segunda-feira, outubro 20, 2008

Revolução: modifique o lugar onde você está.

GUEVARA E FIDEL ERAM REVOLUCIONÁRIOS




DORIVAL CAYMMI ERA REVOLUCIONÁRIO




OS ARTISTAS DA SEMANA DE ARTE DE 1922 FORAM REVOLUCIONÁRIOS




Ontem comecei a ler o novo livro que comprei, um livreto, chamado "Fidel - A estratégia política da vitória", fato que me fez retomar um pensamento induzido por aquela professora de filosofia, aquela de quem sempre falo: A melhor professora de filosofia que já conheci.

Quando tinha 13 anos de idade eu tinha o mesmo desejo absurdo de tantos jovens de sair do país, ter casas em várias nações da Europa e, para isso, ser rica. Chegava a enumerar e listar os nomes dos países de meu interesse. Queria morar em qualquer lugar, menos no Brasil. Com o tempo fui descobrindo as maravilhas do meu próprio país, da minha própria cidade - por conta própria. Começando pela vista da sacada do meu próprio prédio (meu antigo prédio), que por muito tempo eu não valorizei. Era tão linda e simples, e à medida que fui crescendo fui percebendo que ali eu tinha um tesouro e de que poderia ser feliz com coisas simples, sem o glamour *ilusório*de Londres ou Los Angeles.

O que a antes citada professora de filosofia dizia era: Todos saem para lugares que dizem mais "evoluídos". De "primeiro mundo". Porque lá tudo é melhor, são lugares bons de se viver. Mas em tais locais tudo já está pronto. Toda a evolução e grandiosidade, em todos os aspectos (culturais, educacionais, sociais, econômicos, políticos e artísticos), foram construídas pelos seus respectivos nativos. E a professora batia em outra tecla: muitos de nós nos sentimos inferiorizados perante as críticas dos nativos de tais países quando para lá nos mudamos. Mas o que eles criticam está certo: tantos brasileiros (no caso) mudam-se para lá, de mala e cuia, e esses em nada ajudaram na construção do país. Por que não ficam em seu próprio país e tentam mudar as coisas neste? A questão da imigração é bastante cômoda para quem recebe os "novos moradores". É sabido: a população local cresce, os problemas aparecem. E o pior: problemas trazidos por alheios.

Eu, até então, nunca havia parado para pensar nisto. Mas refleti bastante e, sendo impessoal, vi que é fato e não questão de opinião. É uma espécie de "egoísmo inconsciente". As pessoas querem fazer suas vidas, enraiza-las e ter seus filhos em lugares onde tudo já está maravilhoso, pois assim tudo é mais fácil. Vão embora e esquecem da miséria que presenciaram um dia em seu país, dando as costas e dizendo simplesmente "tchau, eu vou pr'uma melhor e vocês fiquem aí, nesse Brasil de merda".

Lutar em termos pessoais, dentro da nossa própria vida, já é difícil, imagina lutar em termos sociais. É verdade. Levamos muita coisa "com a barriga" e queremos o mais rápido e prático. Questão de sobrevivência do homem. Mas sendo menos animalescos e tentando ser mais humanos, por que não tentamos ser mais politizados ou mais ousados e questionadores, formadores de opiniões, influentes, de forma a tornar a práxis algo viável a favor da evolução de nosso próprio país e de nossa própria cidade? Por que fugir para onde tudo já está pronto? O que cada um de nós fazemos para melhorar nossa própria cidade (se é que fazemos algo)?






Lembro aqui que questões gerais estão envolvidas e não apenas a parte política (o que é diferente de politicagem barata). Questões que envolvem filosofia profunda e a práxis desta. Sociologia como instrumento de reforma, e por que não, uma pedagogia bem aplicada. A questão artística também é fundamental. O artista verdadeiramente revolucionário não sai de onde vive para buscar o padrão externo, revoluciona a partir do ponto onde se encontra. Esta é a verdadeira revolução. Se isto fosse aplicado à realidade, a arte não encontraria-se tão segmentada e concentrada em grandes metrópoles, e por consequência, cidades menores seriam mais auto-suficientes em sua arte e sua população valorizaria mais o que é de casa (por isso dizem: santo de casa não faz milagre - compramos muita arte externa e esquecemos o que é nosso).

O medo de ousar em cidades menores, no caso do Brasil, é generalizado, em todos os aspectos possíveis dentro de uma sociedade. Vê-se pela política, os bons e honestos raramente encaminham-se nesta carreira, porque já é implantada a mentalidade, no Brasil, de que "todo político é corrupto". E isso se aplica, em esferas diferentes, a todo tipo de trabalhador, artista ou cientista.

Nivandro Vale, cantor e compositor maranhense, enche os bons ludovicenses de orgulho ao dizer: "Vamos valorizar o que é nosso! Nós também sabemos fazer boa música". E considero o que Nivandro faz algo super inusitado, faz música alternativa no Maranhão, estado que já foi um dos grandes pólos da literatura nacional e que hoje em dia pouco lê os próprios escritores, que fizeram história. Isto é um exemplo literário, mas que pode-se aplicar à música ou à qualquer contexto. Há pouca valorização por parte do público ou população (e também do governo) e pouca audácia por parte dos artistas ou políticos ou cientistas, dependendo do aspecto analisado. Temos artistas muitíssimo completos, como João do Vale, mas que pouco são valorizados dentro de seu próprio estado. Artistas, políticos e cientistas em potencial temos o bastante, mas ousadia para fazer a arte e a ciência nascerem e brilharem neste chão... pouco há. A maioria precisa sair, ou sai por medo de arriscar aqui. O título de "pioneiro" ou de "talentoso" parece não competir com o medo de fracassar ou de sentir-se diferente do padrão.
Por tudo isso deve-se aplaudir atitudes como a de Nivandro Vale, que arriscou fazer sua arte aqui mesmo, e esta sim é a alma que espera-se de verdadeiros revolucionários. Porque fazer revolução onde tudo já encaminhado é muito fácil e muito vão.

A leitura de "Fidel - A estratégia política da vitória" fez-me pensar sobre o assunto pois muito admiro aquele bocado de cubanos, que nem pobres eram (no caso de Fidel Castro e Che Guevara) e tentarem implantar um sistema baseado no Marxismo e voltado para o nivelamento de classes. Tudo começou com o "Movimento 26 de Julho" e com cabeças pensantes e destemidas. Enfim, não buscaram a revolução fora, mas dentro de sua nação, buscaram revolucionar não só as próprias vidas (como tantos brasileiros fazem ao irem morar no exterior) mas revolucionar seu país e outras tantas vidas. Concordar ou não com o regime implatado por eles é outra coisa. Independentemente disso, é necessário admitir que houve total revolução. Na minha opinião, para melhor (com exceção de alguns aspectos).

Tom Jobim disse: "O Brasil não é para principiantes." Realmente, não é. Se você não tem ousadia vá embora, vá embora se não pode ajudar. Melhor do que ficar reclamando de pés para o alto, sem nada fazer para mudar o quadro do país.
Outra fase ótima de Antônio Carlos Brasileiro (ou seria de Vinicius de Moraes?) é a seguinte: "Lá é bom, mas é uma merda. Aqui é uma merda, mas é bom." Sobre os Estados Unidos da América.

A alma humana é terrivelmente insegura e medrosa. Não há espaço para rupturas bruscas, infelizmente. Então é mais fácil enveredar pelo caminho da covardia, como diria meu amigo e filósofo Fabio de Oliveira. O mais fácil é cortar laços, manter somente o essencial e imitar a ganância padronizada, a do querer sempre mais dinheiro. O mais fácil é tentar uma vida materialmente boa e ser objeto de manipulação para que os poucos realmente poderosos façam de você o que desejarem. O mais fácil é seguir a "receita de bolo". O que já está pronto. O mais fácil é usufruir. Vai-se para onde, então, possa-se usufruir do que foi erguido pelo suor de outros, pela ousadia de outros. Seja lá onde for.

Acredito que, na verdade, as pessoas, na falta de reflexão, no "egoísmo inconsciente", e principalmente em sua fraqueza e carência inata, buscam em novos lugares suprir o vazio da alma. Mais uma ilusão, das tantas.

"A grama do vizinho é sempre mais verde".


Para concluir, deixo aqui dois textos:
O primeiro é uma letra da banda brasileira Ludov, que fala do vazio da alma que tentamos suprir mudando de cidade, de país...
O segundo é de Cecília Meirelles, já postado anteriormente neste blog, que fala sobre valorizar o que temos e aprender a enxergar o belo que nos cerca e que muitas vezes a visão insensível e endurecida não nos permite ver.


Fugi desse País - Ludov

Se eu me perdi
Quando eu errei
Quando eu senti
Que quase estraguei
Toda a construção

Fugi desse país e fui buscar
Qualquer outro lugar
Pra tentar ser feliz
Deu vontade de voltar

Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Vou construir uma família como a gente quis
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade não conhecerá meu fim
O que procuro encontrarei dentro de mim

Se eu me enganei não foi por mal
Andei na contra-mão
Daquilo que previ
De tudo que é normal

Fugi desse país e fui buscar
Qualquer outro lugar
Pra tentar ser feliz
Senti vontade de voltar

Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Vou construir uma família como a gente quis
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade não conhecerá meu fim
O que procuro encontrarei dentro de mim

Vou construir uma família como a gente quis
Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade sempre foi nosso jardim
O que procuro já encontrei dentro de mim




A arte de ser feliz (Cecília Meirelles)

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crinças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Concordo com Rousseau

Como dizia Rousseau, o homem em seu estado natural é bom e se corrompe devido às influências da sociedade. Eu entendo que o que o filósofo quis dizer com isso foi que, obviamente o homem carrega dentro de si instintos bons e maus, mas a inteligência, quando adquirida, corrompe-o de tal forma que acaba por o deixando cego aos sentimentos.
Tantas pessoas insatisfeitas com suas ocupações, com seus salários, com seus empregos... Passamos em média 22 anos de nossas vidas estudando, 7 horas por dia, normalmente. Pela conta da Marília, isso deu 41426 horas perdidas de nossa vida. Obviamente aproveitamos daí algo. Umas 50 horas, 100, dependendo da pessoa. Para os mais desesperados digamos que consigam aproveitar 1.000 horas.
E assim temos que estar sempre correndo, presos no engarrafamento, esperando o ônibus que nunca vem, em filas intermináveis de banco, enfrentando burocracias medonhas, e aí vão mais umas 2 mil horas perdidas. Fora as horas do trabalho, que alguns chamam serviço, mas pensando bem... ninguém presta serviço para a sociedade, se assim fosse não cobrariam por isso. Querem é encher o bolso.
E assim vamos sendo engolidos, cada vez mais presos... e nossos filhos já nascem novos escravinhos do sistema, sem a mínima liberdade de escolha.
E quem enriquece? Os mais espertos, exatamente os que foram corrompidos pela inteligência. Os outros, grande maioria? Só trabalham e trabalham, sem nem se questionar o porquê. Esperam por um futuro no qual poderão usufruir de algum fruto do trabalho... em vão.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Meu violão & Eu




Hoje achei a minha primeira aula de violão, registrada num caderno. Foi teórica e prática ao mesmo tempo. Após a primeira aula já saí tocando uma música inteira. Era uma música fácil, mas eu tocava direitinho... para quem não sabia nenhum acorde até então, tava de bom tamanho. Minha professora, Cris, era o máximo.

A aula dizia assim:

Cifras -> Representação gráfica dos acordes. Elas são simbolizadas pelas primeiras letras do alfabeto e são conhecidas em todo o mundo ocidental.

Notas musicais Cifras
Dó -----------> C
Ré -----------> D
Mi -----------> E
Fá -----------> F
Sol -----------> G
Lá -----------> A
Si -----------> B

Os acordes podem ser:
-Maiores (M)
-Menores (m)
-Numerados (4,5,7...)
-Com sinais (+,-,º)


E assim por diante. Saudade daquele tempo.
Hoje em dia o violão e a música já estão tão incorporados na minha vida e no meu dia-a-dia que mal paro para pensar no quanto é surreal, nas minhas condições, na minha cidade, na minha idade, eu tocar violão assim, como se fosse a coisa mais normal do mundo uma menina fazer isso em 2002 em São Luís do Maranhão. Eu era (e ainda sou) uma das poucas.
O que seria de mim sem meu Dexter?

Centenas de Tipos

Esses dias ando pensativa demais. Isso me assusta, pois quando muito reflito não chego lá à tão boas conclusões sobre as coisas em geral. Sobre pessoas em especial.
O importante é... não existe só um tipo de pessoas. Não existem dois tipos de pessoa. Existem centenas de tipos. Essa é a salvação.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Talkin about a revolution

American Way Of Life


Por que todos tem que fazer faculdade? Casar? Usar jeans... vestir-se? Atentado ao pudor, diriam para a última questão. "Civilização!" Usar roupa num calor desses lá é civilizado? Mas claro, nós tínhamos que corresponder aos gostos dos nossos colonizadores portugueses, que viviam numa região de clima temperado, algumas vezes, frio. E nós aqui embaixo num calor de 35ºC temos que fazê-lo, usar muitas roupas, porque é o correto. Os índios são uns primatas, uns sem-vergonha que andam pelados, o Big Brother (vide 1984) diria. Mas Renato Russo diria o contrário:
"Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal"

"Tudo que é normal". Semana passada fui chamada de "louca" duas vezes na faculdade. Claro que foi num tom de brincadeira, mas sabe quando nota-se uma verdade por detrás? Só porque eu faço tudo ao contrário. Só porque contesto, discordo. Penso diferente, logo, sou louca.

Existe uma letra maravilhosa de Nara Leão para essas situações. Todo mundo faz as mesmas coisas, sempre. Nascemos, e então as meninas são colocadas em vestidos cor-de-rosa; os meninos em macacões azuis. Crescemos, as meninas brincam de boneca, os garotos de carrinho. Vamos para a escola com o intuito de passar de ano, raramente de aprender, sem saber exatamente porquê. Depois passamos madrugadas acordados, estudando para o vestibular, porque é uma obrigação fazer faculdade, ganhar dinheiro e pagar impostos. Depois, todos casam-se na Igreja e é aquela velha história. Mas Nara conseguiu sintetizar de forma fantástica:


"Uma caixa bem na praça, uma caixa bem quadradinha
Uma caixa, outra caixa, todas elas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e uma bem amarelinha
Todas elas feitas de tic tac, todas elas iguaizinhas

As pessoas dessas casas vão todas pra universidade
Onde entram em caixinhas quadradinhas iguaizinhas
Saem doutores, advogados, banqueiros de bons negócios
Todos eles feitos de tic tac, todos, todos iguaizinhos

Jogam golf, jogam pólo, bebendo um bom martini dry
Todos têm lindos filhinhos bonequinhos engomadinhos
As crianças vão pra escola, depois pra universidade
Onde entram em caixinhas e saem todas iguaizinhas

Os rapazes ficam ricos e formam uma família
Todos eles em caixinhas, em casinhas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e outra bem amarelinha
E são todas feitas de tic tac, todas, todas iguaizinhas"

Aí temos a clássica do Belchior. O cara diz tudo nesse trecho:

"Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais..."

Existe aquela do Biquini Cavadão também, ótima banda brasileira, pouco reconhecida. A letra fala por si mesma:

"Janaína acorda todo dia às quatro e meia
E já na hora de ir pra cama, Janaina pensa
Que o dia não passou
Que nada aconteceu..."

"...Janaína é só lembrança de amores guardados
Hoje é apenas mais uma pessoa
Que tem medo do futuro- que aconteceu ? -
Se alimenta do passado"


Não é só uma questão de imitar a cultura norte-americana, até porque isto tudo já estava enraizado na Europa antes de qualquer intervenção dos EUA no resto do mundo. É burrice genética mesmo, falta de reflexão.
Eu quero o meu Vilarejo de Marisa Monte, outros querem a poluição das metrópoles em troca de vida agitada e acabam empobrecendo e adoecendo enquanto comem bobagens e enriquecem os donos de Fast-food... Cada um quer uma coisa, mas todos seguem sempre o mesmo caminho e acabam fazendo as mesmas coisas. Porque na verdade, é tão difícil fazer o que realmente queremos, gastar o tempo da forma que queríamos. E continuamos, assim, sendo moldados por minorias manipuladoras.

Vamos revolucionar, pessoas! Não temos mais tempo.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Eles querem ser como nós


Richard Edwards, o anoréxico assexuado que se auto-mutilava, admirava garotas. Não é à toa que seu antigo companheiro de banda e possível amante no passado, Nicky Jones, veste-se de forma um tanto andrógina nos shows do Manic Street Preachers.

Nicky, o atual letrista da banda depois do desaparecimento de Richey, parece lamentar sua condição masculina. Em "The Girl who wanted to be God" ele incorpora o sexo feminino: "I am the girl who wanted to be god". Em "Born a girl" o mesmo diz: "And I wish I had been born a girl and not this mess of a man".

Homossexualidade? Não necessariamente. Nicky é casado com uma mulher e tem filhos. Mas acredito que artistas tão sensíveis como ele tenham o lado feminino bastante aflorado. Genética.

Antony Hegarty, da maravilhosa Antony and the Johnsons, é gay assumido e, também, possui um visual andrógino. Na linda canção "For today I am a boy" Antony canta: "One day I'll grow up, I'll be a beautiful woman. One day I'll grow up, I'll be a beautiful girl.But for today I am a child, for today I am a boy."

Eu poderia citar tantos outros, gays ou não, andróginos ou não. David Bowie, Mick Jagger, Brian Molko, Ney Matogrosso...É como se ser mulher fosse um status, como se a mulher estivesse em um nível de poder diferente. Talvez por isso muitos gays idolatrem mulheres, em especial divas extravagantes. Eles queriam ser como elas: Not a mess. Beautiful.

sábado, agosto 23, 2008

Sono

Sinto sono...
E meu cansaço é de pessoas
De suas mutações
retrógradas
De suas vidas regadas por coisas mortas

Estou embebedada em sensações
Medo do que já vivi
Impressões certas e errôneas
Estou impedida por montanhas...

... Montanhas estas impossíveis de serem escaladas.

V.S.F

quinta-feira, agosto 21, 2008

Suck me, dear

Estou confusa. Não sei o que fazer, nem sei como cheguei até aqui. Foi um erro ter escolhido o curso de Fisioterapia. Eu sou artista, isso é a única coisa que posso ser sem esforços, essa é a única coisa que sei fazer. Ser artista. Em mim isso é tão natural quanto respirar.
Desde criança eu gostava de letras, gostava de ler. Fui provavelmente a primeira aluna da turma a aprender a ler, minha mãe até tentou me adiantar para a Alfabetização, mas os diretores da escola disseram que era melhor manter-me com meus "coleguinhas", da minha idade. Enquanto todos ainda aprendiam as primeiras palavras eu já lia nomes de espécies estranhas de dinossauros, em revistas.
Minha primeira arte foi desenhar, eu desenhava muito bem, pena que com o tempo fui perdendo o hábito e não cultivei o dom. Mas ainda gosto de desenho... pena que nem sempre faço as coisas que gosto. E não tenho muitas idéias do que desenhar, isso é esquisito. Depois comecei a escrever poemas. Ensaiei algumas coisas de prosa.
Meu verdadeiro amor é cantar e tocar. Eu amo música. Até os 13 anos eu escutava de tudo, era meio que "eclética" demais. De repente, aos 14, comecei a ouvir metal. Foi uma mudança brusca. Mas eu ainda não tinha me encontrado. Eu já gostava de bandas que adoro até hoje, como Smashing Pumpkins e Oasis. Mas quando eu comecei a ouvir Coldplay finalmente vi o tipo de som que eu gostava.
Com 15 anos comecei aulas de violão e me senti viva. Muito viva. Componho e sinto minha verdadeira contribuição.
Faço faculdade para retribuir aos meus pais, de alguma forma. Mas eles só têm esse pensamento porque a sociedade exige, a educação que eles tiverem exige.
Socorro! Alguém me salve deste sistema que suga as minhas forças... E tira o meu tempo quando eu poderia estar fazendo arte. Arte...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Elimine o lixo de sua cabeça

Enquanto continuarem valorizando apenas o palpável, como o amor irá vencer?
Tudo bem. Existe o tato, existe o sexo. Mas o amor não é só isso, certo? O amor não é abstrato, nada é abstrato, pois até o invisível é concreto. Logo, se algo fosse abstrato, tudo o seria. Tudo vêm do plano energético.
O amor está no mente, na alma. O amor é sobre querer bem: fato. Se alguém ama, cuida. É lógico, não há como fugir disso. Logo, se alguém é egoísta e incapaz de olhar o outro, é também incapaz de amar.

Seguindo esse raciocínio, talvez ninguém nunca tenha me amado. No sentido "enamorados". Mas não ligo. O importante é que "eu" amei. "Eu" amo. "Eu" sinto, logo, vivo. Eu dei tudo de mim, posso dormir tranquila, com a consciência limpa. Estava sofrendo e dei um freio. Não faz sentido sofrer por amor. Nem preciso deixar de ter tais sentimentos, afinal, o amor é eterno, incondicional. Nunca deixei de amar ninguém. Todos quem amei, continuo amando. Se você deixa de gostar de alguém, é porque não o amava. Era paixão, e esta tem dias contados: isto está cientificamente comprovado.

Eu rio quando alguém diz que existe "um tipo" de amor que é incondicional. Não é um tipo. É o único. Imagine o quão patético e discutível seria um amor com condições impostas. "Eu te amo, mas com certas condições. E com prazo". Isso não existe. O que é existe é que você pode ter amado o que "pensou" que aquela pessoa fosse. Com o tempo, ela se mostra alguém totalmente diferente. Então você pensa: "O amor acabou". Não acabou.Você continua amando aquela pessoa que conheceu. O problema é que talvez ela nunca existira.

O ser humano costuma mostrar só a casca, inicialmente. Evita a profundidade. Aí surge o encantamento do outro, por algo imperceptivelmente superficial. Como sempre digo, as pessoas costumam amar a novidade. Valorizam tudo que é novo, e isso é uma teoria minha. Porque sempre dizem o contrário, dizem que odeiam o novo. Mentira. O novo parece brilhante e lindo, sempre. Mas as pessoas, que se dizem tão racionais, deveriam notar que aquilo é uma cápsula protetora. Conviva primeiro antes de dizer se está ou não realmente encantado. Aqui eu não falo de anos. Pode ser até dias, horas. Depende da intensidade da conversa, da integração. Uma hora a máscara cai. Quem já viu o maravilhoso filme "Antes do Amanhecer", sabe do que falo. No longa, os dois personagens passam horas juntos em um trem. Mas conversam coisas tão profundas, abrem-se tão sinceramente, que acaba nascendo um nível de cumplicidade e conhecimento mútuo realmente verdadeiro. Mas as pessoas normalmente nem se comunicam direito. Ficam numa conversinha superficial sobre a última fofoca do mês, sobre o Big Brother, sobre o namorado da Carla que a traiu com a Fernanda. Adoram falar da vida dos outros para evitar o vazio da sua própria vida. E preferem evitar tocar nas feridas por medo e assim continuam apenas na superfície da maré. Na superfície da vida. No final, não vivem. Passam a vida apenas observando os outros, que em sua maioria também não vivem.


**

Agora vem uma parte muito importante para que entendam tudo o que eu quero dizer.

Ontem eu vi um filme incrível, incrível. Ajudou-me bastante a tirar "o lixo da minha cabeça", como diz o genial Sócrates, de "Poder Além da Vida".

O filme conta uma história inspirada em fatos reais. A história de Dan Millman (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan_Millman), um jovem ginasta que sonhava com o ouro olímpico.
Dan realmente tinha o talento, mas um belo dia seu osso fêmur se partiu em 17 pedaços, em um acidente de moto. Porém, um pouco antes deste acontecimento, Millman havia conhecido alguém que mudaria seu modo de encarar a vida: Sócrates, um senhor extraordinariamente sábio. Fiquei boquiaberta com algumas coisas que Sócrates dizia.

Se dependesse do pessimismo do prognóstico médico, Dan não voltaria a treinar ginástica, a grande paixão da sua vida. Mas graças aos ensinamentos bastante profundos de Sócrates, ele conseguiu se recuperar em menos de 10 meses, devido ao poder da mente. Eliminar o lixo da cabeça foi o principal ensinamento: eliminar o medo do futuro, o medo dos outros, o medo de si mesmo, do próprio fracasso.

No meio do filme eu me toquei: preciso anotar as frases desse cara. Não, não pareceria uma idiota, idiota seria alguém que visse aquele filme e não extraísse nada do mesmo. Então peguei minha agenda e anotei as melhores frases.

O primeiro ensinamento que realmente me chamou a atenção, foi quando Dan chegou à oficina de Sócrates contando que um amigo da ginástica havia se machucado. Dan lamentava por ter pensado que aquilo seria bom para ele, afinal seria menos um concorrente. Então diz para Sócrates:

-Às vezes eu não gosto muito de mim mesmo. Meu primeiro pensamento foi que talvez a queda de Kyle fosse boa para mim.

Então Sócrates responde:
-As pessoas NÃO são o que pensam. Elas pensam que são e isso lhes traz todo o tipo de tristeza.
-Não sou o que penso?
-Claro que não. A mente é um órgão de reflexão. Reage a tudo. Enche sua cabeça com milhões de pensamentos aleatórios por dia. Nenhum desses pensamentos revela mais sobre você do que uma sarda na ponta no nariz. (OFF: achei essa parte fantástica!)

Certo dia Sócrates acha que Dan finalmente está preparado para ver algo especial. Dan fica extremamente excitado e feliz, achando que vai ver algo extraordinário. Sócrates o leva para o topo de uma montanha e quando chegam lá, Dan não consegue entender o que há de tão especial ali.

Sócrates mostra uma pedra, "perto do seu pé". Dan reclama, nervoso, diz que esperava ver algo fantástico e não uma pedra comum. Sócrates rebate: "você estava tão feliz e animado enquanto estávamos vindo. Sinto muito por não estar mais feliz." E sai caminhando, decepcionado. Então Dan reflete por alguns instantes, ali parado, enquanto Sócrates vai andando devagar. E diz:

-A jornada! A jornada é o que nos traz felicidade. Não o destino.

Achei essa passagem extremamente brilhante. Eu já havia pensado em escrever um conto para falar do mesmo assunto. As pessoas se preocupam demais com o futuro, mas ele é nada mais que um presente que ainda não chegou e irá passar num piscar de olhos. Devemos viver o momento e não esperar por esse "destino perfeito" que nunca irá chegar. A jornada é realmente tudo o que temos. Não somos um ponto final, somos o caminho inteiro. É como esperar apenas pelo fim de um livro... quando, na verdade, a delícia foi ler o livro inteiro, todos os seus capítulos, tudo que os personagens passaram, cada folha, cada página. O fim é só o fim. E na maioria das vezes, não tem nada de especial, é até decepcionante.

Outras frases muito boas que extraí do filme:

"Elimine todo o arrependimento e o medo. Todo o mais pertence ao passado e ao futuro."

"Retire o lixo, Dan. Seu lixo é aquilo que lhe afasta da única coisa que realmente importa... ESTE momento. Aqui. Agora."

"O guerreiro não exige perfeição. Ou vitória. Ou invulnerabilidade. Ele é a vulnerabilidade absoluta. Essa é a única coragem verdadeira."

"Você pode escolher ser vítima ou o que quiser."

"Um guerreiro age e um tolo reage."

"Quero que pare de reunir informações do seu exterior e comece a reunir informações do seu interior. Siga a sua intuição."

Frase do Dan:
"Sempre há algo acontecendo. Não há momentos comuns".

Sim, e eu estou feliz. Sou feliz, estou viva. Estou escutando uma música maravilhosa que descobri ontem. "Constant Craving", da K.D Lang. Melodia linda, voz perfeita. Estou em paz. Acabei de escrever este texto, do qual gostei bastante, estou curtindo o momento e acho isso muito bom. Acredito que esse texto irá ajudar meus amigos e qualquer pessoa que venha a ler a melhorar alguns pontos na sua vida, na sua cabeça. E isso me deixa bem.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Por Mim

Não é a amargura do meu passado que deve me fazer desistir. Nem todos os obstáculos encontrados por mim diariamente.Ainda há muito para lutar por. E meus suspiros de escravidão magnética um dia irão sumir. Irei voar como um passarinho em seu primeiro pulo ar adentro. Sem medo, sem olhos fechados. Numa inocência brilhante que um dia me roubaram.De tudo ao meu redor retiro aprendizado. E quando parece haver nada, cavo mais fundo, e sempre há no podre alguma coisa rica em significados.Deixarei meu coração falar um pouco e todo o pensamento negativo irá fluir para bem longe. Sou feliz. Consigo enxergar numa pétala todo o esplêndor da vida. Em cada passo um triunfo. Sei que muito me magoaram e me magoarão. Sei que dentre todos que amo pouco ganho de volta. Nada importa. O amor é por si só. Fecho-me em mim mesma e sinto uma luz que abrange toda a alma. Aquele sentimento de continuar. Acreditar. Nunca insistir no mesmo erro. Sempre dizer aos amados quão grande é o meu amor por eles. E seguir, pois o amor me sustenta. E o céu o faz. E as pétalas, os passarinhos voando. Enfim, sustentam-me as coisas das quais consigo extrair simplicidade, esta a virtude mais admirada pelo meu ser aspirante a sereno... e que para lá luta em caminhar. Sempre.

sábado, novembro 03, 2007

O Constante

As pessoas mudam. Nem sempre para melhor; esse é o desastre.

Sinto-me tão só. Nunca deveria ser tão inocente em acreditar em tudo tão cegamente, em perdoar erros repetidos religiosamente... Vou morrer assim, tão boba?

domingo, outubro 07, 2007

Choro: Antítese

O choro é uma antítese. Estou com esta idéia há dias na cabeça: já era hora de escrever.
Em algumas coisas há a necessidade. Em mim há uma necessidade neste momento. Ninguém parece me compreender. É de compreensão que eu preciso, pois não sou louca e quando isto acontecer eu saberei reconhecer. Se eu não sou louca eu posso ser compreendida, meu cérebro tem idéias coerentes, trabalha com eficiência. Eu consigo discenir cores e pessoas e não tenho tendências obsessivas, pelo menos não as de grande porte.
Meus pais são maravilhosos e amorosos mas eles não me conhecem. Eu sei e meus amigos sabem que na maioria das vezes que estou triste pode apostar: meus pais estão envolvidos. Não preciso que ninguém me conheça, mas é uma luta pessoal esta com os meus pais. Eu quero que eles me conheçam... e não só até o suportável, não só o superficial. Até dos meus poucos segredos eles vão ter consciência um dia, aposto que sim.
Talvez eu tenha uma obsessão. Acabei de perceber. Eu tenho uma paixão intensa pela verdade, um compromisso, uma espécie de amor leal. Então não é paixão, certo? Disse isso apenas pelo peso da palavra, mas o sentimento amor é mais forte, apesar de não ter o til.
A verdade é essencial no meu ser. Possivelmente porque tenho experiências ridículas com a mentira, não mentiras minhas, mas dos outros. As pessoas não tem idéia de como a mentira é venenosa, mesmo as pequenas. É o próprio diabo, e olha que há gente boa fazendo apologia aos pecados.
Voltando aos meus pais: eles, assim como a minha irmã e meus tios, meus primos e meus amigos... Enfim, todos que fazem parte da minha vida e que fazem, querendo ou não. Eu quero, sem mais nem menos, que eles me vejam exatamente como eu sou. Quanto mais próxima a pessoa, mais triste eu fico em ver qualquer tipo de julgamento errôneo sobre mim. Não, não é que eu queira uma visão perfeita da Valéria, nem uma imagem amável ou
venerável. Simplesmente assim, como eu me vejo. Será tão difícil? Ou será que na astrologia existe mesmo essa divisão entre o que eu vejo e o que os outros vêem?
O choro é uma antítese. Ah, como eu gosto dessa frase que eu mesma inventei! Sou uma escritora orgulhosa e se não fosse provavelmente não estaria aqui escrevendo. Nem para mim mesma. Pode parecer hipócrita, mas muitas vezes eu escrevo para mim mesma. Eu penso em publicar muita coisa, mas se não gostarem eu não vou me enforcar, eu não sou destes escritores que precisam da opinião dos outros, eu sou ruim ou boa, e pronto. Mas o que importa é que eu gosto do que eu escrevo, inclusive depois de várias vezes lido. Seria incoerente eu mesma não gostar. Eu gosto, e muito. Não escrevo tão bem gramaticalmente ou poeticamente falando, ainda falta prática e tenho apenas 19 anos de idade, mas eu já escrevi um livro e sim... a única obra literária que eu criei eu vou jogar fora, ficou um lixo e é para lá que ele vai. Porém, gosto da maioria das coisas que penso e é disso que estou falando, os específicos não contam tanto assim.
Existe a tese, a antítese e a nova tese. A tese seria o motivo da tristeza ou a tristeza em si, insuportável. O choro é a resposta e não que ele seja grandes coisas, mas pode ser
prazeroso pois, como eu já disse, ele é a antítese = ele ameniza a dor. Quando eu me sinto muito triste ou com muita raiva, quando estou naqueles dias de morte ou quando percebo a maldade do mundo eu choro. Choro e choro muito. Com a maior facilidade: é uma arma, uma defesa. É como se cada lágrima fosse um operário tirando o ferro que machuca de dentro da gente. E quanto mais ferro sai, menor a melancolia. Quem disser que sofrer é bom nunca sofreu de verdade. Então vai melhorando e melhorando. E acaba sendo um prazer em si, o ato de chorar. Até porque, já viram algo mais sincero que um choro? Eu nunca vi, a não ser quando alguém fica olhando para a lâmpada durante segundos sem piscar. Até assim é sincero, porque os olhos precisam da água e lá vai ela.
Espero que entendam, não esqueçam que eu preciso de compreensão. Não estou dizendo que a tristeza é algo bom ou prazeroso, porque eu sou totalmente contra esta teoria. No máximo ela é necessária algumas vezes na vida para que a pessoa saiba diferenciar a alegria da tristeza e saiba valorizar a primeira.
O que eu quis foi apenas demonstrar a importância do choro, deste mecanismo da natureza tão importante e ao qual eu sou tão grata. Se não houvesse choro, como é que seria? Quem iria tirar os ferros do meu coração, quem? Não sei, mas acho que seria uma nova Grande Depressão, como da crise de 1929, porém desta vez constante e que levaria ao fim precoce da raça humana.
Sobre os meus pais e minha família (ah, e meus amigos também) eles foram só um exemplo. É que eu rasgo minha alma e minha mente tentando dar explicações e ninguém entende. Não sou complicada, imagina se fosse. Aí chega a um ponto que cansa e eu perco a paciência. Ontem uma colega de turma me disse que eu transmito uma calma muito boa. Fiquei feliz porque alguém percebeu uma característica real da minha pessoa. Eu sou calma, apesar de escrever. Todo escritor parece ser hiperativo, agoniado, tenebroso. Eu posso ser muito agressiva, como todo mundo pode em estado alterado, mas normalmente sou bem calma, clamo por calma, adoro a calma. A calma é a minha felicidade. Tive vontade de dar um beijo na boca da minha colega por tal sensibilidade e pelo comentário ingênuo, porém feliz e perceptivo.
Ah, eu não gosto de atuar. Esse negócio de que todo mundo atua é tão mentiroso, coisa de escritor também. As pessoas não fazem certas coisas porque simplesmente não se pode tudo e sempre vai ser assim (e as pessoas não querem tudo também, apesar de quererem muita coisa). Se todos fizessem tudo o que quisessem, não sobraria nem um galhozinho sequer na árvore, muito menos esta e nem terra. Não que todos sejam tão ambiciosos, mas se a liberdade total fosse concedida a todo mundo, todo mundo mesmo, os 30% mais ambiciosos, ou até menos, já bastariam para dar fim a tudo que existe. A consciência do todo é a maior liberdade que pode existir. O saber perceber o outro é a maior liberdade digna e vem daí o saber onde parar. E também, os homens são diferentes entre si e muito. Ninguém ama as mesmas coisas ou odeia, ou quer ou repudia. Cada um vê o mundo de uma forma diferente e o lado animal é o de menos. Muita coisa conta mais. Por isso a generalização é ridícula, principalmente partindo de comportamentos muito específicos e raros. "Todo mundo, no fundo, quer ser boêmio". Por favor, esse comentário foi o mais burro que já ouvi. A pessoa se exteriorizou tanto, se incorporou nos outros de forma impiedosa. Se todo mundo quisesse ser boêmio, existiriam mais bares ainda e todo mundo beberia álcool. As prostitutas seriam felizes e reconhecidas. E muitas são tristes e pobretonas, na verdade. Entendem? Como alguém pode estabelecer regras a partir de verdades tão singulares? "Querido, as pessoas são diferentes, entenda isso." Eu deveria ter dito isso ao rapaz.
Eu falei da tese e do meu amado choro, mas não falei da nova tese. Tese-> Antítese->
Tese. Bom, essa é complicada, depende de toda a reflexão que vem junto ao choro, esta também uma das poucas vantagens de ficar triste. A reflexão. Podemos refletir também quando estamos felizes, mas poucos fazem isso. Então que fiquemos um pouco triste para nos tornarmos um pouco melhores.
Minha professora disse para morrermos todos os dias para quepossamos nascer melhores. É, eu gostei dessa proposta e venho fazendo isso desde que percebi que não, não quero ter uma vida medíocre e isso só depende de mim. Mas eu percebi antes de ela falar, claro.
Antes que eu me estenda demais, a nova tese depende do contexto e pronto, isso é óbvio e acho que o leitor já tinha chegado à essa conclusão. Se a reflexão foi positiva, o resultado será alegria e se for negativa... pode ser alegria também, mas o lógico é que seja tristeza e então vem mais choro e mais reflexão. Até que o ciclo feche e um novo inicie.
Não acho que tudo tenha início, meio e fim, não mesmo. Algumas coisas não tem começo, algumas nem começam, ficam só no plano das idéias (mas isso já não é uma existência?). Outras não tem fim, são eternas, para o bem ou para o mal. E outras nem meio tem, coisa esquisita.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Os capitalistas têm radar detector de socialistas


Quero contar pra todo mundo o que aconteceu. Eu estava dando tudo de mim, esforçando-me ao máximo nesse emprego, que eu já achava que era meu. Até porque era só uma semana de teste, e uma semana já havia se passado (sexta passada completou-se). Já estávamos na terça e uma funcionária de um cargo um pouco maior, mas que não é gerente me chama para dizer algo importante: Não vai dar para você ficar.

Eu, que já era anti-capitalismo, agora senti na pele e estou mais raivosa ainda, quero dar um chute nesse sistema ridículo, no qual as pessoas só pensam em si mesmas e no qual as empresas não tem a mínima ética ou bom senso nas relações pessoais.

Desde que cheguei na locadora eu notei várias coisas erradas ali dentro. Os funcionários que deveriam ser apenas atendentes e vendedores têm que se virar em mil,têm que limpar o chão, passar pano, vassoura e até lavar o banheiro! Não, isso não é normal. Eu limparia o chão numa boa, desde que isso estivesse incluso no combinado. Eles não dizem nada sobre isso na entrevista. O salário dos funcionários é uma vergonha, um pouco mais de um salário mínimo e eles (donos) recebem cerca de 1.000 reais nas terças e quintas e 1,050 nos outros dias da semana, e acredito que varia de 1,200 a 1,500 nas quartas, sextas e sábados. Esses números multiplique por 3, que é o número de locadoras do mesmo dono. Isso dá mais de 200.000 mil reais!
Mesmo assim, dia de terça e quinta não pagam o segurança para economizar. Um absurdo nos dias de hoje, uma loja sem segurança. Pagam faxineira dois dias na semana apenas, para que nos outros dias os funcionários tenham o trabalho que deveria ser dela.

Ninguém gosta do supervisor e a fofoca rola solta. Ele que me chamou, ele que deveria me demitir. Mas não, nem teve essa dignidade. Mas ainda preciso perguntar para ele o "motivo" da demissão. Sendo que ele já tinha me dado o papel com os documentos necessários para o contrato. Não entendi nada mesmo. Ou entendi.

Passei pelas 3 lojas existentes na cidade, e na segunda loja a gerente um dia me chamou para uma reunião, juntamente com o "M", outro garoto em teste. Ela ficou falando por mais de 1h e eu perguntava coisas o tempo todo, enquanto o "M" ficou calado o tempo inteiro. Isso claramente a assustou. Nesse mesmo dia ela viu que eu falo inglês, idioma que ela (gerente) não fala. Eu notei que a maioria dos funcionários tem pouco "conhecimento", por assim dizer.
Não sou preconceituosa nem me acho melhor que ninguém, mas eu tenho sim mais conhecimento (inclusive sobre cinema) do que a grande maioria dos funcionários dali. Inclusive eu sei mais que a gerente e eu percebi desde esse dia que ela se sentiu ameaçada, sendo que qualquer funcionário pode crescer na empresa. Então ela escolheu o "M" (mas não soube disso logo, me transferiram para o Renascença e me enrolaram mais um pouco).

Eu fiz de tudo ali com o maior gosto, atendia os clientes com simpatia e presteza, aprendi muita coisa em apenas uma semana, arrumava o paredão, indicava filmes, conversava com os clientes, até com as crianças, não tive nenhuma falta nos dias em que abri o caixa, chegava no horário (o único dia em que cheguei 5 minutos atrasada eu liguei antes para avisá-los, como eles ordenaram), quando tinha qualquer dúvida perguntava para os mais "experientes", e o mais importante: tratava o cliente como gente, e não como um meio de ganhar dinheiro. MUITOS clientes me elogiaram e disseram gostar do meu atendimento e de minhas indicações. Até porque, eu quis levar para a locadora algo que eles não tinham: atendentes que viam o cinema como arte. Quando algum cliente chegava e queria um filme de arte, eu sabia o quê indicar, coisa que ninguém mais sabia ali.
Já "M" foi criticado por outros funcionários, pois o mesmo só pensava em vender videocheques para ser elogiado no fim do mês, só gosta de ficar no caixa; não atende bem os clientes, não gosta de ir ao salão indicar filmes, não entende muito de cinema, não entende nada de diretores, só sabe dizer que o filme é "massa" ou "não tem fundo(?)", não sabe falar português direito, usa muitas gírias, não gosta de arrumar filmes... enfim.

Então, qual seria o motivo além de que sou uma ameaça? Parece que estou me auto-afirmando, mas eu realmente não fui a única a pensar assim. Todos concordaram comigo. É a velha lógica capitalista: os porcos burgueses contratam os burros para trabalharem como loucos e sem reclamar, como acontece no clássico "A revolução dos bichos" de George Orwell.
Não querem pessoas eficientes, inteligentes e que entendem de arte, apesar de ser uma empresa que vende arte, mas os próprios nem sabem disso. Fizeram a escolha errada, vão se ferrar. Apesar de demorarem para se tocar, alguns funcionários já estão se cansando de tanta exploração e um dia as coisas vão reverter... "finally the tables are starting to turn", como diz Tracy Chapman.

Ao mesmo tempo que sinto raiva, sinto alívio. Vou poder estudar melhor, estou livre de algo com o qual não concordava, não vou ajudar os porcos capitalistas a ganharem dinheiro; vou poder tirar minha soneca pela tarde e ter mais tempo para a família e os amigos, que é o que realmente importa para mim.
Nunca mais piso naquele mundinho que fede a dinheiro, aquele mundo que para os clientes parece ser uma maravilha, mas que para os funcionários nada mais é que uma necessidade sofrida.

É. Eu realmente não nasci para a burguesia. Nem na peneira deles eu passei.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Esquecimentos necessários

Tou aqui escutando o novo álbum dos Foo Fighters, que está muito bom. É bom ver o quanto o Dave cresceu musicalmente, amadureceu. Escutem e não se arrependerão. Destaque para o novo single "The Pretender" e para as baladas "Stranger things have happened" e "The ballad of the beaconsfield miners".

Hoje devo conseguir meu primeiro emprego e estou muito feliz por tal conquista. Espero que isso signifique um novo ciclo para a minha vida, uma nova fase. Não estou totalmente recuperada do período negro, mas novas reflexões foram feitas e acho que ajudarão.

Não gosto de ser egoísta, porém às vezes minha auto-estima precisa ser colocada em cima de certas coisas e pessoas que só me fazem mal. Faço tudo ao meu alcance para me dar bem com todos e para criar laços consistentes, mas algumas pessoas estão simplesmente desinteressadas por mim. Se eu não posso fazer parte da vida dessas pessoas, não posso oferecer minha amizade, por que sofrer? Eu fiz minha parte o tempo inteiro. Agora é relaxar e me sentir livre da verdadeira face de certos indivíduos. É ótimo descobrir a verdade, o ruim é descobrir quando você já se sente envolvida emocionalmente. Mas a verdade é sempre o melhor.
Decidi esquecer de certas coisas e pessoas do passado, pessoas que já perdoei (erros imperdoáveis, como diria Chaplin), mas que não acrescentam mais nada para mim e que até me vêem com desdém ou indiferença. Tenho pena de certas posturas, mas resolvi ignorar também, chega de ter lembranças (mesmo que boas) tão longuíqüas de pessoas que não tiveram nenhuma consideração para com os meus sentimentos. Às vezes penso nessas pessoas (não estou falando de uma única, mas várias) e sinto saudades, ou vontade de refazer as amizades e contatos, mas agora sempre que um lapso sequer de memória vier à tona, irei ignorar e apagar tais pensamentos o mais rápido possível. Chega, chega. Preciso me dar o valor necessário. Já perdoei, mas não quero mais ninguém egoísta na minha vida, ninguém com duas faces, ou múltiplas. Não quero hipocrisia, fanáticos religiosos, falsidade, pessoas que só pensam no próprio nariz. Não quero promessas falidas, nem intelectuais frívolos.

E estou muito (melhor) bem, obrigada.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Enquanto ando...

Eu ando jogando tenis. E chorando. E rindo. E sentindo saudades. Lendo livros espíritas. E tendo sonhos bizarros. E comendo bobagem. E me arrependendo de comer bobagens. Tomando muito suco. E limpando as lentes dos óculos. E ficando na frente do computador. E tomando banhos de radiação. E tendo problemas de pele devido a estresse. Ando tocando violão. Indo para a faculdade. E tendo aulas de Fisioterapia. E aprendendo a fazer massagens. Reclamando do mundo. Tomando anti-depressivo. E me informando. E não fazendo nada a respeito. Lamentando. E sensibilizando-me com o problema alheio. Ando não ligando pra nada. E ouvindo Manic Street Preachers. Levando esporros dos outros. E não me acomodando com as terríveis relações humanas. E calando a boca. Ou falando muito. E desejando. E morrendo. Vencendo. E sofrendo. Ficando alegre ao ver rostos de crianças inocentes. E tendo dores físicas. Tendo dores mentais. Tendo preocupações. E conversando. E odiando socializar. Aprenciando os raros momento de paz. Ando vivendo. Às vezes sobrevivendo. Ando amando amigos e outros nem tanto. E sendo solidária. E querendo viajar não tendo grana. Ando querendo trabalhar. Querendo derrubar o sistema. Ando querendo salvar o mundo. E Ficando indignada com a nossa própria raça.

domingo, agosto 12, 2007

Rita Lee, Manic Street Preachers e outros

Estou escutando Rita Lee neste exato momento, dia 5 de Julho de 2007, às 18:49, alguns minutos antes de ir-me arrumar para jogar tenis. "Caso Sério" é a música, ao vivo.
Andei pensando: eu não gosto de música brasileira em geral. Calma, eu disse em geral. Eu adoro essa música da Rita Lee. Eu adoro a maioria das coisas que a Rita fez, as melodias são incríveis e as letras são boas. Não sei qual o problema. Não sou dona da verdade nem a maior entendida de música do pedaço. É só que eu acho a MPB muito fraca, mas isso não significa nada, sério, é só uma opinião e pronto. E ao mesmo tempo, pra mim é a verdade, é o que eu acho e ninguém vai mudar isso. Hum, talvez eu mesma mude de opinião futuramente, não sei.

Desde que comecei a escutar rock inglês em 2002 eu não achei nada melhor. É verdade que de 2000 pra cá o rock inglês vem ganhando uma popularidade chata porque vem se tornando algo modelado e rotulado, a maioria das bandas com aquele sonzinho do tipo Franz Ferdinand ou The Strokes (apesar de esta ser americana). Essas duas bandas são ótimas, claro que com influências dos anos 80, porém são originais em alguns aspectos e iniciaram uma onda de outras bandas idênticas que as imitam. Um saco. Mas cada música, em si, acaba saindo diferente mesmo dentro dos plágios, principalmente hoje em dia com tantos efeitos de pedal, de teclado e outros. Com a própria globalização da música, o rock e tudo mais absorvem coisitas que fazem o diferencial de uma banda para outra, como por exemplo a "Elefant". Você escuta e pensa "mais uma igual, com a voz estoilo Ian Curtis", parece com Editors e parece com The Killers. Mas Elefant é bom pra caramba. Quando eu escutei o segundo álbum dos caras eu vi a maturidade e os milagres que fazem uma banda plágio se tornar original, o milagre que uma simples subida de voz pode fazer, ou um solo diferenciado. É incrível como o rock alternativo é alternativo exatamente por isso, nem as tendências fazem a banda se tornar totalmente medíocre, não é como o heavy metal no qual os integrantes tem que usar calça colada, cabelo comprido, cantar em tons agudos e competir para ver que banda tem o guitarrista com os dedos mais rápidos. O rock alternativo chama-se assim porque é uma alternativa. Você usa os instrumentos básicos de uma banda de rock e faz o que quiser ali. É tão bom exatamente por isso.(Nossa, o solo de guitarra de "Ovelha Negra" é um dos meus preferidos de todos os tempos).

No Brasil, como todos sabem, eu gosto muito do Caetano Veloso. É o meu preferido. Chico Buarque eu acho chato porque ele é metódico, meio matemático e blá blá blá. Eu escuto Caetano e vejo aquela naturalidade que me agrada. Ele faz o que der na cabeça; fez uma versão tropicália de "Stardust" do Frank Sinatra e ficou uma coisa linda, melhor que a original. Eu gosto de criatividade. Não gosto da falta de gingado de alguns artistas brasileiros: tem que ter batuque, tem que ter fervor, a música tem que ferver nas veias.

Eu gosto do Chico César. É muito criativo, é fora dos padrões, é swingado, é bom. Engraçado, mas eu acho o rock uma música cheia de alegria, de energia, talvez por isso eu goste da música nordestina, é energética também, viva, como o samba. Eu não gosto de bossa nova porque é uma coisa meio morta. Gosto de frevo, bumba-meu-boi, forró pé-de-serra. Artistas que sabem a hora de chorar e a hora de rir. Que fazem todo tipo de performance. A dança, o movimento, também é algo que me fascina.

Eu ando pensando em uma nova fórmula para compor, quero algo novo e depois que escutei Manic Street Preachers eu vi que eu sou péssima, eles são a melhor coisa que eu ouvi na vida, principalmente em termos de letras. Que letras! Gosto muito de algumas letras que fiz, e de algumas melodias, mas ainda acho muito pobre. Eu não deveria me comparar à essas bandas incríveis e ao Caetano por exemplo, porque eu talvez nunca chegue a ser tão boa como eles. Tenho uma música que até lembra Caetano, eu notei um dia desses, e compus antes mesmo de começar a escutá-lo. É isso, preciso de nova fórmula.

A Rita Lee é outra. Ela faz algo parecido com rock n'roll, mas não é rock, é algo bem brasileiro até, eu acho. Ela escreve tão bem e é difícil escrever em português, letras de músicas. Ela é filha da música experimental e chata dos Mutantes, da maravilha tropicalista e do melhor rock n'roll possível. Ela gosta de Ramones, cara. Já viu coisa mais simples? Por outro lado gosta dos Beatles. E quem não gosta? "Mas Beatles também é simples". Oh, escute o trabalho pós 65.Graças à Deus, eu já fui à um show da Rita, inesquecível, já fui ao do Caetano e também ao do João Bosco, duas vezes. Este é outro que eu adoro, é original até na boina, faz aqueles solfejos com a voz cantando "lalala's" que ninguém entende, mas que todo mundo adora.

O que eu acho é que rótulos são podres, são consequência da falta de criatividade de artistas que se vendem, e outra... os artistas brasileiros precisam sair dessa de barzinho, onde ninguém os escuta direito, e partir para algo maior e mais vivo. Vamos gritar, dançar; não precisa ser rock, pode ser um Jorge Ben da vida, pode ser Tim Maia com seu chocolate, pode ser Cazuza (que como eu amava música boa, independente de rótulos, samba, rock, não importa)...o importante é nos expressarmos com toda a força e beleza que há na música e sair desse troço boêmio-fumante-intelectual, experimentando outras maravilhas que a música tem para oferecer.

terça-feira, junho 12, 2007

Miss You

O que eu tenho pra dizer no dia dos namorados é:

SAUDADES...!

segunda-feira, junho 04, 2007

Tecnologia Deprimente

"Sonhos", de Akira Kurosawa.


*Tecnologia Deprimente*

Vivemos num tempo de descrença e desconfiança. A Era tecnológica, na qual todos se comunicam através de dedos que digitam letras (por sua vez, aparecem em uma tela de uns três por dois palmos), não permite rostos e afeto próximo. É tudo aquilo, "fale, mas longe de mim".


Acabou de acontecer comigo: perguntei para a pessoa onde ela morava e recebi uma resposta-indagação. "Por quê?". Calma, eu não sou uma psicopata, serial killer, ou sei lá o que esse alguém pensou. É triste. A culpa não é dela. É do momento todo.


No Brasil a situação é pior. Talvez não, nunca vivi fora. Porém é a impressão que tenho. Aquela histeria coletiva de que tudo pode acontecer a qualquer momento. Medo de sair na rua de uns, descaso de outros. Alguns até se acostumam a viver no inferno, no caos. Não sei o que é pior, o exagero extremado para qualquer um desses lados é lamentável, por minha parte.


Não sei o que me leva a continuar acessando a internet. Um motivo é muito claro: é um meio fácil de conseguir arte. Claro que existem pontos positivos e negativos na tecnologia, e também o positivo pode ser negativo dependendo do ponto de vista: é subjetivo. Mas deveria ser subjetivo? Realmente pensamos na coletividade quando dizemos que somos a favor da tecnologia?


Levando-se em conta os milhões usados em todo o processo de pesquisa e produção tecnológica, tanto em investimento governamental quanto em salários, patrocínios, mão-de-obra (essa parte já desfavorecida), extração e compra de matéria-prima, impostos e comércio; seria esse dinheiro realmente um peso positivo maior do que o negativo?


A fome em vários continentes, a desigualdade social presente inclusive nos países "desenvolvidos", problemas de raiz, desmatamento, aquecimento global em alta... "Esse clichê todo", o leitor deve estar a pensar. Clichê factual, notório, indiscutível.Todo esse dinheiro, citado anteriormente, não seria melhor aplicado nos itens deste último parágrafo?


A tecnologia salva vidas. Mas os nossos ancestrais eram menos felizes porque não tinham acesso à ela? Na verdade o estudo da técnica era inimaginável para eles como o conhecemos hoje e por isso, dispensável. O homem sempre querendo apenas, e tudo, o que sabe que existe. É como um índio que quer um tênis depois que soube da existência do tal.


As pessoas morrem, temos que aceitar isso. Tudo que é vivo morre. Até quando o humano vai procurar a fórmula da infinitude? Por que se acha tão especial, individualmente, a ponto de achar que merece viver para todo o sempre, forçando as próximas gerações a dividirem seu tempo com ele, quando a população mundial na verdade deveria diminuir e não aumentar?


São tantas questões. Obviamente não são todas as tecnologias más ou do mal. Eu não sou radicalmente contra elas, não por motivos pessoais, pois aí seria hipocrisia demais. Não sou a favor de algo só porque me faz bem, ou contra só porque me faz mal.


O problema é sempre o excesso, o exagero, a ganância e a maldade, típicos do ser humano. Tudo isso levado para a tecnologia é extremamente perigoso. E, no contexto aqui adotado, principalmente o exagero é um perigo. Querer ser tão diferente do resto dos animais leva o homem ao exagero o tempo todo, e claro que as próprias pretensões também o levam à isso.


Também vou deixar claro que sou contra robôs, robótica em geral, mas isso é subjetivo e não quero impôr nada. Todo este texto é minha opinião, mas uma opinião baseada em análises externas e não egoístas. Outro dia vi na TV uma propaganda dizendo que daqui a algum tempo a geladeira vai fazer a lista de compras da casa e realmente senti vontade de chorar. Existe quem ache essas novidades um máximo.


Estamos na Era da depressão, da tecnologia e do fim do mundo. Alguém aí se sente completamente feliz?


Para completar a finalidade destas minhas palavras, terminarei com frases do filme "Sonhos", de Akira Kurosawa, já postadas neste blog anteriormente:


"-As pessoas se acostumam com a conveniência. Acham a conveniência melhor. Jogam fora o que é realmente bom."


"-E a iluminação?-Temos vela e óleo de linhaça.-Mas a noite é tão escura!-Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite."


"-Hoje em dia as pessoas esquecem que elas são só uma parte da natureza. Destróem a natureza, da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza.Eles só criam coisas que acabam deixando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se de suas invenções. E o que é pior, a maioria das pessoas também. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas."

quarta-feira, maio 30, 2007

Como é bom...

"Como é bom tudo que vem sem se pedir" (frase incrível).

Ando cansada de implorar coisas.

Água e Pão (Bahia)
Maria Bethânia
Composição: Pedro Guerra/versão: Nelson Motta

Como o sol no fim do dia
Quando o mar bebe o seu fogo
Entre as ilhas e a Bahia
Como um rio, como fonte
Como um belo horizonte
Como porto, como o mar
Como o ar da madrugada
Como as pedras da calçada
Como o vento e a maresia
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui

Como o dia que amanhece
Com a luz criando espaços
Entre a sombra e a escuridão
Entre formas que se movem
Entre lábios que se beijam
Entre corpos que se dão
Como as flores nas varandas
E o perfume de jasmim
Acordando a cidade
Como água, como pão
Como é bom tudo que vem
Sem se pedir
Céu lavado, luz de abril
Como quando estás aqui

terça-feira, maio 29, 2007

Palavras

Hoje eu confirmei. Palavras são realmente fonte de mal-entendidos. Alguns irreversíveis. São também fonte de dor eterna. Ou não?

Estou muito triste. As pessoas sempre se protegendo de coisas inexistentes.

Histeria. Fofoca. Histeria. Fofoca. Genocídio...