Ao meu calar, rebelde
Ao meu falar, controle
Antes vice-versa
Superar as dores
Anestesiada de passado duro
Não perdi minha porção de mel
Compartimentos bem separados
Guardados ou jogados ao léu
Leiga que sou de mim mesma
Numa complexa simplicidade ao sentir
Sinto e pronto, deixo ali
Sem questionar até onde posso ir
Como o mar
Que carrega em seu fluxo tanta vida
Sem duvidar, tantas histórias
Sem demorar, maré que afoga
E aqui tenho o sal e a pimenta
Correndo no meu sangue por trás da doçura
Mas o amor é simples e renasce
Ressuscitei de todas as minhas mortes
E vim mais forte!
Questionadora, destemida
Jogo-me sem medo nos jogos da vida
Pois nenhuma flecha me assusta mais
Mãe, tia, irmã e pai
Duras palavras de quem mais?
Amantes ilegais
Amizades desleais
E ainda assim, fome de dias!
Fome de horas, sem receios
Não descarto convites, não nego gentileza
Ajudo o inimigo com presteza
Não deixei-me amargar
Porque degusto pedaços de mim
Experimento temperos para ver se vou gostar
E com leveza, meus próprios sabores renovar.
Valéria Sotão
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