domingo, julho 23, 2006

Qual a sua utilidade?

A coisificação do ser humano

Em uma das minhas aulas de filosofia, sempre muito produtivas, a professora citou o caso de uma mulher que entrou em profunda depressão por causa de sua idade. Segundo a própria, ela não tinha mais "função" nenhuma neste mundo, seus filhos estavam educados e morando sozinhos, ela estava separada, tinha um emprego humilde e poucas atividades. Mas reflitamos: Como essa mulher se enxerga? A resposta é fácil... ela se enxerga como um objeto, algo que precisa ter uma utilidade "pública", caso contrário, é preferível a morte.
Não é necessário irmos muito longe. Nós costumamos nos ver dessa maneira muitas vezes. Costumamos nos sentir bem apenas quando outra pessoa dá o braço a torcer por algo que venha de dentro do nosso "eu". Porém, o "eu" é muito mais auto-sustentável do que parece. Não estou aqui pregando o individualismo, pelo contrário. Mas temos que gostar do lado humano da pessoa, sabendo separar sua "função" dentro de uma sociedade, a qual eu preferiria chamar de colaboração, da sua singularidade dentro do que podemos chamar de "raça humana". Odeio a frase "eu preciso de você". Está aí algo que nunca quero escutar de ninguém querido. Precisar não é gostar. Depender não é amor. Pensem sobre isso. Pior é que muita gente se sente o máximo quando escuta o suposto "elogio". Muitos se aproximam dos outros pela utilidade que a nova pessoa terá na sua vida. Não importa o quê, mas vários indivíduos se aproximam dos outros com segundas intenções. Pelo dinheiro, pelo corpo, pela beleza, pela necessidade (nem sempre real) de ter alguém perto (mesmo que não haja real afeição).





A maior prova disso é o tratamento que muitos de nós dá aos idosos. Jogamos tudo que consideramos velho no lixo. O velho namorado, a velha cidade, o velho disco, a velha doméstica. Como se o velho fosse necessariamente ruim. Ao contrário do que dizem por aí, as pessoas não tem medo de mudar. E nem devem. Mas o que não deve acontecer é a troca de valores constante, sem mais nem por quê. O ser "humano", hoje em dia, só vive da novidade. Não sabe valorizar o que está ao seu redor, dizem enjoar, cansar. A magia da vida está em ver tudo como se fosse a primeira vez. Mesmo sendo a milésima.

Cuidemos dos nossos vovôs e vovós com todo o amor e carinho. E tratemos bem qualquer pessoa de mais idade. Eles são muito mais experientes, acreditem, e merecem nosso respeito. Os idosos não são inválidos. Esse termo é ridículo e mostra como a humanidade está presa à idéia de emprego, de prestamento de serviço a um sistema corrupto e devastador. Ou estamos muito preso aos outros. E devemos nos gostar (quando possível) e nos respeitarmos mutuamente, mas sem dependência por utilidades oportunistas. Não importa o que você seja. Escritor, pedreiro, cineasta, dentista. Não importa. Não é sua profissão que vai validar você. É o seu "eu".

Descobri a frase da minha vida numa música da Parafusa: "Pode crer, meu amor, eu consigo achar graça no feijão e arroz". Tem tudo a ver com esse post. Sim... Eu consigo ver graça no velho feijão com arroz.


sábado, julho 22, 2006

Lar, doce lar



Essa é a vista da sacada do meu apartamento, tirada através do vidro da janela do meu quarto. Meu bairro fica meio longe do centro da cidade, é um bairro relativamente calmo e aconchegante. Vejo essa vista há muito tempo e nunca me canso. É simples, mas eu gosto. A mata antes era maior, já diminuiu bastante. Gosto do fim da tarde, quando o céu fica multi-color. Gosto de ver os pássaros voando e o movimento das nuvens, bem lento. Gosto de ver o vigia lá embaixo e as pessoas voltando do trabalho. De ver casinhas ao longe. E de me embalar na rede, na sacada.

quarta-feira, julho 19, 2006

Aberdeen

Pessoal, comecei a escrever algo ontem. Vou colocar um trecho aqui e quero saber o que acham. Não pretendo publicar por aqui não, só quero saber se está legal, certo?
Espero que percebam a crítica inserida nele e que entendam meu alvo (apesar de isso ser só o começo)

"Ano 2025. Aberdeen checa a caixa de entrada. Não acredita. Checa novamente e expele lágrimas de ódio. Um semi-grito ecoa pela sala cheia de livros antigos e com cheiro de ar-condicionado. Aberdeen coleciona tanto os clássicos quanto os mais contemporâneos. Muitas livrarias e gráficas estavam fechando e ela aproveitava os últimos exemplares mundiais antes da extinção completa desses amontoados de coisas escritas sobre qualquer assunto, em ordem aleatória ou não, mas organizadas em páginas numeradas e coladas a uma capa dura que as juntavam, formando então... um livro.
Uma nova era cultural nascia, a era E. E-mail, E-books, E-kisses, E-food, E-etc. Os livros entravam em extinção não por causa da falta de papel e muito menos por motivos ecologicamente corretos. Sobreviviam ainda algumas matas e reservas onde faziam reflorestamento contínuo, visando o lucro constante através de folhas brancas. O motivo da lenta morte era mesmo a falta de leitores. O comodismo havia tomado completamente os chamados seres humanos, que preferiam ler ao computador; sem ter que estender os braços, sem ter o árduo trabalho de virar folhas, sem ter que ir até uma livraria e, principalmente,
sem ter que gastar dinheiro.
Aberdeen havia escrito um E-book bastante trabalhoso, com mais de 300 páginas de Microsoft Word e agora um E-charlatão qualquer estava assumindo suas palavras. Tão profundas. Tão pessoais. Como alguém poderia ter escrito isso além de mim? Como posso perder subitamente meus direitos autorais?
Um golpe. Provavelmente de um hacker. Sem mais nem menos os originais sumiram de seus arquivos e foram publicados muito antes do planejado. Para completar, com a assinatura de outra pessoa. Uma tal de Mashee Clubey.
Aberdeen manda um pedido virtual para o Mc'Donalds mais próximo e dentro de cinco minutos ela está robotica e compulsivamente pondo batatas fritas em sua boca, num acesso de desespero mortal. Lanche tamanho GG, coca-cola como um vício, mastigar para evitar violências
maiores. Mastigar com força e raiva. De repente, ela percebe sua insanidade e vê algo de poético em tudo isso. E ao ver poesia no caos ela pensa: "Estou na fronteira entre a lucidez e a loucura."

terça-feira, julho 18, 2006

Dona Neusa Sá


A morte não é feia. Nem bonita. É natural, apenas. E mesmo quando natural, triste. Triste para nós que pouco a entendemos.
Só quero registrar neste meu caderno virtual a passagem de uma pessoa muito querida para outro plano. Para um plano de paz, a devida paz merecida por alguém que ajudou tanto aos outros de coração. Minha querida bisavó, Neusa.

Já era anjo na terra. Agora só criou asas.

segunda-feira, julho 10, 2006

Sobre mim

NÃO vejo as pessoas como "coisas" que podem me servir. Gosto de todos até que eu tenha um bom motivo para o contrário. Sou eu mesma sempre, sem falsos sorrisos, sem rodeios, sem imagens. Sou séria só por fora, mas levo muitas coisas à sério realmente, porque nem tudo pode ser levado apenas na brincadeira. Acredito que talvez só tenhamos uma vida e assim sendo, quero aproveitar (e aproveito) cada minuto e dia da forma mais saudável para mim e que não seja injusta para os outros.
Minha sinceridade incomoda, nunca consigo ficar calada quando acho algo injusto (obviamente, posso estar errada). Normalmente falo pouco pois sou introspectiva, perco-me em meus divertidos pensamentos. Pensar é demasiado necessário e muito mais coerente do que apenas sentir. Pensar NÃO enlouquece, como muitos dizem. Na verdade, pensar cura. Ter tempo ocioso é fundamental para tais reflexões. Assim você se acha, como eu tenho me achado. Quando você está bem consigo mesmo dificilmente se sente sozinho.
Sou uma metamorfose ambulante, porém um pouco diferente do Raul Seixas. Mudanças são naturais, nunca somos exatamente os mesmos, mas por outro lado, carregamos algumas coisas (positivas ou não) dentro de nós desde que nascemos até o momento da nossa morte. É o que se chama de essência. Eu sei, mais ou menos, qual é a minha. Digo isso porque já passei por diversas fases, interiores e exteriores. Minha infância foi feliz, brinquei até dizer chega. Brincava todos os dias. Via muitos desenhos animados e desde cedo gostava de ler. Também adorava desenhar. Depois fui patricinha, metaleira(pura influência), depressiva (hormônios), rebelde, romântica, punk... Rótulos típicos da adolescência. Mas tudo me deu um pouco de experiência. Não, não sou maria-vai-com-as-outras, mas eu queria me achar pelos olhos alheios, o que é muito errôneo. Hoje em dia escuto Bob Marley e escuto Beethoven. Escuto Placebo e Chico Buarque. Visto-me de qualquer jeito e sou feliz assim.
Adoro jornalismo, estar informada sobre tudo (desde artes até ciências), adoro ler. Até do pior livro posso extrair algo bom, mesmo que depois eu critique muito (costumo achar os gênios medíocres). Não tenho ídolos, ninguém é melhor que ninguém.
Adoro cinema mas tomo cuidado para que isso não se torne um vício, porque é uma das melhores invenções humanas, depois da música, é claro :) Música é minha maior paixão, artisticamente falando, fervorosa!
Amo minha família incondicionalmente. Tenho poucos amigos porque não posso dar devida atenção para todos igualmente e para mim relacionamentos precisam de atenção e companheirismo. Assim sendo prefiro ter poucos mas com qualidade.
Depois de uma espécie de namoro com o luxo e com grandes ambições (FRAQUEZA humana), tive a sorte de perceber as ilusões materiais e hoje em dia clamo por uma vida simples. A vida para mim está no presente e consiste em valorizar tudo de bom que nos é apresentado, conciliando tudo isso com responsabilidade.
O amor, para mim, só é verdadeiro quando altruísta e nada tem a ver com apego ou dependência.
Acho que deu para resumir um pouco do que sou.

sexta-feira, julho 07, 2006

Viva a Vida

Oiii! Saudade de todos!


Hoje é o aniversário da minha mãe. A pessoa que mais amo no mundo! 54 anos. Só queria deixar registrado o quanto esse mais um ano de vida é importante para mim, para ela, para o mundo, que fica mais lindo ainda com a presença de Regina Célia Sotão Ferreira.







Por outro lado, minha bisavó continua na UTI. Hoje eu fui visitá-la. Ela já não tava muito lúcida antes, agora muito menos. Mas obviamente, ela sente as coisas. Mexi no cabelo dela, falei um pouco... Troquei as meias. É uma situação muito chata, claro. Ela é uma pessoa incrível. Era toda cheia de vida. Tem 92 anos e já está internada há 2 semanas... Se fosse outra pessoa, já não teria resistido tanto tempo, ainda mais na UTI, e com essa idade.
Eu já havia a visitado, mas não ainda na UTI (quando a visitei, ela ainda estava no quarto). É uma experiência bem forte e claro, nada agradável. Não estou falando isso aqui para fazer drama. Doenças e morte fazem parte da vida, eu estou preparada para qualquer coisa, mas no fundo tenho muita esperança de que ela consiga sair dessa, pois é muito amada por todos nós. Pro meu pai então, é uma segunda (ou primeira) mãe.

Nessas horas tenho mais certeza ainda de que a vida vale a pena. Se não valesse, ninguém lutaria tanto por ela. Todos (ou quase todos) querem viver. Lutam por isso. A vida é boa e não, não duvido disso. Mas é vendo assim, a morte tão de perto, que valorizamos ainda mais o fato de estarmos vivos.

Vi muita coisa triste no hospital. Do lado da minha avó tinha uma menina de uns 13, 14 anos. Imagina, uma menina tão nova na UTI! Ela gritava de dor. Insuficiência renal, fiquei sabendo. A perna dela estava terrível. Fiquei com muita vontade de conversar com ela... Olhei nos olhos da garota, mas fui incapaz de trocar palavras, fiquei com medo de ela pensar que eu estava com pena dela, quando na verdade eu só queria mostrar alguma solidariedade. Alguns pacientes, infelizmente, ficam sentindo pena de si mesmos, e acham que todos sentem o mesmo por eles. Ou tornam-se rebeldes... É muito difícil. Mas da próxima vez tento puxar papo. Com certeza, se essa garota sobreviver (e creio que sim!) ela irá aproveitar cada minuto de sua vida.

Temos que agradecer (se não confiam em Deus, agradeçam ao acaso, à natureza, a qualquer coisa) por estarmos vivos. Não esperem estarem à beira da morte para valorizar a vida. Eu imploro isso a vocês.

segunda-feira, julho 03, 2006

Better, Beta, Bethânia


Todo mundo sabe que a Maria Bethânia é irmã do Caetano. Que dupla, hein? A mãe deles deve ser muito orgulhosa :)
Continuando o assunto Caetano Veloso, hoje escolhi postar outra letra da qual gosto bastante. O nome da música é Maria Bethânia e foi escrita na língua inglesa (como outras - poucas- de Caetano). Acredito que essa música tenha sido escrita durante a ditadura militar, quando Caetano foi exilado (que absurdo) pois contestava o sistema ditatorial em suas canções.
Reparem na criatividade com a qual ele joga as palavras, novamente. Esse cara é muito bom. E a melodia dispensa comentários.

Everybody knows that our cities were built to be destroyed
You get annoyed, you buy a flat, you hide behind the mat
But I know she was born to do everything wrong whith all of that

Maria Bethânia, please send me a letter
I wish to know things are getting better
Better, better, Beta, Beta, Bethânia
Please send me a letter
I wish to know things are getting better

She has given her soul to the devil but the devil gave his soul to God
Before the flood, after the blood, before you can see
She has given her soul to the devil and bought a flat by the sea

Maria Bethânia, please send me a letter
I wish to know things are getting better
Better, better, Beta, Beta, Bethânia
Please send me a letter I wish to know things are getting better

Everybody knows that it’s so hard to dig and get to the root
You eat the fruit, you go ahead, you wake up on your bed
But I love her face ‘cause it has nothing to do with all I said

quarta-feira, junho 28, 2006

Analisando Caetano Velas e Veludo


Poucos artistas me emocionam tanto quanto Caetano, com sua voz aveludada e suas letras aparentemente sem nexo algum, algumas que talvez nem ele mesmo entenda.
O que eu mais gosto em Caetano são as composições como um todo, o jeito que ele brinca com as palavras e rimas (rimas ricas) dentro de melodias bastante diferenciadas, de compassos complicados e ritmos únicos. A verdade é que ele tem um swing sofisticado, um jeito de fazer arranjos vocais totalmente original, assim como João Bosco.
Resumindo: a música de Caetano é totalmente polida, redonda. Nada fora do lugar, mesmo com toda a criatividade, originalidade e até mesmo complexidade de suas composições.
Chico Buarque tem letras maravilhosas, é um grande poeta, e não querendo comparar mas já comparando, ele perde feio (na minha humilde opinião) para Caetano em termo de melodias. Acho algumas canções de Chico muito quadradas, não sei se pelo jeito de cantar um tanto limitado, mas acho algumas bastante retangulares. Eu tenho uma teoria sobre essa limitação melódica de Chico. Ao contrário de Caetano, ele ficou muito tempo preso apenas à bossa nova e ao samba (e as melhores músicas de Chico são seus sambas). Já Caetano absorveu muitos outros ritmos, até porque é baiano, e participou do movimento Tropicalista. Também tem influências nítidas de música latina em geral, como o tango argentino. Até uma canção do grupo grunge norte-americano Nirvana já foi regravada por Caetano Veloso. Tem uma mente totalmente aberta para qualquer ritmo, mas obviamente ele sabe filtrar e diferenciar o bom do ruim.
Caetano é bom porque não finge ser legal, ele é legal quando quer. Caetano é bom porque ele pronuncia MTV em português (emitevê) porque "Estamos no Brasil e eu falo português".
E, só para registrar, o melhor de Veloso: a tremidinha na voz, que mexe na alma!

Vou postar apenas músicas de Caetano esses dias aqui no Sustenido. Uma espécie de Especial Caetano Veloso, já que ele é meu compositor brasileiro preferido. E irei analisar as letras quando necessário.


PODRES PODERES- Caetano Veloso


Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes somos uns boçais
Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses mas tudo é muito mais

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?

Será, será que será que será que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe , num êxtase
Ser indecente mas tudo é muito mau

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades , caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo e mais fundo tins e bens e tais

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?

Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
E os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo
Tins e bens e tais

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Em Podres Poderes, eu percebo mais do que nunca a versatilidade de Caetano, musicalmente falando. A música é bastante animada, até dançante. Aproxima-se do Samba-rock, mas não é exatamente isso. Ouço trompetes ao fundo da música, que também tem solos de guitarra.

Sobre a letra, acho interessantíssima. Claramente, ele fala sobre a situação social brasileira, que está estagnada desde sempre. Experimentamos tudo de ruim, a Ditadura Militar, o fascismo de Getúlio disfarçado de populismo, e agora o pior: a "democracia" capitalista. Nada deu certo neste país, porque estamos intrinsecamente subjulgados pelos "podres poderes" norte-americanos. Eu quero é mandar a Alca para o... como diz Hugo Chávez: Alca Alcarajo!
Uma das maiores causas disso tudo é o histórico corrupto dos políticos brasileiros, desde os portugueses aproveitadores que aqui chegaram em 1500 até os nossos contemporâneos, Roberto Jefferson, Sarney, e todos os nossos conhecidos. Não sei se vocês leram o texto que postei aqui há alguns dias "Por que somos corruptos?"... Ele talvez explique parte dessa problemática. As pessoas já têm uma ideologia plantada em suas mentes: político é necessariamente corrupto, política é profissão para ganhar (roubar) dinheiro fácil. É assim que as pessoas pensam, por isso nada muda. Essa mentalidade precisa ser modificada antes que seja tarde demais. Porque é ela que faz com que apenas homens corruptíveis queiram exercer a política, efetivamente falando.
HÁ GENTE PASSANDO FOME, HÁ GENTE MORRENDO SEM PODER PAGAR HOSPITAIS, E OS HOSPITAIS PÚBLICOS SÃO UMA MERDA!
HÁ GENTE MATANDO POR DEZ REAIS, HÁ GENTE VENDENDO DROGAS ILEGALMENTE PARA SE ALIMENTAR DO DESESPERO ALHEIO, HÁ GENTE QUE ABUSA DE CRIANÇAS E NÃO VÃO PARA A CADEIA, PORQUE A JUSTIÇA BRASILEIRA É PÉSSIMA!
HÁ INOCENTES NA CADEIA E POLÍTICOS E BANQUEIROS DESONESTOS LIVRES E SOLTOS.
AINDA EXISTE ESCRAVIDÃO NO NORTE DO PAÍS, HÁ GENTE QUE GANHA MENOS DE UM SALÁRIO MÍNIMO, HÁ GENTE COMENDO UMA CUIA DE FARINHA COM ÁGUA POR DIA!
VAMOS ACORDAR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pronto, disse. Obrigada, Caetano, por me proporcionar esse momento de desabafo.

Voltando à letra da música, outra coisa bastante criativa é o uso de termos como "tons", "bens", "hemertismos pascoais" fazendo referência a grandes músicos brasileiros (Tom Jobim, Jorge Benjor, Hermeto Pascoal), coisificando tais com respeito, apenas para exemplificar os poucos bons frutos dentro de um país tão mal-tratado, de um povo que é feliz de teimoso, que é lutador, mas que precisa deixar de ser manipulado por uma elite persistente e suja para que comecemos a pensar melhor, reclamemos direitos e para fazermos do país um lugar mais justo e com menos desigualdades.

O compositor também aplaude a diversidade: negros, brancos, índios, bichas, mulheres. Diz que o carnaval é bom, mas que não pode ser motivo de cegueira.

"Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais..."


Está aí uma ótima questão que Caetano coloca: Hoje em dia matar de fome, de raiva e de sede se tornou algo muito natural, retornamos ao estágio puramente animal por falta de humanidade, por falta de dignidade, por falta de respeito, e por causa de muita, muita ambição. Enquanto alguns quiserem ficar podres de ricos, nunca haverá igualdade.

Como minha professora de filosofia fala: Esses homens que aí estão no poder não tem poder verdadeiro. O poder só é verdadeiro quando alguém o tem por sinceros votos, por sincero querer dos que o concedem. Um ditador, por exemplo, não tem poder. Tem força apenas, se tivesse poder, não precisaria usar da violência para nada, porque ninguém estaria contra este.

E, por último, Caetano pergunta:
"Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?"


Será? Depende de nós.

sexta-feira, junho 23, 2006

Emoções banalizadas

Na última terça-feira, no dia do jogo do Brasil, eu estava indo à casa da minha tia para ver o jogo e no caminho deparei-me com um monte de gente no meio da rua, bombeiros, policiais. Alguém havia sido atropelado. Um cara estava jogado no chão. Mas tudo mais parecia um espetáculo, um grande acontecimento. Disse para minha mãe acelerar o carro e não ficar dando manchete para tragédias alheias como se fosse divertido.
O que me deixou besta foi ver gente bebendo cerveja olhando o desenrolar dos fatos, como se fosse aquilo, por si, um jogo de futebol, entretenimento.
Esse tipo de coisa acontece todos os dias. Em todo o mundo, mas em diferentes formas. Ligamos a TV e vemos uma guerrilha em plena São Paulo, puro terrorismo (como aconteceu há pouco tempo) e muita gente se diverte com o fato, porque é "emocionante".
As pessoas vão para as boates (não que essa ação seja necessariamente ruim em si mesma) para ficar com "quantos aparecerem" porque é "emocionante". É a busca desenfreada por sexo sem sentido, casual. Algumas pessoas me chamariam de careta novamente aqui. Sem problemas. Não vejo problema em alguém querer prazer ocasional, mas quando isso se torna um vício e uma atitude totalmente irracional, é desprezível, lamentável. A mente é tão brilhante para não ser usada...
Soldados americanos torturam reféns iraquianos porque é "engraçado"... para alguns deles, "emocionante".
Alguém é assassinado na esquina da sua casa e você esquece no dia seguinte, porque situações como essas são coisas do "cotidiano", são acontecimentos que fazem "sair do marasmo".
Sim, estou sendo irônica, todos esses pensamentos acima são tão infantis, mas acho que os adultos vivem disso. É triste.
Lembrei do filme "O Vento nos Levará", que critica tudo isso de forma sutil, mostrando que as verdadeiras emoções (sentimentos) são mais silenciosos, mais calmos. E não por isso menos intensos.


ENFIM, falei tudo isso porque:

Li um trecho do livro "Culto da emoção" do filósofo Michel Lacroix, e achei sensacional, genial, muito interessante. Leiam, por favor, o trecho abaixo. Não se arrependerão. Espero que se interessem. É bastante reflexivo.


"Dos esportes deslizantes às raves, dos videogames à encenação da atualidade, das novas terapias às técnicas de desenvolvimento pessoal, hoje em dia, tudo pretende nos fazer "vibrar". As aventuras radicais, a violência banalizada, os estados de transe e as imagens de tirar o fôlego são os ingredientes de nossa vida, que reclama doses crescentes de adrenalina. Assim, em busca de sensações fortes, o indivíduo moderno emociona-se muito. Mas, será que sabe sentir? Cada vez mais agitado e cada vez menos sensível, por que terá ele abandonado as emoções serenas? Eis o cúmulo do paradoxo: no momento em que triunfa e se torna objeto de um verdadeiro culto, será que a emoção tomou irremediavelmente o caminho do delírio?"
(O culto da emoção - Michel Lacroix)

Quero comprar esse livro assim que possível. Dica de site onde pode ser encontrado: http://www.siciliano.com.br/livro.asp?tema=2&tipo=2&clsprd=L&id=685040&orn=BMV
E nas melhores livrarias.



Palavras do meu amigo Fabio Oliveira, sobre este trecho do livro:
"É estranho tratarmos e explorarmos a emoção como forma de alcance de felicidade, ainda mais quando nos deparamos frente a tudo isso que é colocado como formas objetivas e bem definidas do que devemos ou não fazer.
Até que ponto estamos buscando uma emoção efetivamente confortante e particular?! Até quando estaremos submetidos e ajoelhados perante a manipulação de nossos desejos e anseios?!
Desejo que meu desejo seja inalterado, e que a emoção seja emocionante e eterna enquanto dure... que ela dure enquanto rasteja e dá seus últimos suspiros e agoniza diante de tanta futilidade."

quarta-feira, junho 21, 2006

Mestre Cartola disse...

"De cada amor tu herdarás só o cinismo..." (O mundo é um moinho- Cartola)

Falou e disse. Pelo menos no meu caso serve...

terça-feira, junho 20, 2006

Tristeza

Não, não é a banda. Sou eu.
Esses dias têm sido muito estranhos. Meus amigos foram acometidos por coisas chatas, estão tristes... E entrando nessa atmosfera fico muito mais suscetível.
Mas decepções pesam. Pesam e doem. Já estou livre das decepções de um passado bem distante. Dessas já me livrei de forma segura e agora... indiferente. Felizmente não posso e nem deveria chorar pelos erros dos outros. Durante muito tempo eu senti saudades mas nesse momento e para sempre... Não sinto (nem sentirei) mais nada. Porque não foi um erro, foi uma bola de neve, foi uma hipocrisia gritante, sofrida: eu aposto. Não estou falando de mim. O peso na consciência de uma pessoa assim pode não existir? E se não existir, que tipo de pessoa é?
Eu amo as pessoas de verdade, dou tudo de mim... Inclusive, falo de amigos também. Tudo que recebo é uma indiferença extremamente suportável. Sim, eu suporto muito bem. Porque tenho vasta experiência com pessoas. Sinto-me com muito mais idade, como se eu já houvesse percorrido o mundo e conhecido todo o tipo de gente. E, se por um lado conheci a desgraça, por outro conheci a pura graça. Não espero pessoas perfeitas para mim ou para o mundo, nem procuro ver as coisas apenas pelo meu lado ou pela minha subjetividade. Se assim o fosse, eu odiaria todas as pessoas do mundo. Não posso ser idiota assim. Nada é tão padronizado.
Mas sei que existem pessoas maravilhosas e que primam pelo bem estar geral, não apenas indo pelo caminho fácil da comodidade de um ser egoísta. Tenho exemplos muito próximos de pessoas boas. E repito, uma pessoa boa não é necessariamente perfeita. Na verdade, não espero perfeição, só um pouco de amor, amizade, respeito, consideração, preocupação sincera. Isso existe. Não é tão comum, mas existe. Como eu estava dizendo, tenho exemplos nítidos, conheço pessoas incríveis. Não cheguei a essa conclusão porque tais me tratam bem ou não. Estou dando exemplo de gente com quem não tenho sequer intimidade. Tratam-me bem, mas se tratassem qualquer pessoa com hostilidade, desonestidade, violência ou máscaras, eu ficaria tão chateada quanto se fosse comigo. Não é justo ver as coisas só pelo meu lado.
O que quero dizer e o que confesso é: eu espero muito das pessoas porque sei que elas podem ser melhores. É tudo comodismo ou ilusão. Ou ainda e até principalmente, egoísmo demais. Essa é a causa primeira de todos os males da humanidade. E mais ainda: não espero que as pessoas sejam boas só comigo, mas com todos. Eu espero que o muçulmano trate bem o judeu e vice-versa. Não importa que seja do outro lado do mundo, eu não preciso saber, só queria que acontecesse naturalmente. Eu queria um mundo melhor na esfera humana (porque o resto da natureza é perfeita) não só enquanto eu vivo, não só por mim, mas por todos. Desde sempre, continuando depois que eu morrer, e se estendendo para o infinito.
Neste sentido, sou uma sonhadora. Mas não gosto deste termo, então prefiro dizer que sou uma agente da práxis (parto para a ação). Nem sempre fui assim, como já falei milhares de vezes por aqui. Já exaltei demais minha parte ruim em outras épocas. A maioria das pessoas tem o bem e o mal dentro de si (nem todas, pois algumas só tem OU um OU outro) e eu tinha um pouco dessas coisas ruins que agora estão na moda. Mas alguns indivíduos apareceram na minha vida e me fizeram mudar, para melhor. Tenho certeza de que para melhor. Continuo cheia de defeitos, mas muitos se evaporaram. Cheguei a um estágio de porquês imensurável. Não entendo tudo e muito menos tenho respostas para todos, mas questiono tudo e pergunto: por que? por que tal pessoa age assim? Pergunto isso a todo momento, e também me pergunto: Por que eu estou agindo assim?
Clarice Lispector tem uma passagem famosa em que diz que viver ultrapassa todo o pensar, que basta sentir, algo assim. Li esse fragmento da escritora em algum lugar. Eu discordo. Sentimentos enganam. São maliciosos. Entendam aqui sentimento como sensações próprias de um momento fugaz - e não sentimentos concretos e verdadeiros.
Às vezes a razão salva tudo. Hoje em dia eu dificilmente me impressiono com alguma coisa. Tudo para mim é explicável, e isso não faz da vida menos emocionante, pelo contrário.
Porém, hoje eu estou triste e chorei muito, muito. Desde ontem à noite sinto algo ruim, que não sentia há tempos. Claro que tem a ver com pessoas. Elas são o único mal. Quando poderiam ser o único bem.
Algo que me deixa triste é ver pessoas que eu acho que me conhecem falando coisas sobre mim sem o mínimo embasamento, falando por alto, ou julgando pelo momento. Por exemplo, estou de mau humor. Alguém chega e diz: A Valéria é uma pessoa tão mal-humorada...
Isso me irrita. Não é justo fazer essas noções sobre ninguém.
Pensei em dizer: saiam daqui, não falem comigo, estou em fase depressiva e não sei quando vai terminar. Não sei mesmo, mas algo me diz que nunca mais entrarei em depressão de novo, como há anos atrás aconteceu uma vez. Nem quero, por favor. Acho que é só aquela coisinha chata chamada tristeza.

segunda-feira, junho 19, 2006

São João!

Foto das barraquinhas que vendem artesanatos.



Nesse clima de Copa do Mundo de Futebol (aliás, que jogo excitante ontem, hein?), outra festa, mais tradicional ainda, vem sendo ofuscada. Refiro-me ao festejo de São João e festas juninas em geral.
Aqui no Maranhão essa tradição é bastante forte. É minha festa folclórica preferida, e o leque de opções que existe na cidade de São Luís é empolgante. Bumba-meu-boi (o melhor para mim), Tambor de crioula, Cacuriá, Quadrilha, Dança do coco, etc.
Acho de extrema importância dar valor a essas culturais locais. São tão bonitas, antigas e ricas. É triste quando as pessoas só valorizam o que vêm de fora. Ontem fui pela primeira vez este ano a um arraial. Foi muito divertido, comi comida típica, dancei boi barrica (adoro! e eu danço direitinho, tá?) e ainda tirei fotos. Algumas aqui.


Tambor de Crioula. Muito massa as senhoras dançando e rodando feito loucas :)




Cacuriá

Vista do arraial (Arraial do Maranhão, São Luís shopping)

Caboclos (acho que é isso o nome) de um dos bois que esqueci o nome -_-

Minha mãe com o chapéu do boi




Outro boi

Abaixo, todas as fotos são do Barrica.



quarta-feira, junho 14, 2006

Excelente texto para reflexão

Tivemos uma discussão segunda na aula de filosofia porque um garoto, visivelmente corruptível e corrupto, estava defendendo a teoria de que todos somos corruptíveis politica e economicamente falando, porque o meio nos corrompe. Eu fiquei muito puta. Depois falo mais sobre isso...
Agora leiam esse texto. É incrível. Obrigada Fabio, pelo texto.

Por que somos corruptos?
Por Marcia Tiburi

A máxima 'o poder corrompe' é a bandeira que cobre o caixão no qual velamos a política. Ela é primeiro desfraldada por aqueles que pretendem evitar a partilha do poder que constitui a democracia. Ela é aceita por todos aqueles que se deixam levar pela noção de que o poder não presta e, deste modo, doam o poder a outros como se dele não fizessem parte. Esquecem-se de que a falta de poder também corrompe, mas esquecem sobretudo de refletir sobre o que é poder, ou seja, ação conjunta.
Democracia é partilha do poder. É o campo da vida comum, a vida onde todos estamos juntos como numa mesma embarcação em mar aberto. Partilhamos o poder querendo ou não, mas podemos fazê-lo de modo submisso ou democrático, omisso ou presente. Estamos dentro da democracia e precisamos seguir suas conseqüências. Democracia é também responsabilização pelo contexto em que vivemos: pelo resultado das eleições, pela miséria, pelo cenário inteiro que produzimos por ação ou omissão. Mas não nos detivemos em escala social para entender o que a democracia é e, por isso, falta-nos a reflexão que é capaz de orientar o seu sentido, bem como o sentido do poder e da política.
Acreditamos que o poder é mau. Que a política é ação para espíritos corruptíveis. Construímos a noção de que política não combina com ética, com moral, com princípios. Quem acredita nisso já contribui para a manutenção do estado geral da política, pois afirmamos uma essência em lugar errado. Onde deveria estar a ação que constitui a política, está a crença que determina o preconceito e a inanição. Neste sentido, a compreensão disseminada no senso comum já é corrupta. Ela compactua com a corrupção ao reafirmá-la no discurso que sempre orienta a prática.
É nosso dever hoje reavaliar a experiência brasileira diante da política. A compreensão da política como campo da profissão, por definição corrupta, é ela mesma corrompida e corrupta. Ela destrói a política, cujo significado precisamos, hoje, refazer. Esta é a ação política mais urgente. Acostumamo-nos ao 'pré-conceito' de que política é apenas governabilidade e deixamos de lado a idéia fundamental de que a política é projeto de sociedade da qual participam todos os cidadãos. Reclusos em nossas casas, acreditamos que a esfera da vida privada está imune ao político. Esquecemos que o pessoal é também político, não como espetáculo, mas como lugar de relação e modelo da esfera macroscópica da sociedade. Políticos somos porque falamos e estamos uns com os outros. Política é relação 'entre-nós' produzida pela linguagem, pela nossa fala, por nossos discursos. O que dizemos é sempre político. Pois falar é o primeiro passo do fazer ou, mesmo, a primeira de nossas ações.
Política é a relação estabelecida no enlace inevitável entre indivíduos e sociedade. Na omissão praticamos a antipolítica. Toda antipolítica que seja omissão e não crítica é corrupção da política por ser corrupção da ação. A mais urgente das ações políticas na atualidade, além da punição dos que transformaram a nossa governabilidade em prostituição da ação, é refazermo-nos como políticos no verdadeiro sentido.

terça-feira, junho 13, 2006

Sensibilidade pura


Eu descobri que Cecília Meireles escrevia prosa também. Só conhecia seu lado poetisa. Estou LOUCA para comprar seus livros de prosa!
Alguém sensível e racional ao mesmo tempo, alguém totalmente diferente dos escritores chatíssimos que estou acostumada a ver.

Li História de uma letra e fiquei emocionadíssima. Chorei (eu choro fácil - ou não?).
Mas tentem entender de verdade. É pequeno, não se arrependerão:

http://www.releituras.com/cmeireles_letra.asp


Depois me digam o que acharam, ok?

segunda-feira, junho 12, 2006

Dia dos Namorados

Os namorados mais fofos do mundo são meus pais!
Hoje meu pai deu um perfume muito bom pra mamãe, e um cartão... Ele não pratica muito a escrita, já que é médico, mas escolheu um com uma mensagem muito bonita:

"Contruir uma vida juntos é compartilhar alegrias e tristezas. É saber crescer respeitando nossas diferenças. É levar o outro no coração aonde quer que a gente vá. Amo você!"

De Dilson para Regina.

Bah, o amor não é lindo?

sábado, junho 10, 2006

O vento nos levará



Que filme incrível! De Abbas Kiarostami.
"Até mesmo um tambor parece melodioso a distância." Não paro de pensar nessa frase. Para quem não sabe, o tambor não possui melodia, apenas dita o ritmo. Pensem sobre essa frase, é fantástica. Fantástica.
Assistam. Só.

Lembrei agora que o documentário ABC África, do Kiarostami, foi o único filme aplaudido no festival de cinema de SL de alguns anos atrás... Eu tinha adorado ABC África, o cara é mesmo um humanista... Foi emocionante aquele momento de aplausos pelo bem. Porque outros filmes belíssimos estavam sendo exibidos e só este foi aclamado. Pela mensagem e nada mais. Nada mais.

Copa do Mundo


Olá!
Clima de Copa do Mundo... Adoro!
Acho muito chato que algumas pessoas só virem "brasileiros" nessa época. Todos fingem amar o Brasil durante a Copa, mas no restante do tempo reclamam o tempo inteiro do país e não fazem N-A-D-A para ajudar a melhorá-lo. Muito podre isso.
Porém, que é divertido não posso negar. Todo mundo se une torcendo para a mesma coisa: seleção brasileira. Todos na rua com camisas do Brasil, famílias e amigos reunidos para ver os jogos...
Eu me empolgo muito vendo as partidas, torço igual uma louca, pulo e grito muito quando o Brasil faz gol. Mas isso é só uma extensão do meu amor pelo meu país.
Não gosto muito de futebol, mas Copa do Mundo é muito legal :)

segunda-feira, junho 05, 2006

Paixão


-Ela era bonita.
Ácida e refrescante, novidade, esquisita
Mas era bonita, compreende?
Apesar de tão cítrica...

Enrolou-me como costumam fazer
"Subverteu o que era um sentimento"
Desgastou minha última folha para romance
Confirmando meu pressentimento!

Ah! Se tivesse que de ti depender
O resto serviria apenas de cenário?
Cenário são as pessoas!
Fingir sim, deveria ser pecado

O coração engana e faz de palhaço
Todo romântico inocente e ao acaso
Fantasiam a razão de moralista
Acham, assim, que estão a quebrar correntes (mas deixam pistas)

Porém, de nada serviu a beleza
Aquela pele reluzindo sedução
Sensualidade como se fosse pão
Notas, leitor, quão ridícula a situação?

O nome disso, é...
Quero dizer-lhe, é um nome feio
Que quando acaba (tão subitamente) deixa o queixo nos seios
Apresento-lhe, então, a paixão sem freios.

sexta-feira, junho 02, 2006

Carlos Paredes


As músicas de Carlos Paredes são inacreditáveis. Tocava viola portuguesa (e compunha com ela) como ninguém! Se quiserem escutar boa música instrumental, baixem qualquer coisa de Paredes.
Maravilhoso!

quinta-feira, junho 01, 2006

Poesia

(Cora Coralina)



Não tem jeito. Estou fascinada por poesia outra vez!
Passei um bom tempo ignorando a maioria dos poetas, mas agora leio poemas freqüentemente outra vez. Foi a primeira coisa que escrevi na vida... poesia (mas eu era muito ruim!) .
Estava dando uma lida nos poemas de Cora Coralina. Admiro muito essa mulher, desde que li uma biografia sobre ela numa revista velha que achei aqui por casa, há uns quatro anos atrás.
Ela nasceu na Cidade de Goiás-GO, numa casa que pertencia à sua família há mais de um século. Desde cedo fazia poesia. Quando casou, mudou-se para o interior de São Paulo, mas em 1956, após a morte do marido, ela voltou a morar em sua cidade natal, pois ela era sábia e escolheu a tranquilidade de uma cidade menor e mais humana para passar sua fase de terceira idade.
Só teve seu primeiro livro publicado aos 76 anos de idade. Mas conseguiu reconhecimento ainda em vida. Mas tenho certeza de que ela não morreria frustrada se isso não acontecesse. Depender da opinião dos outros para ser feliz é triste.
Coralina era doceira... o que me lembra a Suzana, personagem do meu conto, que mostrei a vocês recentemente. Sua poesia, ao meu ver, reflete toda a doçura do seu ser. Açúcar nas mãos e na alma.


(Doce em compotas)


Morreu aos noventa e seis anos de idade. Pois soube cuidar de si, dos outros e da vida com alegria e sabedoria.

Eu, Valéria, vejo muito isso de viver tanto tempo como a vontade da própria pessoa. Quando não acometidas por doenças trágicas ou acidentes inesperados, as pessoas podem alongar seu próprio tempo de vida. E isso não é só a minha visão, é fato. Até pessoas com sérias doenças conseguem converter o quadro às vezes, e sobreviver, apenas pelo fato da força de vontade. Isso é incrível. É o contrário da auto-destruição. E o que quero dizer com auto-destruição não é só fumar, usar drogas... É não gostar da vida, ser indiferente à passagem do tempo, ser vítima de frustrações criadas pela nossa própria mente. Acho burrice ou fraqueza, na verdade. Pena que todo mundo se destrói tanto hoje em dia em troca sei lá de quê. Bom... Eu só sei de mim e sei que quero viver muito. Pois estar viva é muito, muito bom.


Mal querer, Bem querer - Cora Coralina

E a garota, ia despetalando a rosa...
Uma a uma as pétalas iam caindo...
- "Mal querer, bem querer...",
Como se a vida fosse luta de opostos
Como se a guerra dos contrários animasse a festa da vida na terra...
A vida é união
É luta conjunta, de irmão com irmão
De mãos felizes a se abraçarem...
- A vida, ó garota sonhadora,
Não é simplesmente chorar pelos teus amores
Que são eles apenas pedaços de um caminho bem maior
Vem, respeita a flor...
Ao invés de destruí-la aprende a cultivá-la...
A vida feliz é resultado de esforços construtivos.
Assim compreenderás que o mal trabalha para que o bem surja em nós,
sob forma de amadurecimento e serenidade.
A chuva, coopera... O solo também...
E até o verme, no seio da terra,
quer ajudar também para que cresças e seja feliz.