
Atenção: só leia este post quem tem paciência para redundâncias. Pois o que aqui direi é apenas uma versão nova do que já aqui comentei.
Como posso lutar contra um mundo que, como questionou Olga Benario no filme de Jayme Monjardim, talvez não queira ser mudado?
"Será que o mundo quer ser mudado?"
Vendo o filme pela segunda vez (a primeira foi no cinema, e agora o tenho para sempre, pois comprei o dvd), comovi-me mais com os coadjuvantes judeus do que com a própria Olga. Olga teve reconhecimento. E os outros, pessoas sem nome, pessoas "sem valor", pessoas que não entraram para a História? Não que entrar para a História mude algo, de fato. Ilude-se quem assim pensa. Entrar para a história não deveria ser objetivo para ninguém, mas sim mudá-la. Não pelo próprio nome, mas por todos.
Vejo o mundo tão corrompido, tão embrutecido, desesperançoso. Por que, por que vocês aceitam isso? Gritem aos meus ouvidos, até que eu entenda! Digam-me o aquece seus corações nesse mundo tecnológico, onde a guerra esmaga o amor, onde a paz se fantasia de comodismo, onde a televisão empurra para vocês todas as inovações e modernices mascaradas de felicidade? E se não tiverem resposta, alimentem-se do dinheiro, bailem nos bancos monetários e comuniquem-se com os amigos através de uma tela gélida para o resto de suas vidas!
Sim, estou furiosa. O motivo não é pessoal (apesar de às vezes tornar-se), é uma questão de justiça, de humanidade. É isso o que falta, não percebem? Enquanto nos vermos apenas como objetos que satisfazem a necessidade um dos outros, ou como bobinhos que podem submeter-se à vontade de outros mais poderosos, o mundo vai continuar assim. Uma bola de injustiças. Uma bola que um dia foi azul e agora está acinzentando-se. Porque além de tudo, o homem acha que é dono de todo o resto da natureza. Alguns não entendem essa minha preocupação, inventariam mil razões "pessoais" por eu me importar com isso. Será que é tão impossível se importar com algo que não seja a própria testa? A opinião de um bruto que pense assim não vale um centavo para mim.
É muito o que eu tenho a dizer sobre assunto. Eu pratico a justiça todos os dias, sempre que posso. É natural em mim, apesar de poder parecer forçado. E quando alguma tentação me diz que devo fazer uma bobagem, esforço-me para ser justa ainda assim. É algo próprio em mim, acrescido com um certo esforço em algumas situações, o que não mata ninguém. Não, não me acho melhor que ninguém por isso. Na verdade, eu juro que preferia que todos fossem assim. É tudo falta de vontade, egoísmo. Porque para quem quer, nada é impossível.
Estudei uma vez em Português que quem escreve o faz por variados motivos. Um dos motivos é tentar conscientizar. Hoje em dia tento escrever principalmente com este objetivo sincero. Às vezes escrevo como desabafo, outras por puro prazer, ou ainda pensando em intercâmbio de idéias com pessoas que venham a ler. Mas conscientizar é o que mais tento fazer, sem querer receber nada em troca, quem receberia algo seriam as próprias pessoas, o mundo.
Esgotam-me, secam minha paciência escritores que não tem nada a acrescentar. E sinceramente, isso é o que mais tenho visto. Aliás, uma novidade, eu não quero mais ser escritora. Pelo menos não vou me matar para isso.
É incrível. Toda vez que chego ao fundo do poço (e acho que isso só aconteceu duas ou três vezes), eu ressurjo bem mais forte. Fortíssima. Ainda não estou recuperada, mas sinto que estou melhorando. E com idéias cada vez mais convictas, idéias para o bem, que não fariam mal a uma formiga. A melancolia (que aprendi há pouco tempo que não significa tristeza e sim deparar-se consigo mesmo e consequentemente, com a reflexão) me faz muito bem. Talvez eu saiba usá-la bem.
Eu sou a FÊNIX. Ressurjo de minhas próprias cinzas. Ressuscito.
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