quarta-feira, junho 28, 2006

Analisando Caetano Velas e Veludo


Poucos artistas me emocionam tanto quanto Caetano, com sua voz aveludada e suas letras aparentemente sem nexo algum, algumas que talvez nem ele mesmo entenda.
O que eu mais gosto em Caetano são as composições como um todo, o jeito que ele brinca com as palavras e rimas (rimas ricas) dentro de melodias bastante diferenciadas, de compassos complicados e ritmos únicos. A verdade é que ele tem um swing sofisticado, um jeito de fazer arranjos vocais totalmente original, assim como João Bosco.
Resumindo: a música de Caetano é totalmente polida, redonda. Nada fora do lugar, mesmo com toda a criatividade, originalidade e até mesmo complexidade de suas composições.
Chico Buarque tem letras maravilhosas, é um grande poeta, e não querendo comparar mas já comparando, ele perde feio (na minha humilde opinião) para Caetano em termo de melodias. Acho algumas canções de Chico muito quadradas, não sei se pelo jeito de cantar um tanto limitado, mas acho algumas bastante retangulares. Eu tenho uma teoria sobre essa limitação melódica de Chico. Ao contrário de Caetano, ele ficou muito tempo preso apenas à bossa nova e ao samba (e as melhores músicas de Chico são seus sambas). Já Caetano absorveu muitos outros ritmos, até porque é baiano, e participou do movimento Tropicalista. Também tem influências nítidas de música latina em geral, como o tango argentino. Até uma canção do grupo grunge norte-americano Nirvana já foi regravada por Caetano Veloso. Tem uma mente totalmente aberta para qualquer ritmo, mas obviamente ele sabe filtrar e diferenciar o bom do ruim.
Caetano é bom porque não finge ser legal, ele é legal quando quer. Caetano é bom porque ele pronuncia MTV em português (emitevê) porque "Estamos no Brasil e eu falo português".
E, só para registrar, o melhor de Veloso: a tremidinha na voz, que mexe na alma!

Vou postar apenas músicas de Caetano esses dias aqui no Sustenido. Uma espécie de Especial Caetano Veloso, já que ele é meu compositor brasileiro preferido. E irei analisar as letras quando necessário.


PODRES PODERES- Caetano Veloso


Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes somos uns boçais
Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses mas tudo é muito mais

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?

Será, será que será que será que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe , num êxtase
Ser indecente mas tudo é muito mau

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades , caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo e mais fundo tins e bens e tais

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?

Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo
Tins e bens e tais

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Em Podres Poderes, eu percebo mais do que nunca a versatilidade de Caetano, musicalmente falando. A música é bastante animada, até dançante. Aproxima-se do Samba-rock, mas não é exatamente isso. Ouço trompetes ao fundo da música, que também tem solos de guitarra.

Sobre a letra, acho interessantíssima. Claramente, ele fala sobre a situação social brasileira, que está estagnada desde sempre. Experimentamos tudo de ruim, a Ditadura Militar, o fascismo de Getúlio disfarçado de populismo, e agora o pior: a "democracia" capitalista. Nada deu certo neste país, porque estamos intrinsecamente subjulgados pelos "podres poderes" norte-americanos. Eu quero é mandar a Alca para o... como diz Hugo Chávez: Alca Alcarajo!
Uma das maiores causas disso tudo é o histórico corrupto dos políticos brasileiros, desde os portugueses aproveitadores que aqui chegaram em 1500 até os nossos contemporâneos, Roberto Jefferson, Sarney, e todos os nossos conhecidos. Não sei se vocês leram o texto que postei aqui há alguns dias "Por que somos corruptos?"... Ele talvez explique parte dessa problemática. As pessoas já têm uma ideologia plantada em suas mentes: político é necessariamente corrupto, política é profissão para ganhar (roubar) dinheiro fácil. É assim que as pessoas pensam, por isso nada muda. Essa mentalidade precisa ser modificada antes que seja tarde demais. Porque é ela que faz com que apenas homens corruptíveis queiram exercer a política, efetivamente falando.
HÁ GENTE PASSANDO FOME, HÁ GENTE MORRENDO SEM PODER PAGAR HOSPITAIS, E OS HOSPITAIS PÚBLICOS SÃO UMA MERDA!
HÁ GENTE MATANDO POR DEZ REAIS, HÁ GENTE VENDENDO DROGAS ILEGALMENTE PARA SE ALIMENTAR DO DESESPERO ALHEIO, HÁ GENTE QUE ABUSA DE CRIANÇAS E NÃO VÃO PARA A CADEIA, PORQUE A JUSTIÇA BRASILEIRA É PÉSSIMA!
HÁ INOCENTES NA CADEIA E POLÍTICOS E BANQUEIROS DESONESTOS LIVRES E SOLTOS.
AINDA EXISTE ESCRAVIDÃO NO NORTE DO PAÍS, HÁ GENTE QUE GANHA MENOS DE UM SALÁRIO MÍNIMO, HÁ GENTE COMENDO UMA CUIA DE FARINHA COM ÁGUA POR DIA!
VAMOS ACORDAR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pronto, disse. Obrigada, Caetano, por me proporcionar esse momento de desabafo.

Voltando à letra da música, outra coisa bastante criativa é o uso de termos como "tons", "bens", "hemertismos pascoais" fazendo referência a grandes músicos brasileiros (Tom Jobim, Jorge Benjor, Hermeto Pascoal), coisificando tais com respeito, apenas para exemplificar os poucos bons frutos dentro de um país tão mal-tratado, de um povo que é feliz de teimoso, que é lutador, mas que precisa deixar de ser manipulado por uma elite persistente e suja para que comecemos a pensar melhor, reclamemos direitos e para fazermos do país um lugar mais justo e com menos desigualdades.

O compositor também aplaude a diversidade: negros, brancos, índios, bichas, mulheres. Diz que o carnaval é bom, mas que não pode ser motivo de cegueira.

"Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais..."


Está aí uma ótima questão que Caetano coloca: Hoje em dia matar de fome, de raiva e de sede se tornou algo muito natural, retornamos ao estágio puramente animal por falta de humanidade, por falta de dignidade, por falta de respeito, e por causa de muita, muita ambição. Enquanto alguns quiserem ficar podres de ricos, nunca haverá igualdade.

Como minha professora de filosofia fala: Esses homens que aí estão no poder não tem poder verdadeiro. O poder só é verdadeiro quando alguém o tem por sinceros votos, por sincero querer dos que o concedem. Um ditador, por exemplo, não tem poder. Tem força apenas, se tivesse poder, não precisaria usar da violência para nada, porque ninguém estaria contra este.

E, por último, Caetano pergunta:
"Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?"


Será? Depende de nós.

sexta-feira, junho 23, 2006

Emoções banalizadas

Na última terça-feira, no dia do jogo do Brasil, eu estava indo à casa da minha tia para ver o jogo e no caminho deparei-me com um monte de gente no meio da rua, bombeiros, policiais. Alguém havia sido atropelado. Um cara estava jogado no chão. Mas tudo mais parecia um espetáculo, um grande acontecimento. Disse para minha mãe acelerar o carro e não ficar dando manchete para tragédias alheias como se fosse divertido.
O que me deixou besta foi ver gente bebendo cerveja olhando o desenrolar dos fatos, como se fosse aquilo, por si, um jogo de futebol, entretenimento.
Esse tipo de coisa acontece todos os dias. Em todo o mundo, mas em diferentes formas. Ligamos a TV e vemos uma guerrilha em plena São Paulo, puro terrorismo (como aconteceu há pouco tempo) e muita gente se diverte com o fato, porque é "emocionante".
As pessoas vão para as boates (não que essa ação seja necessariamente ruim em si mesma) para ficar com "quantos aparecerem" porque é "emocionante". É a busca desenfreada por sexo sem sentido, casual. Algumas pessoas me chamariam de careta novamente aqui. Sem problemas. Não vejo problema em alguém querer prazer ocasional, mas quando isso se torna um vício e uma atitude totalmente irracional, é desprezível, lamentável. A mente é tão brilhante para não ser usada...
Soldados americanos torturam reféns iraquianos porque é "engraçado"... para alguns deles, "emocionante".
Alguém é assassinado na esquina da sua casa e você esquece no dia seguinte, porque situações como essas são coisas do "cotidiano", são acontecimentos que fazem "sair do marasmo".
Sim, estou sendo irônica, todos esses pensamentos acima são tão infantis, mas acho que os adultos vivem disso. É triste.
Lembrei do filme "O Vento nos Levará", que critica tudo isso de forma sutil, mostrando que as verdadeiras emoções (sentimentos) são mais silenciosos, mais calmos. E não por isso menos intensos.


ENFIM, falei tudo isso porque:

Li um trecho do livro "Culto da emoção" do filósofo Michel Lacroix, e achei sensacional, genial, muito interessante. Leiam, por favor, o trecho abaixo. Não se arrependerão. Espero que se interessem. É bastante reflexivo.


"Dos esportes deslizantes às raves, dos videogames à encenação da atualidade, das novas terapias às técnicas de desenvolvimento pessoal, hoje em dia, tudo pretende nos fazer "vibrar". As aventuras radicais, a violência banalizada, os estados de transe e as imagens de tirar o fôlego são os ingredientes de nossa vida, que reclama doses crescentes de adrenalina. Assim, em busca de sensações fortes, o indivíduo moderno emociona-se muito. Mas, será que sabe sentir? Cada vez mais agitado e cada vez menos sensível, por que terá ele abandonado as emoções serenas? Eis o cúmulo do paradoxo: no momento em que triunfa e se torna objeto de um verdadeiro culto, será que a emoção tomou irremediavelmente o caminho do delírio?"
(O culto da emoção - Michel Lacroix)

Quero comprar esse livro assim que possível. Dica de site onde pode ser encontrado: http://www.siciliano.com.br/livro.asp?tema=2&tipo=2&clsprd=L&id=685040&orn=BMV
E nas melhores livrarias.



Palavras do meu amigo Fabio Oliveira, sobre este trecho do livro:
"É estranho tratarmos e explorarmos a emoção como forma de alcance de felicidade, ainda mais quando nos deparamos frente a tudo isso que é colocado como formas objetivas e bem definidas do que devemos ou não fazer.
Até que ponto estamos buscando uma emoção efetivamente confortante e particular?! Até quando estaremos submetidos e ajoelhados perante a manipulação de nossos desejos e anseios?!
Desejo que meu desejo seja inalterado, e que a emoção seja emocionante e eterna enquanto dure... que ela dure enquanto rasteja e dá seus últimos suspiros e agoniza diante de tanta futilidade."

quarta-feira, junho 21, 2006

Mestre Cartola disse...

"De cada amor tu herdarás só o cinismo..." (O mundo é um moinho- Cartola)

Falou e disse. Pelo menos no meu caso serve...

terça-feira, junho 20, 2006

Tristeza

Não, não é a banda. Sou eu.
Esses dias têm sido muito estranhos. Meus amigos foram acometidos por coisas chatas, estão tristes... E entrando nessa atmosfera fico muito mais suscetível.
Mas decepções pesam. Pesam e doem. Já estou livre das decepções de um passado bem distante. Dessas já me livrei de forma segura e agora... indiferente. Felizmente não posso e nem deveria chorar pelos erros dos outros. Durante muito tempo eu senti saudades mas nesse momento e para sempre... Não sinto (nem sentirei) mais nada. Porque não foi um erro, foi uma bola de neve, foi uma hipocrisia gritante, sofrida: eu aposto. Não estou falando de mim. O peso na consciência de uma pessoa assim pode não existir? E se não existir, que tipo de pessoa é?
Eu amo as pessoas de verdade, dou tudo de mim... Inclusive, falo de amigos também. Tudo que recebo é uma indiferença extremamente suportável. Sim, eu suporto muito bem. Porque tenho vasta experiência com pessoas. Sinto-me com muito mais idade, como se eu já houvesse percorrido o mundo e conhecido todo o tipo de gente. E, se por um lado conheci a desgraça, por outro conheci a pura graça. Não espero pessoas perfeitas para mim ou para o mundo, nem procuro ver as coisas apenas pelo meu lado ou pela minha subjetividade. Se assim o fosse, eu odiaria todas as pessoas do mundo. Não posso ser idiota assim. Nada é tão padronizado.
Mas sei que existem pessoas maravilhosas e que primam pelo bem estar geral, não apenas indo pelo caminho fácil da comodidade de um ser egoísta. Tenho exemplos muito próximos de pessoas boas. E repito, uma pessoa boa não é necessariamente perfeita. Na verdade, não espero perfeição, só um pouco de amor, amizade, respeito, consideração, preocupação sincera. Isso existe. Não é tão comum, mas existe. Como eu estava dizendo, tenho exemplos nítidos, conheço pessoas incríveis. Não cheguei a essa conclusão porque tais me tratam bem ou não. Estou dando exemplo de gente com quem não tenho sequer intimidade. Tratam-me bem, mas se tratassem qualquer pessoa com hostilidade, desonestidade, violência ou máscaras, eu ficaria tão chateada quanto se fosse comigo. Não é justo ver as coisas só pelo meu lado.
O que quero dizer e o que confesso é: eu espero muito das pessoas porque sei que elas podem ser melhores. É tudo comodismo ou ilusão. Ou ainda e até principalmente, egoísmo demais. Essa é a causa primeira de todos os males da humanidade. E mais ainda: não espero que as pessoas sejam boas só comigo, mas com todos. Eu espero que o muçulmano trate bem o judeu e vice-versa. Não importa que seja do outro lado do mundo, eu não preciso saber, só queria que acontecesse naturalmente. Eu queria um mundo melhor na esfera humana (porque o resto da natureza é perfeita) não só enquanto eu vivo, não só por mim, mas por todos. Desde sempre, continuando depois que eu morrer, e se estendendo para o infinito.
Neste sentido, sou uma sonhadora. Mas não gosto deste termo, então prefiro dizer que sou uma agente da práxis (parto para a ação). Nem sempre fui assim, como já falei milhares de vezes por aqui. Já exaltei demais minha parte ruim em outras épocas. A maioria das pessoas tem o bem e o mal dentro de si (nem todas, pois algumas só tem OU um OU outro) e eu tinha um pouco dessas coisas ruins que agora estão na moda. Mas alguns indivíduos apareceram na minha vida e me fizeram mudar, para melhor. Tenho certeza de que para melhor. Continuo cheia de defeitos, mas muitos se evaporaram. Cheguei a um estágio de porquês imensurável. Não entendo tudo e muito menos tenho respostas para todos, mas questiono tudo e pergunto: por que? por que tal pessoa age assim? Pergunto isso a todo momento, e também me pergunto: Por que eu estou agindo assim?
Clarice Lispector tem uma passagem famosa em que diz que viver ultrapassa todo o pensar, que basta sentir, algo assim. Li esse fragmento da escritora em algum lugar. Eu discordo. Sentimentos enganam. São maliciosos. Entendam aqui sentimento como sensações próprias de um momento fugaz - e não sentimentos concretos e verdadeiros.
Às vezes a razão salva tudo. Hoje em dia eu dificilmente me impressiono com alguma coisa. Tudo para mim é explicável, e isso não faz da vida menos emocionante, pelo contrário.
Porém, hoje eu estou triste e chorei muito, muito. Desde ontem à noite sinto algo ruim, que não sentia há tempos. Claro que tem a ver com pessoas. Elas são o único mal. Quando poderiam ser o único bem.
Algo que me deixa triste é ver pessoas que eu acho que me conhecem falando coisas sobre mim sem o mínimo embasamento, falando por alto, ou julgando pelo momento. Por exemplo, estou de mau humor. Alguém chega e diz: A Valéria é uma pessoa tão mal-humorada...
Isso me irrita. Não é justo fazer essas noções sobre ninguém.
Pensei em dizer: saiam daqui, não falem comigo, estou em fase depressiva e não sei quando vai terminar. Não sei mesmo, mas algo me diz que nunca mais entrarei em depressão de novo, como há anos atrás aconteceu uma vez. Nem quero, por favor. Acho que é só aquela coisinha chata chamada tristeza.

segunda-feira, junho 19, 2006

São João!

Foto das barraquinhas que vendem artesanatos.



Nesse clima de Copa do Mundo de Futebol (aliás, que jogo excitante ontem, hein?), outra festa, mais tradicional ainda, vem sendo ofuscada. Refiro-me ao festejo de São João e festas juninas em geral.
Aqui no Maranhão essa tradição é bastante forte. É minha festa folclórica preferida, e o leque de opções que existe na cidade de São Luís é empolgante. Bumba-meu-boi (o melhor para mim), Tambor de crioula, Cacuriá, Quadrilha, Dança do coco, etc.
Acho de extrema importância dar valor a essas culturais locais. São tão bonitas, antigas e ricas. É triste quando as pessoas só valorizam o que vêm de fora. Ontem fui pela primeira vez este ano a um arraial. Foi muito divertido, comi comida típica, dancei boi barrica (adoro! e eu danço direitinho, tá?) e ainda tirei fotos. Algumas aqui.


Tambor de Crioula. Muito massa as senhoras dançando e rodando feito loucas :)




Cacuriá

Vista do arraial (Arraial do Maranhão, São Luís shopping)

Caboclos (acho que é isso o nome) de um dos bois que esqueci o nome -_-

Minha mãe com o chapéu do boi




Outro boi

Abaixo, todas as fotos são do Barrica.



quarta-feira, junho 14, 2006

Excelente texto para reflexão

Tivemos uma discussão segunda na aula de filosofia porque um garoto, visivelmente corruptível e corrupto, estava defendendo a teoria de que todos somos corruptíveis politica e economicamente falando, porque o meio nos corrompe. Eu fiquei muito puta. Depois falo mais sobre isso...
Agora leiam esse texto. É incrível. Obrigada Fabio, pelo texto.

Por que somos corruptos?
Por Marcia Tiburi

A máxima 'o poder corrompe' é a bandeira que cobre o caixão no qual velamos a política. Ela é primeiro desfraldada por aqueles que pretendem evitar a partilha do poder que constitui a democracia. Ela é aceita por todos aqueles que se deixam levar pela noção de que o poder não presta e, deste modo, doam o poder a outros como se dele não fizessem parte. Esquecem-se de que a falta de poder também corrompe, mas esquecem sobretudo de refletir sobre o que é poder, ou seja, ação conjunta.
Democracia é partilha do poder. É o campo da vida comum, a vida onde todos estamos juntos como numa mesma embarcação em mar aberto. Partilhamos o poder querendo ou não, mas podemos fazê-lo de modo submisso ou democrático, omisso ou presente. Estamos dentro da democracia e precisamos seguir suas conseqüências. Democracia é também responsabilização pelo contexto em que vivemos: pelo resultado das eleições, pela miséria, pelo cenário inteiro que produzimos por ação ou omissão. Mas não nos detivemos em escala social para entender o que a democracia é e, por isso, falta-nos a reflexão que é capaz de orientar o seu sentido, bem como o sentido do poder e da política.
Acreditamos que o poder é mau. Que a política é ação para espíritos corruptíveis. Construímos a noção de que política não combina com ética, com moral, com princípios. Quem acredita nisso já contribui para a manutenção do estado geral da política, pois afirmamos uma essência em lugar errado. Onde deveria estar a ação que constitui a política, está a crença que determina o preconceito e a inanição. Neste sentido, a compreensão disseminada no senso comum já é corrupta. Ela compactua com a corrupção ao reafirmá-la no discurso que sempre orienta a prática.
É nosso dever hoje reavaliar a experiência brasileira diante da política. A compreensão da política como campo da profissão, por definição corrupta, é ela mesma corrompida e corrupta. Ela destrói a política, cujo significado precisamos, hoje, refazer. Esta é a ação política mais urgente. Acostumamo-nos ao 'pré-conceito' de que política é apenas governabilidade e deixamos de lado a idéia fundamental de que a política é projeto de sociedade da qual participam todos os cidadãos. Reclusos em nossas casas, acreditamos que a esfera da vida privada está imune ao político. Esquecemos que o pessoal é também político, não como espetáculo, mas como lugar de relação e modelo da esfera macroscópica da sociedade. Políticos somos porque falamos e estamos uns com os outros. Política é relação 'entre-nós' produzida pela linguagem, pela nossa fala, por nossos discursos. O que dizemos é sempre político. Pois falar é o primeiro passo do fazer ou, mesmo, a primeira de nossas ações.
Política é a relação estabelecida no enlace inevitável entre indivíduos e sociedade. Na omissão praticamos a antipolítica. Toda antipolítica que seja omissão e não crítica é corrupção da política por ser corrupção da ação. A mais urgente das ações políticas na atualidade, além da punição dos que transformaram a nossa governabilidade em prostituição da ação, é refazermo-nos como políticos no verdadeiro sentido.

terça-feira, junho 13, 2006

Sensibilidade pura


Eu descobri que Cecília Meireles escrevia prosa também. Só conhecia seu lado poetisa. Estou LOUCA para comprar seus livros de prosa!
Alguém sensível e racional ao mesmo tempo, alguém totalmente diferente dos escritores chatíssimos que estou acostumada a ver.

Li História de uma letra e fiquei emocionadíssima. Chorei (eu choro fácil - ou não?).
Mas tentem entender de verdade. É pequeno, não se arrependerão:

http://www.releituras.com/cmeireles_letra.asp


Depois me digam o que acharam, ok?

segunda-feira, junho 12, 2006

Dia dos Namorados

Os namorados mais fofos do mundo são meus pais!
Hoje meu pai deu um perfume muito bom pra mamãe, e um cartão... Ele não pratica muito a escrita, já que é médico, mas escolheu um com uma mensagem muito bonita:

"Contruir uma vida juntos é compartilhar alegrias e tristezas. É saber crescer respeitando nossas diferenças. É levar o outro no coração aonde quer que a gente vá. Amo você!"

De Dilson para Regina.

Bah, o amor não é lindo?

sábado, junho 10, 2006

O vento nos levará



Que filme incrível! De Abbas Kiarostami.
"Até mesmo um tambor parece melodioso a distância." Não paro de pensar nessa frase. Para quem não sabe, o tambor não possui melodia, apenas dita o ritmo. Pensem sobre essa frase, é fantástica. Fantástica.
Assistam. Só.

Lembrei agora que o documentário ABC África, do Kiarostami, foi o único filme aplaudido no festival de cinema de SL de alguns anos atrás... Eu tinha adorado ABC África, o cara é mesmo um humanista... Foi emocionante aquele momento de aplausos pelo bem. Porque outros filmes belíssimos estavam sendo exibidos e só este foi aclamado. Pela mensagem e nada mais. Nada mais.

Copa do Mundo


Olá!
Clima de Copa do Mundo... Adoro!
Acho muito chato que algumas pessoas só virem "brasileiros" nessa época. Todos fingem amar o Brasil durante a Copa, mas no restante do tempo reclamam o tempo inteiro do país e não fazem N-A-D-A para ajudar a melhorá-lo. Muito podre isso.
Porém, que é divertido não posso negar. Todo mundo se une torcendo para a mesma coisa: seleção brasileira. Todos na rua com camisas do Brasil, famílias e amigos reunidos para ver os jogos...
Eu me empolgo muito vendo as partidas, torço igual uma louca, pulo e grito muito quando o Brasil faz gol. Mas isso é só uma extensão do meu amor pelo meu país.
Não gosto muito de futebol, mas Copa do Mundo é muito legal :)

segunda-feira, junho 05, 2006

Paixão


-Ela era bonita.
Ácida e refrescante, novidade, esquisita
Mas era bonita, compreende?
Apesar de tão cítrica...

Enrolou-me como costumam fazer
"Subverteu o que era um sentimento"
Desgastou minha última folha para romance
Confirmando meu pressentimento!

Ah! Se tivesse que de ti depender
O resto serviria apenas de cenário?
Cenário são as pessoas!
Fingir sim, deveria ser pecado

O coração engana e faz de palhaço
Todo romântico inocente e ao acaso
Fantasiam a razão de moralista
Acham, assim, que estão a quebrar correntes (mas deixam pistas)

Porém, de nada serviu a beleza
Aquela pele reluzindo sedução
Sensualidade como se fosse pão
Notas, leitor, quão ridícula a situação?

O nome disso, é...
Quero dizer-lhe, é um nome feio
Que quando acaba (tão subitamente) deixa o queixo nos seios
Apresento-lhe, então, a paixão sem freios.

sexta-feira, junho 02, 2006

Carlos Paredes


As músicas de Carlos Paredes são inacreditáveis. Tocava viola portuguesa (e compunha com ela) como ninguém! Se quiserem escutar boa música instrumental, baixem qualquer coisa de Paredes.
Maravilhoso!

quinta-feira, junho 01, 2006

Poesia

(Cora Coralina)



Não tem jeito. Estou fascinada por poesia outra vez!
Passei um bom tempo ignorando a maioria dos poetas, mas agora leio poemas freqüentemente outra vez. Foi a primeira coisa que escrevi na vida... poesia (mas eu era muito ruim!) .
Estava dando uma lida nos poemas de Cora Coralina. Admiro muito essa mulher, desde que li uma biografia sobre ela numa revista velha que achei aqui por casa, há uns quatro anos atrás.
Ela nasceu na Cidade de Goiás-GO, numa casa que pertencia à sua família há mais de um século. Desde cedo fazia poesia. Quando casou, mudou-se para o interior de São Paulo, mas em 1956, após a morte do marido, ela voltou a morar em sua cidade natal, pois ela era sábia e escolheu a tranquilidade de uma cidade menor e mais humana para passar sua fase de terceira idade.
Só teve seu primeiro livro publicado aos 76 anos de idade. Mas conseguiu reconhecimento ainda em vida. Mas tenho certeza de que ela não morreria frustrada se isso não acontecesse. Depender da opinião dos outros para ser feliz é triste.
Coralina era doceira... o que me lembra a Suzana, personagem do meu conto, que mostrei a vocês recentemente. Sua poesia, ao meu ver, reflete toda a doçura do seu ser. Açúcar nas mãos e na alma.


(Doce em compotas)


Morreu aos noventa e seis anos de idade. Pois soube cuidar de si, dos outros e da vida com alegria e sabedoria.

Eu, Valéria, vejo muito isso de viver tanto tempo como a vontade da própria pessoa. Quando não acometidas por doenças trágicas ou acidentes inesperados, as pessoas podem alongar seu próprio tempo de vida. E isso não é só a minha visão, é fato. Até pessoas com sérias doenças conseguem converter o quadro às vezes, e sobreviver, apenas pelo fato da força de vontade. Isso é incrível. É o contrário da auto-destruição. E o que quero dizer com auto-destruição não é só fumar, usar drogas... É não gostar da vida, ser indiferente à passagem do tempo, ser vítima de frustrações criadas pela nossa própria mente. Acho burrice ou fraqueza, na verdade. Pena que todo mundo se destrói tanto hoje em dia em troca sei lá de quê. Bom... Eu só sei de mim e sei que quero viver muito. Pois estar viva é muito, muito bom.


Mal querer, Bem querer - Cora Coralina

E a garota, ia despetalando a rosa...
Uma a uma as pétalas iam caindo...
- "Mal querer, bem querer...",
Como se a vida fosse luta de opostos
Como se a guerra dos contrários animasse a festa da vida na terra...
A vida é união
É luta conjunta, de irmão com irmão
De mãos felizes a se abraçarem...
- A vida, ó garota sonhadora,
Não é simplesmente chorar pelos teus amores
Que são eles apenas pedaços de um caminho bem maior
Vem, respeita a flor...
Ao invés de destruí-la aprende a cultivá-la...
A vida feliz é resultado de esforços construtivos.
Assim compreenderás que o mal trabalha para que o bem surja em nós,
sob forma de amadurecimento e serenidade.
A chuva, coopera... O solo também...
E até o verme, no seio da terra,
quer ajudar também para que cresças e seja feliz.

terça-feira, maio 30, 2006

Cecília Meireles - mais uma

Até quando terás, minha alma,
esta doçura, este dom de sofrer, este poder de amar,
a força de estar sempre – insegura – segura
como a flecha que segue a trajetória obscura,
fiel ao seu movimento, exata em seu lugar...?


AMO.

sexta-feira, maio 26, 2006

Chiquinha Gonzaga


Tenho tido a oportunidade de assistir a excelentes concertos musicais devido ao meu curso de Licenciatura em Música. Por exemplo, vi um tributo a Carlos Paredes, um compositor português que eu não conhecia, que tocava viola portuguesa como ninguém. Já baixei algumas músicas dele no pc, e o tal era bom mesmo. Sugiro que escutem, é divino.

Os professores normalmente liberam a gente quando está rolando algum evento musical nos teatros (sendo que todos os principais teatros da cidade estão relativamente perto de onde estudo).
Essa semana eu vi um concerto em homenagem aos 250 anos de Mozart. Pena que só vi o primeiro dia. Mas é isso, a gente acaba sabendo de eventos que normalmente não saberíamos, já que temos informantes direto da Escola de Música (Lilah Lisboa) que estão sempre por dentro do que acontece na cidade, musicalmente falando. Além de que muitos alunos da minha sala fazem parte de orquestras da Escola, então, mais uma vantagem.

Em um desses concertos tocaram algo da maravilhosa Chiquinha Gonzaga, e tive a oportunidade de "lembrar" que a música dela é boa, de alta qualidade.
Ela é um nome essencial para a história da música brasileira, já que a pianista praticamente abriu portas para que o grande público conhecesse o choro, por exemplo. Este um dos estilos musicais mais bonitos e complexos do Brasil.
Além de que, por ser mulher, eu a admiro em outro sentido também. Por ter nascido no século XIX em meio a todo aquele machismo e ter conseguido se destacar mesmo na "condição" de mulher.

O site de Chiquinha é muito legal. Sugiro que dêem uma olhada.
http://www.chiquinhagonzaga.com/

terça-feira, maio 16, 2006

Sejamos Verdadeiros

ODEIO MÁSCARAS

"Nada pode ser e não ser na mesma relação". Esse é um dos princípios da razão na filosofia. É lógico que a premissa está completamente certa. Mesmo em relações mais subjetivas... humanas.
Eu sei que já está até chata essa minha insistência em citar minhas aulas de filosofia aqui. Mas é que a nossa professora é uma pessoa hiper, mega, ultra admirável. A melhor professora de filosofia que já tive. Ela é ética, tem valores (e não valores que vem do exterior, valores existentes nela e outros advindos de reflexão), mesmo não ignorando NADA em volta, mas ela sabe a importância de certas coisas que pseudo-bostas-intelectuais esquecem. É extremamente humana, mas não no sentido falso do negócio. Por exemplo, ela é bem séria. Não fica sorrindo por educação ou para ganhar simpatia, porém isso não significa que ela seja uma pessoa ruim, pelo contrário. Muito, muito admirável!
Então, ela estava falando ontem sobre Verdade. Citou aquelas visões da Verdade: grega, latina e hebraica. Eu concordo com todas, todas são válidas. Mas a mais interessante para mim foi exatamente a mais frágil. A verdade que pode ser quebrada. A hebraica (Emunah). Tem a ver com credibilidade. Minha professora (prefiro não citar seu nome) citou o exemplo daquela frase que costumam dizer por aí. Alguém pergunta a outro: Você confia em fulano? Esse responde: "Confio desconfiando". Isso não existe. Ou você confia, ou não. No caso do "confio desconfiando" a pessoa certamente NÃO confia. Nada pode SER e NÃO SER na mesma relação, repito.
Uma vez que você dá total credibilidade para alguém, confia de olhos fechados (não por idealização, mas porque já convive com aquela pessoa e acha que já pode confiar, que a pessoa é honesta, ou tem palavra, algo assim. Acha que já conhece tal) e este descumpre o que prometeu, faz algo extremamente irresponsável ou lamentável que contradiz tudo o que a mesma pregava/dizia ser anteriormente... A relação se torna extremamente frágil, doentia. Simplesmente porque, mesmo que a segunda pessoa seja tolerante e perdoe coisas, sua concepção que parecia inabalável sobre a primeira se perde, talvez, para sempre. E, se não se perder para sempre, no mínimo será um trabalho árduo reconstruir a confiança. A confiança plena é algo bastante raro, e uma vez que acontece, é forte demais. Mas uma vez quebrada, é o oposto. Mesmo que alguém que teve a confiança traída tente esquecer do fato... No fundo, existe aquela fragilidade que antes inexistia.
Por isso, ao menos que você seja uma pessoa que não tem laço social algum e não se importe com relações verdadeiras, pense bem antes de dizer/fazer qualquer coisa. Sensatez.

segunda-feira, maio 15, 2006

Sonhos


Sonhos (Yume-1990), de Akira Kurosawa, é um filme raro no sentido de que consegue unir beleza e criticidade aguda (e explícita) em uma só obra. Beleza pura, do tipo que costuma dar um pouco mais de sentido à vida (claro que muito da bela fotografia tem a ver com o "saber contemplar" típico do povo japonês). Criticidade explícita porque não entra em joguinhos chatos do cinema "cult". A crítica é simplesmente jogada com palavras simples, muitas vezes saída da boca dos personagens (gente de carne e osso) em diálogos interessantíssimos. Nada de tentar parecer complexo ou cair em subliminarismos. "Estupidez humana" é uma expressão que se repete com sucesso e baseada em bons argumentos.
O filme é dividido em oito "sonhos", com mensagens de cunho universal. Basicamente, Kurosawa defende o lado que os homens costumam pisar, ignorar. Os sonhos envolvem a degradação do planeta, as guerras, o egoísmo, as ilusões materiais. Não, esses temas não são clichês neste filme. Gostei de todos os segmentos, mas destacaria alguns.
O primeiro, "A Raposa", é marcante e misterioso. Bastante teatral, dá ao espectador desde o começo a impressão de que o filme será memorável.
O segundo sonho é lindíssimo, chamado "O Jardim dos Pessegueiros" e impressionou-me de forma arrebatadora. Segue a linha do primeiro no que diz respeito à forma teatral de como tudo é encenado. Contém uma mensagem espetacular, mostrada de forma diferente, musical e com um figurino fantástico.
O sonho que envolve pinturas de Van Gogh é incrivelmente criativo, lembra cenas do filme Frida, no qual as pinturas se tornam reais, concretas. Encantador.
"O Demônio Chorão" é sensacional, um golpe na grande maioria das pessoas, que o tempo inteiro procuram algo que não existe e esquecem o que está ao seu redor. Este sonho mostra de forma "pesada" o que os homens estão plantando... E o que provavelmente colherão mais tarde. Um ogro que um dia foi humano se mostra arrependido, mas é tarde demais: a Terra está morrendo. A ganância cresce junto com os sonhos.
E o último, "Povoado dos Moinhos", muitíssimo sábio. Mas não basta ser inteligente para entender, é preciso bastante sensibilidade. Este é o meu preferido e me fez chorar. De felicidade. Mal acreditei quando vi. Não preciso mais pensar tanto em ser cineasta, pois Kurosawa passou de forma inacreditável a mensagem que sempre pensei em passar. Simples e direto.

"-As pessoas se acostumam com a conveniência. Acham a conveniência melhor. Jogam fora o que é realmente bom."

"-E a iluminação?
-Temos vela e óleo de linhaça.
-Mas a noite é tão escura!
-Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite."

"-Hoje em dia as pessoas esquecem que elas são só uma parte da natureza. Destróem a natureza, da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza.
Eles só criam coisas que acabam deixando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se de suas invenções. E o que é pior, a maioria das pessoas também. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas."

domingo, maio 14, 2006

Você pode ir na janela

Eu mereço um protesto. Talvez ninguém entenda. Tanto faz.

GRAM

Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta
Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim

Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim

Mas se vai...
Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Vai sem duvidar
Mas se ainda faz sentindo, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo
Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar

Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei
Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim

quarta-feira, maio 10, 2006

Renato Russo & Eu

De repente, fiquei fraca novamente. Pensei ser forte, e talvez eu seja. Talvez, e com isso nada pretendo, seja eu a pessoa mais forte que conheço. Já passei por situações emocionais tão frustrantes que vocês nem imaginam. Isso em romances e em amizades também. Sobrevivi.
Não sei se é porque nunca fico só na superfície. Odeio relacionamentos superficiais. Sempre me exponho demais e dou detalhes da minha vida para quem quer entrar na mesma, pois para mim isso é indispensável. Gostar das pessoas no começo é tão fácil. Gostar conhecendo só a face primária é tão, mas tão fácil, que chega a ser banal. Por isso só considero alguém um amigo quando já me conhece o bastante, quando já sabe de meus pontos fracos e fortes.
Talvez eu idealize o mundo. E eu que pensei que não idealizasse mais nada ou ninguém. Eu não deveria...
Pelo menos no universo não existem só seres "humanos". Existem flores... E existem algumas coisas que as pessoas criam em momentos particulares, quase divinos. Momentos em que elas não são sequer elas mesmas. São belas e sinceras uma vez na vida. Daí surgem as artes, quem sabe. Surge a música. Surge um ato solidário, não sei. As coisas que eu considero boas surgem daí.
Já estou me sentindo melhor só pelo fato de estar aqui, escrevendo. Ainda bem que estou me conhecendo melhor. Ficar sozinha me fez bem. Como minha professora de filosofia falou (quantas vezes já citei ela por aqui?) quando começamos a nos conhecer queremos ficar cada vez mais sozinhos com nós mesmos. Adoro estar com outras pessoas. Mas pessoas que valham a pena... É tão cansativo estar com qualquer pessoa (no sentido de afinidade).
Bom, conheço pessoas maravilhosas. E elas nem sabe disso. Pessoas tão incríveis que chego a agradecer por tê-las conhecido ou ter algum laço com tais. Não sei porque estou falando tanto de pessoas neste post. Talvez porque elas sejam mesmo uma parte importante do todo e às vezes sinto falta de muitas delas. Da presença delas. Hoje senti muito a falta de uma amiga, a Ju. Ela mora no Rio de Janeiro e perdemos o contato... Não sei como achá-la! Um absurdo, uma das melhores amigas que já tive... É de chorar até. Mas vou achá-la.
Estou num momento de conhecimento interno, como tenho dito freqüentemente por aqui, e nessa trajetória, como também já comentei, me descobri uma pessoa forte e com uma visão realmente positiva. Descartei coisas que não quero para mim e estou tentando definir, cada vez com mais precisão, o que realmente quero, o que realmente importa. Quero fazer isso desde cedo, não quero esperar envelhecer para fazer perceber algo importante assim. Não quero caos, disso tenho certeza.

Mudando de assunto, tenho novidades. Resolvi fazer fisioterapia. Desisti do jornalismo. Eu sei que mudei da água para o vinho, mas às vezes é preciso radicalizar. Posso escrever por fora, e a área de saúde é muito bonita e me parece muito mais útil ajudar pessoas assim, diretamente, com contato físico e humano. Continuarei escrevendo meus contos, meu romance, enfim. Tentarei publicá-los, etc. E claro, continuarei cursando Música em primeiro lugar.

Estou triste mas isso vai passar rapidinho, tenho certeza. Para quem gosta de mim, fique sabendo que eu gosto de você triplicadamente. Mesmo que eu cale e nunca expresse isso, nunca fale... realmente amo meus amigos. Até porque são escolhidos a dedo.

Agora fiquem com uma das letras mais inteligentes já escritas por um brasileiro. O gênio (e eu não vejo genialidade em intelectualidade e sim em ESPIRITUALIDADE, HUMANITARISMO), Renato Russo.

Há Tempos

Composição: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
A glória da virtude que perdemos.
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso.
Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito.

Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira.

E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção.

Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem-
Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa.

terça-feira, maio 09, 2006

Boa Música

Tristeza
Banda norte-americana de música instrumental e eletrônica apenas, ou seja, sem vocais. Muito tocante, criativa e com boa dosagem de alegria X melancolia. Não vejo na banda grandes pretensões comerciais. Ao escutar Tristeza sinto que ali a música é a razão de ser. Há amor pela boa música por parte dos que harmonizam os sons da banda. Recomendo!



Frou Frou
Como o nome da banda, as músicas do Frou Frou são bem "meigas", com letras boas e batidas interessantes. A voz de Imogen Heap é diferente de tudo, é sensual e faz das músicas POP algo agradável, diferente dos chicletes que costumam sair da indústria chamada de Pop Music.





Brazilian Girls

Isso sim é inovação. Não seria difícil algo diferente nascer de uma banda multinacional. A vocalista é uma italiana que cresceu na Alemanha, o baixista e o baterista são norte-americanos e o tecladista é argentino. Surge então uma mistura muito bem feita de jazz, samba, reggae, bossa e alguns elementos eletrônicos (que na verdade poderia chamar de um novo estilo, e nenhum desses), com letras cantadas em diversos idiomas. Um luxo.