estou mais raivosa ainda, quero dar um chute nesse sistema ridículo, no qual as pessoas só pensam em si mesmas e no qual as empresas não tem a mínima ética ou bom senso nas relações pessoais.
Desde que cheguei na locadora eu notei várias coisas erradas ali dentro. Os funcionários que deveriam ser apenas atendentes e vendedores têm que se virar em mil,têm que limpar o chão, passar pano, vassoura e até lavar o banheiro! Não, isso não é normal. Eu limparia o chão numa boa, desde que isso estivesse incluso no combinado. Eles não dizem nada sobre isso na entrevista. O salário dos funcionários é uma vergonha, um pouco mais de um salário mínimo e eles (donos) recebem cerca de 1.000 reais nas terças e quintas e 1,050 nos outros dias da semana, e acredito que varia de 1,200 a 1,500 nas quartas, sextas e sábados. Esses números multiplique por 3, que é o número de locadoras do mesmo dono. Isso dá mais de 200.000 mil reais!
Mesmo assim, dia de terça e quinta não pagam o segurança para economizar. Um absurdo nos dias de hoje, uma loja sem segurança. Pagam faxineira dois dias na semana apenas, para que nos outros dias os funcionários tenham o trabalho que deveria ser dela.
Ninguém gosta do supervisor e a fofoca rola solta. Ele que me chamou, ele que deveria me demitir. Mas não, nem teve essa dignidade. Mas ainda preciso perguntar para ele o "motivo" da demissão. Sendo que ele já tinha me dado o papel com os documentos necessários para o contrato. Não entendi nada mesmo. Ou entendi.
Passei pelas 3 lojas existentes na cidade, e na segunda loja a gerente um dia me chamou para uma reunião, juntamente com o "M", outro garoto em teste. Ela ficou falando por mais de 1h e eu perguntava coisas o tempo todo, enquanto o "M" ficou calado o tempo inteiro. Isso claramente a assustou. Nesse mesmo dia ela viu que eu falo inglês, idioma que ela (gerente) não fala. Eu notei que a maioria dos funcionários tem pouco "conhecimento", por assim dizer.
Não sou preconceituosa nem me acho melhor que ninguém, mas eu tenho sim mais conhecimento (inclusive sobre cinema) do que a grande maioria dos funcionários dali. Inclusive eu sei mais que a gerente e eu percebi desde esse dia que ela se sentiu ameaçada, sendo que qualquer funcionário pode crescer na empresa. Então ela escolheu o "M" (mas não soube disso logo, me transferiram para o Renascença e me enrolaram mais um pouco).
Eu fiz de tudo ali com o maior gosto, atendia os clientes com simpatia e presteza, aprendi muita coisa em apenas uma semana, arrumava o paredão, indicava filmes, conversava com os clientes, até com as crianças, não tive nenhuma falta nos dias em que abri o caixa, chegava no horário (o único dia em que cheguei 5 minutos atrasada eu liguei antes para avisá-los, como eles ordenaram), quando tinha qualquer dúvida perguntava para os mais "experientes", e o mais importante: tratava o cliente como gente, e não como um meio de ganhar dinheiro. MUITOS clientes me elogiaram e disseram gostar do meu atendimento e de minhas indicações. Até porque, eu quis levar para a locadora algo que eles não tinham: atendentes que viam o cinema como arte. Quando algum cliente chegava e queria um filme de arte, eu sabia o quê indicar, coisa que ninguém mais sabia ali.
Já "M" foi criticado por outros funcionários, pois o mesmo só pensava em vender videocheques para ser elogiado no fim do mês, só gosta de ficar no caixa; não atende bem os clientes, não gosta de ir ao salão indicar filmes, não entende muito de cinema, não entende nada de diretores, só sabe dizer que o filme é "massa" ou "não tem fundo(?)", não sabe falar português direito, usa muitas gírias, não gosta de arrumar filmes... enfim.
Então, qual seria o motivo além de que sou uma ameaça? Parece que estou me auto-afirmando, mas eu realmente não fui a única a pensar assim. Todos concordaram comigo. É a velha lógica capitalista: os porcos burgueses contratam os burros para trabalharem como loucos e sem reclamar, como acontece no clássico "A revolução dos bichos" de George Orwell.
Não querem pessoas eficientes, inteligentes e que entendem de arte, apesar de ser uma empresa que vende arte, mas os próprios nem sabem disso. Fizeram a escolha errada, vão se ferrar. Apesar de demorarem para se tocar, alguns funcionários já estão se cansando de tanta exploração e um dia as coisas vão reverter... "finally the tables are starting to turn", como diz Tracy Chapman.
Ao mesmo tempo que sinto raiva, sinto alívio. Vou poder estudar melhor, estou livre de algo com o qual não concordava, não vou ajudar os porcos capitalistas a ganharem dinheiro; vou poder tirar minha soneca pela tarde e ter mais tempo para a família e os amigos, que é o que realmente importa para mim.
Nunca mais piso naquele mundinho que fede a dinheiro, aquele mundo que para os clientes parece ser uma maravilha, mas que para os funcionários nada mais é que uma necessidade sofrida.
É. Eu realmente não nasci para a burguesia. Nem na peneira deles eu passei.
sexta-feira, setembro 14, 2007
Esquecimentos necessários
Hoje devo conseguir meu primeiro emprego e estou muito feliz por tal conquista. Espero que isso signifique um novo ciclo para a minha vida, uma nova fase. Não estou totalmente recuperada do período negro, mas novas reflexões foram feitas e acho que ajudarão.
Não gosto de ser egoísta, porém às vezes minha auto-estima precisa ser colocada em cima de certas coisas e pessoas que só me fazem mal. Faço tudo ao meu alcance para me dar bem com todos e para criar laços consistentes, mas algumas pessoas estão simplesmente desinteressadas por mim. Se eu não posso fazer parte da vida dessas pessoas, não posso oferecer minha amizade, por que sofrer? Eu fiz minha parte o tempo inteiro. Agora é relaxar e me sentir livre da verdadeira face de certos indivíduos. É ótimo descobrir a verdade, o ruim é descobrir quando você já se sente envolvida emocionalmente. Mas a verdade é sempre o melhor.
Decidi esquecer de certas coisas e pessoas do passado, pessoas que já perdoei (erros imperdoáveis, como diria Chaplin), mas que não acrescentam mais nada para mim e que até me vêem com desdém ou indiferença. Tenho pena de certas posturas, mas resolvi ignorar também, chega de ter lembranças (mesmo que boas) tão longuíqüas de pessoas que não tiveram nenhuma consideração para com os meus sentimentos. Às vezes penso nessas pessoas (não estou falando de uma única, mas várias) e sinto saudades, ou vontade de refazer as amizades e contatos, mas agora sempre que um lapso sequer de memória vier à tona, irei ignorar e apagar tais pensamentos o mais rápido possível. Chega, chega. Preciso me dar o valor necessário. Já perdoei, mas não quero mais ninguém egoísta na minha vida, ninguém com duas faces, ou múltiplas. Não quero hipocrisia, fanáticos religiosos, falsidade, pessoas que só pensam no próprio nariz. Não quero promessas falidas, nem intelectuais frívolos.
E estou muito (melhor) bem, obrigada.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Enquanto ando...
domingo, agosto 12, 2007
Rita Lee, Manic Street Preachers e outros
Andei pensando: eu não gosto de música brasileira em geral. Calma, eu disse em geral. Eu adoro essa música da Rita Lee. Eu adoro a maioria das coisas que a Rita fez, as melodias são incríveis e as letras são boas. Não sei qual o problema. Não sou dona da verdade nem a maior entendida de música do pedaço. É só que eu acho a MPB muito fraca, mas isso não significa nada, sério, é só uma opinião e pronto. E ao mesmo tempo, pra mim é a verdade, é o que eu acho e ninguém vai mudar isso. Hum, talvez eu mesma mude de opinião futuramente, não sei.
Desde que comecei a escutar rock inglês em 2002 eu não achei nada melhor. É verdade que de 2000 pra cá o rock inglês vem ganhando uma popularidade chata porque vem se tornando algo modelado e rotulado, a maioria das bandas com aquele sonzinho do tipo Franz Ferdinand ou The Strokes (apesar de esta ser americana). Essas duas bandas são ótimas, claro que com influências dos anos 80, porém são originais em alguns aspectos e iniciaram uma onda de outras bandas idênticas que as imitam. Um saco. Mas cada música, em si, acaba saindo diferente mesmo dentro dos plágios, principalmente hoje em dia com tantos efeitos de pedal, de teclado e outros. Com a própria globalização da música, o rock e tudo mais absorvem coisitas que fazem o diferencial de uma banda para outra, como por exemplo a "Elefant". Você escuta e pensa "mais uma igual, com a voz estoilo Ian Curtis", parece com Editors e parece com The Killers. Mas Elefant é bom pra caramba. Quando eu escutei o segundo álbum dos caras eu vi a maturidade e os milagres que fazem uma banda plágio se tornar original, o milagre que uma simples subida de voz pode fazer, ou um solo diferenciado. É incrível como o rock alternativo é alternativo exatamente por isso, nem as tendências fazem a banda se tornar totalmente medíocre, não é como o heavy metal no qual os integrantes tem que usar calça colada, cabelo comprido, cantar em tons agudos e competir para ver que banda tem o guitarrista com os dedos mais rápidos. O rock alternativo chama-se assim porque é uma alternativa. Você usa os instrumentos básicos de uma banda de rock e faz o que quiser ali. É tão bom exatamente por isso.(Nossa, o solo de guitarra de "Ovelha Negra" é um dos meus preferidos de todos os tempos).
No Brasil, como todos sabem, eu gosto muito do Caetano Veloso. É o meu preferido. Chico Buarque eu acho chato porque ele é metódico, meio matemático e blá blá blá. Eu escuto Caetano e vejo aquela naturalidade que me agrada. Ele faz o que der na cabeça; fez uma versão tropicália de "Stardust" do Frank Sinatra e ficou uma coisa linda, melhor que a original. Eu gosto de criatividade. Não gosto da falta de gingado de alguns artistas brasileiros: tem que ter batuque, tem que ter fervor, a música tem que ferver nas veias.
Eu gosto do Chico César. É muito criativo, é fora dos padrões, é swingado, é bom. Engraçado, mas eu acho o rock uma música cheia de alegria, de energia, talvez por isso eu goste da música nordestina, é energética também, viva, como o samba. Eu não gosto de bossa nova porque é uma coisa meio morta. Gosto de frevo, bumba-meu-boi, forró pé-de-serra. Artistas que sabem a hora de chorar e a hora de rir. Que fazem todo tipo de performance. A dança, o movimento, também é algo que me fascina.
Eu ando pensando em uma nova fórmula para compor, quero algo novo e depois que escutei Manic Street Preachers eu vi que eu sou péssima, eles são a melhor coisa que eu ouvi na vida, principalmente em termos de letras. Que letras! Gosto muito de algumas letras que fiz, e de algumas melodias, mas ainda acho muito pobre. Eu não deveria me comparar à essas bandas incríveis e ao Caetano por exemplo, porque eu talvez nunca chegue a ser tão boa como eles. Tenho uma música que até lembra Caetano, eu notei um dia desses, e compus antes mesmo de começar a escutá-lo. É isso, preciso de nova fórmula.
A Rita Lee é outra. Ela faz algo parecido com rock n'roll, mas não é rock, é algo bem brasileiro até, eu acho. Ela escreve tão bem e é difícil escrever em português, letras de músicas. Ela é filha da música experimental e chata dos Mutantes, da maravilha tropicalista e do melhor rock n'roll possível. Ela gosta de Ramones, cara. Já viu coisa mais simples? Por outro lado gosta dos Beatles. E quem não gosta? "Mas Beatles também é simples". Oh, escute o trabalho pós 65.Graças à Deus, eu já fui à um show da Rita, inesquecível, já fui ao do Caetano e também ao do João Bosco, duas vezes. Este é outro que eu adoro, é original até na boina, faz aqueles solfejos com a voz cantando "lalala's" que ninguém entende, mas que todo mundo adora.
O que eu acho é que rótulos são podres, são consequência da falta de criatividade de artistas que se vendem, e outra... os artistas brasileiros precisam sair dessa de barzinho, onde ninguém os escuta direito, e partir para algo maior e mais vivo. Vamos gritar, dançar; não precisa ser rock, pode ser um Jorge Ben da vida, pode ser Tim Maia com seu chocolate, pode ser Cazuza (que como eu amava música boa, independente de rótulos, samba, rock, não importa)...o importante é nos expressarmos com toda a força e beleza que há na música e sair desse troço boêmio-fumante-intelectual, experimentando outras maravilhas que a música tem para oferecer.
terça-feira, junho 12, 2007
segunda-feira, junho 04, 2007
Tecnologia Deprimente

*Tecnologia Deprimente*
Para completar a finalidade destas minhas palavras, terminarei com frases do filme "Sonhos", de Akira Kurosawa, já postadas neste blog anteriormente:
"-E a iluminação?-Temos vela e óleo de linhaça.-Mas a noite é tão escura!-Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite."
"-Hoje em dia as pessoas esquecem que elas são só uma parte da natureza. Destróem a natureza, da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza.Eles só criam coisas que acabam deixando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se de suas invenções. E o que é pior, a maioria das pessoas também. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas."
quarta-feira, maio 30, 2007
Como é bom...
Ando cansada de implorar coisas.
Água e Pão (Bahia)
Maria Bethânia
Composição: Pedro Guerra/versão: Nelson Motta
Como o sol no fim do dia
Quando o mar bebe o seu fogo
Entre as ilhas e a Bahia
Como um rio, como fonte
Como um belo horizonte
Como porto, como o mar
Como o ar da madrugada
Como as pedras da calçada
Como o vento e a maresia
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui
Como o dia que amanhece
Com a luz criando espaços
Entre a sombra e a escuridão
Entre formas que se movem
Entre lábios que se beijam
Entre corpos que se dão
Como as flores nas varandas
E o perfume de jasmim
Acordando a cidade
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui
terça-feira, maio 29, 2007
Palavras
Estou muito triste. As pessoas sempre se protegendo de coisas inexistentes.
Histeria. Fofoca. Histeria. Fofoca. Genocídio...
sábado, maio 26, 2007
Segundo a Last.fm...
Eu adoro conhecer novas bandas, artistas e nisso a Lastfm ajuda bastante. Basicamente, você cria um perfil e tudo o que você escuta fica registrado na sua página. Pra que serve isso? É divertido. Você pode adicionar amigos e cerca de 50 "vizinhos" aparecem automaticamente no seu perfil, sempre de afinidades musicais com você. Você não precisa adicionar nenhum deles como amigo, mas pode, se quiser.
Tudo o que você escuta aparece com dados, como a arte da capa do álbum (acho isso muito bom). Você clica no nome do artista e aparece uma biografia (normalmente em inglês), discografia, número de ouvintes por semana e músicas mais escutadas nos últimos dias... daquele artista. Também existe uma seção de fotos para cada banda, cantor... E você pode postar eventos e ficar sabendo dos próximos shows dos músicos que você gosta.
Além de tudo, também existem as comunidades, como no orkut, mas a diferença é que a grande maioria é musical. De quebra, algumas mp3 são grátis e você pode recomendar tal artista para os amigos com um clique.
O site pode ser visto em inglês, português, espanhol ou a língua que o usuário desejar.
São mostradas as últimas faixas ouvidas, os artistas mais ouvidos da semana por você, os artistas mais ouvidos de todos os tempos por você (desde o cadastro) e as faixas mais ouvidas de todos os tempos.
Segundo a last.fm meus artistas/bandas mais escutados são:
Meu endereço na last.fm é http://www.lastfm.pt/user/valeriaguitar/
sexta-feira, maio 04, 2007
Chaplin, Deus, eu...

sexta-feira, abril 27, 2007
Caetano, CÊ

terça-feira, abril 17, 2007
Seres Sensíveis
Às vezes sinto muito por um problema de alguém que eu nem conheço e outras vezes não sinto nada. Mais importante que sentir é ter consciência, racionalidade. Como eu já disse aqui antes, ter consciência de que o outro existe, sente, pulsa, é o mais importante. Ter consciência de que aquele problema é enorme, mesmo que não seja diretamente seu. Sensibilizar e sensibilizar-se é preciso. Não por motivos religiosos, pessoais, ou para sentir-me uma pessoa melhor. É simplesmente um dever, algo que precisa ser resgatado, algo que sim, faz parte de nós, mas estamos horrivelmente embrutecidos pelo mundo em que estamos inseridos.
Quanto mais egocêntrica uma pessoa é, menos eu sinto por ela. É preciso haver uma rede mundial de sensibilidade, com todos sendo humanos e só assim haverá amor de verdade.
Quanto mais simples a pessoa, mais eu vejo sentimentos e sangue ali dentro, mais nítido fica para mim seu coração. Quanto mais robótica, cibernética, gananciosa e insensível é a pessoa, menos eu gosto e menos eu me importo com ela. É como se ela nem existisse para mim (não que minha visão seja o centro das coisas). Porque onde não há sensibilidade não há vida. E mesmo assim eu sempre faço um esforçozinho para sentir o outro, mesmo quando a tarefa não é espontânea, e sim pensada... no fundo sempre há um coração, mesmo que bem escondido. Sim, há.
domingo, abril 08, 2007
Coração de Aprendiz
Alguém, ao ver minhas comunidades do orkut, poderia até perguntar porquê estou em duas comunidades tão contraditórias:
1-Eu adoro aprender
2-Eu não mato a aula, ela é que me mata.
Eu amo aprender, minha cabeça é pensante por natureza, tenho curiosidade sobre muita coisa (nunca sobre tudo - tudo é demais, e tudo inclui lixo demasiado). Mas eu não gosto de estudar.
O problema é que eu discordo do sistema educacional brasileiro, radicalmente. Esse sistema baseado em decorar letras, depois decorar gramática e tabuada, assimilar teorias de todo tipo de gente como se fosse verdade absoluta e nem sequer discutir tais teorias, assim como assimilar a história do Brasil como uma história de heróis burgueses, quando os verdadeiros heróis ficam esquecidos... Esse sistema é ridículo.
Nas aulas deveríamos, desde pequenos, falar quando quiséssemos, respeitando o professor claro, mas interferir sempre que possível, com um feed back constante, um misto de opiniões, pois na verdade, caros amigos, até a ciência muitas vezes é baseada em opiniões e nada é muito certo no mundo. Odeio "aquela velha opinião formada sobre tudo", odeio verdades absolutas, odeio toda generalização! Essa incoerência com a verdade com a qual esbarramos frequentemente nos livros de todos os tipos e no discurso de tantos professores. E os estudantes deveriam abrir a boca só quando tivessem vontade também, nada de tremedeiras na frente da turma.
O ato de ler deveria ser muito mais incentivado, mas não com aquelas leituras obrigatórias de ensino fundamental e para o vestibular, e sim com liberdade total para que os jovens lessem o que quisessem e discutissem literatura com vontade. Literatura política deveria ser mais incentivada, Marx, Guevara... Idéias opostas ao capitalismo em que vivemos, não para formar revolucionários sem causa, mas para que essa idéia de que capitalismo é o fim de tudo cessasse e para que as pessoas pudessem ver de vários ângulos o que poderia ser a vida.
Xadrez, esportes em geral deveriam ser uma opção concreta para quem não quisesse aprender matemática ou geografia em sala de aula. A arte deveria estar em todo corredor das escolas, acordes deveriam ressoar pela praça de alimentação, jovens deveriam ficar na grama olhando para o céu e apreciando a natureza.
Enfim, liberdade plena. "This is my utopia", como diz Alanis Morissette.
Eu odiava ir para a escola, principalmente no Ensino Médio. Fui uma garota-problema, mas não me orgulho disso. Eu queria ter tido mais amigos, mais histórias para contar sobre a escola. Porém o reflexo óbvio da falta de sensibilidade (esta que a escola deveria cultivar no aluno) dos meus colegas de classe me deixavam excluída, porque eu era diferente e eles não toleram o diferente. Isso a escola deveria fazer: ensinar a tolerância e o amor ao próximo. Coisa que poucas instituições fazem.
O vestibular é um método eficaz, porém não estou certa sobre se ele é justo ou não. Estudamos como cavalos durante as madrugadas e perdemos parte da nossa juventude para decorar formas de física que daqui a um ano esqueceremos. É fato. Fazem de nós robôs ambulantes quando deveríamos estar na praia tomando água de coco. Não defendo a vagabundagem, não é isso. Mas a imposição, a pressão, é sempre algo injusto. Fora as gritantes diferenças sociais. Imagine um cara de dezoito anos, de intelectualidade média, que gosta de ler Machado de Assis mas odeia química e não tem grana nem para comprar "Memórias Póstumas de Brás Cubas", seu livro preferido (ele pegou da biblioteca). O dinheiro acumulado em meses vai servir para comprar um livro de química e não um livro do Machado. De qualquer forma, esse caso não é nada perto dos que morrem de vontade de fazer um cursinho pré-vestibular mas não tem dinheiro para isso, e apesar dos esforços, acabam não passando no vestibular pois não receberam as mesmas dicas dos que fizeram cursinho.
Quando entrei na faculdade de Licenciatura em Música pela Estadual eu me decepcionei muito com o sistema. Entrei na de Fisioterapia numa particular e a decepção foi pior ainda. É tudo tão chato, entediante. Tenho provas essa semana e não tive coragem de estudar nada ainda. Sim, é falta de disciplina, eu admiro muito meus colegas que estão se matando de estudar agora, mas será que isso vai mudar muita coisa no final? Essa absorção de conteúdos enormes em poucos dias é eficaz? O problema do ensino no Brasil é ficar na entediante teoria. É tudo muito teórico e perdemos muito tempo com papo furado. Um pouco de teoria é fundamental, porém muita coisa se aprende bem melhor vendo na prática, pegando na massa. Eu não sei nada de fisioterapia realmente, ainda.
Por que não podemos ser como os gregos, que faziam poesia em praça pública e discutiam política em fórum aberto a todos? Assim, com diálogo, a coisa fica muito melhor.
Eu gosto de aprender, sim. Adoro. Mas aprender com a vida, vendo como tal animal se comporta (sem precisar medir sua pressão osmótica), como cozinhar um peixe com batatas, como aprender a fazer pipa com meninos brincando na rua, conversando com uma senhora de 70 anos e perguntando como era a moda nos anos 50, conversando com todos os mais velhos, sentindo o cheiro da rosa e percebendo como a vida pode ser bonita. Esses sim, são aprendizados úteis e que mexem com a sensibilidade, coisa que a escola, extremamente técnica, não ensina a ninguém.
Marisa Monte disse:
"Por isso eu pergunto à você no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria.
O mundo é uma escola, a vida é um circo...
Amor: palavra que liberta. Já dizia o profeta"
Eu fico com a sabedoria.
domingo, abril 01, 2007
Cheeseburger Exótico

diz-se dos animais ou plantas que não são naturais dos climas para onde foram transportados;
que não é indígena;
estrangeiro;
extravagante, esquisito;
estranho;
singular;
sábado, março 24, 2007
GOD SAVE THE PUMPKINS

Eu estava tendo uma conversa com a Carol e percebi que realmente adoro listar as coisas! Não é que eu goste de hierarquias, sou totalmente contra isso no plano social, mas como arte é questão de gosto, não vejo problema nenhum nisso, afinal é apenas uma opinião minha.
Estávamos falando nos Smashing Pumpkins e em como, quase que pateticamente, nenhuma banda consegue, ao nosso ver, ao menos empatar com a antiga banda de Billy Corgan. Nenhuma! E surgem milhares de bandas todos os anos...
Não é uma questão de cegueira de fã, é questão de analisar e simplesmente notar.
Terá Billy Corgan uma fórmula especial para pôr letras tão lindas em cima de riffs e solos perfeitamente originais? Ou será apenas a química perfeita entre um grande compositor sensível, um guitarrista bastante técnico da mão pequena, uma grande baixista quase-albina estranha e um baterista tímido, mas que bate forte e eficientemente? Estamos longe da resposta.
Smashing Pumpkins no topo. Vejamos quais as outras bandas que fazem meu coração surtar. Na ordem que vier na cabeça, e esse deve ser o meu gosto mesmo.
Placebo, a única grande banda à qual eu já tive o privilégio de assistir ao vivo. Brasília, Abril de 2005. Eu fui a primeira a ver Brian Molko, vestido de branco, alegre e fumando. Por uma fresta eu o vi, o maior compositor de rock inglês de todos os tempos (que responsabilidade dizer isso)! Eu não gosto de rock n'roll simplesmente. Eu gosto de rock alternativo, pois o rock "normal" atual é uma merda. O rock n'roll mesmo, aquele dos anos 60, era bom, até o que tocava nas rádios. E eu não consigo pensar em nada melhor que Placebo nos dias atuais (a Smashing Pumpkins já acabou).
Brian Molko é um homenzinho baixo (como eu - os baixos não são tão piores assim), gay, muito gay, tem uma voz estranha porém afinadíssima, capaz de cantar em vários timbres, tons e gemidos perfeitos (nada exagerado). O cara escreve sobre qualquer coisa de forma poética e criativa. Ele fala de amor, de família, de amigos, de sensações, de sexo, de política, de nostalgia, de tudo! - sem perder a linha.
Agora Kings Of Convenience veio à minha cabeça. Mas eles são uma dupla e tocam apenas violão. Então não vale, estou falando de bandas, especialmente bandas de rock ou na qual haja ao menos um guitarrista, um baixista e um baterista (Se fosse no geral viriam os Kings).
Beatles. O motivo é muito óbvio. Eles não necessitam de comentários, necessitam? Só digo uma coisa: odiava Beatles quando criança.
Radiohead. Thom Yorke é um gênio e acho que isso basta.
Manic Street Preachers. Em pouquíssimo tempo os caras viraram meus ídolos. Como disse o Nivandro, eles falam de política "sem serem panfletários" e também sem serem agressivos; suas músicas são realmente harmônicas, bem sentimentais, bem profundas. A voz do James é especial, os refrões são sempre bastante empolgantes.
Sixpence None The Richer... não é rock, mas é uma banda completa, então vale. Como definir Sixpence? Já escrevi um post inteiro só sobre eles, quem quiser ler procure há uns cinco meses atrás neste mesmo blog. É puro sentimento, só.
Magic Numbers. Os gordinhos fazem um som folk muito técnico, perfeito, lindo. Os vocais e backvocals são perfeitamente encaixados... É ótimo ouvir MN, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada...
Belle & Sebastian. Ah, eu não gosto de tudo que eles fazem, mas é uma das melhores bandas da Europa da atualidade, apesar de dar sono às vezes. Tenho vontade de bater em quem fala mal de B&S. É a música mais fofa do mundo.
I Love You But I've Chosen Darkness. QUE BANDA É ESSA!!!!!!! Eu nem sei como falar deles, é uma banda nova mas que com um único álbum já conseguiu entrar para todo o sempre na minha lista de melhores.
Cake. Cake é muito, muito alternativo, apesar de não usar elementos eletrônicos (pelo contrário, a marca da banda são os solos de trompete). É muito bom, principalmente musicalmente (apesar de as letras também não ficarem para trás).
Camera Obscura. A voz da vocalista é irresistível.
Editors. Admito que acho o vocalista muito sexy (eu DIFICILMENTE olho um artista por esse lado), mas o acho muito mais pelo seu lado fofo, com cara de artista competente, sério, do que por qualquer outro fator. Ele é lindo, mas as músicas de sua banda são mais lindas ainda.
JJ72. Eu fico imaginando que tipo de influências essa banda pode ter. Eles tocam diferente, o vocalista canta diferente, eles, fisicamente, são diferentes (estranhos), a sensação que a música deles causa é diferente... enfim, diferente de tudo! Escutem e comprovem.
Keane. Melancolia necessária e tristeza sincera costuradas em belos arranjos de piano e voz.
Outras bandas que eu, analisando tudo (a parte métrica da letra, a mensagem, a parte musical em si, incluindo, até certo ponto - também a técnica) admiro e adoro:
-Idlewild
-Los Hermanos
-Parafusa
-Secos e Molhados
-Broken Social Scene
-Cooper Temple Clause (essa eu descobri agora praticamente)
-Pato Fu
-Flaming Lips
-Arcade Fire (menção especial)
-The Smiths
-Coldplay
-Travis
-Cranberries
-Killers
-U2
-R.E.M
-The Strokes
-Queen
-The Artict Monkeys
...
-Pink Floyd (mais por admiração do que por adoração)
-Paralamas do Sucesso (idem)
-Pixies (idem)
-White Stripes (idem)
-Oasis (idem)
-Gram (idem)
...
-Led Zeppelin
-Mutantes (não curto, mas os caras deram passos enormes no experimentalismo e isso é admirável)
PIORES BANDAS:
Eu não vou perder meu tempo aqui dizendo que Charlie Brown Jr e CPM 22 são bandas horríveis, assim como essas bandinhas da moda, as EMO, do tipo Simple Plan e afins.
O que vou listar são as bandas que tentam ser cult e fingem ser boas e intelectuais quando na verdade não passam de marketing, aparência, chatice ou barulho:
-Yeah Yeah Yeahs (Aghhhhhhhhhhhh! Banda super cultuada pela crítica, metida a chique... uma grande m...)
-Kaiser Chiefs (Todas as músicas são iguais)
-The Rasmus
-Linkin Park
-Korn
-Guns N' Roses (medíocre e brega)
-Todas as bandas de trash, death e não sei mais o que "metal"
-Evanescence
-Scorpions (nunca vi nada mais brega e deprimente)
...
-E as obviamente péssimas: bandas estilo Good Charlotte (mas essas pelo menos não se metem tanto a música)
quinta-feira, março 15, 2007
Rude Sou
1- Este é o meu 110º post!
2- Esta é a versão completa do texto do meu perfil do orkut.
Sou má, desonesta, rude, ríspida, amarga, apática, indiferente. Tendo consciência de tantos defeitos e exagerando alguns outros, só assim posso realmente crescer. Mas há um detalhe: não quero perceber, não quero notar. O crescimento consciente é tão perigoso quanto a mediocridade. Há diferenças gritantes entre ser mais e ser mais evoluído. Não quero que ninguém seja meu espelho diante de minhas próprias análises... e, sendo confusa, talvez nenhum filósofo reflita sobre o que os outros também não pensem, apenas o fazem de forma mais crítica e organizada.
Faço o meu dever de forma racional e até fria, nem sempre o sentimento está presente na caridade. Não creio que se "pôr no lugar do outro" é a única maneira de sentir o próximo, basta lembrar que naquelas veias corre sangue e que naquele peito bate um coração. Não preciso imaginar cenas com o meu eu, sempre eu, por quê? Isso é tão egoísta e ninguém percebe. Os nossos olhos são tão limitados, enxerguemos mais profundamente!
Sou letal, tu és, somos. Somos envenenados diariamente e corremos múltiplos riscos em dimensões invisíveis, a dimensão do caráter, por exemplo. Só me protegendo posso ser tudo o que quero e só me colocando no meu devido lugar (o de um animal podre - como todo o resto), é que posso ser finalmente humana: faço nada mais que minha obrigação e qualquer ato maravilhoso nada mais é do que o que deveria ser banal, básico.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Música: o melhor de 2006

Vamos lá para as melhores coisas do meio musical que me aconteceram no ano de 2006... Atrasei, mas aqui estão:
-Magic Numbers (Escutei bastante no primeiro semestre, quando ainda fazia faculdade de Licenciatura em Música. A banda é simplesmente rica melodicamente e quem discorda disso definitivamente precisa escutá-los novamente. Também adoro os vocais.)
-Camera Obscura (Já esta banda maravilhosa da Escócia marcou muito o meu segundo semestre. Lembra bastante Belle & Sebastian, mas tem bastantes peculiaridades).
-Interpol (Marcou bastante minha festinha de aniversário)
-Massive Attack (Já existe há bastante tempo, mas só comecei a escutar e amar em 2006)
-Editors (Adoro! Excelente banda!)
-I Love You But I've Chosen Darkness (Bem experimental, musicalmente rica, letras interessantes... Amo!)
-Jeff Buckley (Uma porrada de emoções. Jeff, que morreu bem jovem, entendia muito de música)
-Kings Of Convenience (Músicas complexas, inteligentíssimas, com arranjos refinados que lembram a bossa nova brasileira. Duo de primeira qualidade!)
-Leonard Cohen (Gênio)
-Parafusa (Banda brasileira que mistura rock, samba, e outras coisitas mais)
-Secos e Molhados (Extinto grupo musical liderado por Ney Matogrosso. Fez muito sucesso na década de 70, os caras pintavam o rosto e tal... inclusive inspiraram o Kiss na maquiagem)
-The Flaming Lips (Gosto dos álbuns mais recentes, no começo a banda era trash demais... Porém depois evoluiu surpreendentemente!)
-Tristeza (Banda de música instrumental. Divina)
-Tracy Chapman (A melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos)
...
E agora, no começo de 2007, estou ouvindo bastante MANIC STREET PREACHERS. É uma banda que faltava na minha vida. Já conhecia algumas coisas, mas agora me aprofundei na obra deles. Além da sonoridade incrível, percorrendo uma linha entre o suave e o profundo (músicas lentas e outras mais pesadas... mas tudo perfeitamente harmônico), os Manics são conhecidos por inovarem a cada álbum, nunca ficando na mesmice. Preciso baixar alguns álbuns ainda, mas indico para quem quer ouvir letras realmente interessantes, inteligentes e melodias deliciosas.
domingo, janeiro 28, 2007
Sobre o que realmente importa

O mundo está morrendo e, bem... ninguém pensa nisto, mas todos estarão em seu enterro.
Nas últimas semanas uma espécie de histeria coletiva vem tomando conta dos noticiários de todo o mundo, da população e... até de Bush! É incrível como algumas imagens e palavras podem mudar a mentalidade das pessoas, o medo toma conta, mas será o medo do fim do mundo ou o medo dos Democratas, no caso de W. Bush?
Neste sentido (o sentido "sabemos mas não agimos") somos todo de extrema direita.
Hoje senti vontade de chorar ao ver que os corais australianos estão perdendo as cores, estão esbranquiçando, graças à ação do homem, à acidez da água, nada natural.
Lembro-me que quando tinha 14 anos de idade li um artigo em um livro de Geografia que me fez ter consciência dos problemas ambientais desde cedo. Chega à um ponto que cansa. Cansa falar e não ter poder suficiente para dar um basta em certas coisas.
Hoje uma tia minha disse que isso tudo é "o preço do progresso". Perguntei-me a que progresso ela se referia. Computadores, robôs, bonecas que falam, celulares que filmam, iphones, aviões que voam feito foguetes, engarrafamentos, estresse, epidemia de depressão? É este o preço?
Quero muito entender este progresso. Na verdade, se isto é progresso eu prefiro ficar estagnada. Num lugar bem verde e cheio de passarinhos. E com outro tipo de evolução.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Invadindo o blog alheio

Confesso: blogueiros são chatos. Vai gostar de escrever assim lá na esquina! Ok, não me orgulho em ser um destes seres. Muita gente me mostra endereços de blogs, dizem pra eu visitar, frequentar... mas que nada! Eu mal visito o meu, imagina dos outros. Aliás, eu não faço propaganda do meu blog exatamente por isso. Não coloco o link no orkut e nem digo para os meus amigos que tenho uma página virtual (só para os mais chegados).
Porém nessas últimas semanas foi notícia em toda parte que a Leandra Leal, a atriz (aquela do filme "O Homem que Copiava"), tem um blog e que fala muita coisa "polêmica" por lá. Como acho a atriz excelente e o corte atual de cabelo dela é muito legal(!), procurei na web o seu blog e achei. Cheguei à conclusão de que Leandra Leal é uma pessoa legal (aparentemente)! E não só legal, como muito parecida comigo (mas juro que o legal não é porque parece comigo).
Pensamos parecido em muita coisa:
-Amamos a música de Caetano Veloso (ela é tão admiradora dele quanto eu!)
-Ela é louca pela Mangueira, esta a Escola de Samba do Rio de Janeiro pela qual eu torço desde criança, e adoro!
-Isso significa que ela gosta de carnaval. Eu amo carnaval! Prova de que pessoas interessantes podem gostar carnaval.
-Ela é politizada! Interessa-se por política, como todo ser humano DECENTE deveria fazer. Pois política mexe na vida de todo mundo, e quem não dá a mínima para ela é no mínimo egoísta ao extremo. Pra mim quem não é politizado é um cadáver social, um morto!
-Ela votou no Lula no segundo turno (acho que no primeiro também). Ele não era o melhor dos candidatos na minha opinião (inclusive acho que a Leal criticou o Psol, o meu partido), mas o importante é que ela criticou (com todo o respeito, meteu o pau) com muita indignação o governo do PSDB, falou mal do Alckmin e se mostrou muito interessada no lado social do país.
Só não gostei de uma coisa. Ela tem compulsão por livros (...)
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Fênix e Olga Benario

Atenção: só leia este post quem tem paciência para redundâncias. Pois o que aqui direi é apenas uma versão nova do que já aqui comentei.
Como posso lutar contra um mundo que, como questionou Olga Benario no filme de Jayme Monjardim, talvez não queira ser mudado?
"Será que o mundo quer ser mudado?"
Vendo o filme pela segunda vez (a primeira foi no cinema, e agora o tenho para sempre, pois comprei o dvd), comovi-me mais com os coadjuvantes judeus do que com a própria Olga. Olga teve reconhecimento. E os outros, pessoas sem nome, pessoas "sem valor", pessoas que não entraram para a História? Não que entrar para a História mude algo, de fato. Ilude-se quem assim pensa. Entrar para a história não deveria ser objetivo para ninguém, mas sim mudá-la. Não pelo próprio nome, mas por todos.
Vejo o mundo tão corrompido, tão embrutecido, desesperançoso. Por que, por que vocês aceitam isso? Gritem aos meus ouvidos, até que eu entenda! Digam-me o aquece seus corações nesse mundo tecnológico, onde a guerra esmaga o amor, onde a paz se fantasia de comodismo, onde a televisão empurra para vocês todas as inovações e modernices mascaradas de felicidade? E se não tiverem resposta, alimentem-se do dinheiro, bailem nos bancos monetários e comuniquem-se com os amigos através de uma tela gélida para o resto de suas vidas!
Sim, estou furiosa. O motivo não é pessoal (apesar de às vezes tornar-se), é uma questão de justiça, de humanidade. É isso o que falta, não percebem? Enquanto nos vermos apenas como objetos que satisfazem a necessidade um dos outros, ou como bobinhos que podem submeter-se à vontade de outros mais poderosos, o mundo vai continuar assim. Uma bola de injustiças. Uma bola que um dia foi azul e agora está acinzentando-se. Porque além de tudo, o homem acha que é dono de todo o resto da natureza. Alguns não entendem essa minha preocupação, inventariam mil razões "pessoais" por eu me importar com isso. Será que é tão impossível se importar com algo que não seja a própria testa? A opinião de um bruto que pense assim não vale um centavo para mim.
É muito o que eu tenho a dizer sobre assunto. Eu pratico a justiça todos os dias, sempre que posso. É natural em mim, apesar de poder parecer forçado. E quando alguma tentação me diz que devo fazer uma bobagem, esforço-me para ser justa ainda assim. É algo próprio em mim, acrescido com um certo esforço em algumas situações, o que não mata ninguém. Não, não me acho melhor que ninguém por isso. Na verdade, eu juro que preferia que todos fossem assim. É tudo falta de vontade, egoísmo. Porque para quem quer, nada é impossível.
Estudei uma vez em Português que quem escreve o faz por variados motivos. Um dos motivos é tentar conscientizar. Hoje em dia tento escrever principalmente com este objetivo sincero. Às vezes escrevo como desabafo, outras por puro prazer, ou ainda pensando em intercâmbio de idéias com pessoas que venham a ler. Mas conscientizar é o que mais tento fazer, sem querer receber nada em troca, quem receberia algo seriam as próprias pessoas, o mundo.
Esgotam-me, secam minha paciência escritores que não tem nada a acrescentar. E sinceramente, isso é o que mais tenho visto. Aliás, uma novidade, eu não quero mais ser escritora. Pelo menos não vou me matar para isso.
É incrível. Toda vez que chego ao fundo do poço (e acho que isso só aconteceu duas ou três vezes), eu ressurjo bem mais forte. Fortíssima. Ainda não estou recuperada, mas sinto que estou melhorando. E com idéias cada vez mais convictas, idéias para o bem, que não fariam mal a uma formiga. A melancolia (que aprendi há pouco tempo que não significa tristeza e sim deparar-se consigo mesmo e consequentemente, com a reflexão) me faz muito bem. Talvez eu saiba usá-la bem.
Eu sou a FÊNIX. Ressurjo de minhas próprias cinzas. Ressuscito.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Come-se para depois cuspir

Digamos que esta maçã seja um ser humano. Eu sempre a mastigo e não consigo engolir a casca. Isto é fato. Então esta maçã deu sequência a pensamentos, reflexões.
As pessoas em geral fariam o contrário. Mastigariam a casca, a superfície, a aparência, a carne, o desejo de algo mascarado e claro, inicial. Assim que terminassem de mastigar a casca, tão bonita e brilhante, tão educadamente falsa primeiramente, irão descobrir as vísceras reais da maçã. Iriam descobrir sua essência e que em seu centro existe algo intragável e também as sementes, carentes de serem semeadas.Então viriam a azia, o enjôo... e o cuspe.
PS: foto e texto originalmente feitos para o meu fotolog. www.flogao.com.br/angulosecreto
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Melhores Filmes e Livros 2006
Primeiramente os filmes. É com muita satisfação que percebo quantos filmes bons e construtivos (outros totalmente destrutivos) eu vi neste ano que passou. Pude apreciar, contemplar, deleitar-me, refletir, criticar.
Descobri novos diretores e cineastas. Eu comecei a me interessar por filmes mais alternativos há pouco mais de três anos, e levando-se em conta que moro numa cidade que pouco valoriza a sétima arte, acho que consegui bastante coisa. Em 2006 nem o Festival de Cinema de São Luís aconteceu. Devido ao fechamento temporário do cinema em que o festival normalmente ocorre, não pude curtir a mostra em que eu já estava viciada. Mas tudo bem. Ainda existe a Backbeat (locadora muito boa) que nos dá um pouco do melhor do cinema de arte mundial.
Dos diretores que descobri (claro que já ouvira falar antes em alguns deles, mas quando digo que descobri refiro-me ao fato de me aprofundar na obra dos mesmos) os que mais gostei foram Charles Chaplin, Mike Leigh, Akira Kurosawa, Darren Aronofsky e Abbas Kiarostami. Eu simplesmente tenho que reverenciar estes grandes cineastas. Chaplin e Kurosawa principalmente, são geniais, em minha opinião.
Também vi filmes de outros diretores que não conhecia, como Bergman, mas preciso ver mais da obra deles para poder formar uma opinião sobre.
Descobri também que definitivamente não gosto do estilo de Almodóvodar, apesar de ter adorado "Volver". São filmes interessantes, mas que talvez por serem pessoais demais e com temas que muitas vezes não passam de fantasias e fetiches, não me agradam. Não estou dizendo que são todos ruins, mas em geral simplesmente não são do meu gosto.
Também não gosto muito de Woody Allen, mas ele é bom. Contraditório? Não sei. Digamos que não me identifico com seus filmes, mas preciso admitir que ele tem passagens muito boas e filmes excelentes como "Ponto Final" e "Rosa Púrpura do Cairo". Contudo, não o admiro.
Aqui está a lista dos que mais gostei, dentre os vistos no ano de 2006. Vi mais de 100 filmes e fiz um Top 30. Levo em conta a história, o roteiro, as atuações, a fotografia (um dos itens que mais observo) e a direção. Além de que sempre me questiono: Este filme foi produtivo, de alguma forma? Obviamente, quando um filme consegue unir o útil ao agradável, como entreter e induzir à reflexão, então isto é a perfeição. Para mim.
O Mundo de Leland
Respiro
Anti-Herói Americano
Gattaca
O Segredo de Brokeback mountain
Gritos e Sussurros
Ponto Final
Agora ou Nunca
Abril Despedaçado
A Grande Sedução
O Cachorro
Sonhos
O Vento nos Levará
O Solitário Jim
Tempos Modernos
Os Sem-Floresta
Gosto de Cereja
Segredos e Mentiras
Madadayo
Barry Lyndon
Koyaanisqatsi
Rapsódia em Agosto
O Grande Ditador
Luzes da Cidade
Manderlay
Camelos Também Choram
Sophie Scholl
Casamento ou Luxo
Pequena Miss Sunshine
Fonte da Vida
O Genial Chaplin em Luzes da Cidade:

Um filme muito original, Respiro:
Atuação impecável de Julia Jentsch em Sophie Scholl:
Um mundo em caos. Koyaanisqatsi:
Uma das fotografias mais bonitas que vi, Barry Lyndon do perfeccionista Kubrick:
Madadayo, do mestre Kurosawa:

Sobre os livros, não sei se lamento ou não a quantidade diminuta que li em 2006. Pois livros mexem demais com minha cabeça. Eu já não sou muito certa, sou? Não sei, queria ser. Escritores falam muitas bobagens às vezes e influenciam negativamente as pessoas. Isto é fato. Outros, positivamente. Fato. Mesmo que doa dizer isso, pois eu quero ser escritora, eles falam muita bobagem e isto é verdade, não posso fazer nada. Assim como estou falando bobagem aqui.
Abaixo não é uma lista dos melhores, mas sim de todos que li ano passado. Pouquíssimos. Em 2005 li bem mais. Mas a faculdade de fisioterapia muitas vezes me deixava fora de casa o dia inteiro, só ficava em casa para comer, tomar banho e dormir.
Destes poucos, os melhores foram Flush (pela diversão, pela leveza), Incidente em Antares (pela maravilhosa reflexão crítica a que induz) e A Revolução dos Bichos (um livro objetivo, sarcástico, de linguagem simples, porém prazeroso e inteligente. Diria que é perfeito).
Passeio ao Farol é uma obra-prima de Virginia. Impressiona-me como ela sabe usar as palavras e como ela é inteligente, como sabe ser criativa e única. Mas neste livro ela extrapola. É radical demais, exige um ritmo absurdo do leitor, é difícil, chato, complexo, paranóico. De paranóica já basta eu. Por isso eu não o incluo entre os melhores do ano.
Flush - Virginia Woolf
Incidente em Antares - Erico Veríssimo
Frei Luís de Sousa (teatro) - Almeida Garret
O Código Da Vinci -Dan Brown
A Revolução dos Bichos - George Orwell
A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Passeio ao Farol - Virginia Woolf
terça-feira, janeiro 02, 2007
Valéria, onde estás?
Para onde foi minha alma?
:(
Este ano precisa ser bom. Vai ser um recomeço. Mas eu ainda preciso juntar forças para poder recomeçar. Quando esta crise vai terminar? E quem liga?