quarta-feira, maio 30, 2007

Como é bom...

"Como é bom tudo que vem sem se pedir" (frase incrível).

Ando cansada de implorar coisas.

Água e Pão (Bahia)
Maria Bethânia
Composição: Pedro Guerra/versão: Nelson Motta

Como o sol no fim do dia
Quando o mar bebe o seu fogo
Entre as ilhas e a Bahia
Como um rio, como fonte
Como um belo horizonte
Como porto, como o mar
Como o ar da madrugada
Como as pedras da calçada
Como o vento e a maresia
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui

Como o dia que amanhece
Com a luz criando espaços
Entre a sombra e a escuridão
Entre formas que se movem
Entre lábios que se beijam
Entre corpos que se dão
Como as flores nas varandas
E o perfume de jasmim
Acordando a cidade
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui

terça-feira, maio 29, 2007

Palavras

Hoje eu confirmei. Palavras são realmente fonte de mal-entendidos. Alguns irreversíveis. São também fonte de dor eterna. Ou não?

Estou muito triste. As pessoas sempre se protegendo de coisas inexistentes.

Histeria. Fofoca. Histeria. Fofoca. Genocídio...

sábado, maio 26, 2007

Segundo a Last.fm...

O site www.last.fm é uma espécie de "orkut" musical. A lastfm é de grande uso para quem tem amor à música.
Eu adoro conhecer novas bandas, artistas e nisso a Lastfm ajuda bastante. Basicamente, você cria um perfil e tudo o que você escuta fica registrado na sua página. Pra que serve isso? É divertido. Você pode adicionar amigos e cerca de 50 "vizinhos" aparecem automaticamente no seu perfil, sempre de afinidades musicais com você. Você não precisa adicionar nenhum deles como amigo, mas pode, se quiser.
Tudo o que você escuta aparece com dados, como a arte da capa do álbum (acho isso muito bom). Você clica no nome do artista e aparece uma biografia (normalmente em inglês), discografia, número de ouvintes por semana e músicas mais escutadas nos últimos dias... daquele artista. Também existe uma seção de fotos para cada banda, cantor... E você pode postar eventos e ficar sabendo dos próximos shows dos músicos que você gosta.
Além de tudo, também existem as comunidades, como no orkut, mas a diferença é que a grande maioria é musical. De quebra, algumas mp3 são grátis e você pode recomendar tal artista para os amigos com um clique.

O site pode ser visto em inglês, português, espanhol ou a língua que o usuário desejar.
São mostradas as últimas faixas ouvidas, os artistas mais ouvidos da semana por você, os artistas mais ouvidos de todos os tempos por você (desde o cadastro) e as faixas mais ouvidas de todos os tempos.

Segundo a last.fm meus artistas/bandas mais escutados são:



Meu endereço na last.fm é http://www.lastfm.pt/user/valeriaguitar/

sexta-feira, maio 04, 2007

Chaplin, Deus, eu...


Não é como se eu amasse o que me faz feliz. Isto seria um tanto hipócrita, sendo que são as pessoas quem mais podem me fazer feliz e eu as odeio.

Charles Chaplin disse certa vez que os sábios não condenam os erros das pessoas. Eu entendo o que ele quis dizer. Chaplin podia se auto-denominar sábio. Ele realmente era um. Um gênio sensível.

Talvez eu seja uma alma muito medíocre, pobre e fútil. Mas, não sei se infeliz ou felizmente não consigo enxergar-me assim. Tenho muita cultura e sensibilidade e por isso não posso ser hipócrita (novamente) e dizer-me ignorante.

A verdade é que Chaplin estava certo. Preciso ter em mente a certeza da fragilidade humana e de nossa natureza nitidamente corruptível. Talvez isto falte em mim: esta certeza. Tudo isso me deixa louca e confusa, por eu ser, desgraçadamente, um ser tão pensante e sensível.

Para não deixar a sinceridade de lado, tenho que admitir que ultimamente tenho odiado a raça humana. Odiado em geral. Quando isto passa para a prática, eu esqueço um pouco, tento (e tenho naturalmente) a visão de Chaplin sobre a individualidade de cada um... e acabo amando, importando-me com, criando carinho por estes seres terríveis que somos (sempre com as poucas e boas exceções).

Oh, Deus, jogue sobre mim um pouco de luz (!) e permita-me ver também o lado bom.

E, apesar de tudo, minha felicidade pouquíssimo tem a ver com isso.

sexta-feira, abril 27, 2007

Caetano, CÊ


Não costumo cultivar heróis, ídolos. Existem aquelas pessoas que admiro, apenas. Caetano Veloso, como muitos já devem ter percebido, é uma delas. Não o coloco como deus, não vejo ele como homem da minha vida... nada disso. Eu primeiramente amei sua arte. Depois de alguns textos, entrevistas, frases e principalmente depois do show de ontem à noite, ao qual tive o imenso prazer de assistir, posso afirmar que agora eu o amo. Como ser humano, como artista.


O show foi dominado pelas canções do novo álbum, CÊ (o mesmo nome do show). Este foi um fator importante no andamento do espetáculo. Não sei se isso foi bom ou ruim. Visivelmente, poucas pessoas conheciam as músicas novas. Eu cantava igual uma louca, acho que até o Caetano percebeu.


O show começou com a primeira faixa do álbum. "Outro". O clima estava bom e as pessoas escutavam a música de Caetano com entusiasmo. As cadeiras estavam completamente lotadas, mas as arquibancadas não. Uma pena, mas talvez porque fosse uma quinta-feira. Mas sim, havia bastante gente ali. E eu estava na primeira fila das cadeiras (apesar de as fotos parecerem distantes)!


Todas as faixas, com excessão de "Um sonho" e "Porquê?" foram executadas. Perfeitamente executadas, por Caetano e uma banda de 3 caras super jovens (não passam de 30 anos), ideais para tocar a diversidade da música do baiano fantástico, desde frevo ao rock n"roll.


Outras músicas merecem destaque, como "London London" (essa foi a hora em que me levantei e junto com mais 3 ou 4 pessoas, encorajamos todo mundo a ficar de pé e sair daquele formato boêmio de assistir a um show sentadinho. Que coisa de velho! E boa parte do pessoal se levantou... logo quando ele começou a tocar "Rocks". Meu Deus, parecia show do Placebo. Todo mundo pulando, incluindo Caetano!).

"Sampa" provavelmente foi a música de mais sucesso do show. Caetano optou por músicas mais lado-B, um repertório menos conhecido. Mas foi maravilhoso. Ver o vigor juvenil, político e artístico de Caetano foi uma experiência inesquecível.
"Fora de Ordem" me surpreendeu, espantou-me, eu não esperava essa música de maneira alguma. Deu um teor engajado ao show, que junto com "O Herói" do novo álbum, mostrou um Caetano preocupado com causas sociais.


Os momentos "Ney Matogrosso" (Caetano solta-se completamente no palco!) foram incríveis. Caetano elogiou a cidade, disse que isso aqui é terra bonita... e eu concordo. Ele conversou com o público, deu atenção, foi simpático, humilde, engraçado, showman. Quem disse que Caetano é metido à estrela errou feio, ou mentiu feio. Ele é um grande ser humano, cuja boca se formou para cantar, a goela para arrasar, os pés para dançar, a mente para pensar, os dedos para tocar.


No final bis (mais um! mais um)... e lá vem Caetano de volta, com aquela camiseta hiper simples, tocou mais três músicas cheio de vontade, pulou, dançou e imitou asas de anjo. Porque as dele estão lá, mas são invisíveis.


terça-feira, abril 17, 2007

Seres Sensíveis

Engraçado como tenho momentos de incrível sensibilidade (instântaneos e espontâneos) para com os outros, e em outras vezes simplesmente matenho-me fria e indiferente, mas com certeza não por querer. Sinto-me péssima quando não consigo ser sensível a uma situação à mim apresentada.
Às vezes sinto muito por um problema de alguém que eu nem conheço e outras vezes não sinto nada. Mais importante que sentir é ter consciência, racionalidade. Como eu já disse aqui antes, ter consciência de que o outro existe, sente, pulsa, é o mais importante. Ter consciência de que aquele problema é enorme, mesmo que não seja diretamente seu. Sensibilizar e sensibilizar-se é preciso. Não por motivos religiosos, pessoais, ou para sentir-me uma pessoa melhor. É simplesmente um dever, algo que precisa ser resgatado, algo que sim, faz parte de nós, mas estamos horrivelmente embrutecidos pelo mundo em que estamos inseridos.

Quanto mais egocêntrica uma pessoa é, menos eu sinto por ela. É preciso haver uma rede mundial de sensibilidade, com todos sendo humanos e só assim haverá amor de verdade.
Quanto mais simples a pessoa, mais eu vejo sentimentos e sangue ali dentro, mais nítido fica para mim seu coração. Quanto mais robótica, cibernética, gananciosa e insensível é a pessoa, menos eu gosto e menos eu me importo com ela. É como se ela nem existisse para mim (não que minha visão seja o centro das coisas). Porque onde não há sensibilidade não há vida. E mesmo assim eu sempre faço um esforçozinho para sentir o outro, mesmo quando a tarefa não é espontânea, e sim pensada... no fundo sempre há um coração, mesmo que bem escondido. Sim, há.

domingo, abril 08, 2007

Coração de Aprendiz

Gente, eu não nasci pra estudar, não. Sou meio rebelde nos estudos, como dizem que Einsten era (não estou me comparando com ele, longe disso!).
Alguém, ao ver minhas comunidades do orkut, poderia até perguntar porquê estou em duas comunidades tão contraditórias:
1-Eu adoro aprender
2-Eu não mato a aula, ela é que me mata.

Eu amo aprender, minha cabeça é pensante por natureza, tenho curiosidade sobre muita coisa (nunca sobre tudo - tudo é demais, e tudo inclui lixo demasiado). Mas eu não gosto de estudar.
O problema é que eu discordo do sistema educacional brasileiro, radicalmente. Esse sistema baseado em decorar letras, depois decorar gramática e tabuada, assimilar teorias de todo tipo de gente como se fosse verdade absoluta e nem sequer discutir tais teorias, assim como assimilar a história do Brasil como uma história de heróis burgueses, quando os verdadeiros heróis ficam esquecidos... Esse sistema é ridículo.

Nas aulas deveríamos, desde pequenos, falar quando quiséssemos, respeitando o professor claro, mas interferir sempre que possível, com um feed back constante, um misto de opiniões, pois na verdade, caros amigos, até a ciência muitas vezes é baseada em opiniões e nada é muito certo no mundo. Odeio "aquela velha opinião formada sobre tudo", odeio verdades absolutas, odeio toda generalização! Essa incoerência com a verdade com a qual esbarramos frequentemente nos livros de todos os tipos e no discurso de tantos professores. E os estudantes deveriam abrir a boca só quando tivessem vontade também, nada de tremedeiras na frente da turma.

O ato de ler deveria ser muito mais incentivado, mas não com aquelas leituras obrigatórias de ensino fundamental e para o vestibular, e sim com liberdade total para que os jovens lessem o que quisessem e discutissem literatura com vontade. Literatura política deveria ser mais incentivada, Marx, Guevara... Idéias opostas ao capitalismo em que vivemos, não para formar revolucionários sem causa, mas para que essa idéia de que capitalismo é o fim de tudo cessasse e para que as pessoas pudessem ver de vários ângulos o que poderia ser a vida.
Xadrez, esportes em geral deveriam ser uma opção concreta para quem não quisesse aprender matemática ou geografia em sala de aula. A arte deveria estar em todo corredor das escolas, acordes deveriam ressoar pela praça de alimentação, jovens deveriam ficar na grama olhando para o céu e apreciando a natureza.

Enfim, liberdade plena. "This is my utopia", como diz Alanis Morissette.

Eu odiava ir para a escola, principalmente no Ensino Médio. Fui uma garota-problema, mas não me orgulho disso. Eu queria ter tido mais amigos, mais histórias para contar sobre a escola. Porém o reflexo óbvio da falta de sensibilidade (esta que a escola deveria cultivar no aluno) dos meus colegas de classe me deixavam excluída, porque eu era diferente e eles não toleram o diferente. Isso a escola deveria fazer: ensinar a tolerância e o amor ao próximo. Coisa que poucas instituições fazem.

O vestibular é um método eficaz, porém não estou certa sobre se ele é justo ou não. Estudamos como cavalos durante as madrugadas e perdemos parte da nossa juventude para decorar formas de física que daqui a um ano esqueceremos. É fato. Fazem de nós robôs ambulantes quando deveríamos estar na praia tomando água de coco. Não defendo a vagabundagem, não é isso. Mas a imposição, a pressão, é sempre algo injusto. Fora as gritantes diferenças sociais. Imagine um cara de dezoito anos, de intelectualidade média, que gosta de ler Machado de Assis mas odeia química e não tem grana nem para comprar "Memórias Póstumas de Brás Cubas", seu livro preferido (ele pegou da biblioteca). O dinheiro acumulado em meses vai servir para comprar um livro de química e não um livro do Machado. De qualquer forma, esse caso não é nada perto dos que morrem de vontade de fazer um cursinho pré-vestibular mas não tem dinheiro para isso, e apesar dos esforços, acabam não passando no vestibular pois não receberam as mesmas dicas dos que fizeram cursinho.

Quando entrei na faculdade de Licenciatura em Música pela Estadual eu me decepcionei muito com o sistema. Entrei na de Fisioterapia numa particular e a decepção foi pior ainda. É tudo tão chato, entediante. Tenho provas essa semana e não tive coragem de estudar nada ainda. Sim, é falta de disciplina, eu admiro muito meus colegas que estão se matando de estudar agora, mas será que isso vai mudar muita coisa no final? Essa absorção de conteúdos enormes em poucos dias é eficaz? O problema do ensino no Brasil é ficar na entediante teoria. É tudo muito teórico e perdemos muito tempo com papo furado. Um pouco de teoria é fundamental, porém muita coisa se aprende bem melhor vendo na prática, pegando na massa. Eu não sei nada de fisioterapia realmente, ainda.

Por que não podemos ser como os gregos, que faziam poesia em praça pública e discutiam política em fórum aberto a todos? Assim, com diálogo, a coisa fica muito melhor.

Eu gosto de aprender, sim. Adoro. Mas aprender com a vida, vendo como tal animal se comporta (sem precisar medir sua pressão osmótica), como cozinhar um peixe com batatas, como aprender a fazer pipa com meninos brincando na rua, conversando com uma senhora de 70 anos e perguntando como era a moda nos anos 50, conversando com todos os mais velhos, sentindo o cheiro da rosa e percebendo como a vida pode ser bonita. Esses sim, são aprendizados úteis e que mexem com a sensibilidade, coisa que a escola, extremamente técnica, não ensina a ninguém.

Marisa Monte disse:
"Por isso eu pergunto à você no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria.
O mundo é uma escola, a vida é um circo...
Amor: palavra que liberta. Já dizia o profeta"

Eu fico com a sabedoria.

domingo, abril 01, 2007

Cheeseburger Exótico



Esses dias tomei um iogurte de cupuaçu. É uma delícia, provavelmente o iogurte mais gostoso que já provei na vida. E na embalagem dizia-se: "Exotic".


EXÓTICO:
diz-se dos animais ou plantas que não são naturais dos climas para onde foram transportados;
que não é indígena;
estrangeiro;
extravagante, esquisito;
estranho;
singular;


Exótico em que sentido, então? Provavelmente um iogurte de CUPUAÇU deve (ou deveria) ser exportado para que os gringos provem as maravilhas feitas com as frutas tropicais. Mas, dentre as possíveis definições, eu diria no máximo que o cupuaçu é uma fruta "singular". Não é estranha, não é extravagante nem foi transportada para outro clima, sendo que a polpa usada no iogurte é do Brasil, de onde vem o fruto realmente. Então, que diabos seria exótico, neste contexto?


Eu sei que é ridículo encucar com um iogurte, mas eu me divirto encucando com coisas bobas e gosto de questionar simplesmente porque é preciso. Alguém tem que ocupar esta função.

Seria um cheeseburger exótico porque tem um gosto singular? Ou porque é um tanto extravangante, com suas quase 700 calorias? Eu adoro cheeseburger.

sábado, março 24, 2007

GOD SAVE THE PUMPKINS


Eu estava tendo uma conversa com a Carol e percebi que realmente adoro listar as coisas! Não é que eu goste de hierarquias, sou totalmente contra isso no plano social, mas como arte é questão de gosto, não vejo problema nenhum nisso, afinal é apenas uma opinião minha.

Estávamos falando nos Smashing Pumpkins e em como, quase que pateticamente, nenhuma banda consegue, ao nosso ver, ao menos empatar com a antiga banda de Billy Corgan. Nenhuma! E surgem milhares de bandas todos os anos...
Não é uma questão de cegueira de fã, é questão de analisar e simplesmente notar.

Terá Billy Corgan uma fórmula especial para pôr letras tão lindas em cima de riffs e solos perfeitamente originais? Ou será apenas a química perfeita entre um grande compositor sensível, um guitarrista bastante técnico da mão pequena, uma grande baixista quase-albina estranha e um baterista tímido, mas que bate forte e eficientemente? Estamos longe da resposta.

Smashing Pumpkins no topo. Vejamos quais as outras bandas que fazem meu coração surtar. Na ordem que vier na cabeça, e esse deve ser o meu gosto mesmo.

Placebo, a única grande banda à qual eu já tive o privilégio de assistir ao vivo. Brasília, Abril de 2005. Eu fui a primeira a ver Brian Molko, vestido de branco, alegre e fumando. Por uma fresta eu o vi, o maior compositor de rock inglês de todos os tempos (que responsabilidade dizer isso)! Eu não gosto de rock n'roll simplesmente. Eu gosto de rock alternativo, pois o rock "normal" atual é uma merda. O rock n'roll mesmo, aquele dos anos 60, era bom, até o que tocava nas rádios. E eu não consigo pensar em nada melhor que Placebo nos dias atuais (a Smashing Pumpkins já acabou).
Brian Molko é um homenzinho baixo (como eu - os baixos não são tão piores assim), gay, muito gay, tem uma voz estranha porém afinadíssima, capaz de cantar em vários timbres, tons e gemidos perfeitos (nada exagerado). O cara escreve sobre qualquer coisa de forma poética e criativa. Ele fala de amor, de família, de amigos, de sensações, de sexo, de política, de nostalgia, de tudo! - sem perder a linha.

Agora Kings Of Convenience veio à minha cabeça. Mas eles são uma dupla e tocam apenas violão. Então não vale, estou falando de bandas, especialmente bandas de rock ou na qual haja ao menos um guitarrista, um baixista e um baterista (Se fosse no geral viriam os Kings).

Beatles. O motivo é muito óbvio. Eles não necessitam de comentários, necessitam? Só digo uma coisa: odiava Beatles quando criança.

Radiohead. Thom Yorke é um gênio e acho que isso basta.

Manic Street Preachers. Em pouquíssimo tempo os caras viraram meus ídolos. Como disse o Nivandro, eles falam de política "sem serem panfletários" e também sem serem agressivos; suas músicas são realmente harmônicas, bem sentimentais, bem profundas. A voz do James é especial, os refrões são sempre bastante empolgantes.

Sixpence None The Richer... não é rock, mas é uma banda completa, então vale. Como definir Sixpence? Já escrevi um post inteiro só sobre eles, quem quiser ler procure há uns cinco meses atrás neste mesmo blog. É puro sentimento, só.

Magic Numbers. Os gordinhos fazem um som folk muito técnico, perfeito, lindo. Os vocais e backvocals são perfeitamente encaixados... É ótimo ouvir MN, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada...

Belle & Sebastian. Ah, eu não gosto de tudo que eles fazem, mas é uma das melhores bandas da Europa da atualidade, apesar de dar sono às vezes. Tenho vontade de bater em quem fala mal de B&S. É a música mais fofa do mundo.

I Love You But I've Chosen Darkness. QUE BANDA É ESSA!!!!!!! Eu nem sei como falar deles, é uma banda nova mas que com um único álbum já conseguiu entrar para todo o sempre na minha lista de melhores.

Cake. Cake é muito, muito alternativo, apesar de não usar elementos eletrônicos (pelo contrário, a marca da banda são os solos de trompete). É muito bom, principalmente musicalmente (apesar de as letras também não ficarem para trás).


Camera Obscura. A voz da vocalista é irresistível.

Editors. Admito que acho o vocalista muito sexy (eu DIFICILMENTE olho um artista por esse lado), mas o acho muito mais pelo seu lado fofo, com cara de artista competente, sério, do que por qualquer outro fator. Ele é lindo, mas as músicas de sua banda são mais lindas ainda.

JJ72. Eu fico imaginando que tipo de influências essa banda pode ter. Eles tocam diferente, o vocalista canta diferente, eles, fisicamente, são diferentes (estranhos), a sensação que a música deles causa é diferente... enfim, diferente de tudo! Escutem e comprovem.

Keane. Melancolia necessária e tristeza sincera costuradas em belos arranjos de piano e voz.

Outras bandas que eu, analisando tudo (a parte métrica da letra, a mensagem, a parte musical em si, incluindo, até certo ponto - também a técnica) admiro e adoro:

-Idlewild
-Los Hermanos
-Parafusa
-Secos e Molhados
-Broken Social Scene
-Cooper Temple Clause (essa eu descobri agora praticamente)
-Pato Fu
-Flaming Lips
-Arcade Fire (menção especial)
-The Smiths
-Coldplay
-Travis
-Cranberries
-Killers
-U2
-R.E.M
-The Strokes
-Queen
-The Artict Monkeys
...
-Pink Floyd (mais por admiração do que por adoração)
-Paralamas do Sucesso (idem)
-Pixies (idem)
-White Stripes (idem)
-Oasis (idem)
-Gram (idem)
...
-Led Zeppelin
-Mutantes (não curto, mas os caras deram passos enormes no experimentalismo e isso é admirável)


PIORES BANDAS:
Eu não vou perder meu tempo aqui dizendo que Charlie Brown Jr e CPM 22 são bandas horríveis, assim como essas bandinhas da moda, as EMO, do tipo Simple Plan e afins.
O que vou listar são as bandas que tentam ser cult e fingem ser boas e intelectuais quando na verdade não passam de marketing, aparência, chatice ou barulho:

-Yeah Yeah Yeahs (Aghhhhhhhhhhhh! Banda super cultuada pela crítica, metida a chique... uma grande m...)
-Kaiser Chiefs (Todas as músicas são iguais)
-The Rasmus
-Linkin Park
-Korn
-Guns N' Roses (medíocre e brega)
-Todas as bandas de trash, death e não sei mais o que "metal"
-Evanescence
-Scorpions (nunca vi nada mais brega e deprimente)
...
-E as obviamente péssimas: bandas estilo Good Charlotte (mas essas pelo menos não se metem tanto a música)

quinta-feira, março 15, 2007

Rude Sou

Antes do texto quero comentar:
1- Este é o meu 110º post!
2- Esta é a versão completa do texto do meu perfil do orkut.

Sou má, desonesta, rude, ríspida, amarga, apática, indiferente. Tendo consciência de tantos defeitos e exagerando alguns outros, só assim posso realmente crescer. Mas há um detalhe: não quero perceber, não quero notar. O crescimento consciente é tão perigoso quanto a mediocridade. Há diferenças gritantes entre ser mais e ser mais evoluído. Não quero que ninguém seja meu espelho diante de minhas próprias análises... e, sendo confusa, talvez nenhum filósofo reflita sobre o que os outros também não pensem, apenas o fazem de forma mais crítica e organizada.
Faço o meu dever de forma racional e até fria, nem sempre o sentimento está presente na caridade. Não creio que se "pôr no lugar do outro" é a única maneira de sentir o próximo, basta lembrar que naquelas veias corre sangue e que naquele peito bate um coração. Não preciso imaginar cenas com o meu eu, sempre eu, por quê? Isso é tão egoísta e ninguém percebe. Os nossos olhos são tão limitados, enxerguemos mais profundamente!
Sou letal, tu és, somos. Somos envenenados diariamente e corremos múltiplos riscos em dimensões invisíveis, a dimensão do caráter, por exemplo. Só me protegendo posso ser tudo o que quero e só me colocando no meu devido lugar (o de um animal podre - como todo o resto), é que posso ser finalmente humana: faço nada mais que minha obrigação e qualquer ato maravilhoso nada mais é do que o que deveria ser banal, básico.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Música: o melhor de 2006


Vamos lá para as melhores coisas do meio musical que me aconteceram no ano de 2006... Atrasei, mas aqui estão:

-Magic Numbers (Escutei bastante no primeiro semestre, quando ainda fazia faculdade de Licenciatura em Música. A banda é simplesmente rica melodicamente e quem discorda disso definitivamente precisa escutá-los novamente. Também adoro os vocais.)

-Camera Obscura (Já esta banda maravilhosa da Escócia marcou muito o meu segundo semestre. Lembra bastante Belle & Sebastian, mas tem bastantes peculiaridades).

-Interpol (Marcou bastante minha festinha de aniversário)

-Massive Attack (Já existe há bastante tempo, mas só comecei a escutar e amar em 2006)

-Editors (Adoro! Excelente banda!)

-I Love You But I've Chosen Darkness (Bem experimental, musicalmente rica, letras interessantes... Amo!)

-Jeff Buckley (Uma porrada de emoções. Jeff, que morreu bem jovem, entendia muito de música)

-Kings Of Convenience (Músicas complexas, inteligentíssimas, com arranjos refinados que lembram a bossa nova brasileira. Duo de primeira qualidade!)

-Leonard Cohen (Gênio)

-Parafusa (Banda brasileira que mistura rock, samba, e outras coisitas mais)

-Secos e Molhados (Extinto grupo musical liderado por Ney Matogrosso. Fez muito sucesso na década de 70, os caras pintavam o rosto e tal... inclusive inspiraram o Kiss na maquiagem)

-The Flaming Lips (Gosto dos álbuns mais recentes, no começo a banda era trash demais... Porém depois evoluiu surpreendentemente!)

-Tristeza (Banda de música instrumental. Divina)

-Tracy Chapman (A melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos)

...

E agora, no começo de 2007, estou ouvindo bastante MANIC STREET PREACHERS. É uma banda que faltava na minha vida. Já conhecia algumas coisas, mas agora me aprofundei na obra deles. Além da sonoridade incrível, percorrendo uma linha entre o suave e o profundo (músicas lentas e outras mais pesadas... mas tudo perfeitamente harmônico), os Manics são conhecidos por inovarem a cada álbum, nunca ficando na mesmice. Preciso baixar alguns álbuns ainda, mas indico para quem quer ouvir letras realmente interessantes, inteligentes e melodias deliciosas.

domingo, janeiro 28, 2007

Sobre o que realmente importa


O mundo está morrendo e, bem... ninguém pensa nisto, mas todos estarão em seu enterro.
Nas últimas semanas uma espécie de histeria coletiva vem tomando conta dos noticiários de todo o mundo, da população e... até de Bush! É incrível como algumas imagens e palavras podem mudar a mentalidade das pessoas, o medo toma conta, mas será o medo do fim do mundo ou o medo dos Democratas, no caso de W. Bush?
Neste sentido (o sentido "sabemos mas não agimos") somos todo de extrema direita.
Hoje senti vontade de chorar ao ver que os corais australianos estão perdendo as cores, estão esbranquiçando, graças à ação do homem, à acidez da água, nada natural.
Lembro-me que quando tinha 14 anos de idade li um artigo em um livro de Geografia que me fez ter consciência dos problemas ambientais desde cedo. Chega à um ponto que cansa. Cansa falar e não ter poder suficiente para dar um basta em certas coisas.
Hoje uma tia minha disse que isso tudo é "o preço do progresso". Perguntei-me a que progresso ela se referia. Computadores, robôs, bonecas que falam, celulares que filmam, iphones, aviões que voam feito foguetes, engarrafamentos, estresse, epidemia de depressão? É este o preço?

Quero muito entender este progresso. Na verdade, se isto é progresso eu prefiro ficar estagnada. Num lugar bem verde e cheio de passarinhos. E com outro tipo de evolução.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

...

Que somos senão acúmulos?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Invadindo o blog alheio


Confesso: blogueiros são chatos. Vai gostar de escrever assim lá na esquina! Ok, não me orgulho em ser um destes seres. Muita gente me mostra endereços de blogs, dizem pra eu visitar, frequentar... mas que nada! Eu mal visito o meu, imagina dos outros. Aliás, eu não faço propaganda do meu blog exatamente por isso. Não coloco o link no orkut e nem digo para os meus amigos que tenho uma página virtual (só para os mais chegados).

Porém nessas últimas semanas foi notícia em toda parte que a Leandra Leal, a atriz (aquela do filme "O Homem que Copiava"), tem um blog e que fala muita coisa "polêmica" por lá. Como acho a atriz excelente e o corte atual de cabelo dela é muito legal(!), procurei na web o seu blog e achei. Cheguei à conclusão de que Leandra Leal é uma pessoa legal (aparentemente)! E não só legal, como muito parecida comigo (mas juro que o legal não é porque parece comigo).

Pensamos parecido em muita coisa:
-Amamos a música de Caetano Veloso (ela é tão admiradora dele quanto eu!)

-Ela é louca pela Mangueira, esta a Escola de Samba do Rio de Janeiro pela qual eu torço desde criança, e adoro!

-Isso significa que ela gosta de carnaval. Eu amo carnaval! Prova de que pessoas interessantes podem gostar carnaval.

-Ela é politizada! Interessa-se por política, como todo ser humano DECENTE deveria fazer. Pois política mexe na vida de todo mundo, e quem não dá a mínima para ela é no mínimo egoísta ao extremo. Pra mim quem não é politizado é um cadáver social, um morto!

-Ela votou no Lula no segundo turno (acho que no primeiro também). Ele não era o melhor dos candidatos na minha opinião (inclusive acho que a Leal criticou o Psol, o meu partido), mas o importante é que ela criticou (com todo o respeito, meteu o pau) com muita indignação o governo do PSDB, falou mal do Alckmin e se mostrou muito interessada no lado social do país.


Só não gostei de uma coisa. Ela tem compulsão por livros (...)

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Fênix e Olga Benario


Atenção: só leia este post quem tem paciência para redundâncias. Pois o que aqui direi é apenas uma versão nova do que já aqui comentei.

Como posso lutar contra um mundo que, como questionou Olga Benario no filme de Jayme Monjardim, talvez não queira ser mudado?

"Será que o mundo quer ser mudado?"

Vendo o filme pela segunda vez (a primeira foi no cinema, e agora o tenho para sempre, pois comprei o dvd), comovi-me mais com os coadjuvantes judeus do que com a própria Olga. Olga teve reconhecimento. E os outros, pessoas sem nome, pessoas "sem valor", pessoas que não entraram para a História? Não que entrar para a História mude algo, de fato. Ilude-se quem assim pensa. Entrar para a história não deveria ser objetivo para ninguém, mas sim mudá-la. Não pelo próprio nome, mas por todos.
Vejo o mundo tão corrompido, tão embrutecido, desesperançoso. Por que, por que vocês aceitam isso? Gritem aos meus ouvidos, até que eu entenda! Digam-me o aquece seus corações nesse mundo tecnológico, onde a guerra esmaga o amor, onde a paz se fantasia de comodismo, onde a televisão empurra para vocês todas as inovações e modernices mascaradas de felicidade? E se não tiverem resposta, alimentem-se do dinheiro, bailem nos bancos monetários e comuniquem-se com os amigos através de uma tela gélida para o resto de suas vidas!

Sim, estou furiosa. O motivo não é pessoal (apesar de às vezes tornar-se), é uma questão de justiça, de humanidade. É isso o que falta, não percebem? Enquanto nos vermos apenas como objetos que satisfazem a necessidade um dos outros, ou como bobinhos que podem submeter-se à vontade de outros mais poderosos, o mundo vai continuar assim. Uma bola de injustiças. Uma bola que um dia foi azul e agora está acinzentando-se. Porque além de tudo, o homem acha que é dono de todo o resto da natureza. Alguns não entendem essa minha preocupação, inventariam mil razões "pessoais" por eu me importar com isso. Será que é tão impossível se importar com algo que não seja a própria testa? A opinião de um bruto que pense assim não vale um centavo para mim.

É muito o que eu tenho a dizer sobre assunto. Eu pratico a justiça todos os dias, sempre que posso. É natural em mim, apesar de poder parecer forçado. E quando alguma tentação me diz que devo fazer uma bobagem, esforço-me para ser justa ainda assim. É algo próprio em mim, acrescido com um certo esforço em algumas situações, o que não mata ninguém. Não, não me acho melhor que ninguém por isso. Na verdade, eu juro que preferia que todos fossem assim. É tudo falta de vontade, egoísmo. Porque para quem quer, nada é impossível.

Estudei uma vez em Português que quem escreve o faz por variados motivos. Um dos motivos é tentar conscientizar. Hoje em dia tento escrever principalmente com este objetivo sincero. Às vezes escrevo como desabafo, outras por puro prazer, ou ainda pensando em intercâmbio de idéias com pessoas que venham a ler. Mas conscientizar é o que mais tento fazer, sem querer receber nada em troca, quem receberia algo seriam as próprias pessoas, o mundo.

Esgotam-me, secam minha paciência escritores que não tem nada a acrescentar. E sinceramente, isso é o que mais tenho visto. Aliás, uma novidade, eu não quero mais ser escritora. Pelo menos não vou me matar para isso.

É incrível. Toda vez que chego ao fundo do poço (e acho que isso só aconteceu duas ou três vezes), eu ressurjo bem mais forte. Fortíssima. Ainda não estou recuperada, mas sinto que estou melhorando. E com idéias cada vez mais convictas, idéias para o bem, que não fariam mal a uma formiga. A melancolia (que aprendi há pouco tempo que não significa tristeza e sim deparar-se consigo mesmo e consequentemente, com a reflexão) me faz muito bem. Talvez eu saiba usá-la bem.

Eu sou a FÊNIX. Ressurjo de minhas próprias cinzas. Ressuscito.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Come-se para depois cuspir


Digamos que esta maçã seja um ser humano. Eu sempre a mastigo e não consigo engolir a casca. Isto é fato. Então esta maçã deu sequência a pensamentos, reflexões.
As pessoas em geral fariam o contrário. Mastigariam a casca, a superfície, a aparência, a carne, o desejo de algo mascarado e claro, inicial. Assim que terminassem de mastigar a casca, tão bonita e brilhante, tão educadamente falsa primeiramente, irão descobrir as vísceras reais da maçã. Iriam descobrir sua essência e que em seu centro existe algo intragável e também as sementes, carentes de serem semeadas.Então viriam a azia, o enjôo... e o cuspe.


PS: foto e texto originalmente feitos para o meu fotolog. www.flogao.com.br/angulosecreto

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Melhores Filmes e Livros 2006

Como prometido, e mesmo que ninguém quisesse eu gostaria de listar para mim mesma, aqui estão as listas dos melhores filmes que vi em 2006 e dos livros que li no mesmo ano. É importante lembrar que não são filmes e livros necessariamente lançados no ano passado, mas sim os que eu vi/li pela primeira vez durante tal período.

Primeiramente os filmes. É com muita satisfação que percebo quantos filmes bons e construtivos (outros totalmente destrutivos) eu vi neste ano que passou. Pude apreciar, contemplar, deleitar-me, refletir, criticar.
Descobri novos diretores e cineastas. Eu comecei a me interessar por filmes mais alternativos há pouco mais de três anos, e levando-se em conta que moro numa cidade que pouco valoriza a sétima arte, acho que consegui bastante coisa. Em 2006 nem o Festival de Cinema de São Luís aconteceu. Devido ao fechamento temporário do cinema em que o festival normalmente ocorre, não pude curtir a mostra em que eu já estava viciada. Mas tudo bem. Ainda existe a Backbeat (locadora muito boa) que nos dá um pouco do melhor do cinema de arte mundial.

Dos diretores que descobri (claro que já ouvira falar antes em alguns deles, mas quando digo que descobri refiro-me ao fato de me aprofundar na obra dos mesmos) os que mais gostei foram Charles Chaplin, Mike Leigh, Akira Kurosawa, Darren Aronofsky e Abbas Kiarostami. Eu simplesmente tenho que reverenciar estes grandes cineastas. Chaplin e Kurosawa principalmente, são geniais, em minha opinião.
Também vi filmes de outros diretores que não conhecia, como Bergman, mas preciso ver mais da obra deles para poder formar uma opinião sobre.
Descobri também que definitivamente não gosto do estilo de Almodóvodar, apesar de ter adorado "Volver". São filmes interessantes, mas que talvez por serem pessoais demais e com temas que muitas vezes não passam de fantasias e fetiches, não me agradam. Não estou dizendo que são todos ruins, mas em geral simplesmente não são do meu gosto.
Também não gosto muito de Woody Allen, mas ele é bom. Contraditório? Não sei. Digamos que não me identifico com seus filmes, mas preciso admitir que ele tem passagens muito boas e filmes excelentes como "Ponto Final" e "Rosa Púrpura do Cairo". Contudo, não o admiro.

Aqui está a lista dos que mais gostei, dentre os vistos no ano de 2006. Vi mais de 100 filmes e fiz um Top 30. Levo em conta a história, o roteiro, as atuações, a fotografia (um dos itens que mais observo) e a direção. Além de que sempre me questiono: Este filme foi produtivo, de alguma forma? Obviamente, quando um filme consegue unir o útil ao agradável, como entreter e induzir à reflexão, então isto é a perfeição. Para mim.

O Mundo de Leland
Respiro
Anti-Herói Americano
Gattaca
O Segredo de Brokeback mountain
Gritos e Sussurros
Ponto Final
Agora ou Nunca
Abril Despedaçado
A Grande Sedução
O Cachorro
Sonhos
O Vento nos Levará
O Solitário Jim
Tempos Modernos
Os Sem-Floresta
Gosto de Cereja
Segredos e Mentiras
Madadayo
Barry Lyndon
Koyaanisqatsi
Rapsódia em Agosto
O Grande Ditador
Luzes da Cidade
Manderlay
Camelos Também Choram
Sophie Scholl
Casamento ou Luxo
Pequena Miss Sunshine
Fonte da Vida





O Genial Chaplin em Luzes da Cidade:

Um filme muito original, Respiro:

Atuação impecável de Julia Jentsch em Sophie Scholl:


Um mundo em caos. Koyaanisqatsi:


Uma das fotografias mais bonitas que vi, Barry Lyndon do perfeccionista Kubrick:


Madadayo, do mestre Kurosawa:


Sobre os livros, não sei se lamento ou não a quantidade diminuta que li em 2006. Pois livros mexem demais com minha cabeça. Eu já não sou muito certa, sou? Não sei, queria ser. Escritores falam muitas bobagens às vezes e influenciam negativamente as pessoas. Isto é fato. Outros, positivamente. Fato. Mesmo que doa dizer isso, pois eu quero ser escritora, eles falam muita bobagem e isto é verdade, não posso fazer nada. Assim como estou falando bobagem aqui.

Abaixo não é uma lista dos melhores, mas sim de todos que li ano passado. Pouquíssimos. Em 2005 li bem mais. Mas a faculdade de fisioterapia muitas vezes me deixava fora de casa o dia inteiro, só ficava em casa para comer, tomar banho e dormir.

Destes poucos, os melhores foram Flush (pela diversão, pela leveza), Incidente em Antares (pela maravilhosa reflexão crítica a que induz) e A Revolução dos Bichos (um livro objetivo, sarcástico, de linguagem simples, porém prazeroso e inteligente. Diria que é perfeito).
Passeio ao Farol é uma obra-prima de Virginia. Impressiona-me como ela sabe usar as palavras e como ela é inteligente, como sabe ser criativa e única. Mas neste livro ela extrapola. É radical demais, exige um ritmo absurdo do leitor, é difícil, chato, complexo, paranóico. De paranóica já basta eu. Por isso eu não o incluo entre os melhores do ano.

Flush - Virginia Woolf
Incidente em Antares - Erico Veríssimo
Frei Luís de Sousa (teatro) - Almeida Garret
O Código Da Vinci -Dan Brown
A Revolução dos Bichos - George Orwell
A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Passeio ao Farol - Virginia Woolf

terça-feira, janeiro 02, 2007

Valéria, onde estás?

Eu era forte e feliz. Onde se perdeu a minha essência?
Para onde foi minha alma?

:(

Este ano precisa ser bom. Vai ser um recomeço. Mas eu ainda preciso juntar forças para poder recomeçar. Quando esta crise vai terminar? E quem liga?

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Sobre os olhos

Tenho uma tese não muito agradável. Física, talvez. Provável motivo dos vivos esquecerem os mortos e provável motivo da mentira ser algo que se mascara, que quando acontece é sempre por trás do inocente.
O motivo são os olhos. Eles são o espelho da alma, dizem. Então temo que tipo de alma as pessoas possam ter. Porque sempre, é incrível, sempre se faz algo sujo por trás. Não entendo e nunca entenderei porquê. Os olhos só confiam no que vêem, são desconfiados ao extremo, são inseguros, generalizadores, estúpidos e maldosos. Não todos, claro (todo o cuidado para não generalizar é pouco). Mas eles são assim, o espelho da alma e a faca que fere corações.
Se as pessoas não possuíssem olhos talvez as relações humanas fossem baseadas em algo mais sincero que não a aparência e o glamour. Não quero perder nunca este sentido tão importante, mas claro, tudo isto é apenas para reflexão. Não reclamo da divina capacidade de olhar. É agradável, prazeroso, automático. Instintivo, e como alguém poderia condenar isso?
Não é nada disso que falo. O problema é muito mais profundo. Quantas vezes já vi pessoas dizendo que tal viagem à África mudou suas vidas? É diferente olhar com os próprios olhos, sentir todo o sofrimento de outrém em pele própria. Mas não deveria ser assim, chega a ser ignorância, inconsciência. Todos sabem da existência de milhares de sofredores, de variados problemas sociais e não fazem absolutamente nada a respeito, chegam a ser frios e desinteressados. Quando olham uma foto de alguém em pele e osso apenas, ou de uma criança implorando comida com os olhos, essas pessoas choram, comovem-se. Comovem-se naquele momento e depois esquecem de novo... Porque as imagens chocantes não estarão mais ao alcance dos olhos. Isto, sim, deve ser condenado. A memória só apaga o que se permite apagar.
O sentir humano é muito mais poderoso do que parece. Pode ir muito além dos que os olhos vêem, se as pessoas se permitissem. Ser sensível consigo mesmo é muito fácil, natural como difusão facilitada. Difícil mesmo é tentar enxergar o outro e suas necessidades. E este enxergar faz-se com olhos invisíveis, os olhos abstratos da sensibilidade.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

FELIZ NATAL


Por que muitos reclamam do Natal? Eu mesma devo ter resmungado alguma vez contra esta data. Mas a verdade é que eu a adoro. Adoro.
Este clima de união me toma, a cidade enfeitada me encanta, uma festa de dimensão mundial assim realmente me impressiona. Eu sei o que há por trás disso. Hipocrisia? Talvez, de alguns, não vou negar que existe. Mas ao meu ver o que o Natal traz de positivo é imensuravelmente maior. É magia. É uma esperança que, digo, as pessoas necessitam. Odeio falar de necessidades, mas o mundo, tão seco e ácido como se encontra, precisa cada vez mais deste tico de esperança, desta mágica, de crianças felizes esperando o Papai Noel. Ah, não venham me dizer que vocês odeiam o Papai Noel. Este é uma figura fofa, de mentirinha claro, mas quem não descobre isso depois? Não é uma mentira maldosa, faz parte da imaginação e fantasia de toda criança. E crianças adoram este tipo de fantasia.

Muitos intelectuais ou pessoas desencantadas falam das festas de fim de ano com certo desdém, com um pingo de amargura, dizem que este espírito de amor é falso porque só existe no Natal e que ninguém deseja as coisas sinceramente. Discordo.
As pessoas são fracas, estamos tão cansados de saber disso... A grande maioria se corrompe com as tentações do cotidiano, deixam-se levar por emoções muitas vezes egoístas. Isso significa que são pessoas inteiramente ruins? Não. Não, não. Acredito que muitos quando falam "Feliz Natal!" dizem-no de coração, simplesmente por estarem num clima de laços.

Acho que esta é a chave. O clima. O Natal tem toda essa magia porque todos se empenham em criar um clima de amor, de amizade, de paz. Todos os sentimentos que realmente importam. Obviamente, existe o lado de data comercial, mas nada é perfeito. Sempre existe a mão capitalista no meio, ou um dedo. Mas lembremos que a data é religiosa. Para os Cristãos, simboliza o nascimento de Cristo (sabe-se que é um dia simbólico, eleito pela igreja, pois ninguém sabe ao certo o dia do nascimento de Jesus). Mas na verdade, nessa data (25 de Dezembro) era comemorada uma festa pagã. Há toda uma história por trás, mas não é isso o que quero discutir. Há muitas provas, para quem lê artigos científicos sobre o assunto, de que um homem chamado Jesus realmente existiu e foi um líder na sua época. Provavelmente era um homem de grande carisma, com uma boa moral e ética. Por tudo que sei, foi um homem admirável. Não afirmo aqui qualquer divindade. Se ele era filho de Deus... eu que vou saber? Não discuto essas coisas. Mas celebrar a vida simbólica de um homem que representa a bondade e o amor em si já é algo muito válido.

É interessante celebrar coisas. Homenagear pessoas... Homenagear a humanidade. Imagine a vida sem tais celebrações. Seria no mínimo sem graça. O importante é que cada um saiba usá-las da melhor maneira, independente de ter ou não religião.

Em minha opinião, não deveríamos olhar o Natal de forma negativa, nunca. Mesmo que seja uma pequena fração do ano, é sempre bonito ver pessoas com um brilho diferente no olhar. E talvez o Natal persista por tanto tempo porque vem em uma tentativa de nos fazer ter este brilho e este amor durante todos os dias do ano.

Eu particularmente não comemoro a data no sentido religioso, apesar de respeitar este. Comemoro porque gosto de ver as pessoas alegres e unidas e deveria sim, ser sempre assim. Mas como nem sempre é, aproveito ainda mais o Natal. Com minha família, torço para que as coisas melhorem... e para que o amor não tenha data de validade.