Sinto sono...
E meu cansaço é de pessoas
De suas mutações retrógradas
De suas vidas regadas por coisas mortas
Estou embebedada em sensações
Medo do que já vivi
Impressões certas e errôneas
Estou impedida por montanhas...
... Montanhas estas impossíveis de serem escaladas.
V.S.F
sábado, agosto 23, 2008
quinta-feira, agosto 21, 2008
Suck me, dear
Estou confusa. Não sei o que fazer, nem sei como cheguei até aqui. Foi um erro ter escolhido o curso de Fisioterapia. Eu sou artista, isso é a única coisa que posso ser sem esforços, essa é a única coisa que sei fazer. Ser artista. Em mim isso é tão natural quanto respirar.
Desde criança eu gostava de letras, gostava de ler. Fui provavelmente a primeira aluna da turma a aprender a ler, minha mãe até tentou me adiantar para a Alfabetização, mas os diretores da escola disseram que era melhor manter-me com meus "coleguinhas", da minha idade. Enquanto todos ainda aprendiam as primeiras palavras eu já lia nomes de espécies estranhas de dinossauros, em revistas.
Minha primeira arte foi desenhar, eu desenhava muito bem, pena que com o tempo fui perdendo o hábito e não cultivei o dom. Mas ainda gosto de desenho... pena que nem sempre faço as coisas que gosto. E não tenho muitas idéias do que desenhar, isso é esquisito. Depois comecei a escrever poemas. Ensaiei algumas coisas de prosa.
Meu verdadeiro amor é cantar e tocar. Eu amo música. Até os 13 anos eu escutava de tudo, era meio que "eclética" demais. De repente, aos 14, comecei a ouvir metal. Foi uma mudança brusca. Mas eu ainda não tinha me encontrado. Eu já gostava de bandas que adoro até hoje, como Smashing Pumpkins e Oasis. Mas quando eu comecei a ouvir Coldplay finalmente vi o tipo de som que eu gostava.
Com 15 anos comecei aulas de violão e me senti viva. Muito viva. Componho e sinto minha verdadeira contribuição.
Faço faculdade para retribuir aos meus pais, de alguma forma. Mas eles só têm esse pensamento porque a sociedade exige, a educação que eles tiverem exige.
Socorro! Alguém me salve deste sistema que suga as minhas forças... E tira o meu tempo quando eu poderia estar fazendo arte. Arte...
Desde criança eu gostava de letras, gostava de ler. Fui provavelmente a primeira aluna da turma a aprender a ler, minha mãe até tentou me adiantar para a Alfabetização, mas os diretores da escola disseram que era melhor manter-me com meus "coleguinhas", da minha idade. Enquanto todos ainda aprendiam as primeiras palavras eu já lia nomes de espécies estranhas de dinossauros, em revistas.
Minha primeira arte foi desenhar, eu desenhava muito bem, pena que com o tempo fui perdendo o hábito e não cultivei o dom. Mas ainda gosto de desenho... pena que nem sempre faço as coisas que gosto. E não tenho muitas idéias do que desenhar, isso é esquisito. Depois comecei a escrever poemas. Ensaiei algumas coisas de prosa.
Meu verdadeiro amor é cantar e tocar. Eu amo música. Até os 13 anos eu escutava de tudo, era meio que "eclética" demais. De repente, aos 14, comecei a ouvir metal. Foi uma mudança brusca. Mas eu ainda não tinha me encontrado. Eu já gostava de bandas que adoro até hoje, como Smashing Pumpkins e Oasis. Mas quando eu comecei a ouvir Coldplay finalmente vi o tipo de som que eu gostava.
Com 15 anos comecei aulas de violão e me senti viva. Muito viva. Componho e sinto minha verdadeira contribuição.
Faço faculdade para retribuir aos meus pais, de alguma forma. Mas eles só têm esse pensamento porque a sociedade exige, a educação que eles tiverem exige.
Socorro! Alguém me salve deste sistema que suga as minhas forças... E tira o meu tempo quando eu poderia estar fazendo arte. Arte...
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Elimine o lixo de sua cabeça
Enquanto continuarem valorizando apenas o palpável, como o amor irá vencer?Tudo bem. Existe o tato, existe o sexo. Mas o amor não é só isso, certo? O amor não é abstrato, nada é abstrato, pois até o invisível é concreto. Logo, se algo fosse abstrato, tudo o seria. Tudo vêm do plano energético.
O amor está no mente, na alma. O amor é sobre querer bem: fato. Se alguém ama, cuida. É lógico, não há como fugir disso. Logo, se alguém é egoísta e incapaz de olhar o outro, é também incapaz de amar.
Seguindo esse raciocínio, talvez ninguém nunca tenha me amado. No sentido "enamorados". Mas não ligo. O importante é que "eu" amei. "Eu" amo. "Eu" sinto, logo, vivo. Eu dei tudo de mim, posso dormir tranquila, com a consciência limpa. Estava sofrendo e dei um freio. Não faz sentido sofrer por amor. Nem preciso deixar de ter tais sentimentos, afinal, o amor é eterno, incondicional. Nunca deixei de amar ninguém. Todos quem amei, continuo amando. Se você deixa de gostar de alguém, é porque não o amava. Era paixão, e esta tem dias contados: isto está cientificamente comprovado.
Eu rio quando alguém diz que existe "um tipo" de amor que é incondicional. Não é um tipo. É o único. Imagine o quão patético e discutível seria um amor com condições impostas. "Eu te amo, mas com certas condições. E com prazo". Isso não existe. O que é existe é que você pode ter amado o que "pensou" que aquela pessoa fosse. Com o tempo, ela se mostra alguém totalmente diferente. Então você pensa: "O amor acabou". Não acabou.Você continua amando aquela pessoa que conheceu. O problema é que talvez ela nunca existira.
O ser humano costuma mostrar só a casca, inicialmente. Evita a profundidade. Aí surge o encantamento do outro, por algo imperceptivelmente superficial. Como sempre digo, as pessoas costumam amar a novidade. Valorizam tudo que é novo, e isso é uma teoria minha. Porque sempre dizem o contrário, dizem que odeiam o novo. Mentira. O novo parece brilhante e lindo, sempre. Mas as pessoas, que se dizem tão racionais, deveriam notar que aquilo é uma cápsula protetora. Conviva primeiro antes de dizer se está ou não realmente encantado. Aqui eu não falo de anos. Pode ser até dias, horas. Depende da intensidade da conversa, da integração. Uma hora a máscara cai. Quem já viu o maravilhoso filme "Antes do Amanhecer", sabe do que falo. No longa, os dois personagens passam horas juntos em um trem. Mas conversam coisas tão profundas, abrem-se tão sinceramente, que acaba nascendo um nível de cumplicidade e conhecimento mútuo realmente verdadeiro. Mas as pessoas normalmente nem se comunicam direito. Ficam numa conversinha superficial sobre a última fofoca do mês, sobre o Big Brother, sobre o namorado da Carla que a traiu com a Fernanda. Adoram falar da vida dos outros para evitar o vazio da sua própria vida. E preferem evitar tocar nas feridas por medo e assim continuam apenas na superfície da maré. Na superfície da vida. No final, não vivem. Passam a vida apenas observando os outros, que em sua maioria também não vivem.
**
Agora vem uma parte muito importante para que entendam tudo o que eu quero dizer.
Ontem eu vi um filme incrível, incrível. Ajudou-me bastante a tirar "o lixo da minha cabeça", como diz o genial Sócrates, de "Poder Além da Vida".
O filme conta uma história inspirada em fatos reais. A história de Dan Millman (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan_Millman), um jovem ginasta que sonhava com o ouro olímpico.
Dan realmente tinha o talento, mas um belo dia seu osso fêmur se partiu em 17 pedaços, em um acidente de moto. Porém, um pouco antes deste acontecimento, Millman havia conhecido alguém que mudaria seu modo de encarar a vida: Sócrates, um senhor extraordinariamente sábio. Fiquei boquiaberta com algumas coisas que Sócrates dizia.
Se dependesse do pessimismo do prognóstico médico, Dan não voltaria a treinar ginástica, a grande paixão da sua vida. Mas graças aos ensinamentos bastante profundos de Sócrates, ele conseguiu se recuperar em menos de 10 meses, devido ao poder da mente. Eliminar o lixo da cabeça foi o principal ensinamento: eliminar o medo do futuro, o medo dos outros, o medo de si mesmo, do próprio fracasso.
No meio do filme eu me toquei: preciso anotar as frases desse cara. Não, não pareceria uma idiota, idiota seria alguém que visse aquele filme e não extraísse nada do mesmo. Então peguei minha agenda e anotei as melhores frases.
O primeiro ensinamento que realmente me chamou a atenção, foi quando Dan chegou à oficina de Sócrates contando que um amigo da ginástica havia se machucado. Dan lamentava por ter pensado que aquilo seria bom para ele, afinal seria menos um concorrente. Então diz para Sócrates:
-Às vezes eu não gosto muito de mim mesmo. Meu primeiro pensamento foi que talvez a queda de Kyle fosse boa para mim.
Então Sócrates responde:
-As pessoas NÃO são o que pensam. Elas pensam que são e isso lhes traz todo o tipo de tristeza.
-Não sou o que penso?
-Claro que não. A mente é um órgão de reflexão. Reage a tudo. Enche sua cabeça com milhões de pensamentos aleatórios por dia. Nenhum desses pensamentos revela mais sobre você do que uma sarda na ponta no nariz. (OFF: achei essa parte fantástica!)
Certo dia Sócrates acha que Dan finalmente está preparado para ver algo especial. Dan fica extremamente excitado e feliz, achando que vai ver algo extraordinário. Sócrates o leva para o topo de uma montanha e quando chegam lá, Dan não consegue entender o que há de tão especial ali.
Sócrates mostra uma pedra, "perto do seu pé". Dan reclama, nervoso, diz que esperava ver algo fantástico e não uma pedra comum. Sócrates rebate: "você estava tão feliz e animado enquanto estávamos vindo. Sinto muito por não estar mais feliz." E sai caminhando, decepcionado. Então Dan reflete por alguns instantes, ali parado, enquanto Sócrates vai andando devagar. E diz:
-A jornada! A jornada é o que nos traz felicidade. Não o destino.
Achei essa passagem extremamente brilhante. Eu já havia pensado em escrever um conto para falar do mesmo assunto. As pessoas se preocupam demais com o futuro, mas ele é nada mais que um presente que ainda não chegou e irá passar num piscar de olhos. Devemos viver o momento e não esperar por esse "destino perfeito" que nunca irá chegar. A jornada é realmente tudo o que temos. Não somos um ponto final, somos o caminho inteiro. É como esperar apenas pelo fim de um livro... quando, na verdade, a delícia foi ler o livro inteiro, todos os seus capítulos, tudo que os personagens passaram, cada folha, cada página. O fim é só o fim. E na maioria das vezes, não tem nada de especial, é até decepcionante.
Outras frases muito boas que extraí do filme:
"Elimine todo o arrependimento e o medo. Todo o mais pertence ao passado e ao futuro."
"Retire o lixo, Dan. Seu lixo é aquilo que lhe afasta da única coisa que realmente importa... ESTE momento. Aqui. Agora."
"O guerreiro não exige perfeição. Ou vitória. Ou invulnerabilidade. Ele é a vulnerabilidade absoluta. Essa é a única coragem verdadeira."
"Você pode escolher ser vítima ou o que quiser."
"Um guerreiro age e um tolo reage."
"Quero que pare de reunir informações do seu exterior e comece a reunir informações do seu interior. Siga a sua intuição."
Frase do Dan:
"Sempre há algo acontecendo. Não há momentos comuns".
Sim, e eu estou feliz. Sou feliz, estou viva. Estou escutando uma música maravilhosa que descobri ontem. "Constant Craving", da K.D Lang. Melodia linda, voz perfeita. Estou em paz. Acabei de escrever este texto, do qual gostei bastante, estou curtindo o momento e acho isso muito bom. Acredito que esse texto irá ajudar meus amigos e qualquer pessoa que venha a ler a melhorar alguns pontos na sua vida, na sua cabeça. E isso me deixa bem.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Por Mim
Não é a amargura do meu passado que deve me fazer desistir. Nem todos os obstáculos encontrados por mim diariamente.Ainda há muito para lutar por. E meus suspiros de escravidão magnética um dia irão sumir. Irei voar como um passarinho em seu primeiro pulo ar adentro. Sem medo, sem olhos fechados. Numa inocência brilhante que um dia me roubaram.De tudo ao meu redor retiro aprendizado. E quando parece haver nada, cavo mais fundo, e sempre há no podre alguma coisa rica em significados.Deixarei meu coração falar um pouco e todo o pensamento negativo irá fluir para bem longe. Sou feliz. Consigo enxergar numa pétala todo o esplêndor da vida. Em cada passo um triunfo. Sei que muito me magoaram e me magoarão. Sei que dentre todos que amo pouco ganho de volta. Nada importa. O amor é por si só. Fecho-me em mim mesma e sinto uma luz que abrange toda a alma. Aquele sentimento de continuar. Acreditar. Nunca insistir no mesmo erro. Sempre dizer aos amados quão grande é o meu amor por eles. E seguir, pois o amor me sustenta. E o céu o faz. E as pétalas, os passarinhos voando. Enfim, sustentam-me as coisas das quais consigo extrair simplicidade, esta a virtude mais admirada pelo meu ser aspirante a sereno... e que para lá luta em caminhar. Sempre.
sábado, novembro 03, 2007
O Constante
As pessoas mudam. Nem sempre para melhor; esse é o desastre.
Sinto-me tão só. Nunca deveria ser tão inocente em acreditar em tudo tão cegamente, em perdoar erros repetidos religiosamente... Vou morrer assim, tão boba?
Sinto-me tão só. Nunca deveria ser tão inocente em acreditar em tudo tão cegamente, em perdoar erros repetidos religiosamente... Vou morrer assim, tão boba?
domingo, outubro 07, 2007
Choro: Antítese
O choro é uma antítese. Estou com esta idéia há dias na cabeça: já era hora de escrever.
Em algumas coisas há a necessidade. Em mim há uma necessidade neste momento. Ninguém parece me compreender. É de compreensão que eu preciso, pois não sou louca e quando isto acontecer eu saberei reconhecer. Se eu não sou louca eu posso ser compreendida, meu cérebro tem idéias coerentes, trabalha com eficiência. Eu consigo discenir cores e pessoas e não tenho tendências obsessivas, pelo menos não as de grande porte.
Meus pais são maravilhosos e amorosos mas eles não me conhecem. Eu sei e meus amigos sabem que na maioria das vezes que estou triste pode apostar: meus pais estão envolvidos. Não preciso que ninguém me conheça, mas é uma luta pessoal esta com os meus pais. Eu quero que eles me conheçam... e não só até o suportável, não só o superficial. Até dos meus poucos segredos eles vão ter consciência um dia, aposto que sim.
Talvez eu tenha uma obsessão. Acabei de perceber. Eu tenho uma paixão intensa pela verdade, um compromisso, uma espécie de amor leal. Então não é paixão, certo? Disse isso apenas pelo peso da palavra, mas o sentimento amor é mais forte, apesar de não ter o til.
A verdade é essencial no meu ser. Possivelmente porque tenho experiências ridículas com a mentira, não mentiras minhas, mas dos outros. As pessoas não tem idéia de como a mentira é venenosa, mesmo as pequenas. É o próprio diabo, e olha que há gente boa fazendo apologia aos pecados.
Voltando aos meus pais: eles, assim como a minha irmã e meus tios, meus primos e meus amigos... Enfim, todos que fazem parte da minha vida e que fazem, querendo ou não. Eu quero, sem mais nem menos, que eles me vejam exatamente como eu sou. Quanto mais próxima a pessoa, mais triste eu fico em ver qualquer tipo de julgamento errôneo sobre mim. Não, não é que eu queira uma visão perfeita da Valéria, nem uma imagem amável ou
venerável. Simplesmente assim, como eu me vejo. Será tão difícil? Ou será que na astrologia existe mesmo essa divisão entre o que eu vejo e o que os outros vêem?
O choro é uma antítese. Ah, como eu gosto dessa frase que eu mesma inventei! Sou uma escritora orgulhosa e se não fosse provavelmente não estaria aqui escrevendo. Nem para mim mesma. Pode parecer hipócrita, mas muitas vezes eu escrevo para mim mesma. Eu penso em publicar muita coisa, mas se não gostarem eu não vou me enforcar, eu não sou destes escritores que precisam da opinião dos outros, eu sou ruim ou boa, e pronto. Mas o que importa é que eu gosto do que eu escrevo, inclusive depois de várias vezes lido. Seria incoerente eu mesma não gostar. Eu gosto, e muito. Não escrevo tão bem gramaticalmente ou poeticamente falando, ainda falta prática e tenho apenas 19 anos de idade, mas eu já escrevi um livro e sim... a única obra literária que eu criei eu vou jogar fora, ficou um lixo e é para lá que ele vai. Porém, gosto da maioria das coisas que penso e é disso que estou falando, os específicos não contam tanto assim.
Existe a tese, a antítese e a nova tese. A tese seria o motivo da tristeza ou a tristeza em si, insuportável. O choro é a resposta e não que ele seja grandes coisas, mas pode ser
prazeroso pois, como eu já disse, ele é a antítese = ele ameniza a dor. Quando eu me sinto muito triste ou com muita raiva, quando estou naqueles dias de morte ou quando percebo a maldade do mundo eu choro. Choro e choro muito. Com a maior facilidade: é uma arma, uma defesa. É como se cada lágrima fosse um operário tirando o ferro que machuca de dentro da gente. E quanto mais ferro sai, menor a melancolia. Quem disser que sofrer é bom nunca sofreu de verdade. Então vai melhorando e melhorando. E acaba sendo um prazer em si, o ato de chorar. Até porque, já viram algo mais sincero que um choro? Eu nunca vi, a não ser quando alguém fica olhando para a lâmpada durante segundos sem piscar. Até assim é sincero, porque os olhos precisam da água e lá vai ela.
Espero que entendam, não esqueçam que eu preciso de compreensão. Não estou dizendo que a tristeza é algo bom ou prazeroso, porque eu sou totalmente contra esta teoria. No máximo ela é necessária algumas vezes na vida para que a pessoa saiba diferenciar a alegria da tristeza e saiba valorizar a primeira.
O que eu quis foi apenas demonstrar a importância do choro, deste mecanismo da natureza tão importante e ao qual eu sou tão grata. Se não houvesse choro, como é que seria? Quem iria tirar os ferros do meu coração, quem? Não sei, mas acho que seria uma nova Grande Depressão, como da crise de 1929, porém desta vez constante e que levaria ao fim precoce da raça humana.
Sobre os meus pais e minha família (ah, e meus amigos também) eles foram só um exemplo. É que eu rasgo minha alma e minha mente tentando dar explicações e ninguém entende. Não sou complicada, imagina se fosse. Aí chega a um ponto que cansa e eu perco a paciência. Ontem uma colega de turma me disse que eu transmito uma calma muito boa. Fiquei feliz porque alguém percebeu uma característica real da minha pessoa. Eu sou calma, apesar de escrever. Todo escritor parece ser hiperativo, agoniado, tenebroso. Eu posso ser muito agressiva, como todo mundo pode em estado alterado, mas normalmente sou bem calma, clamo por calma, adoro a calma. A calma é a minha felicidade. Tive vontade de dar um beijo na boca da minha colega por tal sensibilidade e pelo comentário ingênuo, porém feliz e perceptivo.
Ah, eu não gosto de atuar. Esse negócio de que todo mundo atua é tão mentiroso, coisa de escritor também. As pessoas não fazem certas coisas porque simplesmente não se pode tudo e sempre vai ser assim (e as pessoas não querem tudo também, apesar de quererem muita coisa). Se todos fizessem tudo o que quisessem, não sobraria nem um galhozinho sequer na árvore, muito menos esta e nem terra. Não que todos sejam tão ambiciosos, mas se a liberdade total fosse concedida a todo mundo, todo mundo mesmo, os 30% mais ambiciosos, ou até menos, já bastariam para dar fim a tudo que existe. A consciência do todo é a maior liberdade que pode existir. O saber perceber o outro é a maior liberdade digna e vem daí o saber onde parar. E também, os homens são diferentes entre si e muito. Ninguém ama as mesmas coisas ou odeia, ou quer ou repudia. Cada um vê o mundo de uma forma diferente e o lado animal é o de menos. Muita coisa conta mais. Por isso a generalização é ridícula, principalmente partindo de comportamentos muito específicos e raros. "Todo mundo, no fundo, quer ser boêmio". Por favor, esse comentário foi o mais burro que já ouvi. A pessoa se exteriorizou tanto, se incorporou nos outros de forma impiedosa. Se todo mundo quisesse ser boêmio, existiriam mais bares ainda e todo mundo beberia álcool. As prostitutas seriam felizes e reconhecidas. E muitas são tristes e pobretonas, na verdade. Entendem? Como alguém pode estabelecer regras a partir de verdades tão singulares? "Querido, as pessoas são diferentes, entenda isso." Eu deveria ter dito isso ao rapaz.
Eu falei da tese e do meu amado choro, mas não falei da nova tese. Tese-> Antítese->
Tese. Bom, essa é complicada, depende de toda a reflexão que vem junto ao choro, esta também uma das poucas vantagens de ficar triste. A reflexão. Podemos refletir também quando estamos felizes, mas poucos fazem isso. Então que fiquemos um pouco triste para nos tornarmos um pouco melhores.
Minha professora disse para morrermos todos os dias para quepossamos nascer melhores. É, eu gostei dessa proposta e venho fazendo isso desde que percebi que não, não quero ter uma vida medíocre e isso só depende de mim. Mas eu percebi antes de ela falar, claro.
Antes que eu me estenda demais, a nova tese depende do contexto e pronto, isso é óbvio e acho que o leitor já tinha chegado à essa conclusão. Se a reflexão foi positiva, o resultado será alegria e se for negativa... pode ser alegria também, mas o lógico é que seja tristeza e então vem mais choro e mais reflexão. Até que o ciclo feche e um novo inicie.
Não acho que tudo tenha início, meio e fim, não mesmo. Algumas coisas não tem começo, algumas nem começam, ficam só no plano das idéias (mas isso já não é uma existência?). Outras não tem fim, são eternas, para o bem ou para o mal. E outras nem meio tem, coisa esquisita.
quinta-feira, setembro 27, 2007
Os capitalistas têm radar detector de socialistas

Quero contar pra todo mundo o que aconteceu. Eu estava dando tudo de mim, esforçando-me ao máximo nesse emprego, que eu já achava que era meu. Até porque era só uma semana de teste, e uma semana já havia se passado (sexta passada completou-se). Já estávamos na terça e uma funcionária de um cargo um pouco maior, mas que não é gerente me chama para dizer algo importante: Não vai dar para você ficar.
Eu, que já era anti-capitalismo, agora senti na pele e estou mais raivosa ainda, quero dar um chute nesse sistema ridículo, no qual as pessoas só pensam em si mesmas e no qual as empresas não tem a mínima ética ou bom senso nas relações pessoais.
Desde que cheguei na locadora eu notei várias coisas erradas ali dentro. Os funcionários que deveriam ser apenas atendentes e vendedores têm que se virar em mil,têm que limpar o chão, passar pano, vassoura e até lavar o banheiro! Não, isso não é normal. Eu limparia o chão numa boa, desde que isso estivesse incluso no combinado. Eles não dizem nada sobre isso na entrevista. O salário dos funcionários é uma vergonha, um pouco mais de um salário mínimo e eles (donos) recebem cerca de 1.000 reais nas terças e quintas e 1,050 nos outros dias da semana, e acredito que varia de 1,200 a 1,500 nas quartas, sextas e sábados. Esses números multiplique por 3, que é o número de locadoras do mesmo dono. Isso dá mais de 200.000 mil reais!
Mesmo assim, dia de terça e quinta não pagam o segurança para economizar. Um absurdo nos dias de hoje, uma loja sem segurança. Pagam faxineira dois dias na semana apenas, para que nos outros dias os funcionários tenham o trabalho que deveria ser dela.
Ninguém gosta do supervisor e a fofoca rola solta. Ele que me chamou, ele que deveria me demitir. Mas não, nem teve essa dignidade. Mas ainda preciso perguntar para ele o "motivo" da demissão. Sendo que ele já tinha me dado o papel com os documentos necessários para o contrato. Não entendi nada mesmo. Ou entendi.
Passei pelas 3 lojas existentes na cidade, e na segunda loja a gerente um dia me chamou para uma reunião, juntamente com o "M", outro garoto em teste. Ela ficou falando por mais de 1h e eu perguntava coisas o tempo todo, enquanto o "M" ficou calado o tempo inteiro. Isso claramente a assustou. Nesse mesmo dia ela viu que eu falo inglês, idioma que ela (gerente) não fala. Eu notei que a maioria dos funcionários tem pouco "conhecimento", por assim dizer.
Não sou preconceituosa nem me acho melhor que ninguém, mas eu tenho sim mais conhecimento (inclusive sobre cinema) do que a grande maioria dos funcionários dali. Inclusive eu sei mais que a gerente e eu percebi desde esse dia que ela se sentiu ameaçada, sendo que qualquer funcionário pode crescer na empresa. Então ela escolheu o "M" (mas não soube disso logo, me transferiram para o Renascença e me enrolaram mais um pouco).
Eu fiz de tudo ali com o maior gosto, atendia os clientes com simpatia e presteza, aprendi muita coisa em apenas uma semana, arrumava o paredão, indicava filmes, conversava com os clientes, até com as crianças, não tive nenhuma falta nos dias em que abri o caixa, chegava no horário (o único dia em que cheguei 5 minutos atrasada eu liguei antes para avisá-los, como eles ordenaram), quando tinha qualquer dúvida perguntava para os mais "experientes", e o mais importante: tratava o cliente como gente, e não como um meio de ganhar dinheiro. MUITOS clientes me elogiaram e disseram gostar do meu atendimento e de minhas indicações. Até porque, eu quis levar para a locadora algo que eles não tinham: atendentes que viam o cinema como arte. Quando algum cliente chegava e queria um filme de arte, eu sabia o quê indicar, coisa que ninguém mais sabia ali.
Já "M" foi criticado por outros funcionários, pois o mesmo só pensava em vender videocheques para ser elogiado no fim do mês, só gosta de ficar no caixa; não atende bem os clientes, não gosta de ir ao salão indicar filmes, não entende muito de cinema, não entende nada de diretores, só sabe dizer que o filme é "massa" ou "não tem fundo(?)", não sabe falar português direito, usa muitas gírias, não gosta de arrumar filmes... enfim.
Então, qual seria o motivo além de que sou uma ameaça? Parece que estou me auto-afirmando, mas eu realmente não fui a única a pensar assim. Todos concordaram comigo. É a velha lógica capitalista: os porcos burgueses contratam os burros para trabalharem como loucos e sem reclamar, como acontece no clássico "A revolução dos bichos" de George Orwell.
Não querem pessoas eficientes, inteligentes e que entendem de arte, apesar de ser uma empresa que vende arte, mas os próprios nem sabem disso. Fizeram a escolha errada, vão se ferrar. Apesar de demorarem para se tocar, alguns funcionários já estão se cansando de tanta exploração e um dia as coisas vão reverter... "finally the tables are starting to turn", como diz Tracy Chapman.
Ao mesmo tempo que sinto raiva, sinto alívio. Vou poder estudar melhor, estou livre de algo com o qual não concordava, não vou ajudar os porcos capitalistas a ganharem dinheiro; vou poder tirar minha soneca pela tarde e ter mais tempo para a família e os amigos, que é o que realmente importa para mim.
Nunca mais piso naquele mundinho que fede a dinheiro, aquele mundo que para os clientes parece ser uma maravilha, mas que para os funcionários nada mais é que uma necessidade sofrida.
É. Eu realmente não nasci para a burguesia. Nem na peneira deles eu passei.
sexta-feira, setembro 14, 2007
Esquecimentos necessários
Tou aqui escutando o novo álbum dos Foo Fighters, que está muito bom. É bom ver o quanto o Dave cresceu musicalmente, amadureceu. Escutem e não se arrependerão. Destaque para o novo single "The Pretender" e para as baladas "Stranger things have happened" e "The ballad of the beaconsfield miners".
Hoje devo conseguir meu primeiro emprego e estou muito feliz por tal conquista. Espero que isso signifique um novo ciclo para a minha vida, uma nova fase. Não estou totalmente recuperada do período negro, mas novas reflexões foram feitas e acho que ajudarão.
Não gosto de ser egoísta, porém às vezes minha auto-estima precisa ser colocada em cima de certas coisas e pessoas que só me fazem mal. Faço tudo ao meu alcance para me dar bem com todos e para criar laços consistentes, mas algumas pessoas estão simplesmente desinteressadas por mim. Se eu não posso fazer parte da vida dessas pessoas, não posso oferecer minha amizade, por que sofrer? Eu fiz minha parte o tempo inteiro. Agora é relaxar e me sentir livre da verdadeira face de certos indivíduos. É ótimo descobrir a verdade, o ruim é descobrir quando você já se sente envolvida emocionalmente. Mas a verdade é sempre o melhor.
Decidi esquecer de certas coisas e pessoas do passado, pessoas que já perdoei (erros imperdoáveis, como diria Chaplin), mas que não acrescentam mais nada para mim e que até me vêem com desdém ou indiferença. Tenho pena de certas posturas, mas resolvi ignorar também, chega de ter lembranças (mesmo que boas) tão longuíqüas de pessoas que não tiveram nenhuma consideração para com os meus sentimentos. Às vezes penso nessas pessoas (não estou falando de uma única, mas várias) e sinto saudades, ou vontade de refazer as amizades e contatos, mas agora sempre que um lapso sequer de memória vier à tona, irei ignorar e apagar tais pensamentos o mais rápido possível. Chega, chega. Preciso me dar o valor necessário. Já perdoei, mas não quero mais ninguém egoísta na minha vida, ninguém com duas faces, ou múltiplas. Não quero hipocrisia, fanáticos religiosos, falsidade, pessoas que só pensam no próprio nariz. Não quero promessas falidas, nem intelectuais frívolos.
E estou muito (melhor) bem, obrigada.
Hoje devo conseguir meu primeiro emprego e estou muito feliz por tal conquista. Espero que isso signifique um novo ciclo para a minha vida, uma nova fase. Não estou totalmente recuperada do período negro, mas novas reflexões foram feitas e acho que ajudarão.
Não gosto de ser egoísta, porém às vezes minha auto-estima precisa ser colocada em cima de certas coisas e pessoas que só me fazem mal. Faço tudo ao meu alcance para me dar bem com todos e para criar laços consistentes, mas algumas pessoas estão simplesmente desinteressadas por mim. Se eu não posso fazer parte da vida dessas pessoas, não posso oferecer minha amizade, por que sofrer? Eu fiz minha parte o tempo inteiro. Agora é relaxar e me sentir livre da verdadeira face de certos indivíduos. É ótimo descobrir a verdade, o ruim é descobrir quando você já se sente envolvida emocionalmente. Mas a verdade é sempre o melhor.
Decidi esquecer de certas coisas e pessoas do passado, pessoas que já perdoei (erros imperdoáveis, como diria Chaplin), mas que não acrescentam mais nada para mim e que até me vêem com desdém ou indiferença. Tenho pena de certas posturas, mas resolvi ignorar também, chega de ter lembranças (mesmo que boas) tão longuíqüas de pessoas que não tiveram nenhuma consideração para com os meus sentimentos. Às vezes penso nessas pessoas (não estou falando de uma única, mas várias) e sinto saudades, ou vontade de refazer as amizades e contatos, mas agora sempre que um lapso sequer de memória vier à tona, irei ignorar e apagar tais pensamentos o mais rápido possível. Chega, chega. Preciso me dar o valor necessário. Já perdoei, mas não quero mais ninguém egoísta na minha vida, ninguém com duas faces, ou múltiplas. Não quero hipocrisia, fanáticos religiosos, falsidade, pessoas que só pensam no próprio nariz. Não quero promessas falidas, nem intelectuais frívolos.
E estou muito (melhor) bem, obrigada.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Enquanto ando...
Eu ando jogando tenis. E chorando. E rindo. E sentindo saudades. Lendo livros espíritas. E tendo sonhos bizarros. E comendo bobagem. E me arrependendo de comer bobagens. Tomando muito suco. E limpando as lentes dos óculos. E ficando na frente do computador. E tomando banhos de radiação. E tendo problemas de pele devido a estresse. Ando tocando violão. Indo para a faculdade. E tendo aulas de Fisioterapia. E aprendendo a fazer massagens. Reclamando do mundo. Tomando anti-depressivo. E me informando. E não fazendo nada a respeito. Lamentando. E sensibilizando-me com o problema alheio. Ando não ligando pra nada. E ouvindo Manic Street Preachers. Levando esporros dos outros. E não me acomodando com as terríveis relações humanas. E calando a boca. Ou falando muito. E desejando. E morrendo. Vencendo. E sofrendo. Ficando alegre ao ver rostos de crianças inocentes. E tendo dores físicas. Tendo dores mentais. Tendo preocupações. E conversando. E odiando socializar. Aprenciando os raros momento de paz. Ando vivendo. Às vezes sobrevivendo. Ando amando amigos e outros nem tanto. E sendo solidária. E querendo viajar não tendo grana. Ando querendo trabalhar. Querendo derrubar o sistema. Ando querendo salvar o mundo. E Ficando indignada com a nossa própria raça.
domingo, agosto 12, 2007
Rita Lee, Manic Street Preachers e outros
Estou escutando Rita Lee neste exato momento, dia 5 de Julho de 2007, às 18:49, alguns minutos antes de ir-me arrumar para jogar tenis. "Caso Sério" é a música, ao vivo.
Andei pensando: eu não gosto de música brasileira em geral. Calma, eu disse em geral. Eu adoro essa música da Rita Lee. Eu adoro a maioria das coisas que a Rita fez, as melodias são incríveis e as letras são boas. Não sei qual o problema. Não sou dona da verdade nem a maior entendida de música do pedaço. É só que eu acho a MPB muito fraca, mas isso não significa nada, sério, é só uma opinião e pronto. E ao mesmo tempo, pra mim é a verdade, é o que eu acho e ninguém vai mudar isso. Hum, talvez eu mesma mude de opinião futuramente, não sei.
Desde que comecei a escutar rock inglês em 2002 eu não achei nada melhor. É verdade que de 2000 pra cá o rock inglês vem ganhando uma popularidade chata porque vem se tornando algo modelado e rotulado, a maioria das bandas com aquele sonzinho do tipo Franz Ferdinand ou The Strokes (apesar de esta ser americana). Essas duas bandas são ótimas, claro que com influências dos anos 80, porém são originais em alguns aspectos e iniciaram uma onda de outras bandas idênticas que as imitam. Um saco. Mas cada música, em si, acaba saindo diferente mesmo dentro dos plágios, principalmente hoje em dia com tantos efeitos de pedal, de teclado e outros. Com a própria globalização da música, o rock e tudo mais absorvem coisitas que fazem o diferencial de uma banda para outra, como por exemplo a "Elefant". Você escuta e pensa "mais uma igual, com a voz estoilo Ian Curtis", parece com Editors e parece com The Killers. Mas Elefant é bom pra caramba. Quando eu escutei o segundo álbum dos caras eu vi a maturidade e os milagres que fazem uma banda plágio se tornar original, o milagre que uma simples subida de voz pode fazer, ou um solo diferenciado. É incrível como o rock alternativo é alternativo exatamente por isso, nem as tendências fazem a banda se tornar totalmente medíocre, não é como o heavy metal no qual os integrantes tem que usar calça colada, cabelo comprido, cantar em tons agudos e competir para ver que banda tem o guitarrista com os dedos mais rápidos. O rock alternativo chama-se assim porque é uma alternativa. Você usa os instrumentos básicos de uma banda de rock e faz o que quiser ali. É tão bom exatamente por isso.(Nossa, o solo de guitarra de "Ovelha Negra" é um dos meus preferidos de todos os tempos).
No Brasil, como todos sabem, eu gosto muito do Caetano Veloso. É o meu preferido. Chico Buarque eu acho chato porque ele é metódico, meio matemático e blá blá blá. Eu escuto Caetano e vejo aquela naturalidade que me agrada. Ele faz o que der na cabeça; fez uma versão tropicália de "Stardust" do Frank Sinatra e ficou uma coisa linda, melhor que a original. Eu gosto de criatividade. Não gosto da falta de gingado de alguns artistas brasileiros: tem que ter batuque, tem que ter fervor, a música tem que ferver nas veias.
Eu gosto do Chico César. É muito criativo, é fora dos padrões, é swingado, é bom. Engraçado, mas eu acho o rock uma música cheia de alegria, de energia, talvez por isso eu goste da música nordestina, é energética também, viva, como o samba. Eu não gosto de bossa nova porque é uma coisa meio morta. Gosto de frevo, bumba-meu-boi, forró pé-de-serra. Artistas que sabem a hora de chorar e a hora de rir. Que fazem todo tipo de performance. A dança, o movimento, também é algo que me fascina.
Eu ando pensando em uma nova fórmula para compor, quero algo novo e depois que escutei Manic Street Preachers eu vi que eu sou péssima, eles são a melhor coisa que eu ouvi na vida, principalmente em termos de letras. Que letras! Gosto muito de algumas letras que fiz, e de algumas melodias, mas ainda acho muito pobre. Eu não deveria me comparar à essas bandas incríveis e ao Caetano por exemplo, porque eu talvez nunca chegue a ser tão boa como eles. Tenho uma música que até lembra Caetano, eu notei um dia desses, e compus antes mesmo de começar a escutá-lo. É isso, preciso de nova fórmula.
A Rita Lee é outra. Ela faz algo parecido com rock n'roll, mas não é rock, é algo bem brasileiro até, eu acho. Ela escreve tão bem e é difícil escrever em português, letras de músicas. Ela é filha da música experimental e chata dos Mutantes, da maravilha tropicalista e do melhor rock n'roll possível. Ela gosta de Ramones, cara. Já viu coisa mais simples? Por outro lado gosta dos Beatles. E quem não gosta? "Mas Beatles também é simples". Oh, escute o trabalho pós 65.Graças à Deus, eu já fui à um show da Rita, inesquecível, já fui ao do Caetano e também ao do João Bosco, duas vezes. Este é outro que eu adoro, é original até na boina, faz aqueles solfejos com a voz cantando "lalala's" que ninguém entende, mas que todo mundo adora.
O que eu acho é que rótulos são podres, são consequência da falta de criatividade de artistas que se vendem, e outra... os artistas brasileiros precisam sair dessa de barzinho, onde ninguém os escuta direito, e partir para algo maior e mais vivo. Vamos gritar, dançar; não precisa ser rock, pode ser um Jorge Ben da vida, pode ser Tim Maia com seu chocolate, pode ser Cazuza (que como eu amava música boa, independente de rótulos, samba, rock, não importa)...o importante é nos expressarmos com toda a força e beleza que há na música e sair desse troço boêmio-fumante-intelectual, experimentando outras maravilhas que a música tem para oferecer.
Andei pensando: eu não gosto de música brasileira em geral. Calma, eu disse em geral. Eu adoro essa música da Rita Lee. Eu adoro a maioria das coisas que a Rita fez, as melodias são incríveis e as letras são boas. Não sei qual o problema. Não sou dona da verdade nem a maior entendida de música do pedaço. É só que eu acho a MPB muito fraca, mas isso não significa nada, sério, é só uma opinião e pronto. E ao mesmo tempo, pra mim é a verdade, é o que eu acho e ninguém vai mudar isso. Hum, talvez eu mesma mude de opinião futuramente, não sei.
Desde que comecei a escutar rock inglês em 2002 eu não achei nada melhor. É verdade que de 2000 pra cá o rock inglês vem ganhando uma popularidade chata porque vem se tornando algo modelado e rotulado, a maioria das bandas com aquele sonzinho do tipo Franz Ferdinand ou The Strokes (apesar de esta ser americana). Essas duas bandas são ótimas, claro que com influências dos anos 80, porém são originais em alguns aspectos e iniciaram uma onda de outras bandas idênticas que as imitam. Um saco. Mas cada música, em si, acaba saindo diferente mesmo dentro dos plágios, principalmente hoje em dia com tantos efeitos de pedal, de teclado e outros. Com a própria globalização da música, o rock e tudo mais absorvem coisitas que fazem o diferencial de uma banda para outra, como por exemplo a "Elefant". Você escuta e pensa "mais uma igual, com a voz estoilo Ian Curtis", parece com Editors e parece com The Killers. Mas Elefant é bom pra caramba. Quando eu escutei o segundo álbum dos caras eu vi a maturidade e os milagres que fazem uma banda plágio se tornar original, o milagre que uma simples subida de voz pode fazer, ou um solo diferenciado. É incrível como o rock alternativo é alternativo exatamente por isso, nem as tendências fazem a banda se tornar totalmente medíocre, não é como o heavy metal no qual os integrantes tem que usar calça colada, cabelo comprido, cantar em tons agudos e competir para ver que banda tem o guitarrista com os dedos mais rápidos. O rock alternativo chama-se assim porque é uma alternativa. Você usa os instrumentos básicos de uma banda de rock e faz o que quiser ali. É tão bom exatamente por isso.(Nossa, o solo de guitarra de "Ovelha Negra" é um dos meus preferidos de todos os tempos).
No Brasil, como todos sabem, eu gosto muito do Caetano Veloso. É o meu preferido. Chico Buarque eu acho chato porque ele é metódico, meio matemático e blá blá blá. Eu escuto Caetano e vejo aquela naturalidade que me agrada. Ele faz o que der na cabeça; fez uma versão tropicália de "Stardust" do Frank Sinatra e ficou uma coisa linda, melhor que a original. Eu gosto de criatividade. Não gosto da falta de gingado de alguns artistas brasileiros: tem que ter batuque, tem que ter fervor, a música tem que ferver nas veias.
Eu gosto do Chico César. É muito criativo, é fora dos padrões, é swingado, é bom. Engraçado, mas eu acho o rock uma música cheia de alegria, de energia, talvez por isso eu goste da música nordestina, é energética também, viva, como o samba. Eu não gosto de bossa nova porque é uma coisa meio morta. Gosto de frevo, bumba-meu-boi, forró pé-de-serra. Artistas que sabem a hora de chorar e a hora de rir. Que fazem todo tipo de performance. A dança, o movimento, também é algo que me fascina.
Eu ando pensando em uma nova fórmula para compor, quero algo novo e depois que escutei Manic Street Preachers eu vi que eu sou péssima, eles são a melhor coisa que eu ouvi na vida, principalmente em termos de letras. Que letras! Gosto muito de algumas letras que fiz, e de algumas melodias, mas ainda acho muito pobre. Eu não deveria me comparar à essas bandas incríveis e ao Caetano por exemplo, porque eu talvez nunca chegue a ser tão boa como eles. Tenho uma música que até lembra Caetano, eu notei um dia desses, e compus antes mesmo de começar a escutá-lo. É isso, preciso de nova fórmula.
A Rita Lee é outra. Ela faz algo parecido com rock n'roll, mas não é rock, é algo bem brasileiro até, eu acho. Ela escreve tão bem e é difícil escrever em português, letras de músicas. Ela é filha da música experimental e chata dos Mutantes, da maravilha tropicalista e do melhor rock n'roll possível. Ela gosta de Ramones, cara. Já viu coisa mais simples? Por outro lado gosta dos Beatles. E quem não gosta? "Mas Beatles também é simples". Oh, escute o trabalho pós 65.Graças à Deus, eu já fui à um show da Rita, inesquecível, já fui ao do Caetano e também ao do João Bosco, duas vezes. Este é outro que eu adoro, é original até na boina, faz aqueles solfejos com a voz cantando "lalala's" que ninguém entende, mas que todo mundo adora.
O que eu acho é que rótulos são podres, são consequência da falta de criatividade de artistas que se vendem, e outra... os artistas brasileiros precisam sair dessa de barzinho, onde ninguém os escuta direito, e partir para algo maior e mais vivo. Vamos gritar, dançar; não precisa ser rock, pode ser um Jorge Ben da vida, pode ser Tim Maia com seu chocolate, pode ser Cazuza (que como eu amava música boa, independente de rótulos, samba, rock, não importa)...o importante é nos expressarmos com toda a força e beleza que há na música e sair desse troço boêmio-fumante-intelectual, experimentando outras maravilhas que a música tem para oferecer.
terça-feira, junho 12, 2007
segunda-feira, junho 04, 2007
Tecnologia Deprimente
"Sonhos", de Akira Kurosawa.

*Tecnologia Deprimente*
Para completar a finalidade destas minhas palavras, terminarei com frases do filme "Sonhos", de Akira Kurosawa, já postadas neste blog anteriormente:
"-E a iluminação?-Temos vela e óleo de linhaça.-Mas a noite é tão escura!-Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite."
"-Hoje em dia as pessoas esquecem que elas são só uma parte da natureza. Destróem a natureza, da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza.Eles só criam coisas que acabam deixando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se de suas invenções. E o que é pior, a maioria das pessoas também. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas."

*Tecnologia Deprimente*
Vivemos num tempo de descrença e desconfiança. A Era tecnológica, na qual todos se comunicam através de dedos que digitam letras (por sua vez, aparecem em uma tela de uns três por dois palmos), não permite rostos e afeto próximo. É tudo aquilo, "fale, mas longe de mim".
Acabou de acontecer comigo: perguntei para a pessoa onde ela morava e recebi uma resposta-indagação. "Por quê?". Calma, eu não sou uma psicopata, serial killer, ou sei lá o que esse alguém pensou. É triste. A culpa não é dela. É do momento todo.
No Brasil a situação é pior. Talvez não, nunca vivi fora. Porém é a impressão que tenho. Aquela histeria coletiva de que tudo pode acontecer a qualquer momento. Medo de sair na rua de uns, descaso de outros. Alguns até se acostumam a viver no inferno, no caos. Não sei o que é pior, o exagero extremado para qualquer um desses lados é lamentável, por minha parte.
Não sei o que me leva a continuar acessando a internet. Um motivo é muito claro: é um meio fácil de conseguir arte. Claro que existem pontos positivos e negativos na tecnologia, e também o positivo pode ser negativo dependendo do ponto de vista: é subjetivo. Mas deveria ser subjetivo? Realmente pensamos na coletividade quando dizemos que somos a favor da tecnologia?
Levando-se em conta os milhões usados em todo o processo de pesquisa e produção tecnológica, tanto em investimento governamental quanto em salários, patrocínios, mão-de-obra (essa parte já desfavorecida), extração e compra de matéria-prima, impostos e comércio; seria esse dinheiro realmente um peso positivo maior do que o negativo?
A fome em vários continentes, a desigualdade social presente inclusive nos países "desenvolvidos", problemas de raiz, desmatamento, aquecimento global em alta... "Esse clichê todo", o leitor deve estar a pensar. Clichê factual, notório, indiscutível.Todo esse dinheiro, citado anteriormente, não seria melhor aplicado nos itens deste último parágrafo?
A tecnologia salva vidas. Mas os nossos ancestrais eram menos felizes porque não tinham acesso à ela? Na verdade o estudo da técnica era inimaginável para eles como o conhecemos hoje e por isso, dispensável. O homem sempre querendo apenas, e tudo, o que sabe que existe. É como um índio que quer um tênis depois que soube da existência do tal.
As pessoas morrem, temos que aceitar isso. Tudo que é vivo morre. Até quando o humano vai procurar a fórmula da infinitude? Por que se acha tão especial, individualmente, a ponto de achar que merece viver para todo o sempre, forçando as próximas gerações a dividirem seu tempo com ele, quando a população mundial na verdade deveria diminuir e não aumentar?
São tantas questões. Obviamente não são todas as tecnologias más ou do mal. Eu não sou radicalmente contra elas, não por motivos pessoais, pois aí seria hipocrisia demais. Não sou a favor de algo só porque me faz bem, ou contra só porque me faz mal.
O problema é sempre o excesso, o exagero, a ganância e a maldade, típicos do ser humano. Tudo isso levado para a tecnologia é extremamente perigoso. E, no contexto aqui adotado, principalmente o exagero é um perigo. Querer ser tão diferente do resto dos animais leva o homem ao exagero o tempo todo, e claro que as próprias pretensões também o levam à isso.
Também vou deixar claro que sou contra robôs, robótica em geral, mas isso é subjetivo e não quero impôr nada. Todo este texto é minha opinião, mas uma opinião baseada em análises externas e não egoístas. Outro dia vi na TV uma propaganda dizendo que daqui a algum tempo a geladeira vai fazer a lista de compras da casa e realmente senti vontade de chorar. Existe quem ache essas novidades um máximo.
Estamos na Era da depressão, da tecnologia e do fim do mundo. Alguém aí se sente completamente feliz?
Para completar a finalidade destas minhas palavras, terminarei com frases do filme "Sonhos", de Akira Kurosawa, já postadas neste blog anteriormente:
"-As pessoas se acostumam com a conveniência. Acham a conveniência melhor. Jogam fora o que é realmente bom."
"-E a iluminação?-Temos vela e óleo de linhaça.-Mas a noite é tão escura!-Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite."
"-Hoje em dia as pessoas esquecem que elas são só uma parte da natureza. Destróem a natureza, da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza.Eles só criam coisas que acabam deixando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se de suas invenções. E o que é pior, a maioria das pessoas também. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas."
quarta-feira, maio 30, 2007
Como é bom...
"Como é bom tudo que vem sem se pedir" (frase incrível).
Ando cansada de implorar coisas.
Água e Pão (Bahia)
Maria Bethânia
Composição: Pedro Guerra/versão: Nelson Motta
Como o sol no fim do dia
Quando o mar bebe o seu fogo
Entre as ilhas e a Bahia
Como um rio, como fonte
Como um belo horizonte
Como porto, como o mar
Como o ar da madrugada
Como as pedras da calçada
Como o vento e a maresia
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui
Como o dia que amanhece
Com a luz criando espaços
Entre a sombra e a escuridão
Entre formas que se movem
Entre lábios que se beijam
Entre corpos que se dão
Como as flores nas varandas
E o perfume de jasmim
Acordando a cidade
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui
Ando cansada de implorar coisas.
Água e Pão (Bahia)
Maria Bethânia
Composição: Pedro Guerra/versão: Nelson Motta
Como o sol no fim do dia
Quando o mar bebe o seu fogo
Entre as ilhas e a Bahia
Como um rio, como fonte
Como um belo horizonte
Como porto, como o mar
Como o ar da madrugada
Como as pedras da calçada
Como o vento e a maresia
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui
Como o dia que amanhece
Com a luz criando espaços
Entre a sombra e a escuridão
Entre formas que se movem
Entre lábios que se beijam
Entre corpos que se dão
Como as flores nas varandas
E o perfume de jasmim
Acordando a cidade
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui
terça-feira, maio 29, 2007
Palavras
Hoje eu confirmei. Palavras são realmente fonte de mal-entendidos. Alguns irreversíveis. São também fonte de dor eterna. Ou não?
Estou muito triste. As pessoas sempre se protegendo de coisas inexistentes.
Histeria. Fofoca. Histeria. Fofoca. Genocídio...
Estou muito triste. As pessoas sempre se protegendo de coisas inexistentes.
Histeria. Fofoca. Histeria. Fofoca. Genocídio...
sábado, maio 26, 2007
Segundo a Last.fm...
O site www.last.fm é uma espécie de "orkut" musical. A lastfm é de grande uso para quem tem amor à música.
Eu adoro conhecer novas bandas, artistas e nisso a Lastfm ajuda bastante. Basicamente, você cria um perfil e tudo o que você escuta fica registrado na sua página. Pra que serve isso? É divertido. Você pode adicionar amigos e cerca de 50 "vizinhos" aparecem automaticamente no seu perfil, sempre de afinidades musicais com você. Você não precisa adicionar nenhum deles como amigo, mas pode, se quiser.
Tudo o que você escuta aparece com dados, como a arte da capa do álbum (acho isso muito bom). Você clica no nome do artista e aparece uma biografia (normalmente em inglês), discografia, número de ouvintes por semana e músicas mais escutadas nos últimos dias... daquele artista. Também existe uma seção de fotos para cada banda, cantor... E você pode postar eventos e ficar sabendo dos próximos shows dos músicos que você gosta.
Além de tudo, também existem as comunidades, como no orkut, mas a diferença é que a grande maioria é musical. De quebra, algumas mp3 são grátis e você pode recomendar tal artista para os amigos com um clique.
O site pode ser visto em inglês, português, espanhol ou a língua que o usuário desejar.
São mostradas as últimas faixas ouvidas, os artistas mais ouvidos da semana por você, os artistas mais ouvidos de todos os tempos por você (desde o cadastro) e as faixas mais ouvidas de todos os tempos.
Segundo a last.fm meus artistas/bandas mais escutados são:

Meu endereço na last.fm é http://www.lastfm.pt/user/valeriaguitar/
Eu adoro conhecer novas bandas, artistas e nisso a Lastfm ajuda bastante. Basicamente, você cria um perfil e tudo o que você escuta fica registrado na sua página. Pra que serve isso? É divertido. Você pode adicionar amigos e cerca de 50 "vizinhos" aparecem automaticamente no seu perfil, sempre de afinidades musicais com você. Você não precisa adicionar nenhum deles como amigo, mas pode, se quiser.
Tudo o que você escuta aparece com dados, como a arte da capa do álbum (acho isso muito bom). Você clica no nome do artista e aparece uma biografia (normalmente em inglês), discografia, número de ouvintes por semana e músicas mais escutadas nos últimos dias... daquele artista. Também existe uma seção de fotos para cada banda, cantor... E você pode postar eventos e ficar sabendo dos próximos shows dos músicos que você gosta.
Além de tudo, também existem as comunidades, como no orkut, mas a diferença é que a grande maioria é musical. De quebra, algumas mp3 são grátis e você pode recomendar tal artista para os amigos com um clique.
O site pode ser visto em inglês, português, espanhol ou a língua que o usuário desejar.
São mostradas as últimas faixas ouvidas, os artistas mais ouvidos da semana por você, os artistas mais ouvidos de todos os tempos por você (desde o cadastro) e as faixas mais ouvidas de todos os tempos.
Segundo a last.fm meus artistas/bandas mais escutados são:
Meu endereço na last.fm é http://www.lastfm.pt/user/valeriaguitar/
sexta-feira, maio 04, 2007
Chaplin, Deus, eu...

Não é como se eu amasse o que me faz feliz. Isto seria um tanto hipócrita, sendo que são as pessoas quem mais podem me fazer feliz e eu as odeio.
Charles Chaplin disse certa vez que os sábios não condenam os erros das pessoas. Eu entendo o que ele quis dizer. Chaplin podia se auto-denominar sábio. Ele realmente era um. Um gênio sensível.
Talvez eu seja uma alma muito medíocre, pobre e fútil. Mas, não sei se infeliz ou felizmente não consigo enxergar-me assim. Tenho muita cultura e sensibilidade e por isso não posso ser hipócrita (novamente) e dizer-me ignorante.
A verdade é que Chaplin estava certo. Preciso ter em mente a certeza da fragilidade humana e de nossa natureza nitidamente corruptível. Talvez isto falte em mim: esta certeza. Tudo isso me deixa louca e confusa, por eu ser, desgraçadamente, um ser tão pensante e sensível.
Para não deixar a sinceridade de lado, tenho que admitir que ultimamente tenho odiado a raça humana. Odiado em geral. Quando isto passa para a prática, eu esqueço um pouco, tento (e tenho naturalmente) a visão de Chaplin sobre a individualidade de cada um... e acabo amando, importando-me com, criando carinho por estes seres terríveis que somos (sempre com as poucas e boas exceções).
Oh, Deus, jogue sobre mim um pouco de luz (!) e permita-me ver também o lado bom.
E, apesar de tudo, minha felicidade pouquíssimo tem a ver com isso.
sexta-feira, abril 27, 2007
Caetano, CÊ

Não costumo cultivar heróis, ídolos. Existem aquelas pessoas que admiro, apenas. Caetano Veloso, como muitos já devem ter percebido, é uma delas. Não o coloco como deus, não vejo ele como homem da minha vida... nada disso. Eu primeiramente amei sua arte. Depois de alguns textos, entrevistas, frases e principalmente depois do show de ontem à noite, ao qual tive o imenso prazer de assistir, posso afirmar que agora eu o amo. Como ser humano, como artista.
O show foi dominado pelas canções do novo álbum, CÊ (o mesmo nome do show). Este foi um fator importante no andamento do espetáculo. Não sei se isso foi bom ou ruim. Visivelmente, poucas pessoas conheciam as músicas novas. Eu cantava igual uma louca, acho que até o Caetano percebeu.
O show começou com a primeira faixa do álbum. "Outro". O clima estava bom e as pessoas escutavam a música de Caetano com entusiasmo. As cadeiras estavam completamente lotadas, mas as arquibancadas não. Uma pena, mas talvez porque fosse uma quinta-feira. Mas sim, havia bastante gente ali. E eu estava na primeira fila das cadeiras (apesar de as fotos parecerem distantes)!
Todas as faixas, com excessão de "Um sonho" e "Porquê?" foram executadas. Perfeitamente executadas, por Caetano e uma banda de 3 caras super jovens (não passam de 30 anos), ideais para tocar a diversidade da música do baiano fantástico, desde frevo ao rock n"roll.
Outras músicas merecem destaque, como "London London" (essa foi a hora em que me levantei e junto com mais 3 ou 4 pessoas, encorajamos todo mundo a ficar de pé e sair daquele formato boêmio de assistir a um show sentadinho. Que coisa de velho! E boa parte do pessoal se levantou... logo quando ele começou a tocar "Rocks". Meu Deus, parecia show do Placebo. Todo mundo pulando, incluindo Caetano!).
"Sampa" provavelmente foi a música de mais sucesso do show. Caetano optou por músicas mais lado-B, um repertório menos conhecido. Mas foi maravilhoso. Ver o vigor juvenil, político e artístico de Caetano foi uma experiência inesquecível.
"Fora de Ordem" me surpreendeu, espantou-me, eu não esperava essa música de maneira alguma. Deu um teor engajado ao show, que junto com "O Herói" do novo álbum, mostrou um Caetano preocupado com causas sociais.
Os momentos "Ney Matogrosso" (Caetano solta-se completamente no palco!) foram incríveis. Caetano elogiou a cidade, disse que isso aqui é terra bonita... e eu concordo. Ele conversou com o público, deu atenção, foi simpático, humilde, engraçado, showman. Quem disse que Caetano é metido à estrela errou feio, ou mentiu feio. Ele é um grande ser humano, cuja boca se formou para cantar, a goela para arrasar, os pés para dançar, a mente para pensar, os dedos para tocar.
No final bis (mais um! mais um)... e lá vem Caetano de volta, com aquela camiseta hiper simples, tocou mais três músicas cheio de vontade, pulou, dançou e imitou asas de anjo. Porque as dele estão lá, mas são invisíveis.
terça-feira, abril 17, 2007
Seres Sensíveis
Engraçado como tenho momentos de incrível sensibilidade (instântaneos e espontâneos) para com os outros, e em outras vezes simplesmente matenho-me fria e indiferente, mas com certeza não por querer. Sinto-me péssima quando não consigo ser sensível a uma situação à mim apresentada.
Às vezes sinto muito por um problema de alguém que eu nem conheço e outras vezes não sinto nada. Mais importante que sentir é ter consciência, racionalidade. Como eu já disse aqui antes, ter consciência de que o outro existe, sente, pulsa, é o mais importante. Ter consciência de que aquele problema é enorme, mesmo que não seja diretamente seu. Sensibilizar e sensibilizar-se é preciso. Não por motivos religiosos, pessoais, ou para sentir-me uma pessoa melhor. É simplesmente um dever, algo que precisa ser resgatado, algo que sim, faz parte de nós, mas estamos horrivelmente embrutecidos pelo mundo em que estamos inseridos.
Quanto mais egocêntrica uma pessoa é, menos eu sinto por ela. É preciso haver uma rede mundial de sensibilidade, com todos sendo humanos e só assim haverá amor de verdade.
Quanto mais simples a pessoa, mais eu vejo sentimentos e sangue ali dentro, mais nítido fica para mim seu coração. Quanto mais robótica, cibernética, gananciosa e insensível é a pessoa, menos eu gosto e menos eu me importo com ela. É como se ela nem existisse para mim (não que minha visão seja o centro das coisas). Porque onde não há sensibilidade não há vida. E mesmo assim eu sempre faço um esforçozinho para sentir o outro, mesmo quando a tarefa não é espontânea, e sim pensada... no fundo sempre há um coração, mesmo que bem escondido. Sim, há.
Às vezes sinto muito por um problema de alguém que eu nem conheço e outras vezes não sinto nada. Mais importante que sentir é ter consciência, racionalidade. Como eu já disse aqui antes, ter consciência de que o outro existe, sente, pulsa, é o mais importante. Ter consciência de que aquele problema é enorme, mesmo que não seja diretamente seu. Sensibilizar e sensibilizar-se é preciso. Não por motivos religiosos, pessoais, ou para sentir-me uma pessoa melhor. É simplesmente um dever, algo que precisa ser resgatado, algo que sim, faz parte de nós, mas estamos horrivelmente embrutecidos pelo mundo em que estamos inseridos.
Quanto mais egocêntrica uma pessoa é, menos eu sinto por ela. É preciso haver uma rede mundial de sensibilidade, com todos sendo humanos e só assim haverá amor de verdade.
Quanto mais simples a pessoa, mais eu vejo sentimentos e sangue ali dentro, mais nítido fica para mim seu coração. Quanto mais robótica, cibernética, gananciosa e insensível é a pessoa, menos eu gosto e menos eu me importo com ela. É como se ela nem existisse para mim (não que minha visão seja o centro das coisas). Porque onde não há sensibilidade não há vida. E mesmo assim eu sempre faço um esforçozinho para sentir o outro, mesmo quando a tarefa não é espontânea, e sim pensada... no fundo sempre há um coração, mesmo que bem escondido. Sim, há.
domingo, abril 08, 2007
Coração de Aprendiz
Gente, eu não nasci pra estudar, não. Sou meio rebelde nos estudos, como dizem que Einsten era (não estou me comparando com ele, longe disso!).
Alguém, ao ver minhas comunidades do orkut, poderia até perguntar porquê estou em duas comunidades tão contraditórias:
1-Eu adoro aprender
2-Eu não mato a aula, ela é que me mata.
Eu amo aprender, minha cabeça é pensante por natureza, tenho curiosidade sobre muita coisa (nunca sobre tudo - tudo é demais, e tudo inclui lixo demasiado). Mas eu não gosto de estudar.
O problema é que eu discordo do sistema educacional brasileiro, radicalmente. Esse sistema baseado em decorar letras, depois decorar gramática e tabuada, assimilar teorias de todo tipo de gente como se fosse verdade absoluta e nem sequer discutir tais teorias, assim como assimilar a história do Brasil como uma história de heróis burgueses, quando os verdadeiros heróis ficam esquecidos... Esse sistema é ridículo.
Nas aulas deveríamos, desde pequenos, falar quando quiséssemos, respeitando o professor claro, mas interferir sempre que possível, com um feed back constante, um misto de opiniões, pois na verdade, caros amigos, até a ciência muitas vezes é baseada em opiniões e nada é muito certo no mundo. Odeio "aquela velha opinião formada sobre tudo", odeio verdades absolutas, odeio toda generalização! Essa incoerência com a verdade com a qual esbarramos frequentemente nos livros de todos os tipos e no discurso de tantos professores. E os estudantes deveriam abrir a boca só quando tivessem vontade também, nada de tremedeiras na frente da turma.
O ato de ler deveria ser muito mais incentivado, mas não com aquelas leituras obrigatórias de ensino fundamental e para o vestibular, e sim com liberdade total para que os jovens lessem o que quisessem e discutissem literatura com vontade. Literatura política deveria ser mais incentivada, Marx, Guevara... Idéias opostas ao capitalismo em que vivemos, não para formar revolucionários sem causa, mas para que essa idéia de que capitalismo é o fim de tudo cessasse e para que as pessoas pudessem ver de vários ângulos o que poderia ser a vida.
Xadrez, esportes em geral deveriam ser uma opção concreta para quem não quisesse aprender matemática ou geografia em sala de aula. A arte deveria estar em todo corredor das escolas, acordes deveriam ressoar pela praça de alimentação, jovens deveriam ficar na grama olhando para o céu e apreciando a natureza.
Enfim, liberdade plena. "This is my utopia", como diz Alanis Morissette.
Eu odiava ir para a escola, principalmente no Ensino Médio. Fui uma garota-problema, mas não me orgulho disso. Eu queria ter tido mais amigos, mais histórias para contar sobre a escola. Porém o reflexo óbvio da falta de sensibilidade (esta que a escola deveria cultivar no aluno) dos meus colegas de classe me deixavam excluída, porque eu era diferente e eles não toleram o diferente. Isso a escola deveria fazer: ensinar a tolerância e o amor ao próximo. Coisa que poucas instituições fazem.
O vestibular é um método eficaz, porém não estou certa sobre se ele é justo ou não. Estudamos como cavalos durante as madrugadas e perdemos parte da nossa juventude para decorar formas de física que daqui a um ano esqueceremos. É fato. Fazem de nós robôs ambulantes quando deveríamos estar na praia tomando água de coco. Não defendo a vagabundagem, não é isso. Mas a imposição, a pressão, é sempre algo injusto. Fora as gritantes diferenças sociais. Imagine um cara de dezoito anos, de intelectualidade média, que gosta de ler Machado de Assis mas odeia química e não tem grana nem para comprar "Memórias Póstumas de Brás Cubas", seu livro preferido (ele pegou da biblioteca). O dinheiro acumulado em meses vai servir para comprar um livro de química e não um livro do Machado. De qualquer forma, esse caso não é nada perto dos que morrem de vontade de fazer um cursinho pré-vestibular mas não tem dinheiro para isso, e apesar dos esforços, acabam não passando no vestibular pois não receberam as mesmas dicas dos que fizeram cursinho.
Quando entrei na faculdade de Licenciatura em Música pela Estadual eu me decepcionei muito com o sistema. Entrei na de Fisioterapia numa particular e a decepção foi pior ainda. É tudo tão chato, entediante. Tenho provas essa semana e não tive coragem de estudar nada ainda. Sim, é falta de disciplina, eu admiro muito meus colegas que estão se matando de estudar agora, mas será que isso vai mudar muita coisa no final? Essa absorção de conteúdos enormes em poucos dias é eficaz? O problema do ensino no Brasil é ficar na entediante teoria. É tudo muito teórico e perdemos muito tempo com papo furado. Um pouco de teoria é fundamental, porém muita coisa se aprende bem melhor vendo na prática, pegando na massa. Eu não sei nada de fisioterapia realmente, ainda.
Por que não podemos ser como os gregos, que faziam poesia em praça pública e discutiam política em fórum aberto a todos? Assim, com diálogo, a coisa fica muito melhor.
Eu gosto de aprender, sim. Adoro. Mas aprender com a vida, vendo como tal animal se comporta (sem precisar medir sua pressão osmótica), como cozinhar um peixe com batatas, como aprender a fazer pipa com meninos brincando na rua, conversando com uma senhora de 70 anos e perguntando como era a moda nos anos 50, conversando com todos os mais velhos, sentindo o cheiro da rosa e percebendo como a vida pode ser bonita. Esses sim, são aprendizados úteis e que mexem com a sensibilidade, coisa que a escola, extremamente técnica, não ensina a ninguém.
Marisa Monte disse:
"Por isso eu pergunto à você no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria.
O mundo é uma escola, a vida é um circo...
Amor: palavra que liberta. Já dizia o profeta"
Eu fico com a sabedoria.
Alguém, ao ver minhas comunidades do orkut, poderia até perguntar porquê estou em duas comunidades tão contraditórias:
1-Eu adoro aprender
2-Eu não mato a aula, ela é que me mata.
Eu amo aprender, minha cabeça é pensante por natureza, tenho curiosidade sobre muita coisa (nunca sobre tudo - tudo é demais, e tudo inclui lixo demasiado). Mas eu não gosto de estudar.
O problema é que eu discordo do sistema educacional brasileiro, radicalmente. Esse sistema baseado em decorar letras, depois decorar gramática e tabuada, assimilar teorias de todo tipo de gente como se fosse verdade absoluta e nem sequer discutir tais teorias, assim como assimilar a história do Brasil como uma história de heróis burgueses, quando os verdadeiros heróis ficam esquecidos... Esse sistema é ridículo.
Nas aulas deveríamos, desde pequenos, falar quando quiséssemos, respeitando o professor claro, mas interferir sempre que possível, com um feed back constante, um misto de opiniões, pois na verdade, caros amigos, até a ciência muitas vezes é baseada em opiniões e nada é muito certo no mundo. Odeio "aquela velha opinião formada sobre tudo", odeio verdades absolutas, odeio toda generalização! Essa incoerência com a verdade com a qual esbarramos frequentemente nos livros de todos os tipos e no discurso de tantos professores. E os estudantes deveriam abrir a boca só quando tivessem vontade também, nada de tremedeiras na frente da turma.
O ato de ler deveria ser muito mais incentivado, mas não com aquelas leituras obrigatórias de ensino fundamental e para o vestibular, e sim com liberdade total para que os jovens lessem o que quisessem e discutissem literatura com vontade. Literatura política deveria ser mais incentivada, Marx, Guevara... Idéias opostas ao capitalismo em que vivemos, não para formar revolucionários sem causa, mas para que essa idéia de que capitalismo é o fim de tudo cessasse e para que as pessoas pudessem ver de vários ângulos o que poderia ser a vida.
Xadrez, esportes em geral deveriam ser uma opção concreta para quem não quisesse aprender matemática ou geografia em sala de aula. A arte deveria estar em todo corredor das escolas, acordes deveriam ressoar pela praça de alimentação, jovens deveriam ficar na grama olhando para o céu e apreciando a natureza.
Enfim, liberdade plena. "This is my utopia", como diz Alanis Morissette.
Eu odiava ir para a escola, principalmente no Ensino Médio. Fui uma garota-problema, mas não me orgulho disso. Eu queria ter tido mais amigos, mais histórias para contar sobre a escola. Porém o reflexo óbvio da falta de sensibilidade (esta que a escola deveria cultivar no aluno) dos meus colegas de classe me deixavam excluída, porque eu era diferente e eles não toleram o diferente. Isso a escola deveria fazer: ensinar a tolerância e o amor ao próximo. Coisa que poucas instituições fazem.
O vestibular é um método eficaz, porém não estou certa sobre se ele é justo ou não. Estudamos como cavalos durante as madrugadas e perdemos parte da nossa juventude para decorar formas de física que daqui a um ano esqueceremos. É fato. Fazem de nós robôs ambulantes quando deveríamos estar na praia tomando água de coco. Não defendo a vagabundagem, não é isso. Mas a imposição, a pressão, é sempre algo injusto. Fora as gritantes diferenças sociais. Imagine um cara de dezoito anos, de intelectualidade média, que gosta de ler Machado de Assis mas odeia química e não tem grana nem para comprar "Memórias Póstumas de Brás Cubas", seu livro preferido (ele pegou da biblioteca). O dinheiro acumulado em meses vai servir para comprar um livro de química e não um livro do Machado. De qualquer forma, esse caso não é nada perto dos que morrem de vontade de fazer um cursinho pré-vestibular mas não tem dinheiro para isso, e apesar dos esforços, acabam não passando no vestibular pois não receberam as mesmas dicas dos que fizeram cursinho.
Quando entrei na faculdade de Licenciatura em Música pela Estadual eu me decepcionei muito com o sistema. Entrei na de Fisioterapia numa particular e a decepção foi pior ainda. É tudo tão chato, entediante. Tenho provas essa semana e não tive coragem de estudar nada ainda. Sim, é falta de disciplina, eu admiro muito meus colegas que estão se matando de estudar agora, mas será que isso vai mudar muita coisa no final? Essa absorção de conteúdos enormes em poucos dias é eficaz? O problema do ensino no Brasil é ficar na entediante teoria. É tudo muito teórico e perdemos muito tempo com papo furado. Um pouco de teoria é fundamental, porém muita coisa se aprende bem melhor vendo na prática, pegando na massa. Eu não sei nada de fisioterapia realmente, ainda.
Por que não podemos ser como os gregos, que faziam poesia em praça pública e discutiam política em fórum aberto a todos? Assim, com diálogo, a coisa fica muito melhor.
Eu gosto de aprender, sim. Adoro. Mas aprender com a vida, vendo como tal animal se comporta (sem precisar medir sua pressão osmótica), como cozinhar um peixe com batatas, como aprender a fazer pipa com meninos brincando na rua, conversando com uma senhora de 70 anos e perguntando como era a moda nos anos 50, conversando com todos os mais velhos, sentindo o cheiro da rosa e percebendo como a vida pode ser bonita. Esses sim, são aprendizados úteis e que mexem com a sensibilidade, coisa que a escola, extremamente técnica, não ensina a ninguém.
Marisa Monte disse:
"Por isso eu pergunto à você no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria.
O mundo é uma escola, a vida é um circo...
Amor: palavra que liberta. Já dizia o profeta"
Eu fico com a sabedoria.
domingo, abril 01, 2007
Cheeseburger Exótico

Esses dias tomei um iogurte de cupuaçu. É uma delícia, provavelmente o iogurte mais gostoso que já provei na vida. E na embalagem dizia-se: "Exotic".
EXÓTICO:
diz-se dos animais ou plantas que não são naturais dos climas para onde foram transportados;
que não é indígena;
estrangeiro;
extravagante, esquisito;
estranho;
singular;
diz-se dos animais ou plantas que não são naturais dos climas para onde foram transportados;
que não é indígena;
estrangeiro;
extravagante, esquisito;
estranho;
singular;
Exótico em que sentido, então? Provavelmente um iogurte de CUPUAÇU deve (ou deveria) ser exportado para que os gringos provem as maravilhas feitas com as frutas tropicais. Mas, dentre as possíveis definições, eu diria no máximo que o cupuaçu é uma fruta "singular". Não é estranha, não é extravagante nem foi transportada para outro clima, sendo que a polpa usada no iogurte é do Brasil, de onde vem o fruto realmente. Então, que diabos seria exótico, neste contexto?
Eu sei que é ridículo encucar com um iogurte, mas eu me divirto encucando com coisas bobas e gosto de questionar simplesmente porque é preciso. Alguém tem que ocupar esta função.
Seria um cheeseburger exótico porque tem um gosto singular? Ou porque é um tanto extravangante, com suas quase 700 calorias? Eu adoro cheeseburger.
Assinar:
Postagens (Atom)