sexta-feira, janeiro 01, 2010

O melhor da música em 2009

Minha listinha, desculpem o atraso ^^

Melhores álbuns e em seguida melhores músicas de 2009, seguindo critérios super chatos que eu tenho comigo mesma: sensibilidade, técnica, criatividade na melodia e arranjos, emotividade contida, qualidade vocal e instrumental, boa produção do disco/música, nível das letras.

De "brinde" coloquei alguns links das respectivas músicas no youtube.

Melhores álbuns de 2009

1) Manic Street Preachers - Journal For Plague Lovers
2)Bruce Peninsula - A Mountain is a Mouth

3)Antony & The Johnsons - The Crying Light
4)Raveonettes- In and out of control
5)The Decemberists - The Hazards of Love
6)Morrissey - Years of Refusal


7)The XX- The XX
8)Grizzly Bear - Veckatimest
9)Beirut - March of the Zapotec/Realpeople Holland
10)Wild Beasts - Two Dancers


Menção honrosa: Placebo, Flaming Lips, Piano Magic, Doves e Yo La Tengo.



MELHORES MÚSICAS 2009

Arnaldo Antunes - Longe

Antony & the Johnsons - Her eyes are underneath the ground
Antony & the Johnsons - Epilepsy is dancing
Antony & the Johnsons - Kiss my name

Bat For Lashes - Daniel

Biffy Clyro - The Captain

Bruce Peninsula - Shanty Song

Cidadão Instigado - O Nada




Decemberists - Isn't it a lovely night

Doves - Birds Flew Backwards
Doves - Spellbound
Doves - House of mirrors

Editors - Papillon ACÚSTICA (a versão do álbum sucks)



Franz Ferdinand - Ulysses

Idlewild - Post Eletric

John Frusciante - Before the Beginning

Kings of Convenience - Boat Behind

Lady Gaga - Poker Face
Lady Gaga - Paparazzi
Lady Gaga - Bad Romance




Manic Street Preachers - Jackie Collins Existencial Question Time
Manic Street Preachers - This joke sport severed
Manic Street Preachers - Marlon JD

Maxïmo Park - Questing, not coasting

Morrissey - It's not your birthday anymore
Morrissey -When Last I Spoke to Carol

Noah and The Whale - I Have Nothing

Ola Podrida - This Old World

Patrick Wolf - Hard Times

PJ Harvey & John Parish - Black hearted love

Phoenix - Liztomania


Placebo - Ashtray Heart
Placebo - Speak in tongues

Piano Magic - The nightmare goes on
Piano Magic - March of the Atheists

Raveonettes - Bang!

Raveonettes - Last Dance
Raveonettes - Gone Forever
Raveonettes - Boys who rape

Regina Spektor - Laughing With

Silversun Pickups - Panic Switch

Quase Coadjuvante - Dê valor a alguma coisa

Wild Beasts - All the kings men
Wild Beasts - We Still Got the Taste Dancing On Our Tongues

Yo La Tengo - I"m on my way
Yo La Tengo - Nothing to hide
Yo La Tengo - Periodically Triple Or Double

The XX - Shelter
The XX - Basic Space

The XX - Crystalised
The XX - VCR


Não escutei alguns álbuns ainda, como o da Norah Jones, então com certeza muita coisa boa ficou de fora.



Decepções de 2009:
O álbum do Caetano Veloso, mestre e gênio, infelizmente não me agradou. Camera Obscura ficou uma coisa estranha, como disseram na RCD do orkut, sem sal nem açúcar. Arctic Monkeys todo mundo acha que evoluiu, eu acho que decaiu.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Where have been, luv?

"Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou."
Pablo Neruda.

Saudade dói... O Travis diz em uma canção:

"And distance tells you that
distance must come between love
Where have you been, Luv?
When the mistake we made
Was in never having planned to fall in love, Luv"

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Empty Souls

Não sei porquê, mas esse som é perfeito para reflexões pré-Natal e fim de ano. Costumo colocar a letra de "What the world needs now is love" da Aimee Mann (bom, a versão que eu gosto é dela - e eu conheço essa música bem antes de ela entrar para a novela, okay?) no meu perfil do orkut e afins nessa época, porque acho a letra bastante representativa nesse sentido; mas considero que essa canção da minha banda preferida também remete ao que eu sempre peço aos céus no fim de ano: vamos nos amar, porra! Chega de desamor. Chega de solidão, de guerras. "Almas vazias". É isso.





Empty souls will leave their homes
To find a place where they're alone
Rattling memories and hollow bones
Leaves a taste so bitter and cold

For empty souls will stand alone
Shivering like black-eyed dogs
Waiting to be taken home
Where that is they only know

Exposed to a truth we don't know
Collapsing like the Twin Towers
Falling down like April showers
Colossal endless like a marathon
God knows what makes the comparison
God knows what makes the comparison

For the empty souls
For the empty souls

quinta-feira, novembro 26, 2009

Laços Frouxos e Falsos

"Mundo de laços frouxos e falsos
Que distâncias desamarram de vez
Disseram-me que o amor era forte
E o mesmo que disse, desfez

O mesmo que forçara as amarras
Que apagara toda a timidez
Disseram-me "eu sou diferente"
E o diferente em igual se fez

Não fumo, mal bebo
Não deixo meus amores de lado
O vício da alma, fácil e certeiro
É o amor, mesmo que limitado...

Oh, mundo de laços frouxos e falsos!
Por que nos colocamos como sacos plásticos...
Em ruas de abismos e bueiros
Ruas da vida e do alheio?" 

(Valéria Sotão)


Fiz esse poema nesse exato momento porque não entendo como o homem pode se colocar num posto de "ser humano" se é muito mais cruel, insensível e egoísta que outros animais. E ainda dizem que temos sentimentos. Sentimentos egoístas, você quer dizer, né?

As pessoas passam meses, anos com alguém e quando cansam simplesmente somem. É como dizer "não preciso mais de você". É. Tratam você como lixo, como algo descartável. Eu, graças à Deus, ainda tenho um resquício do que se pode chamar de humanidade, dignidade e gratidão. Dou valor a todos que merecem e não abandono ninguém mesmo nos momentos difíceis.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Filme para todos os Dezembros!



Desde 2004 vejo esse filme nos Dezembros ou vésperas. Às vezes pego na locadora, às vezes por coincidência passa na TV, como hoje.

O fato é que é um dos filmes mais fofos de todos os tempos, fala sobre o amor em época de Natal. Entenda então, você que nunca o viu, que o filme é sobre o amor e não sobre o natal. E fala do amor sob variados aspectos, porque várias histórias diferentes são mostradas no filme. As àsperas, as engraçadas e as românticas. Não é um filme água com açúcar, básico. É mais profundo, mostra a parte realista, mostra que nem todos os romances dão certo... mas por outro lado mostra toda a felicidade que o amor real pode trazer.

Lindo, lindo! Filmaço, para a vida toda! Daqueles que você não enjoa nunca.

Bat For Lashes. De novo.

Nossa, além da música, que é genial e mereceu até comentário recente neste blog; viciei nessa apresentação da banda Bat For Lashes. Como a Natasha é sexy!

Aumentem o volume, pois o do video é baixo:

http://www.youtube.com/watch?v=7p4Feue2yAg

domingo, novembro 08, 2009

Música que mais ouvi no segundo semestre de 2009

Definitivamente, sou apaixonada por essa música! É tão intensa. Na viagem de volta (Belém - São Luís), no início de Outubro, ouvi essa música o tempo todo. E naqueles dias começava a minha angústia, minha decepção com aquela pessoa... Enfim! Isso não tira a beleza da canção:

quarta-feira, outubro 07, 2009

Amor. Eu acho que sim.

Paixões passageiras nunca me trouxeram felicidade. Eu não quero conhecer pessoas e me apaixonar no primeiro dia. Não só porque estou amando, aquele amor gostoso e alegre, mas porque em dez anos vivi e passei por coisas pelas quais algumas pessoas só conseguem passar em vinte anos ou mais. Dos meus onze aos aos meus vinte e um anos de idade, apaixonei-me com certa frequência, muitas vezes por cascas e aparências e em troca ganhei... pouca coisa. Era uma felicidade efêmera, que nunca me satisfazia. Alguns momentos de esperança aqui, aquela coisa platônica, algumas semanas de empolgação ali, para depois tudo simplesmente evaporar. Discordo que essa euforia que depois te leva à depressão seja a graça da vida. Para mim funciona ao contrário. E nas poucas vezes que amei de verdade, fui desiludida por acontecimentos desonestos, como duplas traições. Por isso: quero algo fixo, duradouro, que me faça feliz.
E acho que posso ter isso agora. Eu acho que sim.


terça-feira, setembro 15, 2009

Mão Santa, ACM e Sarney




Estava aqui em casa, há poucos minutos, vendo pela TV Senado a Votação do PLC, que regula as eleições de 2010. A discussão estava interessante, até que o Senador Mão Santa, um dos senadores mais patéticos, burros (é um erro de português a cada 10 palavras ditas) e ao mesmo tempo esperto (para enganar o povo) começa um discurso e pede atenção do relator de forma um tanto "malandra". Esse jeito nada sério do Mão Santa me irrita. Ele brinca, fica com malandragem e com brincadeiras dignas de bêbados em roda de bar de dia de domingo, em pleno Senado Federal. O que esperamos de qualquer político, em seu ambiente de trabalho, é o mínimo de seriedade (obviamente uma seriedade também em termos de honestidade). Até aí nada de novidade.
Quando eu pensei que nada mais que viesse do Mão Santa me chocasse (negativamente ao extremo) ele diz, em seu discurso fora de hora, que o Antônio Carlos Magalhães foi o maior senador que já pisou no Senado Federal. Engraçado que, lembrei agora, há mais ou menos 1 mês atrás o mesmo Mão Santa tinha dito isso de outro Senador, não mais em atividade na Casa. Falsidade? Memória fraca? Não sei. Mas ok. O que me chocou foi o tal mencionado. O ACM. Puxa vida, Senador Mão Santa! Como podes defender um político que o Brasil inteiro sabe que foi um corrupto, que se considerava o dono da Bahia, como Sarney se considera o dono do Maranhão, que era dono da filiada da rede Globo (e sua família continua com o título) na Bahia assim como José Sarney é dono da Globo do Maranhão, a TV Mirante? Como pode, Senador?

Semelhanças entre o falecido ACM e o vivíssimo José Sarney não são meras coincidências. As famílias dos dois praticamente mandam em seus estados. As famílias de ambos são infiltrada na política, por motivos óbvios. Hoje em dia, em exemplos de maior grandiosidade, podemos citar a filha de Sarney, Roseana Sarney, que está governando o Maranhão pela terceira vez, desta vez no tapetão; e o neto do ACM, o ACM Neto, Deputado Federal pela Bahia.

Os dois foram Presidente do Senado três vezes. Sarney está em pleno mandato, apesar da crise no Senado iniciada em 2008 e estendida até o ano presente, com protestos "Fora Sarney" eclodindo por todo o país. Três vezes, caro leitor, três vezes!

Outra semelhança nada feliz é que ambos (ACM e Sarney) começaram suas carreiras em plena ditadura militar e depois da redemocratização do país se fingiam de democráticos (Sarney continua fingindo até hoje). Sarney nunca é oposição, sempre faz aliança com todos, isso sem contar a contínua troca de favores (que contamina toda a família de filhos, netos e assim por diante) com outros poderosos. Sarney infiltra seu poder no Judiciário, no Executivo, em todos as esferas, sempre num típico tráfico de influências.

Dedico minha total solidariedade ao povo da Bahia, que sofreu por tantas décadas o descaso político e social disfarçado de "progresso" e de "modernidade", cometido por ACM. Espero que sua família não seja ainda tão presente naquele estado como a família Sarney é aqui no Maranhão. Sentimo-nos em pleno Brasil das capitanias hereditárias, cada fatia destas terras vai para um parente desses poderosos. Triste!

E, para piorar este terrível quadro, as "coincidências" não terminam por aí. Todos sabem que tudo no Maranhão leva o nome "Sarney". Hospitais, ruas, pontes, prédios públicos. E isto é proibido, por lei. Obras públicas não podem levar nome de pessoas vivas. Isso acontece também na Bahia, desde quando ACM estava "muito vivo, obrigado".
Alguns exemplos (peguei trechos de um texto que encontrei na internet, se houver algum erro grave, lembre-se que não fui eu quem escreveu o que está entre aspas):

"Se estiver grávida e precisar de ajuda pode procurar a Maternidade José Maria de Magalhães Neto no bairro Pau Miudo.
Pode também ir ao Hospital Geral Luís Eduardo Magalhães, que fica na Av. Antônio Carlos Magalhães, s/nº. Município: Itamarajú - Ba. Cep: 45.836-000. Depois pegue a Av. Professor Magalhães Netto, fácil, fácil, basta passar pela Av. Tancredo Neves. MAs se em vez de virar à direita, virar à esquerda, vai sair na Av. Luís Eduardo Magalhães. Entendeu?


Mas a Av. Antonio Carlos Magalhães não existe apenas em Salvador, mas em Valença e em Santo Antonio de Jesus também.

Como terceira opção vá ao Hospital Municipal Dr. Antonio Carlos Magalhães.

Se não estiver satisfeita e quiser saber um pouco mais da família, dirija-se à Fundação Luís Eduardo Magalhães. Fica em Salvador mesmo. Não confunda com o Município...

É, também tem... Luís Eduardo Magalhães - município brasileiro do estado da Bahia.


Voltando para Salvador, se quiser ir a uma praia, pegue novamente a Avenida Antônio Carlos Magalhães. Antigamente se você tivesse pegado muito sol, podia procurar o Hospital Estadual Arlete Maron de Magalhães, mas ele foi desativado, talvez a população não fique mais doente...


Se estiver em Jequié e quiser fazer uma pesquisa ou ler um pouco, vá até a Biblioteca Municipal Arlete M. Magalhães, na Rua Leonel Brito s/n, Centro.


Se quiser assistir um futebol e estiver no município de Itapetinga pode ir ao Estádio Antônio Carlos Magalhães, que possui capacidade para 6.550 espectadores.

...


Para seus filhos estudarem, escolha entre o Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães. Tem em Salvador, na Av Gal San Martin, pertinho da Av. Luiz Eduardo Magalhães; na Rua 1, em Santo Antônio de Jesus; na Av. Comercial, em Camaçari; e na Rua Vasco Filho, em Feira de Santana. Se você morar em Santo Amarotem a Escola Municipal Luís Eduardo Magalhães, logo na entrada da cidade.

..." (continua, o texto é longo)



Agora vejam todo o acervo midiático daquela família (Fonte: Wikipédia):

"Empreendimentos da família

Seu filho, Antônio Carlos Magalhães Júnior, é presidente da Rede Bahia, que engloba diversas empresas do estado, principalmente de comunicação. São elas:

* 88.7 Bahia FM
* 102,1 FM Sul (Rádio FM em Itabuna)
* Correio da Bahia (Jornal)
* Globo FM (Rádio FM em Salvador)
* Gráfica Santa Helena
* iContent (Produtora)
* iBahia.com (Portal de Internet)
* Construtora Santa Helena
* TV Bahia (afiliada da Rede Globo em Salvador e região)
* TV São Francisco (afiliada da Rede Globo em Juazeiro e região)
* TV Oeste (afiliada da Rede Globo em Barreiras e região)
* TV Santa Cruz (afiliada da Rede Globo em Itabuna e região)
* TV Subaé (afiliada da Rede Globo em Feira de Santana e região)
* TV Sudoeste (afiliada da Rede Globo em Vitória da Conquista e região)
* TV Salvador (canal fechado, transmitido em UHF ou por assinatura)"


Pois é. Tudo isto me lembra muito o que acontece no meu estado, o Maranhão, e me deixa muito triste. Com tantos senadores que já passaram pelo Senado Federal, Mão Santa escolhe um dos piores para dar como exemplo de "melhor e maior".
Sarney é o último desta espécie (já que ACM faleceu há 2 anos)? Não se sabe. Mas digo o último dentre os de maior importância nacional (em termos de fama e influência), pois vê-se, sem dúvidas, que Mão Santa não deve ser apenas um defensor dos oligarcas corruptos. Ele defende a classe porque é um deles. É um deles.

Lamento!

segunda-feira, junho 22, 2009

"Onde estavas, lugar?"



Homenagem ao cara que me faz delirar musicalmente, ultimamente...
Tesouro brazuca!




"Onde estavas, lugar?"
Arnaldo Antunes - 2004

onde estavas, lugar?
em que chão, em que ar?
onde fostes depois de me abandonar?

onde estavas, manhã?
em que céu, em que mar?
onde fostes depois de me apaixonar?

por que veio se foi
para ir, por que foi
que você me deixou tão sozinho?

por que não demorou
mais um um pouco e deixou
que eu achasse de novo o caminho?

não devias partir
como podes partir?
por que não duraste a vida inteira?

se apenas em ti
alegria senti
ao mirar tua luz derradeira

quinta-feira, junho 11, 2009

Intercâmbio musical: Morris Albert, Caetano Veloso, Offspring...

Neste momento escuto uma das músicas mais sinceras já escritas na história. A melodia perfeita faz com que as letras extremamente sentimentais (não é à toa que o nome da música seja "Feelings) fiquem ainda mais transbordantes em emoção.

Versão de Caetano Veloso para a canção de Morris Albert.

Também adoro a versão, totalmente distorcida na letra, que o Offspring fez para a música. A banda punk mudou várias palavras, trocando "love" por "hate", por exemplo. Do excelente álbum "Americana" (1998).

Versão do Offspring


Versão FENOMENAL da Nina Simone, performance FANTÁSTICA, piano tocado de forma belíssima


Versão do Morris Albert (descobri que ele nasceu no Brasil, até)

quarta-feira, abril 29, 2009

Curso de Jornalismo

Pra quem não sabe, a dona deste blog trocou a faculdade de fisioterapia pela de jornalismo. Jornalismo, com letra maiúscula. Este sim é um curso que combina muito mais comigo. Primeiro período, ainda.

Já fiz resenhas antes, mas esta é a primeira que faço para a faculdade, mais especificamente para a máteria "Laboratório de Produção Textual".

NÃO COPIE, PLÁGIO É CRIME.

O Alienista
(Machado de Assis)
Resenhado por Valéria Sotão Ferreira

Cultuado como um dos maiores escritores da língua portuguesa e provavelmente o maior nome da literatura brasileira, Machado de Assis foi poeta, dramaturgo, romancista, teatrólogo, contista e jornalista nascido no Rio de Janeiro em meados do século IXX.
Seu estilo mais conhecido é a prosa, na qual começou como romântico e depois firmou-se como realista, sendo o primeiro escritor a lançar uma obra do estilo Realismo no Brasil.

Em "O Alienista" Machado usa do realismo irônico, típico em obras Machadianas, e este conto (que alguns autores consideram como uma Novela) é, por causa deste realismo cortante e direto, considerado a primeira obra do gênero Realista no Brasil. A linguagem ainda é inteligível, apesar da obra ter sido escrita em 1881: Machado sempre esteve "à frente de seu tempo".

É incrivelmente impressionante a tortura psicológica pela qual passam tanto os personagens da obra quanto os leitores desta. Cada trecho surpreende pela genialidade com que Machado rege sua "orquestra" maestral sobre a loucura: O Alienista é um médico dos mais respeitados da época no Brasil, e por ironia do destino - ou da ciência-, vira sua própria cobaia e a maior vítima de sua obsessão pela descoberta da cura da loucura, ou de uma teoria para esta. Também é visível na obra a crítica inteligente (e por vezes negativa) à mentalidade científica da época, visto que no século IXX predominava a corrente positivista - que colocava a ciência como conhecimento supremo e quase que infalível.

Simão Bacamarte, o médico alienista, vivia apenas para a ciência - até sua esposa foi eleita por aspectos anatômicos e fisiológicos, e não por beleza ou amor. Bacamarte estudou na Europa, e mesmo lá foi reconhecido como médico genial. Porém, ele retornou à Itaguaí, sua terra natal, onde casou com D. Evarista e iniciou suas pesquisas sobre a loucura e a saúde mental.
Usando do humor sarcástico, da indução à reflexão, Machado constrói uma maratona ditatorial na cidade de Itaguaí, iniciada por Simão, que dizia que o objetivo da ciência era o mais nobre dos objetivos e por isso ela estava acima até mesmo do bem-estar humano.
Durante uma viagem da esposa e outros próximos do alienista, este começou uma grande caça aos loucos da cidade, colocando todos para dentro do Casa Verde, abrigo que mais tarde viria a ser rotulado de cárcere privado. Passando dos limites do sensato, Simão não se contentou com os loucos e começou a levar até pessoas com as qualidades mentais em equílibrio (ao ver do resto da população) para a Casa Verde. O "abrigo" foi ficando cada vez mais lotado até que 4/5 da população de Itaguaí lá se encontrava.
O terror e o medo, além da indignação por causa de parentes e conhecidos que foram encarcerados, tomaram conta da população, que se organizou para manifestarem-se contra aquela situação - liderados pelo barbeiro Porfírio.
Porfírio tinha, na verdade, a intenção de tomar o poder da cidade, e acabou por consegui-lo. Quando empossado, não teve poder o suficiente, nem atitudes para acabar com a ditadura de Simão. Assim Porfírio foi substituído por outro barbeiro e a cidade tornou-se um caos. Tudo era justificado pela ciência, segundo Simão, que chegou ao cúmulo da frieza quando, depois de ter internado amigos próximos, internou a própria esposa na Casa verde.
Em dado momento da trama, Simão percebe que, estando 4/5 da população local internada na Casa Verde, provavelmente "os loucos" não eram loucos e sim os considerados normais, aqueles sem nenhuma falha moral ou mental. Soltou todos os que estavam internados e internou os aparentemente organizados mentalmente.
Ao final do estudo Simão chega à conclusão de que ninguém é saudável mentalmente, e provavelmente nem ele mesmo. Assim, Machado de Assis conclui de maneira admirável sua crítica à idéia de sanidade mental, quando seu personagem central, Simão Bacamarte, interna a si mesmo, virando seu próprio objeto de estudo e morrendo sem uma resposta final sobre a loucura.



ASSIS, Machado de. O Alienista. Francisco Achcar. Contos de Machado de Assis. 3.ª edição. São Paulo: Objetivo, 1995. pp. 33 - 88.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Alanis Morrissette em Teresina


Alguns artistas são iluminados e tem missões que abrangem e beneficiam muita gente. Quando temos oportunidade de contato com alguns destes seres, não devemos desperdiçá-la...
Não é que eu queira superestimar certas profissões, certas missões e por outro lado subestimar outras. Não. Acho que pessoas de todas as áreas profissionais, sociais e econômicas podem ser iluminadas: um médico que trata e "cura" com amor, um palhaço que faz muita gente rir, um advogado que defende a justiça com paixão. Além de tocar e modificar a vida de muitas pessoas, uma pessoa iluminada, ao meu ver, brilha por si e transborda virtudes como honestidade, justiça, amor, paixão, compaixão, inteligência, talento, entre outras mil que poderia aqui citar.
No caso de Alanis Morrissette, ela transborda não só essas virtudes como outras infinitas. A luz dela ofusca tudo ao redor... se existe mesmo alma, tenho certeza de que o espírito dela é dos mais elevados dentro deste plano. Não falo isso com pouco conhecimento de causa ou só porque ela é uma pop star famosa mundialmente. Não me deixo levar por poder, fama ou quaisquer desses títulos superficiais. Eu falo isso porque sempre analisei, desde quando comecei a gostar de Alanis, as letras complexas da artista. Estas são de uma qualidade poética, literária e filosófica raramente vista nos dias de hoje. E são também tão viscerais, como se rasgassem o peito e alma. Falam de tudo: amor, ódio, raiva, frustração, paixão, dor, problemas sociais, hipocrisia, sociedade, natureza, consciência ambiental e social, diferenças, buscas. Poderia ser mais filosófica?
Por isso digo que alguns artistas tem uma missão muito importante, que é confortar nas horas de dor, seja por um comediante ou por um pianista. Ou compartilhar sensações, sentimentos. Induzir a reflexão sobre temas variados. Para isso existe a arte: para nos fazer transcender e evoluir. Um dia, todos serão artistas. Acho que será o máximo da evolução. Enquanto não chegamos lá, precisamos observar e apreciar as artes existentes e os seres iluminados que tanto nos ensinam e nos fazem felizes.

Então quando soube do show da Alanis que aconteceria em Teresina, capital do Piauí, estado vizinho, não resisti: eu tinha que ir. Não apreciei tanto os últimos trabalhos da Alanis (musicalmente, as letras continuam geniais), mas por tudo que ela já fez, ela merece ser vista. Vale a pena pagar um ingresso e passagens de ônibus. Até hotel se necessário. E assim foi. Dei meu jeito e através de um contato na internet conheci um cara (muito generoso, por sinal) que aceitou comprar meu ingresso, já que estes não estavam à venda na internet ainda. Reservei um hotel em cima da hora. E, junto com uma amiga, a D., partimos para a aventura.
Teresina é uma cidade realmente quente. Um dos vários taxistas que nos conduziram pela cidade (todos muito falantes e receptivos!) me disse que, em períodos extremos, chega a fazer 48ºC na cidade.
Chegamos no dia do show mesmo, lá pela hora do almoço, tomamos um banho e fomos almoçar no Teresina Shopping. Eu tava passando mal, mas isso não vem ao caso. Até a hora do show eu já estaria recuperada. Pegamos outro táxi e fomos para o outro lado da cidade, buscar nossos ingressos. Quase não achamos a bendita casa, porém no final tudo deu certo.

20h. Lá estávamos nós na fila do show. Havia uma fila mediana, o show mesmo só começaria depois das 23h, todos sabiam. Então fomos umas das primeiras, e, por sorte, encontramos conhecidos que eram praticamente os primeiros da fila. Juntamo-nos a eles. Vi muita, muita gente de São Luís. Inacreditável ver tantos conhecidos assim em outra cidade. Fora os maranhenses que foram e eu não conhecia. Um amigo meu viu a Alanis bem de perto no hotel.

Às 21h10, mais ou menos, abriram os portões e saímos correndo. Era mais pela empolgação, já que o local ainda não estava lotado (só começou a lotar mesmo depois das 22h30). Havia uma área vip em frente ao palco, e eu não estaria nela. Sorte a minha que o palco era alto o suficiente para que todos, independente de estarem na área vip ou na pista comum, pudessem ver Miss Morissette perfeitamente. A tour dela não traz telões. Colei na grade e fiquei na primeira fila da pista. Não saí de lá para nada, não queria perder o lugar. D. foi para a área vip e fiquei com meus outros conhecidos.
Duas ou três bandas locais tocavam em outro palco. O calor era desagradável. Começou a chegar gente e mais gente. Logo a pista vip estava lotado. Entre esse intervalo, duas pessoas que estavam comigo avistaram os músicos da banda da Alanis e foram conversar com eles. Conseguiram. Eu nem vi eles saindo, para ser sincera. Eu mal me mexia, já que uns pirralhos estavam me esmagando, loucos para roubar meu lugar. Mas eu empurrava de volta.
A espera era ansiosa. Meus pés já estavam doendo, pois a viagem foi de quase 7 horas e eu mal dormira. Como havia estado doente durante três dias antes do dia do show, sentia-me fraca. Comi chocolate e bebi bastante água para não ter problemas depois.

23h30. A banda entra. A voz de Alanis ressoa. Ela entra, nem devagar, nem depressa. Sorridente. Muito sorridente. Parecia estar muito feliz por estar no Brasil, em especial em cidades menos conhecidas, longe dos pólos econômicos. Senti a luz: ela é mesmo iluminada.
Em alguns momentos, tive vontade de chorar. Era lindo ver todo mundo cantando coisas tão profundas, e tão íntimas para ela, junto com a mesma. Coloco-me no lugar dela e posso imaginar o quão especial deve ser essa sensação.
A energia de Alanis no palco é espetacular: ela dança, canta, toca guitarra, violão, bate o "cabeção", toca gaita, roda o cabelo, acho que fica tonta. Aí cai no chão. É fantástico. Eu acho que eu, que sou compositora e musicista também, teria mais ou menos a mesma energia no palco. Identifiquei-me ali.
Alanis cantou super bem. Acho que em algumas músicas ela usava uma voz (dela mesmo, gravada precocemente) de fundo, mas só em algumas mesmo. Na maioria deu para notar que era só ela e o microfone. O som estava impecável e a iluminação muito bonita. O cenário da sua tour é simples, mas de bom gosto. Ela, como pessoa, foi super educada, sorridente. Passou uma ótima vibração.

Alguns momentos para mim foram especiais:
-Not As We, pela performance emocionada.

-Head over feet, pois marcou a minha vida, emocionalmente falando. E foi tocando essa música no violão que recebi o primeiro elogio musical de um amigo. Cantei gritando, loucamente!

-Flich, eu não esperava essa música. Não estava no setlist de Manaus. Adoro a letra, ela fala de um sentimento de anos, que ficou reprimido. Alanis ama alguém há tanto tempo... (depois irei fazer um post somente sobre essa curiosidade). Também cantei do começo ao fim.

-You Oughta Know, pela energia do público cantando. Todo mundo adora.

-Tapes, pois é minha preferida do último álbum e eu acho a letra divina.
-So Unsexy: Ficou linda em versão acústica!

-You Learn, pois acho essa letra uma lição de vida, todos cantaram emocionados e a Alanis parecia mais feliz que nunca.
-Ironic, simplesmente por ser um clássico.

-Thank you. Ela saiu duas vezes no palco. O primeiro bis foi com You Learn e Ironic. Eu, que esperava por Thank You (uma das minhas preferidas musicalmente falando, acho aquele teclado lindo), achei que ela não voltaria e já estava ficando um pouco decepcionada... mas... lá vem Alanis de novo, "Thank You". E no final mandou beijinhos sinceros para a platéia.


Setlist:

Uninvited
Versions of Violence
All I Really Want
The Couch 2
Not The Doctor
Not As We
Head Over Feet
The Couch 3
Sympathetic Character
Flinch
Moratorium
You Oughta Know
Tapes

*Set acústico:
Hand in My Pocket
So Unsexy
So Pure

*BIS:
You learn
Ironic
Thank U

Nas últimas músicas, apesar de cansada fisicamente, eu torcia para o show não acabar. Foi muito, muito emocionante. Ver aquela pessoa com quem você se identifica cantando ao vivo para você,para pessoas perto de você. Ouvir ao vivo, ver ao vivo performances de músicas que marcaram a sua vida, com o artista original ali, pertinho. Foi bastante gratificante, valeu a pena. Meus amigos gostaram bastante, todos amaram o concerto.
Enfim, na volta para São Luís, logo no dia seguinte, tive a certeza de que nada foi em vão... e no peito aquela nostalgia imediata.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Melhores e Piores de 2008 (Música)

[edited in 14/03/09] ;)
Se você escuta Madonna, Wanessa Camargo e Forfun, por favor, não leve essas listas a sério.

Fiz uma lista dos melhores álbuns de 2008. Acho que nunca baixei tanta coisa nova quanto neste ano. Internet tem lá suas vantagens...

Os 20 primeiros estão mais ou menos na ordem... o resto é aleatório.
Para os meus 3 preferidos coloquei links de videoclipes no youtube.

Os melhores:
1)Beach House - Devotion (http://www.youtube.com/watch?v=8UqwNLdb45k)
2)Fleet Foxes - Fleet Foxes (http://www.youtube.com/watch?v=DrQRS40OKNE)
3)Albert Hammond, Jr - ?Cómo te llama? (http://www.youtube.com/watch?v=CMVUcrTj0ps&feature=related)
5)The Secret Society - I am becoming what I hate the most
6)Cold War Kids - Loyalty to Loyalty (que letras ótimas eles têm...)
7)Elbow- The Seldon Seen Kid
8)Eli "Paper Boy" Reed & The True Loves - Roll with you
9)
Bon Iver - For Emma, Forever Ago
10)Matt Costa - Unfamiliar faces
11)MGMT - Oracular Spectacular
12)Aaron Thomas - Follow the Elephants
13)Supergrass - Diamond Hoo Ha
14)Uh Huh Her - Commom Reaction
15)The Music - Strenght in numbers
16)Gnarls Barkley - The Odd Couple
17)The Last Shadow Puppets - The Age of the Understatement
18)Dido - Safe Trip Home
19)Erykah Badu - New Amerikah Part One
20)Our Broken Garden - When your blackening shows
21)Vampire Weekend - Vampire Weekend
22)Aimee Mann - Smilers
23) Britta Persson - Kill Hollywood Me
24)Jay-Jay Johanson - Self-Portrait
25)Paul Weller - 22 Dreams
26)James - Hey Ma
27)Adele - 19
28)The Verve - Forth
29)Tracy Chapman - Our Bright Future
30)Beck - Modern Guilt
31)Travis - Ode to J.Smith
32)The Dears - Missiles
33)Rachel Yamagata - Elephants
34)British Sea Power - Do you like rock music? (inferior aos outros, mas... bom!)



As decepções de 2008 (bandas que eu costumava gostar ou/e pelas quais eu tinha muita expectativa e no fim me frustraram):

-R.E.M
-Metallica
-Offspring (algumas muito boas, outras muito ruins!)
-Coldplay (salvo Viva la vida, mas depois que descobri que é plágio do Satriani... hahaha...)
-The Killers (não é tão ruim, mas eu ainda espero um álbum tão bom quanto o primeiro)



OS PIORES de 2008:

-Black Rebel Motorcycle Club (que coisa horrorosa! e eu até gosto das trabalhos anteriores)
-Marcelo Camelo
-Little Joy


BANDAS DAS QUAIS TODO MUNDO FALOU BEM E EU NÃO ACHEI NADA DEMAIS:

-Deerhunter
-No Age
-Mallu Magalhães

BANDAS BASTANTE ANTIGAS QUE SÓ PAREI PARA OUVIR EM 2008 (E AMEI):

-ROXY MUSIC
-TELEVISION






segunda-feira, outubro 20, 2008

Revolução: modifique o lugar onde você está.

GUEVARA E FIDEL ERAM REVOLUCIONÁRIOS




DORIVAL CAYMMI ERA REVOLUCIONÁRIO




OS ARTISTAS DA SEMANA DE ARTE DE 1922 FORAM REVOLUCIONÁRIOS




Ontem comecei a ler o novo livro que comprei, um livreto, chamado "Fidel - A estratégia política da vitória", fato que me fez retomar um pensamento induzido por aquela professora de filosofia, aquela de quem sempre falo: A melhor professora de filosofia que já conheci.

Quando tinha 13 anos de idade eu tinha o mesmo desejo absurdo de tantos jovens de sair do país, ter casas em várias nações da Europa e, para isso, ser rica. Chegava a enumerar e listar os nomes dos países de meu interesse. Queria morar em qualquer lugar, menos no Brasil. Com o tempo fui descobrindo as maravilhas do meu próprio país, da minha própria cidade - por conta própria. Começando pela vista da sacada do meu próprio prédio (meu antigo prédio), que por muito tempo eu não valorizei. Era tão linda e simples, e à medida que fui crescendo fui percebendo que ali eu tinha um tesouro e de que poderia ser feliz com coisas simples, sem o glamour *ilusório*de Londres ou Los Angeles.

O que a antes citada professora de filosofia dizia era: Todos saem para lugares que dizem mais "evoluídos". De "primeiro mundo". Porque lá tudo é melhor, são lugares bons de se viver. Mas em tais locais tudo já está pronto. Toda a evolução e grandiosidade, em todos os aspectos (culturais, educacionais, sociais, econômicos, políticos e artísticos), foram construídas pelos seus respectivos nativos. E a professora batia em outra tecla: muitos de nós nos sentimos inferiorizados perante as críticas dos nativos de tais países quando para lá nos mudamos. Mas o que eles criticam está certo: tantos brasileiros (no caso) mudam-se para lá, de mala e cuia, e esses em nada ajudaram na construção do país. Por que não ficam em seu próprio país e tentam mudar as coisas neste? A questão da imigração é bastante cômoda para quem recebe os "novos moradores". É sabido: a população local cresce, os problemas aparecem. E o pior: problemas trazidos por alheios.

Eu, até então, nunca havia parado para pensar nisto. Mas refleti bastante e, sendo impessoal, vi que é fato e não questão de opinião. É uma espécie de "egoísmo inconsciente". As pessoas querem fazer suas vidas, enraiza-las e ter seus filhos em lugares onde tudo já está maravilhoso, pois assim tudo é mais fácil. Vão embora e esquecem da miséria que presenciaram um dia em seu país, dando as costas e dizendo simplesmente "tchau, eu vou pr'uma melhor e vocês fiquem aí, nesse Brasil de merda".

Lutar em termos pessoais, dentro da nossa própria vida, já é difícil, imagina lutar em termos sociais. É verdade. Levamos muita coisa "com a barriga" e queremos o mais rápido e prático. Questão de sobrevivência do homem. Mas sendo menos animalescos e tentando ser mais humanos, por que não tentamos ser mais politizados ou mais ousados e questionadores, formadores de opiniões, influentes, de forma a tornar a práxis algo viável a favor da evolução de nosso próprio país e de nossa própria cidade? Por que fugir para onde tudo já está pronto? O que cada um de nós fazemos para melhorar nossa própria cidade (se é que fazemos algo)?






Lembro aqui que questões gerais estão envolvidas e não apenas a parte política (o que é diferente de politicagem barata). Questões que envolvem filosofia profunda e a práxis desta. Sociologia como instrumento de reforma, e por que não, uma pedagogia bem aplicada. A questão artística também é fundamental. O artista verdadeiramente revolucionário não sai de onde vive para buscar o padrão externo, revoluciona a partir do ponto onde se encontra. Esta é a verdadeira revolução. Se isto fosse aplicado à realidade, a arte não encontraria-se tão segmentada e concentrada em grandes metrópoles, e por consequência, cidades menores seriam mais auto-suficientes em sua arte e sua população valorizaria mais o que é de casa (por isso dizem: santo de casa não faz milagre - compramos muita arte externa e esquecemos o que é nosso).

O medo de ousar em cidades menores, no caso do Brasil, é generalizado, em todos os aspectos possíveis dentro de uma sociedade. Vê-se pela política, os bons e honestos raramente encaminham-se nesta carreira, porque já é implantada a mentalidade, no Brasil, de que "todo político é corrupto". E isso se aplica, em esferas diferentes, a todo tipo de trabalhador, artista ou cientista.

Nivandro Vale, cantor e compositor maranhense, enche os bons ludovicenses de orgulho ao dizer: "Vamos valorizar o que é nosso! Nós também sabemos fazer boa música". E considero o que Nivandro faz algo super inusitado, faz música alternativa no Maranhão, estado que já foi um dos grandes pólos da literatura nacional e que hoje em dia pouco lê os próprios escritores, que fizeram história. Isto é um exemplo literário, mas que pode-se aplicar à música ou à qualquer contexto. Há pouca valorização por parte do público ou população (e também do governo) e pouca audácia por parte dos artistas ou políticos ou cientistas, dependendo do aspecto analisado. Temos artistas muitíssimo completos, como João do Vale, mas que pouco são valorizados dentro de seu próprio estado. Artistas, políticos e cientistas em potencial temos o bastante, mas ousadia para fazer a arte e a ciência nascerem e brilharem neste chão... pouco há. A maioria precisa sair, ou sai por medo de arriscar aqui. O título de "pioneiro" ou de "talentoso" parece não competir com o medo de fracassar ou de sentir-se diferente do padrão.
Por tudo isso deve-se aplaudir atitudes como a de Nivandro Vale, que arriscou fazer sua arte aqui mesmo, e esta sim é a alma que espera-se de verdadeiros revolucionários. Porque fazer revolução onde tudo já encaminhado é muito fácil e muito vão.

A leitura de "Fidel - A estratégia política da vitória" fez-me pensar sobre o assunto pois muito admiro aquele bocado de cubanos, que nem pobres eram (no caso de Fidel Castro e Che Guevara) e tentarem implantar um sistema baseado no Marxismo e voltado para o nivelamento de classes. Tudo começou com o "Movimento 26 de Julho" e com cabeças pensantes e destemidas. Enfim, não buscaram a revolução fora, mas dentro de sua nação, buscaram revolucionar não só as próprias vidas (como tantos brasileiros fazem ao irem morar no exterior) mas revolucionar seu país e outras tantas vidas. Concordar ou não com o regime implatado por eles é outra coisa. Independentemente disso, é necessário admitir que houve total revolução. Na minha opinião, para melhor (com exceção de alguns aspectos).

Tom Jobim disse: "O Brasil não é para principiantes." Realmente, não é. Se você não tem ousadia vá embora, vá embora se não pode ajudar. Melhor do que ficar reclamando de pés para o alto, sem nada fazer para mudar o quadro do país.
Outra fase ótima de Antônio Carlos Brasileiro (ou seria de Vinicius de Moraes?) é a seguinte: "Lá é bom, mas é uma merda. Aqui é uma merda, mas é bom." Sobre os Estados Unidos da América.

A alma humana é terrivelmente insegura e medrosa. Não há espaço para rupturas bruscas, infelizmente. Então é mais fácil enveredar pelo caminho da covardia, como diria meu amigo e filósofo Fabio de Oliveira. O mais fácil é cortar laços, manter somente o essencial e imitar a ganância padronizada, a do querer sempre mais dinheiro. O mais fácil é tentar uma vida materialmente boa e ser objeto de manipulação para que os poucos realmente poderosos façam de você o que desejarem. O mais fácil é seguir a "receita de bolo". O que já está pronto. O mais fácil é usufruir. Vai-se para onde, então, possa-se usufruir do que foi erguido pelo suor de outros, pela ousadia de outros. Seja lá onde for.

Acredito que, na verdade, as pessoas, na falta de reflexão, no "egoísmo inconsciente", e principalmente em sua fraqueza e carência inata, buscam em novos lugares suprir o vazio da alma. Mais uma ilusão, das tantas.

"A grama do vizinho é sempre mais verde".


Para concluir, deixo aqui dois textos:
O primeiro é uma letra da banda brasileira Ludov, que fala do vazio da alma que tentamos suprir mudando de cidade, de país...
O segundo é de Cecília Meirelles, já postado anteriormente neste blog, que fala sobre valorizar o que temos e aprender a enxergar o belo que nos cerca e que muitas vezes a visão insensível e endurecida não nos permite ver.


Fugi desse País - Ludov

Se eu me perdi
Quando eu errei
Quando eu senti
Que quase estraguei
Toda a construção

Fugi desse país e fui buscar
Qualquer outro lugar
Pra tentar ser feliz
Deu vontade de voltar

Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Vou construir uma família como a gente quis
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade não conhecerá meu fim
O que procuro encontrarei dentro de mim

Se eu me enganei não foi por mal
Andei na contra-mão
Daquilo que previ
De tudo que é normal

Fugi desse país e fui buscar
Qualquer outro lugar
Pra tentar ser feliz
Senti vontade de voltar

Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Vou construir uma família como a gente quis
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade não conhecerá meu fim
O que procuro encontrarei dentro de mim

Vou construir uma família como a gente quis
Pra te dizer que as opções ainda estão aqui
Quem tem menos faz bem mais que nós por si
Essa cidade sempre foi nosso jardim
O que procuro já encontrei dentro de mim




A arte de ser feliz (Cecília Meirelles)

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crinças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Concordo com Rousseau

Como dizia Rousseau, o homem em seu estado natural é bom e se corrompe devido às influências da sociedade. Eu entendo que o que o filósofo quis dizer com isso foi que, obviamente o homem carrega dentro de si instintos bons e maus, mas a inteligência, quando adquirida, corrompe-o de tal forma que acaba por o deixando cego aos sentimentos.
Tantas pessoas insatisfeitas com suas ocupações, com seus salários, com seus empregos... Passamos em média 22 anos de nossas vidas estudando, 7 horas por dia, normalmente. Pela conta da Marília, isso deu 41426 horas perdidas de nossa vida. Obviamente aproveitamos daí algo. Umas 50 horas, 100, dependendo da pessoa. Para os mais desesperados digamos que consigam aproveitar 1.000 horas.
E assim temos que estar sempre correndo, presos no engarrafamento, esperando o ônibus que nunca vem, em filas intermináveis de banco, enfrentando burocracias medonhas, e aí vão mais umas 2 mil horas perdidas. Fora as horas do trabalho, que alguns chamam serviço, mas pensando bem... ninguém presta serviço para a sociedade, se assim fosse não cobrariam por isso. Querem é encher o bolso.
E assim vamos sendo engolidos, cada vez mais presos... e nossos filhos já nascem novos escravinhos do sistema, sem a mínima liberdade de escolha.
E quem enriquece? Os mais espertos, exatamente os que foram corrompidos pela inteligência. Os outros, grande maioria? Só trabalham e trabalham, sem nem se questionar o porquê. Esperam por um futuro no qual poderão usufruir de algum fruto do trabalho... em vão.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Meu violão & Eu




Hoje achei a minha primeira aula de violão, registrada num caderno. Foi teórica e prática ao mesmo tempo. Após a primeira aula já saí tocando uma música inteira. Era uma música fácil, mas eu tocava direitinho... para quem não sabia nenhum acorde até então, tava de bom tamanho. Minha professora, Cris, era o máximo.

A aula dizia assim:

Cifras -> Representação gráfica dos acordes. Elas são simbolizadas pelas primeiras letras do alfabeto e são conhecidas em todo o mundo ocidental.

Notas musicais Cifras
Dó -----------> C
Ré -----------> D
Mi -----------> E
Fá -----------> F
Sol -----------> G
Lá -----------> A
Si -----------> B

Os acordes podem ser:
-Maiores (M)
-Menores (m)
-Numerados (4,5,7...)
-Com sinais (+,-,º)


E assim por diante. Saudade daquele tempo.
Hoje em dia o violão e a música já estão tão incorporados na minha vida e no meu dia-a-dia que mal paro para pensar no quanto é surreal, nas minhas condições, na minha cidade, na minha idade, eu tocar violão assim, como se fosse a coisa mais normal do mundo uma menina fazer isso em 2002 em São Luís do Maranhão. Eu era (e ainda sou) uma das poucas.
O que seria de mim sem meu Dexter?

Centenas de Tipos

Esses dias ando pensativa demais. Isso me assusta, pois quando muito reflito não chego lá à tão boas conclusões sobre as coisas em geral. Sobre pessoas em especial.
O importante é... não existe só um tipo de pessoas. Não existem dois tipos de pessoa. Existem centenas de tipos. Essa é a salvação.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Talkin about a revolution

American Way Of Life


Por que todos tem que fazer faculdade? Casar? Usar jeans... vestir-se? Atentado ao pudor, diriam para a última questão. "Civilização!" Usar roupa num calor desses lá é civilizado? Mas claro, nós tínhamos que corresponder aos gostos dos nossos colonizadores portugueses, que viviam numa região de clima temperado, algumas vezes, frio. E nós aqui embaixo num calor de 35ºC temos que fazê-lo, usar muitas roupas, porque é o correto. Os índios são uns primatas, uns sem-vergonha que andam pelados, o Big Brother (vide 1984) diria. Mas Renato Russo diria o contrário:
"Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal"

"Tudo que é normal". Semana passada fui chamada de "louca" duas vezes na faculdade. Claro que foi num tom de brincadeira, mas sabe quando nota-se uma verdade por detrás? Só porque eu faço tudo ao contrário. Só porque contesto, discordo. Penso diferente, logo, sou louca.

Existe uma letra maravilhosa de Nara Leão para essas situações. Todo mundo faz as mesmas coisas, sempre. Nascemos, e então as meninas são colocadas em vestidos cor-de-rosa; os meninos em macacões azuis. Crescemos, as meninas brincam de boneca, os garotos de carrinho. Vamos para a escola com o intuito de passar de ano, raramente de aprender, sem saber exatamente porquê. Depois passamos madrugadas acordados, estudando para o vestibular, porque é uma obrigação fazer faculdade, ganhar dinheiro e pagar impostos. Depois, todos casam-se na Igreja e é aquela velha história. Mas Nara conseguiu sintetizar de forma fantástica:


"Uma caixa bem na praça, uma caixa bem quadradinha
Uma caixa, outra caixa, todas elas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e uma bem amarelinha
Todas elas feitas de tic tac, todas elas iguaizinhas

As pessoas dessas casas vão todas pra universidade
Onde entram em caixinhas quadradinhas iguaizinhas
Saem doutores, advogados, banqueiros de bons negócios
Todos eles feitos de tic tac, todos, todos iguaizinhos

Jogam golf, jogam pólo, bebendo um bom martini dry
Todos têm lindos filhinhos bonequinhos engomadinhos
As crianças vão pra escola, depois pra universidade
Onde entram em caixinhas e saem todas iguaizinhas

Os rapazes ficam ricos e formam uma família
Todos eles em caixinhas, em casinhas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e outra bem amarelinha
E são todas feitas de tic tac, todas, todas iguaizinhas"

Aí temos a clássica do Belchior. O cara diz tudo nesse trecho:

"Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais..."

Existe aquela do Biquini Cavadão também, ótima banda brasileira, pouco reconhecida. A letra fala por si mesma:

"Janaína acorda todo dia às quatro e meia
E já na hora de ir pra cama, Janaina pensa
Que o dia não passou
Que nada aconteceu..."

"...Janaína é só lembrança de amores guardados
Hoje é apenas mais uma pessoa
Que tem medo do futuro- que aconteceu ? -
Se alimenta do passado"


Não é só uma questão de imitar a cultura norte-americana, até porque isto tudo já estava enraizado na Europa antes de qualquer intervenção dos EUA no resto do mundo. É burrice genética mesmo, falta de reflexão.
Eu quero o meu Vilarejo de Marisa Monte, outros querem a poluição das metrópoles em troca de vida agitada e acabam empobrecendo e adoecendo enquanto comem bobagens e enriquecem os donos de Fast-food... Cada um quer uma coisa, mas todos seguem sempre o mesmo caminho e acabam fazendo as mesmas coisas. Porque na verdade, é tão difícil fazer o que realmente queremos, gastar o tempo da forma que queríamos. E continuamos, assim, sendo moldados por minorias manipuladoras.

Vamos revolucionar, pessoas! Não temos mais tempo.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Eles querem ser como nós


Richard Edwards, o anoréxico assexuado que se auto-mutilava, admirava garotas. Não é à toa que seu antigo companheiro de banda e possível amante no passado, Nicky Jones, veste-se de forma um tanto andrógina nos shows do Manic Street Preachers.

Nicky, o atual letrista da banda depois do desaparecimento de Richey, parece lamentar sua condição masculina. Em "The Girl who wanted to be God" ele incorpora o sexo feminino: "I am the girl who wanted to be god". Em "Born a girl" o mesmo diz: "And I wish I had been born a girl and not this mess of a man".

Homossexualidade? Não necessariamente. Nicky é casado com uma mulher e tem filhos. Mas acredito que artistas tão sensíveis como ele tenham o lado feminino bastante aflorado. Genética.

Antony Hegarty, da maravilhosa Antony and the Johnsons, é gay assumido e, também, possui um visual andrógino. Na linda canção "For today I am a boy" Antony canta: "One day I'll grow up, I'll be a beautiful woman. One day I'll grow up, I'll be a beautiful girl.But for today I am a child, for today I am a boy."

Eu poderia citar tantos outros, gays ou não, andróginos ou não. David Bowie, Mick Jagger, Brian Molko, Ney Matogrosso...É como se ser mulher fosse um status, como se a mulher estivesse em um nível de poder diferente. Talvez por isso muitos gays idolatrem mulheres, em especial divas extravagantes. Eles queriam ser como elas: Not a mess. Beautiful.