segunda-feira, junho 18, 2012

Sobre Lares e Corações


Eu passo por muitas portas e nunca bato. Não toco a campainha nem faço alarde. Passo por muitos lares e nunca fico: nunca me sinto à vontade. Em poucas vidas me prolonguei. Escolho meus amigos por seus corações quentes, aconchegantes. Pelas mentes inquietas, mas que sabem quando descansar. Fico na vida dos que ainda conseguem se indignar. Dos que conseguem tolerar e perdoar, aqueles que usam suas borrachas.
Não faço questão também de que permaneçam no córrego de minha trajetória. De que matenham contato. Não conseguiria administrar relações com tanta gente, apesar do tamanho de meu coração. Prefiro ter um bom tempo para poucos do que minutos mal vividos com vários.
É difícil achar um coração aquecido e olhos que brilham. Todos que convivem comigo por minha vontade têm, necessariamente, essas características. É que de gente egocêntrica sempre estive farta. Gente egocêntrica é aquela cujos olhos não brilham ao ver a beleza de uma cachoeira ou de uma criança sorrindo. Gente egocêntrica é incapaz de ficar radiante com qualquer coisa que não seja ela mesma. E quem tem esse poder de se encantar com as coisas do mundo acaba por involuntariamente encantar demasiado a mim! Seus sorrisos tornam-se meus sorrisos e suas almas passam a serem coloridas dentre tantas almas brancas, cinzas, sem vida...
Eu raramente faço questão de ficar, ou de que em meu coração fiquem. Se eu deixei minha porta aberta és bem-vindo em mim. Se bato com frequência na porta do seu lar é porque, por alguma razão, gostaria que me deixasse entrar e ficar. Sair e poder voltar. Não permanecer ali incessantemente, porque tenho muitos a visitar e outros a receber, mas gosto de poder retornar, como poderá retornar você sempre à minha vida. É uma vontade nascida do momento em que olhei em seus olhos e enxerguei sua alma. Nunca bato, raramente faço alarde. Mas se toquei sua campainha e vez ou outra ainda toco, ou se te deixo sempre vir, é meu íntimo querendo que flutuemos juntamente no fluido da vida. É meu lado mais honesto dizendo: 'vem, fica, vamos tomar um café'. (Valéria Sotão)

quarta-feira, março 21, 2012

Sabores de mim

Ao meu calar, rebelde
Ao meu falar, controle
Antes vice-versa
Superar as dores


Anestesiada de passado duro
Não perdi minha porção de mel
Compartimentos bem separados
Guardados ou jogados ao léu


Leiga que sou de mim mesma
Numa complexa simplicidade ao sentir
Sinto e pronto, deixo ali
Sem questionar até onde posso ir


Como o mar
Que carrega em seu fluxo tanta vida
Sem duvidar, tantas histórias
Sem demorar, maré que afoga


E aqui tenho o sal e a pimenta
Correndo no meu sangue por trás da doçura
Mas o amor é simples e renasce
Ressuscitei de todas as minhas mortes


E vim mais forte!
Questionadora, destemida
Jogo-me sem medo nos jogos da vida
Pois nenhuma flecha me assusta mais


Mãe, tia, irmã e pai
Duras palavras de quem mais?
Amantes ilegais
Amizades desleais


E ainda assim, fome de dias!
Fome de horas, sem receios
Não descarto convites, não nego gentileza
Ajudo o inimigo com presteza


Não deixei-me amargar
Porque degusto pedaços de mim
Experimento temperos para ver se vou gostar
E com leveza, meus próprios sabores renovar.

Valéria Sotão

terça-feira, março 20, 2012

Dismetria

Dismetria: "dificuldade para "calcular" o movimento", em Neurologia. Em mim, dificuldade para medir meus próprios movimentos...

 Não quero dormir nem descansar, apesar do sono magnético a fechar meus olhos. O cansaço relevante, porém gratificante de todas as segundas é o que me faz ficar em linha reta. Coluna persevera em uma postura crítica e dura, máscaras e maquiagem para não atiçar o sensível em mim... A beleza do novo, sempre tão incisiva e cruel, sempre enganando os inocentes que outrora pareciam-me espertos. Não há esperteza nesse fluido de frenéticas sensações. Há apenas a burrice corriqueira de achar em alguém o especial inexistente... uma ilusão amarga que sempre finda. A única coisa que ainda parece-me verdadeira é o afeto cuidadoso. Aquele que se constrói conscientemente e que, nem por isso, exclui a possibilidade do frio na barriga e da ansiedade para ali estar, mais e mais. A incerteza alimenta, a certeza dá colo.

Sou péssima atriz, educação para mim não muito funcionou, estou em estado infinito de impulsividade... Apesar de apreciar a calma das coisas e no meu pseudo-autismo criar um universo próprio sem ouvidos para o externo, sinto-me brochar a cada decepção, uma flor que desabrocha e logo após murcha, contaminada pelos anseios de dignidade e paixão intensa que parecem nunca se realizar. Mas nem por isso me transformarei em rosa de plástico.
Essa minha juventude eterna, explosão de hormônios não só corporais mas de espírito, coração fatigado, esse calor da pele e ânsia desmedida pelo teu sexo, essa pressa de viver... Quanta angústia, quanta falta de métrica, quanta loucura!

Valéria

domingo, junho 26, 2011

Pois nem a fotografia

Sou uma sentimental boba. Uma apegada. Apego-me aos meus livros, aos meus cds, às minhas coisas. Tenho memória sensorial, memória olfativa... Lembro de como era tatear certos brinquedos na infância. A textura deles, o cheiro de playmobil novo, caixinhas metálicas. Não sei que tipo de afetividade é essa, mas acho que é a própria. São coisas minhas, reflexo de quem eu era, quem eu sou... De um mundo que eu mesma construía e onde nada me fazia mal. 
Acredito que o único apego que realmente dói é o apego a seres humanos. Laços são necessários, mas também precisamos saber desatá-los. E este é um exercício que exige muita disciplina e noção de honra e dignidade... mas o assunto aqui é outro.
Estava pensando por esses dias nas fotografias. Os momentos não devem ser queimados, rasgados, não devemos descontar nossa frustração nas nossas fotos, retratos de nossos instantes. Hoje em dia, são basicamente virtuais. Eu preferia revelar, aquela emoção da espera de ver como ficou. Na rede surreal que é a internet, tudo se perderá muito mais facilmente. Ou as fotos ficarão expostas eternamente e ninguém saberá quem são aqueles rostos sorridentes posando para o "Xiiiiis". Não terão valor sentimental. Serão fotos de 50 anos atrás, ou dois séculos. Flutuando na onda eterna dos bytes. Desse Matrix onde todo mundo se gosta mas ninguém é amigo de ninguém.
Já as fotografias reais, aquelas que são supostamente eternizadas no papel, essas são motivo de preocupação infinita para as pessoas apegadas, sentimentais, românticas. Pois os momentos, independentemente de com quem foram vividos, compartilhados, são válidos de serem lembrados. São nossos, nessa linha ilusória do tempo, são nossa vida, a risada que demos entre milhões de outras risadas e que nem lembraríamos se não fosse a mágica da fotografia. Como nossa memória é esquecida, seletiva, retardada ou sei lá o quê, e  nosso coração fica velho e rabugento, indiferente, só as fotos ou os escritos, os diários, os relatos, são o que nos farão lembrar. Sentir. Pensar. Relembrar é sim viver e não significa estar preso ao passado, porque a ideia de  passado é uma ilusão (provada pela Física) e se assim pensarmos, não viveríamos futuro nem presente pois todos serão, em um rápido segundo, pretérito.


Fico imaginando quantas fotografias serão perdidas, e quantas já foram. Para onde vão? Há mais de 1 século o homem tira fotos de seus momentos, dos momentos alheios, das paisagens (essas ficarão, mas se modificarão...), de animais, plantas, objetos. Mas o que fere é perder tantos rostos que pensavam estar sendo registrados. Coisa nenhuma! Quem guardará nossas fotos, depois dos nossos netos? As imagens vão se perdendo de geração para geração, por descuido, desinteresse, incêndios, desencontros... Quantas Marias e Josés eu deixei de ver, de conhecer, de poder apreciar um olhar, pois suas fotografias foram simplesmente perdidas, rasgadas, demolidas pelo tempo... Parece loucura, mas eu tenho um afeto profundo por todas as gerações que precedem as nossas, que estão vivendo no aqui e agora. Tenho pena e me pergunto: Por que Virginia Woolf tem seu rosto lembrado tanto tempo depois? E Napoleão? Quantos anônimos de coração profundo e mente honesta foram esquecidos para todo o sempre na poeira estelar? Quantas fotos de casais apaixonados, pais e filhos, famílias reunidas? Quanta gente interessante não viu sequer uma lente de fotografia em suas respectivas épocas e não foram sequer feitas pintura? Aqui deixo minha prece e minha curiosidade por todos. Por todos aqueles que não tiveram e que não terão a oportunidade de serem lembrados. Para onde foram, para onde irão?
(Valéria Sotão, 27/06/2011)


sexta-feira, maio 13, 2011

Rir de Tudo é Desespero

Vivemos na era do exibicionismo virtual. Hoje discutíamos na faculdade o fato de estarmos sempre atuando, representando algum papel. Diferentemente do ponto de vista do professor, penso que podemos ser nós mesmos quando estamos no trabalho, conversando com alguém, etc. Nosso "eu" não é limitado, é vasto. Não estamos necessariamente representando o tempo inteiro. Mas em vários momentos, sim. No virtual (no sentido de Pierre Lévy) que é a internet, esse representar torna-se agudo. O exibicionismo é intenso.

Para os tímidos, a internet é apenas um meio em que é mais fácil se expressar. Para outros, mostrar seus ganhos e seus méritos, sua quantidade de "amigos" virtuais, suas baladas e vida agitada é a função da internet: as redes virtuais são apenas questão de "status".

Alguns criticam a banalização da internet exclamando: "Maldita inclusão digital!". Acho de um elitismo ignorante, nojento. A internet é uma das poucas coisas que podemos realmente chamar de um bem "público". Na Constituição Federal diz-se que todo brasileiro tem direito à moradia, por exemplo. Não se tem. Mas em algumas cidades já há postos públicos para o uso da internet. Parece-me um bem melhor distribuído e em que todos podem ter voz. Mas liberdade de expressão não alimenta ninguém. "Freedom of speech won't feed my children(*)". Eu defendo completamente essa liberdade. No entanto e infelizmente, o bom senso não está incluído no pacote.

Ultimamente o que tem me chamado atenção é a onda de pseudo-comediantes, aqueles de humor negro ou "policamente incorreto" ou de críticos-de-tudo que tem aparecido constantemente na internet. Há coisa mais pretensiosa do que fazer um video de si mesmo comentando sobre qualquer assunto e postar na rede, no YouTube? O que faz de sua opinião tão importante, sobre fatos muitas vezes irrelevantes, a ponto de precisar ser filmada? Claro que há um negócio por trás disso, quanto mais vezes o video é assistido, mais dinheiro o dono dele ganha. Mas imagine se todo mundo resolver se filmar para dar opiniões muitas vezes sem embasamento, no puro achismo? Todo mundo quer seus dez minutos, inúteis, de fama.

O tal do Rafinha Bastos é um dos mais pretensiosos. Surgiu na TV mas "bomba" também na web. Foi eleito o homem mais influente do mundo no Twitter. Qual a relevância disso? Para ele, toda. Em recente entrevista à Rolling Stone Brasil, Rafinha admite sua arrogância e fala o tempo todo como se fosse um gênio que foi descoberto tardiamente. Considera-se, aparentemente, o cúmulo do subversismo, fazendo piadas sobre estupros, pedofilia, etc. Imagino se um filho dele fosse vítima de pedofilia, que piada faria o Bastos?

Certas coisas simplesmente não tem graça, ou tem graça somente quando inseridas em um contexto muito bem tateado. Tato falta em Rafinha Bastos, que por se achar subversivo ao extremo, acaba por tocar em feridas de quem já foi ferido por tais situações. Nem tudo que é tabu é questão de hipocrisia. Aliás, nada mais é tabu, tudo hoje é falado e discutido. Fazer piada com essas coisas nem sempre leva à discussões que trarão mudanças; na verdade, quase nunca. O brasileiro parece se divertir com a corrupção dos políticos, com a "negrada" favelada e "farofeira". E nisso enriquecemos comediantes que tiram sarro da nossa cara, o que nem sempre é necessário ou coerente. Tudo é motivo para rir e só. Anestesia e ópio eternos.

                                                                                                              

*Título de música da banda Manic Street Preachers
Texto originalmente publicado em www.outroladodanoticia.net por Valéria Sotão

sexta-feira, abril 08, 2011

Prazo de Validade e Conservação

O amor vem para que, por instantes, possamos sair de nossa própria imperfeição. É um lapso do perfeito, curto e sempre mal conservado. Sempre sem manutenção. (Valéria Sotão)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Persiste...

E o teu gosto permanece em mim.
Na minha lembrança, na memória,
Em minha língua, em meu corpo...
Como é persistente o teu gosto!

E tua risada engraçada ecoa
Persiste em me fazer sentir:
Ternura, ternura que dura!
E que não me deixa esquecer de ti...


Valéria Sotão

domingo, outubro 10, 2010

Canção sobre mim.

Eu quero alguém com quem possa ver a lua. Com quem eu queira ver a lua. Alguém que talvez seja eu mesma. Minha companhia nunca me bastou tanto. Sinto-me plena, feliz. Morangos na geladeira, um bom livro, notas musicais que soam como pássaros cantando de manhã, como orvalho em relva fresca. Tudo isso me completa e, ao mesmo tempo, faz-me querer sempre mais. O coração bate forte e sente saudade, contemplo o céu, estudo o que a rotina exige, vou em busca de meus objetivos e no fim da tarde a minha viola me faz sentir gratidão. Sinto que meu espírito é cheio de significados e ambições generosas, fazendo com que eu me sinta suficientemente importante. E surpreendentemente crescida. (Valéria Sotão)

sexta-feira, setembro 03, 2010

Um momento com o mar

Fecho os olhos e tento lembrar-me daquela manhã na praia. De como palavras poéticas vieram à minha mente quase que instantaneamente e junto com as sensações. Caminhei na vasta extensão da areia, nessas praias maranhenses que têm a maior variação de maré do país. Quando cheguei, o mar quase se encostava às mesas e cadeiras dos bares. Menos de duas horas depois, era necessário andar metros e metros para alcançá-lo. Mas esse é o charme das praias ludovicenses. Esse mistério de ir e vir do mar.

Assim que alcancei as águas, logo me lembrei da paz inevitável que um mergulho pode trazer. Engraçado que fui tomar banho só por tomar, só pela diversão que sempre é um banho de mar ou rio. Mas não posso mais esquecer da paz que esse líquido, salgado ou doce, traz ao meu espírito. Os pés são os primeiros a ter contato com a frieza da água, que logo se torna quente, ou vice-versa. As ondas batem devagarzinho em você. Nas pernas, nos joelhos. Até que seu corpo todo é tomado por esse fluido, na verdade, essa substância tão misteriosa que é a água. Intocável e ao mesmo tempo, capaz de te tocar. Você sente no tato, quase como um abraço. Até a água do chuveiro faz isso, faz cócegas. A água do mar te abraça de vez. Mergulhei. Senti agora minha cabeça explorando aquele universo desconhecido. Aquele contato com Deus, com a natureza. Um contato físico e espiritual. Cada molécula de água ali, envolvendo-me, e eu imersa nelas.O barulho do oceano, inigualável, deixa-me intrigada. Como ele transfere seu som de ondas para as conchas, nas quais crianças encostam seus ouvidos para ouvir o mar, mesmo quando levam as conchinhas para o concreto da cidade?

De repente, olho para o céu. E o azul definitivamente me faz perceber que o divino deve sim existir. Porque o azul é uma cor perfeita. Não é vazia como o branco, mas ao mesmo tempo consegue trazer paz. É um colorido que traz tranquilidade e enche os olhos de admiração. E dali o mar se misturou com o azul do céu. Águas cinza contrastando com azul.

Paz, amor, alegria de viver. Respiro fundo, sinto o momento. Olho para o sol, ele também está ali, por detrás das nuvens. Flutuo nas águas, que me carregam com gentileza. Choco-me contra as ondas, pulo entre elas, abraço-as. Mergulho outra vez, e outra, para sentir aquela energia que me renova a cada vez que tenho essa experiência. Rejuvenesce-me, revigora-me.

Depois de muito meditar e de ter um momento de quase “nirvana”, de ter palavras borbulhando na mente e de me sentir tão conectada à natureza, saio devagar. Sinto-me outra e os problemas parecem pequenos. Meus pés agora fazem o caminho contrário, já com saudades. As espumas das ondas parecem sorrir para mim, belíssimas.

Após isso, sento-me na beirada do mar, no raso, onde olho mais um pouco e medito um tico mais. Depois saio andando e recolho uma conchinha da areia. Eu não queria esquecer esse momento, mas sempre é um momento assim quando entro em águas, doces ou salgadas, repito. De certa forma, sou um peixe. Um peixe que não vai muito à praia, exatamente para não virar algo banal, para saber valorizar. Sinto-me abençoada e viva a cada experiência assim, de extremo contato com o que é vida, com o que é belo. Renasço.

(Texto de Valéria Sotão)

terça-feira, junho 22, 2010

Sobre beijos


 
Em beijo sem amor eu só gostava do abraço. Em beijo sem atração eu não gostava nem do beijo. Em beijo com amor eu perco meu chão.(Valéria Sotão)

quinta-feira, junho 10, 2010

Partir

Um poeminha meu:

Partir de ir embora
Partir de quebrar
Em duas partes
Em mil partes um coração.


Partir, verbo ambíguo
Mas que no fim sempre é objetivo
Pois quem parte
Sempre parte um coração.

(Valéria Sotão)

sexta-feira, maio 14, 2010

De Fabio para Val

Ganhei esse poema do meu amigo Fabio Oliveira dia 10 de Maio, num dia muito triste, no qual recebi palavras pesadas de uma pessoa muito importante para mim. Num dia em que eu, sem dúvidas, me sentia invisível, pequena... E o Fabio teve a imensa generosidade e sensibilidade de me fazer esse poema no mesmo dia, me fazendo chorar de alegria. É muito bom ver que ainda existem pessoas que enxergam quem sempre esteve ali. Que conseguem te enxergar mesmo depois de anos... E confesso, não sou uma pessoa fácil de ser "lida", mas o Fabio sempre consegue me ler. E me perceber. Aí vai o poema (Favor não copiar para uso posterior):

Val,

Você é mais
É mais do que eu posso dizer que é
É certamente mais do que você pode perceber
É mais do que qualquer um saberia notar que és
É maior
Você é maior
Você é mais intensa do que essas palavras
Você é mais do que se pode extrair dos sentidos
Você é mais do que os sentidos poderiam captar
É ainda maior
Você é ainda maior
Maior do que qualquer tentativa de nomear
Maior do que tudo que se pode ser grande
Maior do que somos
Mas sempre menor do que certamente ainda será


Com carinho,


Fabio

segunda-feira, maio 03, 2010

Poesia do meu coração

Poema meu, baseado em “The Poetry Of My Heart”, de Billy Corgan (sim, além de compositor, vocalista e guitarrista do Smashing Pumpkins o cara faz poesia – e muito bem!). Abaixo do meu poema – que não é tradução e sim um poema novo, somente inspirado no de Corgan – está o poema de Billy.


Poesia do Meu Coração

Revelando agora a poesia do meu coração
Pense em vastos campos de Copos de Leite e chegará perto
Conhecerá a paz pela qual grita meu âmago
E verá os rostos monstruosos que me assustam
Rostos de pensamentos que não são meus
Como diria Morrissette em suas fitas velhas

Pensamentos nem sempre vêm de nossa alma
Vêm muitas vezes de demônios do dia a dia
De medos que crescem conosco
De espaços vazios da mente que brincam de nos perturbar

Mas voltemos para os campos de flores brancas
De um branco tão liso e límpido, por isso são minhas preferidas
Lembram realmente um copo de nata quente, a pureza do leite
Voemos por cima desses campos com o vento batendo no rosto

Para que cheguemos à esse ponto
Seria preciso voltar em alguns momentos
Eu tive essa felicidade branca e também colorida
E apesar de não tê-la agora, tenho alegria

Sagitário e Júpiter me regem positivamente
E me fazem ser tão impulsiva às vezes
De onde vem meu lado racional eu não sei
Mas ele existe e tocam as fitas de outrem

Meus livros e minhas flores
Meus discos e meus amores
Tudo isso me forma e por onde passaremos?
Passaremos pelas cachoeiras do mundo
Mergulhando em águas tão lindas!

Passaremos e debateremos nossos demônios
Nossos fantasmas, nossos receios
Vês como a lua nos ilumina?
Maníacos pregadores de rua nos fazem pensar

Noites distantes com muito brilho vem à minha memória
Clima tenso e adrenalina, concertos que extasiaram meu coração
Esses caminhos todos serão feitos por ti também, meu amor
Se precisa de mim como eu de você e queres conhecer tal fantasia

Aqui se revela a poesia de meu coração
Lugares quentes ou frios dependendo da ocasião
Mas que por paradisíacas ilhas passarão
Até chegar na gaiola com flores brancas, eu.

Valéria Sotão
*******************
 
 
The Poetry Of My Heart
 
Revealing now the poetry of my heart


Think birds in flight and you will start to come close

As faces come from the darkness familiar

To greet you hello again

They pluck those strings and sing those refrains I know so well, and

hold so close

Now follow these birds faithfully, keeping those faces in mind

Over rivers and dales and soft greens until we come to the edge of

the vast ocean

The biggest sea you may imagine and more

Lift your hand and let those birds soar with this sweet music



Fast we fly over these waters

Faster and faster until we blur, and our words blur, and memories

of lost things blur too

The sun catches you flying

Imagine this from the perspective of the sun

Those birds and you moving the speed of light over the blue

Well, if you were the sun, you'd laugh too!

Finally, after such a momentous journey

You slow upon a deserted island, lush with life

And on its barren shore you find a worn sea chest

Polished smooth by years of coarse handling

Open that chest and you would find inside

A single valentine and the poetry of my heart

Dragging that sea chest around the bend

Thru sand into a jungle dense with flower and shade

We take the forgotten trail up the hillside

Up towards the laughing sun

Catching its wisdom as it's given

Past the ghost whispers and relics of another past

Climbing to the very top

Because time will not stand still for us

But it will pretend every once in a while

And up here, forgotten, is just you, me

One sea chest holding a single valentine and the poetry of our

hearts



A single bulb lights this room

It's dark in here all the time

If the ceiling had only captured my dreams and nightmares alike,

What stories it could show

She is here, the one

The one I love, desire, devise, rescue, all to my heart's own sorrow

I'm lost in this room, but this is the place the valentines are written

The site of my greatest thought and saddest song

There are no birds here to take flight

No oceans to fly over, no islands to reach

No sun to catch me crying

This is the gift of oblivion and opaque dance



Revealing now the poetry my own heart

its sorrow and the nameless wish I called bliss once

Stripped of its title and junked for show

The bulbs swing, the kids sing

The rooster crows and I seek sleep

Somewhere past the scars and empty cars and endless bars filled

with reminders

I want to climb from this hole

And dash myself upon the rocks below

But still it requires your push

Because a push requires intent

And intent requires desire

And desire registers in this body as need

Do you need me?

So push me over, my sea chest and me

The birds will follow me down



Retrace the steps, up to the ceiling

Back thru the bulb, into the electric wires

And out of Manhattan

Coming out another side

To a kid, a dream

A scrawled valentine with an x and o if truth be told

Revealing now the poetry of my heart

Rage and the canopies it paints

And the drawings it frames

And its real cage, me



Copyright © 2004 Billy Corgan

terça-feira, abril 20, 2010

Umas notícias e um poema

Tenho tanta coisa a dizer. Estou bem, feliz. Comigo mesma eu estou sempre bem. Porque estou sempre tentando acertar, sempre dando o melhor de mim. Consciência limpa! Às vezes sinto falta de uma pessoa em especial, às vezes queria voar (literalmente!), entrar no mundo de Nárnia. Mas consigo lidar com o mundo real. Estou trabalhando e estou muito, muito feliz com esse estágio. Tem uma utilidade pública incrivel, e isso me faz trabalhar com mais vontade, acordar cedinho sem reclamar. Porque pra mim, trabalhar apenas por dinheiro nunca foi suficiente. Preciso sempre enxergar algo social naquilo, uma ajuda, uma utilidade pública. E trabalhar com assessoria muitas vezes é trabalhar com denúncias vindas da população. E isso é o máximo! Eu informo aos órgãos as denúncias e reclamações, em forma de resenha. E também o contrário. Informo à população as notícias dos órgãos. Na Assessoria de Comunicação que trabalho os clientes vão desde órgãos políticos a empresas privadas de utilidade pública e social. Por isso, além da vantagem curricular e da remuneração (mesmo que pouca, por ser estágio), fico satisfeita porque estou fazendo algo que sempre quis: escrever para ajudar.



Mais de mim: o livro de contos, para o qual um conto meu foi selecionado através de concurso, será lançado em Setembro, em Porto Seguro-BA. Talvez eu vá no lançamento. Isso é muito empolgante! Muito mesmo. E gratificante. O livro será de contos curtos e quando escrevi aquele conto de apenas uma lauda nunca imaginei que alguém iria reconhecer "algo a mais" em tão poucas palavras. Foram 100 contos selecionados entre mais de 3 mil inscritos. (Ver capa e projeto aqui http://www.vialiteraria.com/inicial.php?area=curtos2009). Para quem escreve desde os 12 anos de idade, isso é muito bom. Lembro da época do site Templo XV, no qual vários poemas meus foram premiados com selo. Eu era muito nova, uns 17 anos de idade, e ver tantas pessoas bem mais velhas me "premiando" pelo que eu escrevia era emocionante, uma vez eu até chorei (risos). No fundo todo artista quer reconhecimento... Eu nunca fiz arte pensando em dinheiro, mas sempre quis compartilhar, fico muito feliz quando minha arte toca o coração das pessoas.

Mudando de assunto...

Bom, estou muito satisfeita com minhas amizades, acho que mais do que nunca. Tive tantas provas de amizade e lealdade ultimamente, de amor sincero, preocupação genuína. Tantas pessoas me ajudaram, até financeiramente. Agradeço aos céus por conhecer pessoas tão maravilhosas. A maioria das pessoas conhece tanta gente, tem tantos conhecidos mas apenas um amigo... e muitas vezes, nenhum. Não se iludam com colegas de trabalho, colegas de faculdade. As pessoas são, por natureza, interesseiras. E em ambientes de trabalho há muita competição e falsidade. As pessoas são obrigadas a serem simpáticas no começo, até se integrarem a algum grupo. Ninguém pode ficar sozinho numa sala de aula, por exemplo. Existem os trabalhos em grupo. Entendam que não estou dizendo que não pode nascer uma verdadeira amizade nesses ambientes. Até pode. Mas só podemos ter certeza depois de muito tempo. Anos, talvez. As pessoas se aproximam nesses locais por pura questão de instinto de sobrevivência. Só no convívio diário, depois de meses ou anos, nas horas de conflito e estresse, é que se verá a verdadeira face de certas pessoas.  E eu tenho meus colegas de trabalho/faculdade mas sei que são somente colegas. Porém, sou abençoada com amigos verdadeiros que sabem absolutamente tudo da minha vida e eu das deles, nos ajudamos mutuamente. Sabem dos meus segredos mais secretos e me amam mesmo assim.

Quero enfatizar o apoio e amizade constantes do Lucas, da Vanessa Lobo, do Fabio, meu amigo mestre em filosofia e do meu querido Rômulo. Vocês me dão um apoio inacreditável. Há anos. Minha irmã também. Tenho outros amigos verdadeiros (é, sou abençoada! pensando que a maioria mal tem um amigo...e acham que tem vários só porque conhecem muita gente! Tsc.), mas esses, em especial, preciso agradecer por estarem sempre presentes, seja por telefone seja pessoalmente. Eu amo vocês incondicionalmente!


Em breve virei falando das minhas indignações políticas e sociais (como sempre! é cada coisa, viu?).

Era isso. Um flash de notícias sobre minha vida atual. Uns agradecimentos. Umas dicas. E um poema que acabei de escrever.


Nesse dia chuvoso
Amanheci já sem lençóis
Minha agonia na cama
Você entre girassóis

Esse foi meu sonho
Esse é meu sonho
Tão constantemente sonho
Com você a velar meu sono


A gente voando em borboletas
Brincando de descobrir lugares
Os lugares mais profundos
Nos nossos corpos e nos mares


Acordar te protegendo
E com teu peito com calor a fornecer
Não há lugar mais aquecido
Não há ângulo melhor para te ver


Ao teu lado é onde mais queria estar
Vendo o sol entrar em nosso lar
Ouvir tuas piadas e manhas
Teu sorriso bobo... que saudade tamanha!

(Valéria Sotão)

quinta-feira, abril 08, 2010

Crítica à Objetividade (Quando Exagerada)

Quem não lê poesia perde metade dos sentimentos do mundo. (Valéria Sotão)


Andei sendo criticada por "prolixidade". O ser prolixo não chega à lugar algum. Eu posso ser detalhista, extremamente filosófica e por isso posso parecer redundante. Mas quando falamos de sentimentos e de pensamentos nossos sobre comportamentos complexos, temos como ser objetivos? Isso não seria reduzir a complexidade de uma personalidade ou de um sentimento? Sim, seria. Eu sou detalhista, mas não redundante. Aliás, a mesma pessoa que me acusa de ser prolixa se disse repetitiva outro dia. Todos repetimos discursos. Por exemplo, todos dizem para alguém, frequentemente: "Você é muito, muito importante para mim". Ou ainda "Eu te amo". Ou ainda "Eu sou objetiva com as coisas." E no dia seguinte diz "Como as pessoas são hipócritas". Nesse sentido, todos somos redudantes. Dizemos as mesmas coisas todos os dias. O que muda, às vezes, é a forma. Então é hipocrisia criticar os outros por redundância, já que todos fazem de vez em quando.

Sobre a falta de objetividade, sim, não sou objetiva. Não no cotidiano. Quando preciso sintetizar palavras num texto jornalístico, por exemplo, consigo fazer, sem muita dificuldade. Mas minha essência é prosa. Não poesia. Mas consigo escrever poemas quando quero. Minha essência é o amor e não a paixão. Mas consigo me apaixonar. Minha essência é detalhista, observadora, coisa de escritora que reflete sobre tudo e sofre de tanto pensar. Eu penso demais. Mas isso é bom, acaba rendendo bons resultados, às vezes. Toda a minha obra artística, que é longa, é fruto disso. Tenho um romance (prosa/livro extenso) de mais de 150 páginas, que escrevi aos 18 anos, à mão. Tenho vários contos e de poemas eu já perdi a conta. Tenho mais de 50 músicas compostas por mim. Tenho roteiros para filmes. Ideias para teatro. Etc, etc.

O mundo hoje anda muito tecnicista. As escolas priorizam o estudo técnico. E as matérias técnicas, como matemática, física e química. Ninguém ensina na escola a respeitar, a conviver, a amar, a observar, a detalhar, a enxergar. O outro e a si mesmo. As pessoas hoje em dia preferem filmes com efeitos especiais a filmes que contem algo de forma mais profunda. Porque todos tem preguiça de pensar, refletir, sentir. Medo também. E o mundo anda tão robótico e calculista que é compreensível que numa sala de cinema, por exemplo, as pessoas continuem nesse ritmo, nesse ritmo frenético e "prático". Como se tudo devesse algo ao prático, ao objetivo. Existe um culto à rapidez, ao mecânico. As pessoas querem engolir as coisas da forma mais objetiva possível, e esse objetivo não é só não sentir mas às vezes também é não pensar. Parecem uns robozinhos que só engolem tudo sem filtro. É sobre isso que discorre o excelente documentário Koyaanisqatsi, que fala sobre a atual mecanização dos seres humanos (veja o trailer abaixo).
 


Se ser detalhista fosse um problema, se ser "prolixo" no sentido de dizer a mesma coisa de várias formas diferentes, fosse realmente um problema, o que seria de pessoas como Woody Allen, que fala do mesmo assunto na maioria de seus filmes, porém de formas diferentes? Pessoas como Clarice Lispector, que enrola, enrola e é super respeitada e, convenhamos, tudo que ela diz é respeitável e nos faz refletir?! Pessoas como José Saramago, que escreveu um romance chamado "Ensaio sobre a Cegueira", para falar algo que poderia ser dito em dez páginas?! Saramago poderia resumir aquele livro em "A fome, o desespero pela sobrevivência e o ambiente no qual o ser humano está inserido justifica o Naturalismo, acende os instintos mais selvagens e transforma o homem num animal egoísta e mais hipócrita que de costume. O olhar é essencial e está além dos olhos". Eu, Valéria, resumiria aquele livro imenso assim. Mas não, ele preferiu contar uma história. Ele preferiu ser prolixo, complexo, denso, detalhista. Coisa de escritor. Coisa de observador. Coisa de gente que vê pêlo em ovo, alguns diriam. Mas eu diria: gente que vê que um ovo tem várias camadas. Tudo tem camadas e camadas e cada uma delas pode ser explorada por uma ideia diferente. Por um ângulo diferente. Entendam que não ignoro a importância da objetividade. Desde que essa não exclua o ser interior de cada um, a nossa alma, a nossa subjetividade. E se é coisa de gente louca viver usando citações culturais, eu sou muito louca. É natural em mim. Ainda bem.

terça-feira, abril 06, 2010

"O Poder da Validação"

Li este texto (O Poder da Validação) e percebo o quanto é comum ver pessoas que realmente deixam o orgulho falar mais alto. Não admitem que gostam, que precisam dos outros. Ou admitem que sentem nossa falta e no dia seguinte negam...Admitem que sentiram algo um dia, uma sensação, um sentimento... e no outro fingem que aquilo não foi nada. Que foi coisa da nossa cabeça. Que interpretamos como quisemos, sendo que algumas palavras e frases não dão margem para interpretações duplas.
Às vezes as pessoas só valorizam quando perdem... e o pior é quando não há sequer humildade para admitir isso. Para admitir a falta. Para admitir que ninguém é autosuficiente.

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

Pessoas, mudem. Tentem melhorar. Não baitam no peito dizendo "sou assim e não vou mudar, quem quiser que goste de mim assim". Que arrogância é essa? Devemos sempre buscar aperfeiçoamentos. Vivemos em sociedade e devemos sempre tentar nosso melhor para nós mesmos e para os outros.

Eu sempre tento o meu melhor. Eu dou o meu melhor. Em tudo e para todos. Até quando erro é tentando acertar...


O texto, FANTÁSTICO:

Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super-confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho.

Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça que já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator se relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam.

Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança?

Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.

Segurança depende de um processo que chamo de "validação", embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.

Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição.

Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: "Você tem significado para mim". Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: "Gosto de você pelo que você é". Quem cunhou a frase "Por trás de um grande homem existe uma grande mulher" (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar.

Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a nossa própria insegurança, que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o "máximo", que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o "máximo" são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos.

Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se, ou dominar os outros em busca de poder.

Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos.

Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um "valeu, cara, valeu".

Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja.

Stephen Kanitz



terça-feira, março 30, 2010

Manual Íntimo Para Te Esquecer

Vou ter que esquecer que você existe
Vou ter que esquecer que no mundo há você
E assim, tudo ficará mais triste
Com menos cor, com menos vida, com menos prazer

Terei que esquecer do teu perfume
E se alguém usá-lo perto de mim, fugirei
Não poderei ouvir o teu nome
Nem notícias da tua cidade saberei

Sim, para mim nem nasceste
Para mim tua imagem será embaçada
Não conseguirei lembrar do teu rosto
Tua lembrança será morta e passada

Pensa que faço por prazer?
Matar não é virtude do meu ser
Para mim é mais fácil esquecer meu nome
Do que não mais sentir o que sinto por você

Será doído e trabalhoso
Como achar agulha em palheiro
Como descosturar imensos tecidos
Desfiando... fio por fio

Ah, falta tua que abrange tudo
A falta do teu corpo no meu
Deixa um vazio absoluto
Mas se para ti nada sou...

(Muitos anos depois)
-Quem? Nunca ouvi falar...



Valéria Sotão

terça-feira, março 23, 2010

Perfeição

Ah, hipocrisia! Não suporto esses pseudo-intelectuais egocêntricos, esquisitos e  mentirosos. Os loucos até passam, mas esses de quem falo não são loucos, são conscientes.Leio cada bobagem na internet! Aí percebo quanta mediocridade em certas personalidades.

Hoje li por acaso um cara dizendo, e já tinha ouvido e visto muita gente falando essa bobagem, que a perfeição é um tédio. Para mim isso é apenas uma desculpa para não procurar melhorar.

Lembrei-me então de um texto bastante sincero e curto que escrevi há um tempo, depois de uma discussão sobre a perfeição em uma aula de filosofia:

O que há após a perfeição? Nada. E por isso a perfeição não deve ser alcançada? Não devemos procurar melhorar por medo de uma possível estagnação (no estado perfeito)?
Se algo é perfeito, não há estagnação no estar desse algo. Há um estado superior. Há estabilidade, mas num estado tão elevado, feliz, tão generoso, caridoso, inteligente e servil, que não há como virar tédio, virar rotina, algo ruim, medíocre. Seria contraditório à própria definição de perfeição. Se houver tédio, culpa, medo do "mesmo", logicamente esse algo já desceu novamente para a imperfeição.

sábado, março 20, 2010

A vida é excitante

"A vida é excitante, excetuando-se as decepções" - Valéria Sotão

Não acho tudo feliz nem tudo triste. E essa é a graça da vida. É o que dá profundidade às coisas. A incerteza sobre o futuro, em si, é triste e a certeza é sem graça. Então melhor ficarmos no meio termo.
Odeio meio-termos, mas em muitos casos eles são a melhor opção. Sem dizer que o equilíbrio é relaxante. Sempre queremos chegar lá. Harmonia, paz. Não confundir, por favor, com mediocridade e frieza. Não. Sou intensa até no meio-termo. Assim como somos na extremidades, e isso é tão banal. Difícil é sentir o prazer do equilíbrio. Poucos o conseguem.


Onde me encontro

Um poema meu.

Onde me encontro (Para M.)

O mundo todo anda perdido
Quase que implorando
Um grande e real sentido
Para tudo isto

Eu ando perdida
Mas sei como me encontrar
Encontro-me no teu corpo
Acho-me no teu lugar

Quando o cheiro teu
Fatal, penetra meus sentidos
Adentra minha alma
Aguça meus sentidos

Quero mostra-te esse grande sentido
Tão real que poderia ser eterno
Tão quente que a nós poderia aquecer
Profundamente...


Valéria Sotão.